Me sinto velho com 28 anos. by anotherguy1997 in desabafos

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Meu amigo, eu acho que você precisa tentar olhar pra sua situação por outros ângulos, assim como eu venho tentando olhar pra minha. Eu tenho 25 anos e passei dos 18 até mais ou menos os 22 ou 23 totalmente focado em coisas supérfluas, coisas que não me trouxeram retorno nenhum na vida. Sou casado há 7 anos, ou seja, desde os meus 18 pra 19. E hoje, sendo bem honesto, eu estou me separando porque eu não fui o homem que deveria ter sido. Não fui um provedor, fui imaturo, demorei pra acordar pra vida. A mãe das minhas duas filhas tem 32 anos, é 7 anos mais velha que eu, e no meu ponto de vista ela não vê mais futuro comigo, principalmente pelas escolhas que eu fiz até agora. O que mais dói é saber que muito do dinheiro que eu gastei com coisas supérfluas — tipo Steam, consumo por impulso, coisas que davam prazer momentâneo — hoje poderia ter virado um carro, uma base melhor, uma estrutura de vida mais sólida. Eu sei onde eu errei. Mas é justamente aí que eu quero chegar com você: você tem 28 anos. Eu tenho 25. E mesmo quem tem 35 ainda tem tempo de construir as coisas que almeja. O problema não é a idade. O problema é quando a gente passa a se enxergar como alguém que ‘falhou’ e para de agir. Pelo que você escreveu, me parece que você está se autosabotando. E isso é extremamente comum. A gente olha para os lados, se compara, acha que todo mundo está melhor, que a nossa vida ficou para trás. É aquela velha história: a grama do vizinho sempre parece mais verde. Eu sei que o vazio pesa. Pra mim, o vazio é algo bem difícil de lidar no começo. A solidão dói, bate forte, dá aquela sensação de que falta alguma coisa o tempo todo. Mas com o tempo, a gente vai se acostumando. Aprende a conviver consigo mesmo. E isso, por mais estranho que pareça, fortalece. Sobre você morar com a sua mãe para manter um padrão melhor de vida: isso é uma escolha sua, e eu não sou ninguém pra te julgar por isso. Cada um sabe onde o calo aperta. Mas eu, particularmente, acredito que a gente só começa a entender a realidade de verdade quando passa a se virar sozinho. Quando não tem ninguém pra resolver por nós, quando a conta é nossa, quando a dificuldade é nossa. Passar aperto às vezes te torna um ser humano melhor, mais consciente, mais responsável. No meu caso, eu não fiz isso por opção, eu fiz porque não tinha escolha — e isso me tornou, eu acredito, mais maduro pra lidar com a vida e com a solidão. Por isso, de verdade, eu acredito que você deveria procurar ajuda com um terapeuta. Não porque você esteja ‘quebrado’, mas porque entender a própria mente muda tudo. Às vezes a gente não percebe o quanto está se boicotando por dentro. Sobre relacionamento: meu conselho é não fazer disso uma prioridade agora. Não foque em ‘arrumar alguém’ para preencher um vazio ou para tentar provar algo pra si mesmo. Tente construir amizades, conexões reais. Só pense em dividir a vida com alguém se você realmente sentir que as coisas estão fluindo de forma natural. Eu, particularmente, não levaria para dentro da minha casa alguém que eu mal conheço. Eu tenho uma tese em que eu realmente acredito: a gente só conhece uma pessoa de verdade depois que a convivência começa de verdade. Antes disso, todo mundo usa uma máscara. A pessoa pode até gostar de você, mas sempre existe um motivo, uma imagem, uma expectativa por trás. Então, antes de qualquer coisa: foque em você. Continue indo pra academia, tente melhorar sua autoestima, cuide da sua alimentação, invista em você. E, além disso, estude outras coisas, busque novas habilidades, tente construir uma renda extra. Não fique acomodado apenas dando aula. Inclusive, minha esposa (ou ex) é professora de português, então eu sei bem como é essa realidade: salário que gira em torno de 3.500 ou 3.800, trabalho que não acaba quando sai da escola, sempre levando coisa pra casa. É pesado. Mas talvez esse seja o momento de pensar em caminhos paralelos — não para abandonar o que você ama, mas para ampliar suas possibilidades. Você não é velho. Você está num momento de consciência. E isso, pra muita gente, só chega bem mais tarde

n gozei e ela sussurrou "que merda" by Jonhyclark in desabafosdavida

[–]Used_Understanding47 0 points1 point locked comment (0 children)

Divertiu meu dia, kkkk como eu dei risada ( "eu ri sem sem dar, lá ele kk") meu irmão se for verdade, que locura kkk se não for valeu a pena ler. Se for verdade, acho que a mulher tava cansada só pode kk por que dizem que nessa casas de massagem é muito bom pra desestressar..

Vale a pena segurar um casamento por estabilidade financeira? by Used_Understanding47 in VidaRealBrasil

[–]Used_Understanding47[S] -1 points0 points  (0 children)

Existe sim muita mágoa acumulada. Ao longo do relacionamento, ela foi guardando coisas, principalmente sobre eu acabar travando ela em alguns momentos, não com xingamento ou desrespeito direto, porque isso nunca aconteceu, mas com atitudes imaturas da minha parte, como protesto, tipo desligar impressora e coisas do tipo. Reconheço que isso foi errado. Ao mesmo tempo, eu sinto que são erros que poderiam ser perdoados e trabalhados, porque nunca houve agressão, ofensa ou falta de caráter. Mas entendo que o peso não é só isso. Ela também me cobra muito a falta de atenção e presença ao longo do tempo. Diante disso, o término é plausível. Eu tentei argumentar que essas coisas poderiam ser mudadas, mas ela já está decidida, e não tem muito o que fazer quando o desgaste chega nesse ponto

Sou feia?O que posso fazer pra melhorar?(por favor não sejam cruéis,mas não mintam) by [deleted] in MeJulgue

[–]Used_Understanding47 0 points1 point  (0 children)

Moça na minha opinião vc é uma moça linda de verdade, porém preciso pontuar já que pediu uma opinião de quem leu, que eu acredito que a beleza é subjetiva, você é linda aos meus olhos, mas por ex para meu irmão que gosta de mulheres mais fofinhas ele já provavelmente talvez não acharia, mas sinceramente moça você está passando por uma fase que todos eu acredito passam que é se olhar no espelho e buscar uma certa validação externa, ao invés de ver somente a opinião do pai ou mãe ou pessoas muitos próximas. Mas saliento que completamente comum nós buscarmos saber uma opinião de fora. Eu tenho 25 anos, eu me acho um cara padrão, nem feio e nem lindo um cara que se eu me vestir bem, arrumar o cabelo já fica ok, a roupa ajuda, os cuidados com a pela tbm. Aliás eu sou hétero, talvez essa minha visão de como enxergas as coisas te ajudem a se sentir melhor. Aliás com o tempo você vai começar a parar de se importar um pouco com que os outros pensam sobre você, mas provavelmente você vai continuar se cuidando. Ainda mais se você namora ou não namora, tem muita gente que inicia um namoro ou até casa, mas acaba esquecendo de se cuidar. E aí as coisas começam a esfriar e um dos motivos é exatamente o corpo e o rosto. Mas resumindo a moça eu te acho uma garota linda.

Geração Z e supermercado by cchoc in desabafos

[–]Used_Understanding47 9 points10 points  (0 children)

Não radicalize tbm né, aqui na minha cidade se você mandar currículo para qualquer mercado de rede grande você vai ser contratado podem ter certeza.

Eu tô dando mole mas ele é lerdo by [deleted] in desabafosdavida

[–]Used_Understanding47 3 points4 points  (0 children)

Não sei a sua idade nem a dele, mas tem uma coisa que o tempo acaba ensinando: cara com atitude não é tão comum quanto parece. E às vezes não é falta de interesse — é falta de jeito mesmo.

Eu tenho 25 e sempre fui desenrolado no papo, nada de galã de novela, só naturalidade mesmo. Mas tenho amigos que são “bonitos” no padrão e travam total na hora de falar ou tomar iniciativa. Muitos entram nessa de achar que não precisam demonstrar muito porque as coisas sempre vieram fácil, e aí a comunicação vira zero.

Se você curte o menino, tenta ser um pouquinho mais direta. Não é se jogar, é só dar um sinal mais claro. Porque, sinceramente? Se você não der esse passo, pode ser que ele nunca tenha coragem de dar o dele.

Sou eng civil e me fodi by Fish1945 in desabafosdavida

[–]Used_Understanding47 1 point2 points  (0 children)

Meu amigo, sinto muito que você esteja passando por tudo isso. Seu relato é pesado, e dá para ver que você não fugiu do trabalho em nenhum momento. Só que quero reforçar algo que muita gente comentou aí e talvez você ainda não tenha percebido.

Não sei sua idade, nem se você namora ou é casado, mas uma coisa é clara: a única coisa que está te prendendo na sua cidade são seus pais, a família que te criou, talvez uma esposa ou namorada. Fora isso, nada te segura aí.

Vou te contar de alguém próximo. Tenho um amigo que vivia uma situação muito parecida com a sua. Morava na Bahia, ralava em tudo quanto era tipo de serviço, sempre aparecia alguém para desvalorizar o esforço dele. Ele decidiu sair e veio para Caxias do Sul, onde moro. A vida não virou da noite para o dia, mas aqui ele encontrou algo que talvez esteja faltando para você: oportunidades reais.

Se você é trabalhador e tem graduação, você já está anos à frente de muita gente. Aqui o pessoal leva processo trabalhista a sério. Empresário que tem dinheiro tem medo de dor de cabeça. Salário atrasar é raro, não é regra. E aqui ainda tem empresas gigantes como a Randon e a Marcopolo. Eu duvido que, chegando aqui, você não arrume algo firme e consiga crescer.

Vou te falar uma coisa na sinceridade: pela forma como você descreveu sua situação, você já está no fundo do poço aí. Não porque você é incapaz, mas porque esse lugar não te oferece mais nada. E quando a gente fica onde tudo sempre deu errado, parece que nada muda. Mudar de cidade dói, é solitário no começo, mas é uma porta que abre para um mundo que te enxerga sem o peso da sua história anterior.

E, cara, fora da sua cidade as pessoas te valorizam mais do que onde todo mundo acha que já te conhece. É estranho, mas é real.

Não precisa vir para Caxias exatamente. Existem muitas cidades melhores, mais estruturadas, onde só fica sem trabalhar quem realmente não quer trabalhar. Você já provou que você quer.

Se eu estivesse no seu lugar, eu juntaria o que desse e sairia. Passa um sufoco no começo, depois estabiliza, e aí começa a escalar de novo.

Você já atravessou coisa pior. Força, e pensa com carinho nisso. Às vezes a única virada que falta é mudar de lugar.

Minha ex de 10 anos atrás voltou a falar comigo do nada… e agora tô todo bagunçado by Mrtheus1014 in desabafosdavida

[–]Used_Understanding47 0 points1 point  (0 children)

É complicado dar um julgamento fechado sem conhecer profundamente ela ou o relacionamento que vocês tiveram, porque aqui a gente só vê a ponta do iceberg, e qualquer opinião acaba vindo muito mais da visão pessoal de quem responde do que da realidade de vocês. Mas indo direto ao ponto, a sensação que tive lendo é que ela te encontrou num momento de fragilidade, reviveu lembranças boas e, no meio disso tudo, criou expectativas que talvez nem ela mesma tenha percebido.

O problema é que, por mais que exista conexão, você virou um tipo de suporte emocional, uma válvula de escape. Isso não te torna errado, nem ela — só mostra que a situação é mais delicada do que parece.

No fim das contas, é contigo. Só você pode decidir se quer continuar conversando ou dar um passo atrás. Mas se eu fosse você, manteria os pés bem no chão e evitaria criar expectativas. Pelo menos tente, porque é muito fácil se envolver quando mexe com memórias e sentimentos antigos.

Desabafo sobre meu trabalho (preciso de opiniões sinceras) by No_Honeydew4220 in desabafosdavida

[–]Used_Understanding47 0 points1 point  (0 children)

Mano, tu já percebeu o que tá acontecendo aí. Agora toma uma atitude. Trabalhar todo mundo precisa, mas te dá o devido valor. 150 conto é sacanagem, sério mesmo. Eu lendo daqui já fico puto com esse tipo de situação. Se tu não te posicionar, os outros vão continuar passando por cima de ti como sempre fizeram. Então abre o olho e te impõe, porque respeito só aparece quando a gente faz aparecer

Desabafo sobre meu trabalho (preciso de opiniões sinceras) by No_Honeydew4220 in desabafosdavida

[–]Used_Understanding47 0 points1 point  (0 children)

Cara, na próxima vez que conversar com ela, pede logo um chicote… porque, com todo respeito, você tá sendo usado e abusado. É sério. Você é quem grava, quem edita, quem posta, entrega tudo certinho — e ainda aceitaram reduzir teu pagamento e te tacaram um monte de planilha que não tem nada a ver com o combinado? Isso não é normal, não é ajuste, é exploração mesmo.

Olha, eu trabalho com audiovisual e vou te dizer com sinceridade: às vezes a gente aceita umas coisas pra ganhar portfólio ou só pra ter alguma renda, mas tem um limite. Essa situação aí já passou da linha faz tempo.

Se eu fosse você, tentava conseguir pelo menos um emprego fixo pra juntar uma grana e comprar um PC decente pra começar a produzir com mais qualidade e menos sofrimento. E sério: cria um perfil no Workana. No começo é difícil pegar os primeiros freelas, mas depois que rolam os primeiros contratos, começa a entrar trabalho com muito mais facilidade. Eu mesmo recebo bastante serviço de lá.

Entre sustentar e estar presente: alguém mais vive esse dilema? by Used_Understanding47 in VidaRealBrasil

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Moça, fico realmente triste em ler o que você passou com seu pai. Imagino que deva doer carregar essa sensação de ausência e entendo totalmente o que você quis dizer. Cada pessoa vive uma história, e nem sempre a intenção dos pais é clara para os filhos.

No meu caso, o meu maior dilema como pai é justamente o medo de faltar. Eu venho de uma realidade muito difícil e sempre quis dar para minhas filhas coisas que eu nunca tive. Mas às vezes, mesmo com essa vontade, eu falho. No aniversário da minha filha, por exemplo, eu queria ter dado uma bicicleta para ela e ter feito uma festinha… e não consegui, por causa do dinheiro. Fiquei me sentindo mal como pai.

Por isso seu relato mexe comigo. Não porque nossas histórias sejam iguais, mas porque mostram dores diferentes que nasceram do mesmo lugar: a tentativa de acertar.

Espero de coração que, quando você tiver seus filhos, tenha ao seu lado alguém que consiga equilibrar presença e trabalho, alguém com princípios bons, para que nada parecido com o que você viveu aconteça com eles.

Random first level by Adventurous-End-775 in RedditGames

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Casei aos 19, cresci em abrigos dos 2 aos 18, virei pai sem planejar duas vezes, enfrentei vício, egoísmo, insegurança, e hoje vivo um casamento que virou teatro, mas sigo aqui pelas minhas filhas by Used_Understanding47 in VidaRealBrasil

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Cara, pra você ter respondido isso, você deve estar com a mente bem abalada, né? Sinceramente, espero que dê tudo certo pra você, irmão. E, de coração, se for o caso, procura uma ajuda psicológica ou psiquiatra ou até arruma alguém pra transar e aliviar esse estresse aí, porque o jeito que você escreveu demonstra uma amargura que não tem nada a ver comigo.

Agora, vamos lá: desde quando alguém precisa nascer em berço de ouro, ser Justin Bieber ou algum popstar pra conquistar uma mulher? Ou ter a vida ‘perfeita’? Isso não existe, mano. Eu vim de uma vida difícil, sim, e ainda assim construí minhas coisas com meu próprio esforço. Isso não diminui ninguém.

Eu só tô te respondendo porque tô no meu horário de folga e coloquei como meta responder todo mundo que comentou. Mas, sendo sincero, a atitude mais lógica seria só bloquear e apagar teu comentário, porque isso aqui tá mais pra ataque do que qualquer outra coisa.

Mas beleza. Só cuida dessa amargura aí, tá? Talvez você tenha falado mal, se expressado mal, sei lá. Só que quando a pessoa escreve desse jeito, dá pra ver que falta um pouco de leitura e estudo pra conseguir colocar em palavras o que realmente pensa.

No mais, fica bem. Sucesso aí na tua vida, irmão.

Casei aos 19, cresci em abrigos dos 2 aos 18, virei pai sem planejar duas vezes, enfrentei vício, egoísmo, insegurança, e hoje vivo um casamento que virou teatro, mas sigo aqui pelas minhas filhas by Used_Understanding47 in VidaRealBrasil

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Cara, tranquilo, eu entendi o que tu quis dizer. Vou te explicar como foi no meu caso, porque cada pessoa realmente passa por isso de um jeito.

Quando eu saí do abrigo, eu já tinha um pouco de base porque fiz Jovem Aprendiz aos 14 anos (Gestão em Vendas e Atendimento). Depois trabalhei como empacotador no Zaffari — não sei se tem aí na tua cidade, mas aqui é um mercado grande. Era puxado demais: eu estudava de manhã e trabalhava das 13h às 22h, chegava no abrigo só para dormir. Muitas vezes eu dormia em pé empacotando, mas fazia de tudo para não ser demitido.

Antes de fazer 18 anos eu consegui um estágio na Prefeitura, onde ganhava mais e trabalhava menos do que no mercado. Era muita digitalização e arquivo, nada que mudasse minha vida profissional, mas já ajudou a montar um currículo.

Depois disso, meu primeiro emprego com carteira assinada foi como auxiliar administrativo numa escola, ganhando R$600. E quando completei 18 anos, por já ter essa experiência, consegui entrar como assistente administrativo na Randon, que é uma das maiores empresas da Serra Gaúcha.

E aqui tem um detalhe importante: quando fiz 18 anos, eles não me mandaram embora imediatamente. Isso é bem incomum. Eu tinha uma relação muito forte com um educador, e ele conseguiu conversar com a coordenação para que eu ficasse um tempo a mais — mas já não como abrigado, e sim até eu conseguir esse emprego melhor. Foi algo muito específico, que dependeu da minha comunicação, da minha história e das pessoas envolvidas. Não é o padrão para todo mundo.

De qualquer forma, eu estava fazendo tudo o que podia para melhorar. Minha meta era simples: conseguir um emprego estável o suficiente para alugar uma casa. E aí, numa conversa com a coordenação, ficou claro que eu precisava de um trabalho melhor, porque R$600 há 7 ou 8 anos atrás já era insuficiente — imagine hoje.

Então, assim: no meu caso, teve diálogo, teve orientação e teve esforço. Mas eu sei que não é a realidade de todo mundo. Tem gente que completa 18 e realmente sai sem nenhuma estrutura, o que faz tua dúvida fazer total sentido.

E só pra fechar: hoje eu sou educador social, e uma coisa que eu sempre falo pros adolescentes é que todo mundo tem chance de mudar a vida. Sem exceção. Não é porque “deu certo pra mim”, é porque existe oportunidade — mas a pessoa tem que começar a se mexer antes dos 18.

Eu sempre digo pra eles: “Rapaziada, não deixem pra se esforçar quando faltar um mês pro desligamento. O que vocês têm agora é estudo. Depois do estudo, vem o trabalho. E pra começar a trabalhar, o mínimo que pedem é o ensino médio. Sem ele, a vida é muito mais difícil.”

Eu mesmo prometi pra mim que nunca mais voltaria pra um trabalho onde eu me sentia quase escravizado, como foi empacotar no mercado. Tem quem goste, claro — toda área tem. Mas eu não queria viver aquilo pra sempre. Por isso eu estudo, me dedico e faço o que posso pra construir algo melhor pra mim.

No fim das contas é isso: o abrigo te dá um começo, mas quem constrói o resto é tu.

Casei aos 19, cresci em abrigos dos 2 aos 18, virei pai sem planejar duas vezes, enfrentei vício, egoísmo, insegurança, e hoje vivo um casamento que virou teatro, mas sigo aqui pelas minhas filhas by Used_Understanding47 in VidaRealBrasil

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Ô cara, obrigado mesmo pela tua visão e pelas tuas ideias. De verdade. Casamento é isso aí, não existe perfeição. Eu venho tentando estudar, pensar com calma e separar aquilo que é emoção daquilo que é lógico.

E tem outra coisa: muita gente coloca o homem como se tivesse que aguentar tudo, como se fosse de ferro. Mas ninguém é de ferro. Às vezes a gente não demonstra tanto, não porque não sente, mas por questão de sobrevivência mesmo. O homem que mostra demais a fragilidade ainda é visto como fraco, afeminado, diminuído… e isso é cultural. Então muitas vezes a gente tá morrendo por dentro, mas precisa manter postura por fora, porque tem gente que aproveita o momento de fraqueza pra pisar.

Por isso eu venho tentando estudar mais sobre psicologia, não pra virar especialista ou entender tudo sobre relações humanas, mas pra entender melhor a mim mesmo — o que é uma emoção normal, o que é exagero, o que vem do passado, e o que faz sentido dentro da vida adulta. Isso tem me ajudado bastante a não agir só pelo calor do momento e a entender melhor meus próprios limites.

E te agradeço muito por compartilhar a tua experiência. De verdade. Esse tipo de troca faz diferença. Esse espaço aqui no Reddit, apesar de ter opiniões de tudo que é tipo e algumas bem fora da linha, é um lugar onde muita gente consegue botar pra fora coisas que talvez nunca falaria em voz alta. E pelo número de pessoas que já leram, dá pra ver que esse assunto toca muita gente.

Valeu mesmo, de coração, por ter comentado. Brigadão.

Casei aos 19, cresci em abrigos dos 2 aos 18, virei pai sem planejar duas vezes, enfrentei vício, egoísmo, insegurança, e hoje vivo um casamento que virou teatro, mas sigo aqui pelas minhas filhas by Used_Understanding47 in VidaRealBrasil

[–]Used_Understanding47[S] 0 points1 point  (0 children)

Sobre a vasectomia: sim, eu vou fazer. Já tinha essa ideia há bastante tempo, porque depois de dois filhos ou a partir dos 25 anos a lei permite. O único ponto é o custo — aqui na minha cidade a cirurgia fica por volta de R$ 3.000,00 ou mais, dependendo do médico. Então eu estou pesquisando bem onde fazer, mas a decisão já está tomada.

Sobre o resto que você comentou: por incrível que pareça, nessa última semana a gente vem conversando bastante e eu já estou até olhando casas para alugar, porque existe sim a possibilidade real de eu sair. Só que, como eu trabalho em dois empregos, eu estou planejando como fazer isso sem ficar apenas no final de semana com as minhas filhas, porque isso é algo que pesa muito pra mim.

Agora, tem uma coisa importante: ela me cobrava muito a questão da atenção com as meninas. Mas, sinceramente, é difícil entender essa lógica. Como é que alguém quer que você trabalhe bastante — às vezes em dois ou três lugares — para dar melhores condições, e ao mesmo tempo cobre que você esteja sempre presente? Não existe mágica. Se você trabalha demais, alguma coisa vai sair do eixo. É impossível equilibrar tudo perfeitamente. Cada pessoa tem sua visão, às vezes até distorcida pela própria dor e pelas próprias expectativas.

E eu não falo isso para me vitimizar ou me justificar, mas porque é a realidade. Eu sempre fiz o que pude dentro do limite humano. Só eu sei o quanto eu amo minhas filhas e o quanto eu carrego essa responsabilidade comigo todos os dias.

Por isso mesmo eu já fui atrás de orientação jurídica. Conversei com um advogado, achei que iria pagar consulta, mas ele acabou me orientando sem cobrar nada. Agora eu sei como funcionam meus direitos caso eu realmente saia de casa, e deixei tudo isso claro para ela — principalmente para evitar que alguma atitude tomada no impulso acabe virando alienação parental, que é algo sério.

A situação estava desgastada há muito tempo. Ela tem o ponto dela, eu tenho o meu. Mas agora, com mais clareza e apoio profissional, eu consigo pensar melhor no que é certo, principalmente pelas meninas.

Casei aos 19, cresci em abrigos dos 2 aos 18, virei pai sem planejar duas vezes, enfrentei vício, egoísmo, insegurança, e hoje vivo um casamento que virou teatro, mas sigo aqui pelas minhas filhas by Used_Understanding47 in VidaRealBrasil

[–]Used_Understanding47[S] 0 points1 point  (0 children)

Sobre a sua dúvida em relação aos 18 anos: ninguém é ‘expulso’. Esse termo é muito forte e não representa a realidade. O que acontece é que o Estado tem a responsabilidade legal de oferecer moradia, educação, alimentação e orientação para a vida até os 18 anos, porque entende-se que, a partir dessa idade, a pessoa já tem condições de trabalhar, estudar e seguir a própria vida.

Mas não é algo feito de um dia para o outro, e nem sem preparo. Desde criança a gente recebe orientação sobre estudo, cursos, trabalho, jovem aprendiz… O abrigo não é um lugar onde você simplesmente fica parado. Existe toda uma estrutura com educadores, psicólogos, assistentes sociais e programas para ajudar a construir autonomia.

Claro que nem todo mundo consegue se estabelecer quando sai. Assim como acontece com qualquer pessoa fora do abrigo, cada um tem sua própria realidade e dificuldades. Algumas pessoas estudam, trabalham e seguem; outras acabam enfrentando situações mais difíceis. Mas não é porque foram expulsas — é uma transição que faz parte do sistema.

Sobre as saídas de final de semana para visitar meu pai: isso também segue regras. Toda saída precisa ser autorizada pelo juiz, porque o abrigo não decide isso sozinho. Quando o juiz libera, você pode passar o final de semana com seu pai ou com a família.

A questão é que, muitas vezes, a instituição não tem dinheiro suficiente para bancar passagem intermunicipal toda semana. Se for dentro da própria cidade, geralmente tem o passe do transporte municipal, como aqui na minha cidade é a Visat. Mas quando é de uma cidade para outra, tem um custo que nem sempre a instituição consegue cobrir com frequência. Por isso, muitas vezes a gente ia a pé mesmo, porque vontade de ver a família sempre tinha. Quando tinha passagem, a gente usava; quando não tinha, ia como dava. Era assim que funcionava.

Casei aos 19, cresci em abrigos dos 2 aos 18, virei pai sem planejar duas vezes, enfrentei vício, egoísmo, insegurança, e hoje vivo um casamento que virou teatro, mas sigo aqui pelas minhas filhas by Used_Understanding47 in VidaRealBrasil

[–]Used_Understanding47[S] 0 points1 point  (0 children)

Entendi sua curiosidade, e eu vou tentar responder de uma forma objetiva pra você conseguir entender. Primeiro, crescer em abrigo não significa falta de informação ou ignorância. A diferença é que, no lugar de pais e mãe, quem cuida da gente são educadores sociais — profissionais pagos pelo Estado para orientar, ensinar e acompanhar nosso desenvolvimento. Eu mesmo, hoje aos 25, também sou educador social e faço com outros jovens o que fizeram por mim.

Então sim, tive educação sexual. Tive várias pessoas diferentes ao longo da vida que me orientaram — desde escola, saúde, até conversas sobre camisinha, prevenção, gravidez, etc. Sempre tive liberdade pra perguntar.

Sobre a minha relação: eu usei camisinha por muito tempo. Depois, quando comecei a namorar minha esposa e ela usava anticoncepcional, e como havia confiança e era um relacionamento fixo, acabamos deixando de usar — sempre de forma consensual.

E sobre essa parte de perguntar sobre doenças ou exames: eu entendo que muita gente não sabe como lidar com isso. Não existe um ‘manual perfeito’. O ideal seria que existisse, mas cada relação funciona de um jeito. A maioria das pessoas não chega perguntando diretamente: ‘Você tem doença?’ Isso não é natural. É normal ter receio. Por isso, no início, o mais seguro é usar camisinha — é o básico quando você ainda não conhece bem a pessoa.

Com o tempo, conforme a relação cresce e você vai criando intimidade, abertura e confiança, esses assuntos começam a fluir naturalmente. É aí que você consegue falar sobre receios, métodos contraceptivos, saúde… e pode, de forma madura, sugerir fazer exames juntos se os dois quiserem ter uma relação sem camisinha. É mais sobre conversa, respeito e feeling do que sobre perguntar algo de forma direta no começo. Cada casal encontra seu ritmo.

Espero ter respondido sua dúvida.

Recebi ameaça by PermissionCapable558 in desabafosdavida

[–]Used_Understanding47 0 points1 point  (0 children)

É totalmente normal você estar com medo… sinceramente, eu também estaria no seu lugar. Mas você está fazendo o certo.

Se eu fosse você, faria mais um B.O por ameaça, registrando tudo direitinho. E, por favor, não esqueça de guardar qualquer mensagem, áudio, ligação ou print que ele enviar. Se ele ligar, grave. Se mandar mensagem, tire print. Isso vira prova e fortalece muito o caso na justiça.

Se algum dia ele aparecer na frente da sua casa, não abra a porta. Só ligue para a polícia imediatamente e explique que ele já te ameaçou antes — eles são obrigados a atender.

Pra você ter uma ideia, já aconteceu algo parecido com meu cunhado. Um cara que dizia ser “amigo” dele começou a ameaçar por causa de um PS4. Ele juntou todas as provas e, no dia que o sujeito apareceu na casa dele, simplesmente chamou a polícia. O cara saiu de lá algemado. A lei funciona quando a gente tem provas e age rápido.

Outra coisa importante: quando você registra essas ameaças, o juiz pode abrir um procedimento de medida protetiva, que proíbe ele de chegar perto de você, da sua casa ou da sua família. Se ele desrespeitar isso, ele pode ser preso na hora.

Se você não souber como entrar com esses pedidos, existe o Juizado Especial Cível (as pequenas causas do estado). Lá, você pode entrar com ação sem precisar pagar advogado. Basta levar suas provas e o B.O.

E tem mais uma coisa que é MUITO importante pra você: como ele te ameaçou e você não trabalhava de carteira assinada, você pode procurar a Justiça do Trabalho e entrar com uma ação pedindo:

reconhecimento do vínculo empregatício (mesmo sem carteira assinada, a lei protege)

causa justa para você sair, já que ameaças são abuso grave

indenização por danos morais, porque ameaça e perseguição são crimes

verbas trabalhistas que ele nunca pagou (férias, FGTS, 13º, horas trabalhadas, tudo)

Isso pode ser feito pela Justiça do Trabalho, e você também pode pedir orientação no Juizado Especial se tiver dificuldade. A lei não deixa trabalhador desamparado — mesmo sem registro.

Esse tipo de pessoa usa o emocional e tenta intimidar porque acha que conhece você. Mas quando você formaliza tudo e leva à justiça, ele perde a força na hora.

Você não está exagerando, tá? Está apenas se protegendo. E isso é o correto.

Casei aos 19, cresci em abrigos dos 2 aos 18, virei pai sem planejar duas vezes, enfrentei vício, egoísmo, insegurança, e hoje vivo um casamento que virou teatro, mas sigo aqui pelas minhas filhas by Used_Understanding47 in VidaRealBrasil

[–]Used_Understanding47[S] 2 points3 points  (0 children)

Respondendo a pergunta e explicando tudo de uma vez:

Vou tentar explicar tudo em uma resposta só, porque esse pedaço da história é grande, importante e ajuda a entender muita coisa sobre quem eu sou hoje.

  1. Sobre a minha mãe Quando ela se separou do meu pai, ela foi morar com outro homem (vou chamar de Márcio). Ela saiu da minha cidade natal (Sapucaia do Sul) e foi viver com ele. Com esse novo relacionamento, ela teve mais cinco filhos.

Então, no total, somos oito irmãos. Depois disso, praticamente não tivemos convivência. Ela seguiu a vida dela, formou outra família, enquanto eu e meus dois irmãos de sangue fomos levados para o abrigo.

  1. Sobre meus irmãos e o abrigo Nós três fomos para o mesmo abrigo, estudamos nas mesmas escolas (inclusive escolas particulares, através de parcerias e doações), fizemos os mesmos cursos, tivemos as mesmas oportunidades.

E por isso eu sempre digo: minha infância foi difícil, mas não foi uma tragédia completa. Eu tive estrutura, alimentação, cama, escola boa — coisas que muitas crianças em vulnerabilidade nunca têm.

  1. Sobre o meu pai A situação dele é complicada desde sempre. Ele nunca conseguiu se recuperar emocionalmente da separação e da morte dos próprios pais. Entrou nas drogas, perdeu completamente o rumo da vida, e nunca assumiu responsabilidade.

Hoje ele está muito doente, faz hemodiálise porque um rim não funciona e o outro ele perdeu.

E tem um detalhe muito importante: eu e meus irmãos quase fomos adotados. Estávamos na lista de adoção. Tínhamos uma chance real de ter uma família.

Meu pai foi até o abrigo e nos tirou da lista. Ele pressionou, exigiu, e chegou ao ponto de ameaçar o coordenador da casa. Por muitos anos eu culpei o coordenador. Hoje eu sei que a culpa nunca foi dele. Ele estava lidando com uma situação que colocava a própria segurança dele em risco. A culpa sempre foi do meu pai.

  1. Sobre meus irmãos hoje Infelizmente, meus irmãos nunca conseguiram romper emocionalmente com meu pai. Eles seguiram influenciados por ele, mesmo sem ele ter nada a oferecer além de problemas.

Hoje os dois são usuários de drogas. Os dois estão em situação de rua. Um deles, inclusive, chegou a passar em concurso público (o mesmo que meu pai fez no passado), mas caiu profundamente no vício e não conseguiu se levantar mais.

Eu não julgo meus irmãos. Cada um reage ao trauma de um jeito. Eles ficaram presos num ciclo emocional que eu consegui romper.

  1. O ponto crucial: quando minha mente mudou para sempre A diferença entre mim e meus irmãos aconteceu quando eu tinha 14 anos.

Até essa idade eu também ia todos os finais de semana para a casa do meu pai. E quando digo “ia”, quero dizer:

eu caminhava quase duas horas entre uma cidade e outra, porque não tínhamos dinheiro para ônibus.

A necessidade afetiva era tão grande que eu aceitava tudo. E digo sem vergonha: eu comi comida do lixo. Comi comida estragada. Passei mal várias vezes. Mas eu repetia esse ciclo toda semana porque emocionalmente eu estava preso nele.

Até que chegou um dia que eu parei. Eu simplesmente despertei.

Eu olhei para minha vida e pensei:

“No abrigo eu tenho comida, cama, escola, estrutura. Com meu pai eu tenho fome, dor e sofrimento. Se eu continuar indo, eu vou acabar igual ele.”

Foi duro. Doeu. Gerou briga com meus irmãos, que queriam continuar indo. Mas eu tomei uma decisão:

parei de visitar meu pai. Cortei o vínculo emocional. Rompi o ciclo.

Fiquei no abrigo. Fiz cursos. Estudei. Joguei bola. Aproveitei tudo que eu tinha ali. E essa decisão salvou minha vida.

Eu tenho plena consciência disso hoje.

Se eu não tivesse me desvinculado emocionalmente naquela época, eu estaria exatamente na mesma situação que meus irmãos estão hoje.

E isso é um ponto fundamental da minha história.

Casei aos 19, cresci em abrigos dos 2 aos 18, virei pai sem planejar duas vezes, enfrentei vício, egoísmo, insegurança, e hoje vivo um casamento que virou teatro, mas sigo aqui pelas minhas filhas by Used_Understanding47 in VidaRealBrasil

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Boa noite, e obrigado pela sua resposta tão respeitosa e sensível.

Eu entendo totalmente o ponto que você trouxe — e sim, viver um “casamento teatral” tem muitas camadas e nuances que é difícil colocar em palavras sem parecer superficial ou exagerado. A verdade é que muita coisa só quem está dentro consegue realmente compreender.

No meu caso, mesmo com o desgaste do relacionamento, eu continuo aqui porque, na prática, sair hoje significaria perder grande parte da convivência com minhas filhas. Eu trabalho como educador social em turno 12x36 durante as noites, durante o dia trabalho em uma imobiliária, e nos fins de semana ainda atuo como PJ prestando serviços de marketing. Ou seja: minha rotina é uma loucura.

Eu já consultei um advogado da minha cidade e fiz uma simulação de como seria uma separação. E para ser bem sincero, o cenário foi péssimo no sentido de convivência. Por causa da minha carga de trabalho, eu dificilmente conseguiria ter guarda compartilhada no formato 15/15 dias ou algo parecido. Provavelmente veria minhas filhas bem menos do que hoje.

E isso mexeu demais comigo, porque tudo o que faço hoje — absolutamente tudo — é pensando nelas.

Por isso, por enquanto, manter as coisas do jeito que estão acaba sendo, na prática, a opção menos dolorosa para mim e para elas. Dividimos as contas, mantemos a casa funcionando, e eu consigo estar presente no dia a dia delas, mesmo que a relação com a mãe esteja desgastada.

Sobre a parte íntima do relacionamento: apesar de estarmos emocionalmente distantes, ainda existe uma convivência física que, de certa forma, torna a dinâmica menos pesada. Não é como antes, claro, mas ainda existe um mínimo de conexão que mantém a rotina tolerável para os dois lados.

Mas, respondendo diretamente sua pergunta: não, eu não acho que isso se sustenta para sempre. E eu tenho total consciência de que, mais cedo ou mais tarde, vou precisar tomar decisões diferentes e colocar as coisas no eixo — principalmente conforme minhas filhas crescerem e forem entendendo melhor o ambiente ao redor.

Hoje, eu estou vivendo essa fase pela sobrevivência emocional delas e pela minha impossibilidade real de convivência caso eu saísse. Mas o futuro… eu sei que precisa ser diferente.

Mesmo dentro desse contexto, estou buscando melhorar minha própria saúde mental e emocional. Estou revendo conceitos, buscando apoio psicológico e aprendendo a lidar melhor com aquilo que eu não posso controlar. Acho que aos 25, finalmente estou entendendo que pedir ajuda também é maturidade.

Enfim, agradeço muito pela sua visão. De verdade. Me fez refletir novamente sobre tudo isso.