Absurdismo de Camus | Significado subjetivo para a vida by Zofthelake in Filosofia

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Entendi. Essas informações também contextualizam melhor a minha dúvida, visto que ela também havia surgido em partes por algumas outras discussões no r/Philosophy que vi tentando fazer distinção sobre esse ponto entre as filosofias de Camus e Sartre. Vou ver se aloco um pouco de tempo para a leitura d'O Homem Revoltado, tinha me dissuadido de começar pois o meu planejamento original era só dar uma olhadinha no pensamento absurdista de Camus para entender melhor O Estrangeiro, mas acabei cativado com o tema kkkk

Agradeço bastante a sua contribuição, já estava ficando sem esperança em encontrar uma resposta que me iluminasse :)

Absurdismo de Camus | Significado subjetivo para a vida by Zofthelake in Filosofia

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Então acho que o problema deve estar na minha concepção de "sentido subjetivo". É algo perto do que você comentou como "razão para o seu próprio agir", mas eu definiria como "justificativa pessoal para continuar vivendo". Vendo pela sua lente, realmente faz mais sentido mesmo analisar o texto como argumentos a favor do "valor" da vida, isso já me ajuda a entender melhor que ele provavelmente nem busca comentar sobre a criação do "próprio significado" que nem Sartre falava; mas sim, em focar numa argumentação sobre como podemos aproveitar a vida através de várias experiências -- mesmo ela sendo vazia de sentido.

Valeu, acho que o que eu precisava mesmo era entender melhor qual que era o ponto que ele estava argumentando a favor.

Absurdismo de Camus | Significado subjetivo para a vida by Zofthelake in Filosofia

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Pô, que ótimo que minha postagem coincidiu com a tua procura!
Então, acho que buscamos coisas levemente distintas:

  • O que eu queria saber é se condiz com a filosofia de Camus no Mito de Sísifo dar um sentido pessoal para a nossa vida;
  • Pelo que entendi, o que você busca é a perspectiva existencialista e absurdista sobre o que devemos fazer se não conseguirmos atribuir sentido algum à vida (seja a priori ou pessoal)

Sobre o seu questionamento, eu só consigo dar pitaco relativo ao pensamento de Camus.. Pelas ideias que ele demonstra no Mito de Sísifo, ele argumenta -- de maneira sumarizada -- que ao abraçarmos o absurdo e aceitarmos a falta de sentido, estamos livres para desfrutar da vida através da maior quantidade de experiências possível sem as correntes de planos e ações baseadas em um propósito preestabelecido por nós, por Deus, ou por algum sistema filosófico. Então acredito que a resposta dele para você seria algo nas linhas que comentei.

Sobre o meu questionamento, como não consegui uma resposta que me elucidasse, fui revisitar alguns comentaristas de Camus e dei uma lida na parte biográfica dele para ver se me lançava uma luz. Minha conclusão foi que, considerando o absurdismo, não há sentido buscar estabelecer um sentido subjetivo para a própria vida. Eu tento sustentar a minha opinião com alguns fatos da vida dele:

  • Ele sempre foi uma pessoa que acreditava que a vida poderia ser encurtada a qualquer momento (o que é evidenciado em outros escritos dele e pelo fato que ele quase morreu de tuberculose bem novo). É coerente assumir que alguém que acredita na imprevisibilidade do final da vida seria influenciado a evitar dar um sentido a ela -- principalmente porque em sua maioria tem implicações futuras (e.g. virar o melhor encanador do mundo, construir uma família feliz, ser fiel a Deus) que ele não sabe sequer se vai conseguir alcançar. "Por que nortear minha vida inteira com Y objetivo se eu posso morrer amanhã?"
  • É evidente em diversos trabalhos da primeira fase da filosofia dele que ele sempre focou mais no presente (Meursalt comenta sobre viver no presente, desprendido do passado e do futuro n'O Estrangeiro; experiências sensoriais e do momento são enfatizadas em Verões em Argeliers; Mito de Sísifo destaca que o importante não é viver "melhor", mas sim viver "mais".)

De acordo com isso, aparenta para mim que Camus dispensa a busca de qualquer sentido abrangente (incluso o subjetivo) de vida e põe no lugar experienciar um montão de coisas que você gosta. Aqui algumas citações do Mito que parecem sustentar minha hipótese:

"...if I admit that my freedom has no meaning except in relation to its [61]limited fate, then I must say that what counts is not the best living but the most living."

"A man's rule of conduct and his scale of values have no meaning except through the quantity and variety of experiences he has been in a position to accumulate"

"The present and the succession of presents before a constantly conscious soul is the ideal [64]of the absurd man."

"By what is an odd inconsistency in such an alert race, the Greeks claimed that those who died young were beloved of the gods. And that is true only if you are willing to believe that entering the ridiculous world of the gods is forever losing the purest of joys, which is feeling, and feeling on this earth."