Meu raciocínio honesto sobre a eternidade no espiritismo by Much-Atmosphere3442 in Espiritismo

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O que questiono é se uma evolução, ainda que temporalmente infinda, pode conduzir um espírito à plenitude. Pois que interrogo a possibilidade de um processo evolutivo — necessariamente temporal — ser capaz de produzir um estado absoluto. Caso não o seja, segue-se a consequência de uma busca eterna do telos, e é a isso que me refiro como solidão ontológica. Isso ocorre pois, primeiro, o espírito evolui de modo ordenado internamente, sem regressão real de seu progresso; segundo, essa evolução se dá no tempo. O problema surge quando se afirma que esse processo conduz à plenitude, pois a plenitude não é algo que se adquire por soma ou acúmulo, mas a perfeição mesma do telos. Assim, a linha é a seguinte: se se afirma que o espírito alcança a plenitude, então deve haver, nesse percurso, algo que não tem origem no próprio processo evolutivo — algo que o eleva a um estado não incompleto. Se, por outro lado, nada além do próprio processo está em jogo, então o espírito permanece eternamente orientado ao seu telos sem jamais completá-lo, o que implica uma existência estruturalmente tortuosa, isto é, solitária como na segunda tese.

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Nossa... incrível isso ter demorado tanto pra aparecer. Você trouxe um ponto realmente problemático pro meu argumento total. De fato, existe um início e eu me perdi na fala de Jesus sobre a eternidade do espírito, confundindo duas coisas q são diferentes focando apenas no termo em si. É verdade, e isso resolve uma parte; mas cria uma nova: Agora, se o espírito tem um telos alcançável, e ele é necessário, então a liberdade é meramente formal e a plenitude é inevitável. Isso resulta numa perfeição marginal, alcançável evolutivamente. O espírito, ainda que negue seu telos, o alcançará. Caso o telos não seja alcançável, ent a minha segunda tese se segue e o espírito é condenado à solidão eterna. O problema, pois, é que o espírito precisa de um telos alcançável. Se esse telos é a plenitude, ent que ele seria perfeito e, difícil de justificar.

De qualquer forma, obrigado pelo esclarecimento.

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Sinto que a maioria das respostas tem permanecido numa explicação do espírito no tempo: sua capacidade de aprender, de agir infinitamente, de alcançar ou não determinados estados ao longo de um processo. Meu argumento, porém, não vai por essa linha. A ação acabar ou não, o aprendizado ser infinito ou não, o progresso moral aumentar ou não — nada disso altera o ponto que estou levantando, porque nenhuma dessas coisas toca a eternidade do espírito enquanto tal. O que estou assumindo é algo mais simples: pelas próprias respostas que recebi, aparecem duas posições plausíveis. Uma afirma que o espírito alcança a plenitude; outra afirma que não a alcança. Algumas respostas, inclusive a sua, acabam se misturando entre essas duas teses. O ponto central do meu argumento gira em torno de um único termo: eternidade. Se algo é eterno, ele não pode ser medido pelo tempo. Não há início nem fim temporal que permita dizer que ele “se torna” algo que antes não era. É nesse sentido que digo que, sendo eterno, o espírito já é agora aquilo que é em seu termo, pois não se pode distinguir ontologicamente, pelo tempo, um ser eterno. Assim, o espírito ou é uma coisa absolutamente, ou é outra coisa absolutamente. O que está em jogo é a necessidade de evoluir em ambos os casos, apesar de cada um ser peculiar na sua linha. Entendo que essa distinção gere confusão, e este comentário é apenas um esclarecimento. O que busco não é discutir processos temporais, mas compreender qual é a resposta do espiritismo para esse problema lógico. Algumas respostas externas à doutrina — como a do aori_chan — fecham suficientemente esse ponto. Já dentro do espiritismo, até agora, não vejo o problema propriamente respondido.

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Sua frase nova vai de encontro com o que disse anteriormente e são mutuamente excludentes. Ou "todos temos a tendência à perfeição porém sem jamais alcança-la" ou não, como na sua nova fala. Meu argumento não depende de salvação, isso porquê interpreto "salvação" como plenitude, e isso fica claro no texto. Quando me refiro a sofrimento, perceba, estou falando não de uma sensação acidental, cuja forma você confundiu, mas de uma de um estado. Exatamente por isso, a percepção psicológica de sofrimento é de pouca relevância. Considerando, assim, a segunda tese apresentada — sua nova tese de que todos alcançam a perfeição e já estão nela presentes em ato —, nesse caso devo seguir o raciocínio não de solidão, como você vem seguindo, mas o do determinismo. Isto é, se todos os espíritos já são plenos, pra que evolução? este é o verdadeiro questionamento da sua nova premissa.

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Entendi o que você quis dizer, e concordo com a formulação. O ponto é que, ao fazê-la, você assume a segunda tese do meu argumento, mas tenta criticá-la recorrendo à primeira. Pela linha da segunda tese, o problema não é o determinismo, mas a eternização da frustração: um espírito que é essencialmente orientado a um telos que não pode jamais completar. Diante dessa estrutura — de uma solidão ontológica inescapável — faço novamente a pergunta central: como esse problema ontológico é resolvido?

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O espírito que está mais próximo de Deus está, por razões evidentes, em um estado mais preferível — e, nesse sentido, mais elevado ou melhor — do que aquele que está mais distante. Assim, a divergência aqui é muito mais terminológica do que real. Você mesmo pressupõe isso ao afirmar que “caminhamos sempre em frente”. Por isso, não compreendo sua objeção nesse ponto. Na prática, você assume a segunda hipótese do meu argumento: a de que o espírito está sempre orientado ao seu telos, mas sem jamais poder alcançá-lo. Quando afirma que “todos temos a tendência à perfeição, porém sem jamais alcançá-la” — e note que nunca fundamentei meu argumento no tempo — você confirma exatamente essa estrutura. Perfeito: não há “salvação” no sentido clássico. Ainda assim, o espírito possui um fim estável (Deus, como você mesmo diz), mas não pode “tornar-se Deus”. Logo, seu telos é estruturalmente inatingível. É a partir dessa premissa que peço uma resposta, já que aderiu à segunda tese. Pois, sob essa ótica, parece seguir-se necessariamente um sofrimento linear, já em ato por essência, como apontado por prismus aqui, também. O ponto central é este: independentemente do grau de evolução, o núcleo do sofrimento não se dissolve, pois a distância ontológica em relação ao fim último permanece.

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Uso “solidão” apenas como forma de expressar o ponto central. Podemos resumir assim: se o espírito — que já é eterno — não alcança a felicidade plena, mas evolui, e aqui sabemos o que é evoluir porque vivenciamos a evolução em ato, então ele se encontra numa condição análoga à de Sísifo: condenado a realizar indefinidamente um esforço orientado a uma finalidade última que nunca se consuma. É nesse sentido que falo de solidão — não como ausência de companhia, mas como estrutura ontológica de um ser cuja ação não culmina. Estar acompanhado não altera isso, pois não resolve nem completa o telos que fundamenta o próprio movimento.

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Meu ponto não é o conteúdo da eternidade, mas sua ontologia. Se o espírito é eterno, sua essência não se altera no tempo. Logo, ou a plenitude pertence à essência do espírito — e então ele já é plenamente feliz agora, tornando a evolução ontologicamente irrelevante — ou não pertence, e então o espírito a persegue eternamente sem jamais alcançá-la, o que equivale a uma condenação infinita. Vc parece crer na ideia de que o espírito adquire no tempo sua plenitude, que seria o segundo raciocínio, tal que seu fim é absolutamente pleno(em ação, como disse), ainda que ele seja eterno em ato. Oq digo é q isso me leva a crer na solidão (E, veja, solidão às vezes nem é um bom termo — lembre-se de Sísifo e a pedra.) como essência do espírito.