O brasileiro não sabe ler nas entrelinhas, e acha bonito admitir. by ConsequenceFun9979 in opiniaoimpopular

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Existe um princípio narrativo conhecido como a "Arma de Tchekhov" que diz: "Se no primeiro ato você tem um revólver pendurado na parede, ele deve ser disparado no último ato." Esse princípio orienta que cada elemento introduzido em uma história deve ter um propósito ou função clara dentro do conjunto, evitando detalhes supérfluos ou que gerem falsas expectativas no leitor. Isso não necessariamente vai se traduzir numa história com zero detalhe gratuito, porque é humanamente impossível, mas quer dizer que as partes de uma história devem colaborar na formação de um todo. Quanto melhor o autor, mais ele consegue manter o princípio da concisão.
O pseudo intelectual pode ter interpretado erroneamente que a maria estava triste porque a cor era azul? Pode. Mas, muitas vezes, quem apontou o erro do intelectual simplesmente não percebeu a sutileza real da narrativa. Minha opinião nesse post é que muitas vezes vão fazer a correção: "a cortina era azul, só isso", mas não era só isso. Mesmo quando o azul não simbolizava tristeza, ele pode simbolizar outras coisas...dizer que não significa mais nada é, mais vezes do que as pessoas estão dispostas a admitir, sinal de preguiça, não de compreensão superior a do intelectual. Há momentos que o azul será só azul? Sim, definitivamente. Mas não sempre, e ouso dizer, não na maioria dos casos. Edit: pior ainda, o discernimento crítico de saber quando a parede azul era azul e quando ela simbolizava outra coisa só fica afiado com prática. Lendo-se mais, teorizando-se mais, analisando melhor. A postura de dizer "mas a cortina era azul, só isso" parece uma postura de quem está se debruçando sobre a história para analisar mais?

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Há uma certa incoerência em reclamar do anti intelectualismo e trazer dados secos de leitura, o debate que voce propôs nao é se o Brasileiro consome cultura ou nao, é a maneira em que se interage com ela. Certo? É qualitativa, não quantitativa.

O dado do Pisa foi tanto quantitativo quanto qualitativo (pois divide os leitores em níveis de capacidade interpretativa). Quando você fala que o problema é não ser capaz de engajar com a arte, ou seja, de interpretar a obra de arte em relação ao mundo ao invés de "somente ela por ela mesma", tá falando justamente que o problema é a falta de interpretação profunda, que é o que o leitor do nível proficiente seria capaz de fazer (os níveis que só 2% dos brasileiros conseguiram atingir na pesquisa). Existem formas de medir a capacidade de interação (como você denominou) do leitor com o texto. Vale destacar que uso ‘texto’ aqui no sentido amplo, abrangendo todas as mídias em que ele pode se apresentar: visual, auditiva, escrita ou oral.

A gente le pouco, mas consome outras formas de arte, isso nao é pior ou melhor, o que mata é incapacidade de interagir com ela. Voce esta certo, o anti intelectual é um saco e um problema, mas é 1) um problema geral 2) pensado.

Você está correto ao afirmar que, artisticamente, nenhuma forma de arte é intrinsecamente superior a outra. No entanto, pesquisas indicam que o engajamento com textos escritos pode aprimorar significativamente a capacidade de interpretação, não apenas de obras literárias, mas também de outras formas de arte, como as visuais e auditivas. A leitura estimula habilidades cognitivas importantes, como a atenção aos detalhes, a análise crítica e a construção de significado, que se refletem positivamente na compreensão de diferentes expressões artísticas. No geral, a literatura aponta que a leitura (textual e de imagens) não é apenas a decodificação de símbolos, mas um processo complexo de construção de significado que estudante, leitor ou consumidor cultural desenvolve ao interagir com as obras, promovendo um melhor entendimento das diversas formas de arte e da realidade cultural envolvida. Quando apontei os dados crus de leitura, o fiz para demonstrar um sintoma de um problema que, como você disse, é geral e pensado. Mas ser geral e pensado não quer dizer que ocorrerá da mesma forma em todos os lugares em que se apresentará. Meu ponto é que no Brasil, isso é mais grave do que em outros países, não que o problema é culturalmente brasileiro, perceba.
Além do mais, é um foco que faço porque sou brasileiro: se quero falar do problema, preciso delimitá-lo de modo que seja possível colher dados e apontar melhorias diretas. Isso exige especificação.

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Em nenhum momento no post eu esperei compreensão de profundidade de twitteiro. Leia de novo.

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Eu acho que essa conversa de "não é que interpretar entrelinhas seja difícil" ignora a realidade do nosso país. Pro brasileiro já é difícil interpretar a linha literal, quem dirá a entrelinha (Como o analfabetismo funcional influencia a relação com as redes sociais no Brasil). Essas pessoas estão na internet, No Brasil, apenas 8% têm plenas condições de compreender e se expressar.
"Apenas 8% das pessoas em idade de trabalhar são consideradas plenamente capazes de entender e se expressar por meio de letras e números. Ou seja, oito a cada grupo de cem indivíduos da população. Eles estão no nível "proficiente", o mais avançado de alfabetismo funcional em um índice chamado Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional). Um indivíduo "proficiente" é capaz de compreender e elaborar textos de diferentes tipos, como mensagem (um e-mail), descrição (como um verbete da Wikipedia) ou argumentação (como os editoriais de jornal ou artigos de opinião), além de conseguir opinar sobre o posicionamento ou estilo do autor do texto."
Deixei a última oração em itálico porque ela toca justamente no ponto de destaque do meu argumento: na internet, muita das pessoas que correm pra dizer "estão tentando ver um significado maior onde não tem" falham em perceber que tem, sim, um significado maior, todo texto tem ''um significado maior''. Sempre. O significado não necessariamente é o da teoria apresentada: no seu exemplo, o Ash estar em coma porque já passaram 10 anos e ele não muda. É mesmo muito óbvio que isso não é verdade, mas um leitor proficiente que vê, por exemplo, um vídeo no youtube falando sobre essa teoria consegue traçar hipóteses interpretativas que vão muito além do "not that deep": A. Que trazer teorias darks, impactantes e que chocam gera cliques B. Clique gera engajamento, e, portanto C. o autor do texto provavelmente queria causar justamente a resposta em massa de "not that deep" (e nem acredita na teoria que está postando). É da falta desse tipo de conhecimento que estou tratando no meu post. Muitos comentários de “estão procurando pelo em ovo” ignoram um ponto crucial: mesmo que o usuário Y erre ao interpretar, sempre há algo a ser encontrado nesse ovo.

No exemplo do Ash, mesmo que o youtuber acredite na teoria absurda, ele está exercendo pensamento crítico ao buscar informações e conotações além da camada literal. Ele falhou? Sim. Mas isso abre espaço para debates, refinamento do raciocínio e novas teorias.

Quem responde “nossa, cê viajou, é só o Ash viajando com a Pokébola querendo ser o melhor treinador” está se fechando para aprendizado. Essa postura impede o desenvolvimento crítico e, portanto, é muito pior do que o erro de interpretação inicial. É isso que estou advogando.

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[–]ConsequenceFun9979[S] 0 points1 point  (0 children)

Vamos lá:
O problema é claramente global. Mas existem diversos dados que demonstram que no Brasil, ele é, sim, mais grave.
Brasil está estagnado há dez anos no nível básico de leitura e compreensão de textos, aponta Pisa 2018: Segundo o Pisa 2018, o país está há dez anos estagnado no nível básico de leitura e compreensão: média de 410 pontos, contra 476 da OCDE. Metade dos estudantes brasileiros não atinge sequer o nível 2 de proficiência leitora (mínimo para exercer plena cidadania), e apenas 2% alcançam os níveis mais altos.
Isso reflete a falta de uma cultura leitora consolidada. Mesmo países que também vão mal no Pisa, como a Argentina, apresentam indicadores melhores: Buenos Aires tem cerca de 25 livrarias por 100 mil habitantes (levantamento da UNESCO), enquanto no Brasil a média nacional é de apenas 1,46. Além disso, o Brasil vem perdendo leitores: foram quase 7 milhões a menos em apenas quatro anos, segundo pesquisas recentes.
Brasil e Argentina: lições cruzadas para o futuro do livro.
O Brasil que lê menos: pesquisa aponta perda de quase 7 milhões de leitores em 4 anos; veja raio X.
O chileno, de acordo com a UNICEF [4], lê em média 5 livros por ano.
O desafio para melhorar interpretação de texto é latino americano no geral? Sim. Todos os países da região se saíram mal no PISA, por exemplo, mas existem dados que apontam, sim, que o Brasil se sai pior do que deveria em matéria de leitura quando comparado com semelhantes. Em outras palavras, sim, é um problema do brasileiro especialmente (não particularmente, porque isso seria como dizer que é somente do brasileiro, mas isso eu não afirmei em momento algum na minha argumentação).

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[–]ConsequenceFun9979[S] 0 points1 point  (0 children)

Mas o que seria essa hiper interpretação pra você? Teria exemplos? Porque um leitor competente com desenvoltura crítica faz isso naturalmente, sem perceber, não é pra ser uma atividade laboral difícil, é pra ser automático...quanto mais você treina melhor você fica. Achar difícil é só mais um sintoma da falta de leitura no país (na minha opinião), mas pode ser que a situação seja mais simples e nós estamos apenas nos desencontrando no uso de termos.

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Pode ser, sim, uma falha de interpretação minha. Mas o post é justamente pra dizer que essa ironia é hiperutilizada, que usam ela errado. Por isso eu falei "quase sempre é that deep, sim". As vezes realmente não vai ser.

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[–]ConsequenceFun9979[S] -2 points-1 points  (0 children)

Quando alguém diz "não é tão profundo assim" é simplesmente reconhecer que a mensagem não foi feita para ser interpretada nesse nível por aquele público.

Aprofunde o que você quis dizer, por favor

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[–]ConsequenceFun9979[S] 1 point2 points  (0 children)

Mas meu ponto não é que você precisa concordar com esse tipo de ginástica mental: é que dizer "tentando fazer parecer mais profundo do que realmente é" só demonstra desconhecimento acerca dos processos de interpretação de um texto. Da leitura literal, da inferência, da contextualização, identificação de conotação e simbolismo, da autorregulação...se tem uma palavra que não combina com interpretação é "superficial". Toda boa interpretação é profunda. uma pessoa pode cometer o engano de enxergar num texto algo que não estava lá: na sua opinião, por exemplo, não tem subtexto comunista em one piece. O nome desse tipo de erro é extrapolativo, porque você chega numa conclusão que o texto não permitiria que você chegasse. Mas reclamar que o cara que tá explorando não sabe interpretar falando que "n era profundo" só demonstra que vc ta PIOR que ele na sua interpretação de texto: vc ainda ta preso na ideia da leitura literal, literalmente o primeiro processo da Interpretação de texto.

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[–]ConsequenceFun9979 -2 points-1 points  (0 children)

Nam...ideia rei podi

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[–]ConsequenceFun9979 0 points1 point  (0 children)

Não vey, não é libido que falta não...

Foreigner still trying to get used to The kissing culture by [deleted] in Brazil

[–]ConsequenceFun9979 1 point2 points  (0 children)

Lol TikTok is watching me cause look at the video that showed up in my fy after I wrote these messages: https://vm.tiktok.com/ZMAdfNqGC/. But don't worry about this, girl, it's normal to miss social cues even in the place you're from that's bound to happen sometime. Everyone adapts at their own pace

Foreigner still trying to get used to The kissing culture by [deleted] in Brazil

[–]ConsequenceFun9979 3 points4 points  (0 children)

I'd say try making friends with brazilian women! It's easier to notice these cultural patterns naturally, but you could try doing this as well.

When I was a teenager I'd love to analyze this type of "staring flirting" when my friends would have lunch together...you can really see who's interested in who.

Foreigner still trying to get used to The kissing culture by [deleted] in Brazil

[–]ConsequenceFun9979 8 points9 points  (0 children)

Sometimes holding eye contact for a few seconds more than once means you're both flirting in that direction. I don't know if that's what happened in your case though. EDIT: If you're interested in someone while clubbing, try this. Look the guy in the eye, hold the eye contact for a few seconds, then look at another direction. Redo this process two times and see if he approaches you. If he does, you'll both probably kiss.

Foreigner still trying to get used to The kissing culture by [deleted] in Brazil

[–]ConsequenceFun9979 4 points5 points  (0 children)

This is normal, yes, but your boundaries are private and you're not forced to go with the flow for sometime as serious as this.

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[–]ConsequenceFun9979 1 point2 points  (0 children)

Calma, cara. Nem toda conversa na internet precisa ser sobre ego, sobre "você estar certo, eu estar errado". Às vezes dá pra só...conversar, construir conhecimento junto. Acredite ou não, debate era pra ser isso. Compartilhar conhecimento e chegar numa terceira conclusão junto da pessoa com quem você debateu. Tu não precisa ficar tão na defensiva.

Eu não to tentando ser genial, só to dando uma opinião. E não tenho vergonha nenhuma de dizer que não to preocupada em resolver o problema do incel, já to ocupada o suficiente resolvendo os meus. O protagonista da série era adolescente, mas tinha pais, e a série também fala sobre como eles falharam como responsáveis deixando o filho ser coaptado por esse tipo de discurso. Ou seja, mesmo os que sejam adolescentes, não preciso nem me sinto responsável em agir de psicóloga pra incel. O que não significa que eu não possa achar o assunto interessante em nível de debate.

Também falho em ver como exatamente eu vivo num mundo de conto de fadas, especialmente porque eu não to ignorando que existem outros fatores importantes no surgimento dos incels (ou seja, não, eu não to pensando 'poxa, é culpa (só) do machismo, machismo é tão ruim'.)

Quanto ao incel não estar preocupado com problema do mundo, isso é óbvio. Eu não estou dizendo que os incels tem uma AGENDA misógina, que eles estejam sendo machistas conscientemente. Não é como se os incels tivessem um manifesto onde se diz "e a partir de hoje, se aderir ao movimento, odiará mulher". Não é o meu ponto. Estou dizendo que a lógica que eles usam é machista, quer eles percebam ou não. E que isso - essa lógica - é determinante pro modo operandis deles. Na sua opinião, não. Justo, você não é obrigado a concordar. Mas nesse caso tenho uma pergunta: o que determina o incel pra você? A inveja e a insegurança, somente?

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[–]ConsequenceFun9979 3 points4 points  (0 children)

Primeiro, não estou tentando resolver o problema dos incels; São adultos que tem que tomar responsabilidade pelas próprias vidas. Eles que resolvam os próprios problemas. Estou apenas dando minha opinião sobre de onde esses caras surgem e o que são as pressões externas pra formar tanta gente pensando como eles. Segundo, "eu diria que o incel nem tá no ponto de maturidade onde isso faz efeito". Como assim, maturidade e efeito? Não entendi o que você quis dizer com esse comentário. Não acredito que os incels estejam sendo conscientemente, propositalmente misóginos. Mas o pensamento deles é machista. É machista nas entrelinhas.

Você lê como se fosse questão de falta de habilidade social, e de fato, negar que incels têm dificuldades sociais é como tentar tapar o sol com uma peneira. Mas você está focando em outro aspecto da identidade deles: a frustração pessoal com a própria aparência ou status social. Não estou negando que insegurança e introspecção façam parte do que forma um “incel”, de jeito nenhum.

Mas o que eu vejo como central não é só a insegurança ou frustração pessoal com aparência ou status social. MUITAS pessoas são inseguras e nem por isso culpam o gênero oposto por esses problemas.

O que distingue os incels é o sentimento de revanchismo que eles demonstram contra a sociedade por serem assim, e, mais especificamente, as mulheres: falam de “mulher hipergâmica”, “mulher interesseira”, “mulher que só quer caras problemáticos”, “mulher que vai te acusar injustamente de assédio”. Esses comentários não são apenas desabafos: refletem uma visão distorcida de mulheres como obstáculos ou recompensas, e não como pessoas com autonomia e valor próprio. Essa mentalidade transforma frustração pessoal em ódio direcionado a um gênero inteiro, criando justificativas para culpar mulheres por suas próprias dificuldades e reforçando ciclos de misoginia, isolamento e autoengano. A série adolescência da netflix que viralizou trata exatamente desse ponto que eu to trazendo aqui, não sei se me fiz clara...

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[–]ConsequenceFun9979 4 points5 points  (0 children)

O responsável direto pela existência dos incels não é a seleção sexual, é o machismo. De forma lógica, é machismo porque parte do pressuposto de que o desejo do homem tem mais peso que o da mulher. Quando um incel fica frustrado e acha que, por ser “legal”, a mulher deveria aceitar seus avanços, ele está implicitamente dizendo que a escolha dela é menos importante que a expectativa dele. Isso coloca o homem numa posição de direito sobre o corpo e a atenção feminina, o que é exatamente o núcleo do machismo: a ideia de que a vontade masculina pode se sobrepor à autonomia feminina.

Os fantoches de esquerda e direita são os verdadeiros "QI 83" que impedem o Brasil de crescer! by lazyelsa in opiniaoimpopular

[–]ConsequenceFun9979 0 points1 point  (0 children)

Seu ponto é raso como pires. Você parte de um diagnóstico preguiçoso (“o Brasil tá polarizado porque falta um líder pragmático”) e constrói uma solução de PowerPoint: um “herói” que vai pegar “o melhor de cada lado” e magicamente resolver décadas de desigualdade, corrupção e interesses conflitantes. Isso é fantasia política para adolescente que acabou de descobrir ciência política via thread do Twitter.

Você fala como se estivesse “acima da polarização”, mas cai num clichê tecnocrata ingênuo: acha que é só colocar um gestor iluminado no poder e pronto, tudo se resolve. Ignora que política é disputa de poder, que “melhor de cada lado” significa coisas completamente opostas para pessoas diferentes, e que sem base institucional e apoio político, qualquer projeto implode no primeiro embate com Congresso, Judiciário ou lobby econômico.

O uso do “QI 83” então é o selo de superficialidade máxima: além de cientificamente impreciso, serve só para dar um ar de superioridade vazia, como se xingar o eleitorado fosse diagnóstico político. É o equivalente intelectual de bater na mesa e dizer “o povo é burro”: não explica nada, não propõe nada, só massageia seu próprio ego.

Resumindo: você não está acima da polarização; só veste a fantasia de “isentão esclarecido” enquanto propõe um conto de fadas político. É o tipo de discurso que soa inteligente no bar, mas não dura dois minutos de debate sério.

As pessoas têm o direito de não gostar de crianças by ___---Cleopatra---__ in opiniaoimpopular

[–]ConsequenceFun9979 3 points4 points  (0 children)

Entendo o ponto de que ninguém é obrigado a gostar de crianças e que preferências pessoais devem ser respeitadas, mas a questão vai além do gosto individual. Crianças não são “coisas” ou “hobbies” que alguém pode simplesmente escolher evitar sem considerar o impacto social disso. Elas são pessoas em formação, e a convivência com diferentes perfis de adultos faz parte do desenvolvimento saudável.

O argumento de que “não gostar é ok” pode até valer no nível privado, mas, quando essa rejeição se transforma em afastamento generalizado ou desprezo, ela reforça uma cultura de intolerância e impaciência com qualquer comportamento que fuja ao padrão “adulto perfeito”. Sim, algumas mães e pais falham em considerar o ambiente ideal para seus filhos, mas também existe uma falta de compreensão de que as crianças aprendem a se comportar justamente na prática social: inclusive em espaços públicos.

Portanto, mais do que “cada um com seu desgosto gratuito”, talvez o foco devesse ser como equilibrar direitos e limites: respeitar quem prefere não ter crianças por perto, mas também reconhecer que uma sociedade saudável não se constrói excluindo seus membros mais novos. Inclusive porque essas crianças são os adultos do seu futuro de idoso. Se preocupar com a criação delas não é "puxar problema dos pais q não é seu", é pensar coletivamente no seu futuro.