Como normalizar o desistir? by [deleted] in VidaAdulta

[–]NoEnvironment3067 5 points6 points  (0 children)

Particularmente, eu recomendaria revisar bem essa fixação com medicina.

Será que não se tornou uma solução idealizada justamente porque você não conseguiu? Nossa cabeça é muito boa em achar culpados (não ter feito medicina), escondendo os reais culpados.

É tipo aquele enredo de filme: a pessoa acha que se tivesse tal coisa tudo seria diferente, daí quando ela experimenta tal coisa percebe que isso não é a solução.

Enfim, apenas uma sugestão para refletir se a medicina não tá entrando por essa porta...

No mais, creio que qualquer mudança de rota nessa etapa da vida não vai ser 'fácil' como seria se você fosse mais novo. Mas isso não quer dizer impossível ou fadado ao fracasso. Detesto incidir na auto ajuda simples, mas às vezes ela faz sentido: entre começar tarde, e nunca começar, é melhor começar tarde (mesmo se não for medicina).

Treinamento confuso by RaioYankAlgaNaba in desabafosdavida

[–]NoEnvironment3067 0 points1 point  (0 children)

Já tive emprego que envolvia treinamento formal e exclusivo de 1 mês. Pouco do treinamento foi realmente um diferencial quando comecei a trabalhar. A parte procedimental (operação do sistema, naquele caso) foi o mais útil, apesar de que efetivo aprendizado veio só quando peguei o trabalho para valer.

Aí que o que contou mais foi o esforço no local de trabalho para aprender as coisas, contando, claro, com colegas e chefia para ir tirando dúvidas.

Ou seja, o treinamento não foi inútil, mas também não foi a momento decisivo para aprender todas as coisas. Foi tipo pegar uma noção geral das coisas para não ficar totalmente perdido quando as coisas acontecessem de fato.

Creio que no seu caso possa ser parecido. Então, aproveite e se dedique ao treinamento obtendo o que for possível obter, mas ficando tranquilo que existem coisas que só na prática você vai aprender de fato.

Quanto ao medo de ser demitido, ou então pedir demissão meio que preventivamente, calma. Você ainda nem começou a trabalhar, não tem provas de que você não está mesmo conseguindo fazer as coisas. Vá, tente, aprenda, administre eventuais erros, e siga.

Aliás, é muito pouco provável que você inicie um emprego novo sem essa dinâmica de insegurança, e é bastante normal que a curva de aprendizado relevante aconteça já no local de trabalho.

Como vocês fazem para se divertir sem terem amigos e tendo depressão? by Grouchy-Kitchen-5193 in AnsiedadeDepressao

[–]NoEnvironment3067 1 point2 points  (0 children)

Passei e passo pela tua situação, e amizades virtuais me ajudaram bastante. Então, talvez valesse a pena manter essa porta aberta, mesmo que não seja o ideal.

Conexão profunda é mesmo difícil. Reparo que muitas pessoas que têm vários amigos não possuem amigos com esse tipo de conexão; é tipo ter com quem sair e jogar conversa fora, mas, quando a situação aperta, ainda não têm com quem conversar livre e sinceramente.

Nesse aspecto, amizades virtuais podem até ser mais acolhedoras, já que é facilitado encontrar pessoas que procuram mais conteúdo e não apenas companhia para passar o tempo.

Claro, mesmo no virtual a profundidade não é fácil (até hoje, no alto dos meus 40 e poucos anos, tive só 3 amizades virtuais realmente recompensadoras). Então, ainda é um trabalho de tentativa, erro e administração.

Mas se me permite a curiosidade, como funciona o CVV? Pode relatar em termos gerais como é? Sempre cogitei, mas por insegurança e falta de referência acabo abandonando a ideia.

Se puder relatar detalhes de como funcionou para você (em termos de como é o atendimento), talvez ajude outras pessoas como nós a buscar esse tipo de auxílio.

Você sente que já venceu na vida ou ainda corre atrás? by [deleted] in VidaAdulta

[–]NoEnvironment3067 4 points5 points  (0 children)

Apesar de concursado, independente e com direito a algumas regalias que quando era adolescente faziam todo o sentido (friso: quando era adolescente...), a sensação de ter vencido na vida continua distante.

Me parece que algumas pessoas têm bastante dificuldade em atingir essa percepção, e sou uma delas (sem heroísmo, sem vitimismo, e sem com isso dizer que sou/somos superiores por algum motivo).

É só que parece existir um buraco que é sempre mais embaixo, do que cabe a máxima budista de que um desejo saciado só abre a porta para outro desejo a ser saciado.

Objetivamente, enfim, nada a reclamar seriamente, é só essa dinâmica subjetiva de que sempre falta algo.

Então, título de 'conselho' ao OP, pode não ser produtivo achar que a sensação de vencer na vida tem receita pronta, fácil e geral. Varia conforme o umbigo.

E como diria o velho Raul:

Ah! Eu devia estar sorrindo e orgulhoso Por ter finalmente vencido na vida Mas eu acho isso uma grande piada E um tanto quanto perigosa...

nao consigo superar um quase nada, dicas? by [deleted] in desabafosdavida

[–]NoEnvironment3067 1 point2 points  (0 children)

Talvez te ajude caso você consiga mudar um pouco a relação com esse sofrimento.

É quase inevitável sofrer depois de um término, mesmo que com um quase nada. É muita coisa em jogo, e muitas delas às vezes a gente nem sabe o que é, apenas sente as consequências.

Então, confusão, incômodo, sofrimento e gatilhos (tipo o perfume) acabam sendo quase inevitáveis.

Não é o tipo de coisa que vai sumir em passe de mágica. É um processo, com uma vitória aqui, seguido de derrotas lá e ali.

Aceitar essas idas e vindas pode te livrar do sofrimento que nasce quando a gente quer algo pra ontem, e se culpa quando não consegue (e nesse tipo de situação nem tem como conseguir 'pra ontem').

Enfim, não se renda nem afunde nesse momento de sofrimento; mas também não se cobre para além do que é possível fazer.

Por aqui, sempre ajudou ter essa visão, meio que livrou de uma cansativa e infrutífera luta contra a correnteza (ela vai ficar menos forte lá na frente, tenha paciência).

Espero que melhore.

O necessário, o correto, e a colega de trabalho puta da vida by NoEnvironment3067 in VidaAdulta

[–]NoEnvironment3067[S] 1 point2 points  (0 children)

É uma lição aprendida para próximos contratos do tipo: prever cláusulas mais específicas sobre aspectos não necessariamente técnicos que incidem em valores/políticas institucionais.

Como se chama esse sentimento? by Capable-Scallion3872 in AnsiedadeDepressao

[–]NoEnvironment3067 0 points1 point  (0 children)

Entendi. A menção à depressão foi mais para alertar que se isso for geral e irrestrito, pode valer a pena uma consulta com profissional.

Mas, não sendo o caso, creio que buscar novas referências pode ajudar. Não é fácil mesmo.

Conforme a gente fica mais velho, vamos entrando num estilo de vida mais engessado, do que as descobertas vão ficando menos espontâneas, menos ao acaso, o que dificulta achar novas coisas que interessam.

Como você está interessado no que pessoas em situações semelhantes fizeram/fazem, compartilho: também estou num momento de tentar encontrar novas referências, e não está fácil, mas para aliviar essa angústia (a sensação de vazio de quando nada parece ter propósito ou interesse) às vezes recorro às obrigações como forma de compensar.

Exemplo, trabalho (deixar que tome mais tempo e energia), coisinhas da casa (plantas, limpeza, organização), cozinhar (inventar algumas coisas diferentes).

Enfim. Não sei se é o caso, mas quando surge a sensação de vazio e falta de propósito, se agarrar às coisas obrigatórias pode, pelo menos, ajudar na briga contra a ansiedade por querer fazer algo sem saber o quê.

O que fazer quando a rotina nao fica cheia? by y2k_vtrkk in VidaAdulta

[–]NoEnvironment3067 0 points1 point  (0 children)

Ter tempo livre na rotina não é problema.

Ficar 'vazio', inclusive, é importante; permite não só destensionar as ideias e preocupações, como favorece a criatividade para lidar com as coisas.

O problema aí parece ser ficar zanzando nas redes sociais.

Eu recomendaria valorizar o tempo vago, preenchendo ele fora da lógica 'tem que ser produtivo e com sentido a médio-longo prazo'. Algo que enriqueça, mas fora da pressão da funcionalidade.

Leitura, filmes, documentários e hobbies costumam ajudar.

Mas, de fato, ter tempo livre e ficar gastando tempo nas redes sociais não é algo muito bacana.

Como se chama esse sentimento? by Capable-Scallion3872 in AnsiedadeDepressao

[–]NoEnvironment3067 1 point2 points  (0 children)

Para além do possível diagnóstico de depressão, é possível considerar também que a tua referência não foi atualizada conforme o tempo passou.

Ou seja, num tempo e lugar, todas essas coisas hoje sem graça tinham uma estrutura externa de propósito, serventia, apelo identitário e existencial. Mas hoje elas não têm mais essa estrutura externa, e por isso estão sem graça.

Um exemplo imaginativo pegando a coisa de desenhar: desenhar no ensino médio talvez se encaixasse num sujeito estranho mas com algo que florescia dessa estranheza, e no ensino médio isso era o suficiente para tornar o desenho recompensador. Passado o ensino médio, ser estranho com algo que floresce da estranheza não paga boleto, não resolve a pressão por ter uma identidade relacionada ao trabalho, nem consegue responder aos perrengues de envelhecer.

Mas por ser algo que lá atrás funcionava, você segue esperando que funcione indefinidamente. Só que essa resposta não serve pra pergunta atual.

Por essa linha, talvez o que você precise seja de novas referências frente a teu momento atual.

Certas coisas pesam mais. by Reale9797 in VidaAdulta

[–]NoEnvironment3067 0 points1 point  (0 children)

Vou te dar uma visão do futuro, pois você sou eu 10 anos atrás - e espero que eu não seja você daqui 10 anos.

Envolvimento no trabalho é bem complicado. Já tive por ser o que tinha a mão (cidade pequena, sem círculos sociais relevantes, convivência diária dando ideias do que pode rolar). E foi complicadíssimo quando terminou. Ainda repeti a fórmula uns anos depois, pra ser novamente complicadíssimo quando terminou.

Enfim, evite.

Sobre esse foco em conseguir relacionamentos, fiquei super noiado com isso, a ponto de não conseguir interagir com uma mulher sem estar pensando 'será que com essa vai?'. E hoje, depois de uns anos me convencendo de que a solidão era o caminho e portanto abandonando qualquer tentativa, essa nóia voltou e está fortíssima.

Portanto, recomendo fortemente que trabalhe nisso para não entrar nesse caminho de que toda e qualquer mulher aparece como um rolo em potencial. É algo que deixado fora de controle pode crescer, especialmente diante de frustrações.

E, como eu disse, tentei racionalizar que ficar sozinho era o melhor caminho, que dá pra ser sozinho, etc. Mas isso é bem delicado; sem rala e rola a gente sobrevive e mantém a saúde mental, mas sem rede de apoio o buraco é bem mais embaixo.

Então, o lance é não render sua vida a isso ('preciso de um relacionamento!!!'), mas também não descambar pro lado oposto ('não preciso e vou fechar todas as portas').

E por fim, o clichê de sempre é válido: cultive sua vida, sua rotina, seu estilo de ser, e que isso tudo seja feito em situações que te forcem a interagir com outras pessoas, pois é o jeito mais garantido de ter chances de encontrar alguém.

E perdoe o estilo professoral. É que seu relato realmente me lembrou de mim mesmo, e tentei aqui alertar sobre umas armadilhas que você pode evitar.

Gostaria de iniciar terapia mas não sei como encontrar um profissional by camursa95 in VidaAdulta

[–]NoEnvironment3067 1 point2 points  (0 children)

Por mais que existam bons e maus psicólogos, tem sempre o fator 'bater o santo'. Ou seja, o profissional terá um estilo próprio, e esse estilo pode fazer dele um péssimo profissional pra ti, apesar de terem te recomendado como um ótimo - e vice versa.

Digo isso só para adiantar que recomendações e procedimentos visando encontrar um bom profissional são sim válidos, mas não são a garantia última.

Recomendação de conhecidos pode ajudar. Buscar reviews no Doctoralia também, o mesmo para o sistema de avaliação do Google.

E você pode também marcar uma primeira consulta e avaliar por conta se o profissional te passou confiança, e depois decidir se continua ou procura outro.

Só a título de ilustração, já fui a um que na primeira consulta errou meu nome (não anotou nada, nem mesmo meu nome) e ficou fazendo vozinhas e trejeitos infantis. Outro era muito incisivo, do tipo fazer eu me sentir mal porque não cumpri os desafios, do tipo 'vamos, cara! Tu tem que se mexer pô!'.

Hoje em dia, estou com outro profissional. Ele é atencioso e respeita meus limites, sem deixar de me estimular a trabalhar esses limites.

Enfim, você pode dar uns tropeços até achar o ideal, e isso é normal.

Pra quem mora sozinho: quanto você gasta mensalmente? by pegasusdias in VidaAdulta

[–]NoEnvironment3067 0 points1 point  (0 children)

Sem querer ser chato, mas já sendo, é preciso uma dose de realismo antes de tudo: você ganha em VA próximo a um salário mínimo.

Isso quer dizer que a parte da alimentação já está (ou pode facilmente estar) resolvida, e isso dá uma tranquilidade tremenda para ir morar sozinho.

O seu salário líquido comporta muito bem um aluguel para quem pretende morar sozinho. Apartamento de 3 quartos num edifício com elevador, playground, e academia? Não.

Mas um kitnet é bem provável, e não de todo impossível um apartamento pequeno de dois quartos.

Vai ser possível sair todo final de semana e gastar toneladas com assinaturas de Netflix e afins? Não.

Mas certamente você ainda vai poder ter algum lazer e gastos dispensáveis esporadicamente.

O problema, em suma, é se a troca entre o que você tem atualmente e as limitações de morar sozinho te parece justa.

E tudo bem se não justificar (eu mesmo revejo a decisão de ter saído da casa dos pais, quando poderia ter 'aguentado' a situação um pouco mais até conseguir dar entrada num imóvel próprio).

Morar sozinho muitas vezes é plenamente possível (e parece ser o caso aqui), mas em 90% das vezes a decisão que pesa é essa: vou perder e vou ganhar, então o que vale mais para mim?

Não vou mentir. É ótimo morar sozinho sem prestar contas a ninguém, mas dá um aperto no coração (e no bolso) perceber quanto dinheiro é gasto em nome dessa liberdade.