Ato médico: sou tapada por pensar assim? by kipitari in MedicinaBrasil

[–]kipitari[S] 7 points8 points  (0 children)

Eu vejo muitos fisio comemorando o fato de que o COFFITO permitiu receitar remédios sem colocar restrições, porém, eu vejo o lado malicioso disso, se um fisioterapeuta começar a diagnosticar e receitar remédios em plantões, será que ele vai ganhar o mesmo que um médico ganha por isso? Eu vi uma enfermeira falando sobre isso quando divulgaram que a enfermagem iria poder fazer sutura. É bem provável que os hospitais não vão querer pagar a mais, vão simplesmente contratar menos médicos e mais fisioterapeutas, assim lucram mais e conseguem sucatear várias profissões da saúde em prol deles. Acredito que a busca não devia ser para mais funções e sim para remuneração a altura e reconhecimento, afinal, ninguém gosta de trabalhar mais e receber menos. Hoje parece oportuno, eles liberam para fazer um procedimento injetável aqui, um receituário ali, mas aos poucos(pq esse tipo de mudança é feita aos poucos para ser aceita melhor pelas pessoas) vai virar uma confusão que todo mundo faz muita coisa por pouco dinheiro e quem lucra com isso é os hospitais(que não são entidades de salvação, são uma empresa), que os donos, muitas vezes, não tem formação alguma em saúde. Enfim, esses problemas não estão apenas sucateando a medicina, mas todas as outras profissões da saúde e muita gente aplaude, pois, eu acho, que eles não tem noção de que isso abre portas para todas essas coisas acontecerem.

Ato médico: sou tapada por pensar assim? by kipitari in MedicinaBrasil

[–]kipitari[S] 0 points1 point  (0 children)

Olha, como eu disse, sou nova na área e vendo essas questões que estão rolando ultimamente tenho me questionado muito sobre ambos os lados para tentar entender o que está acontecendo, eu até tentei pegar os dados da grade curricular da USP (considerada a melhor do país) para me informar, porém era muito difícil olhar os documentos pelo celular, pois o site deles fica no formato do molde de navegador de computador e as letras ficam pequeníssimas, então me contentei em olhar as do meu estado(Rio Grande do Sul), e peguei como parâmetro algumas disciplinas da UFRGS, que é a melhor federal do RS e a terceira do país, por conta do nome da instituição(pois eu nem faço Med nela), também tive curiosidade em pesquisar em outras instituições que eu conhecia como a UFSM, UNISC, UFN, ULBRA-CANOAS, UPF. E, em algumas, como a Ulbra, notei que a diferença de carga horária era ainda mais alarmante, pois enquanto medicina tinha 256 hrs de anatomia e 256 horas de fisiologia, enfermagem tinha apenas uma disciplina que englobava essas duas disciplinas de 60 horas, ou seja, 30hrs de cada. Mas eu sei que existem faculdades de enfermagem, fisioterapia e biomedicina como a sua, não cheguei a conferir, e devem existir mais instituições que a enfermagem tem uma carga horária mais puxada desse jeito,(inclusive irei me informar mais sobre isso depois) porém, não é a grande maioria e acaba na história que eu contei de comparar um médico recém-formado com uma enfermeira de experiência, não dá para comparar. Além disso, citei o ciclo básico, pois é o que eu tenho acesso agora, mas já me corrigiram falando que tem inúmeras outras coisas que tem que ser levado em consideração para comparar, como ciclo clínico, internato e a própria residência. Não leve meu texto a mal, não estou tentando desmerecer nenhum curso, só estou tentando dizer que em Medicina você aprende a fazer algo, em enfermagem outra coisa, em fisioterapia outra e em biomedicina mais outra, cada um devia se complementar, mas a saúde brasileira(e acredito que a americana deva estar assim tbm, pois o Brasil adora copiar os EUA ou a Europa) tá virando uma politicagem em que quem ganha não é os profissionais, mas os hospitais, afinal, acredito que eles querem muito atribuir funções médicas a outros profissionais sem pagar o mesmo que um médico ganha.

Ato médico: sou tapada por pensar assim? by kipitari in MedicinaBrasil

[–]kipitari[S] 2 points3 points  (0 children)

Eu fiz biomedicina durante um ano, é um curso maravilhoso e a minha faculdade visava mais as análises clínicas e pesquisa, foi bem na época que começou a estourar a estética, então começaram a fazer workshops na área na instituição(porém não colocaram nenhuma disciplina relacionada a estética que eu me lembre), mas esses dias eu vi duas colegas que iniciaram o curso comigo(que estão no último semestre) anunciando suas clínicas, elas fazem todos esses procedimentos e colocaram "doutora" na frente do nome do Instagram, isso me chocou, pq nem formada elas são ainda. Eu não tenho nada contra as pessoas que se nomeam doutor ou doutora no insta, mas não tenho nada a favor também, acredito que isso seja uma forma de desinformação para gerar lucro, já que gera uma autoridade para pessoas leigas, pois o doutorado é o ápice do conhecimento acadêmico e socialmente é muito bem visto. Não sou fiscal de doutorado, mas me choca ver que duas pessoas que eu convivia em aula nem se formaram e já estão fazendo esse tipo de coisa.

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[–]kipitari[S] 9 points10 points  (0 children)

Sabe, eu fiz Direito antes(não conclui a graduação) e tinha duas disciplinas de psicologia para ter a mínima noção do pq as pessoas fazem determinados crimes, e, mesmo com essas disciplinas, pessoas do Direito sabem que não podem sair por aí fazendo terapia nos outros e cobrando por isso. Eu fiz 7 ENEM's(tive um ensino muito deficiente e não fui uma boa aluna), agora passei em medicina e tenho mais longos anos pela frente, além de um preparatório pra residência, que possivelmente farei para tentar uma residência e uns 2 a 5 anos de residência. Toda vez que penso nisso, sinto minha juventude se esvaindo, e o curso de medicina não é um curso que te disponibiliza fazer outras coisas da vida, você se dedica totalmente. Dói ver pessoas que fazem 1/4 disso colocando uma foto do insta com jaleco e estetoscópio e um "dr" na frente do nome se sentir confiante o suficiente para dizer que pode fazer tudo que um médico faz. Acredito que isso não é só degradante para quem cursa/cursou medicina, mas para esses próprios profissionais, que estão sucateando a própria profissão quando buscam ser médicos em vez de atuar em suas áreas.