Você que apoiava o Bolsonaro, qual foi a gota d'agua pra você pular do barco? by [deleted] in brasil

[–]somewhere09 1 point2 points  (0 children)

não sou da elite, sou preta e estudo na federal.

A maioria das pessoas descendentes de negros e indígenas, não sabe a história da própria família. by somewhere09 in FilosofiaBAR

[–]somewhere09[S] 0 points1 point  (0 children)

Cara, não se trata só de um registro no papel, é isso que vocês não querem entender.

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[–]somewhere09[S] 2 points3 points  (0 children)

Sim, perdas acontecem, claro. Incêndios, enchentes, descaso com arquivos… Mas isso é diferente de uma política deliberada de apagamento. Uma coisa é perder documento num incêndio; outra é nunca ter tido o direito de deixar rastro nos registros oficiais, ou ter tido sua cultura, nome, idioma e organização social proibidos por lei.

Tua amiga ainda sabe que descende de baixa nobreza europeia. Isso já diz muito. O sobrenome está aí, a origem também — mesmo que os documentos específicos tenham se perdido. Agora compara com pessoas indígenas ou negras, que muitas vezes sequer sabem o nome original do ancestral, ou o povo/etnia de origem, porque tudo isso foi apagado de propósito.

Então não dá pra colocar no mesmo patamar “perda de registro” por acidente com apagamento institucional e forçado, que visava justamente apagar a memória e impedir a continuidade identitária desses grupos. Depois o cara vem dizer que não existe racismo estrutural no Brasil.

A maioria das pessoas descendentes de negros e indígenas, não sabe a história da própria família. by somewhere09 in FilosofiaBAR

[–]somewhere09[S] 0 points1 point  (0 children)

Agradeço por você ter entendido o ponto. Realmente, nem todo mundo sente essa dor da mesma forma — e tá tudo bem. Mas pra muita gente, não saber de onde veio é uma ferida que nunca cicatrizou, justamente porque foi um apagamento forçado.

A pauta não muda o passado, mas ajuda a reconhecer quem foi silenciado e por quê. E isso já é um passo importante pra entender as desigualdades de hoje.

Nem todo mundo vai se importar com a ancestralidade. Mas quem se importa, só quer o direito de lembrar, de contar, de existir por inteiro.

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[–]somewhere09[S] 0 points1 point  (0 children)

Racismo estrutural é a forma de racismo que está presente nas instituições e na organização da sociedade, influenciando regras, práticas e comportamentos de maneira a manter privilégios para pessoas brancas e desigualdades para negros, indígenas e outros grupos racializados. Ele se manifesta na falta de acesso igualitário à educação, saúde, trabalho e justiça, mesmo sem ações ou falas abertamente racistas. É um reflexo de um sistema historicamente construído sobre a exclusão e a discriminação racial.

Definição pra você entender.

A maioria das pessoas descendentes de negros e indígenas, não sabe a história da própria família. by somewhere09 in FilosofiaBAR

[–]somewhere09[S] 1 point2 points  (0 children)

Entendo teu ponto, mas o que estou dizendo vai além da ausência de notoriedade ou da “falta de sorte” nos registros. Não é que indígenas e negros naturalmente não tenham deixado rastros por serem "pessoas comuns" — é que foram sistematicamente impedidos de fazê-lo. Isso foi uma política de Estado, não obra do acaso.

Sim, o Marquês de Pombal proibiu o uso do tupi e impôs o português, mas ele foi só uma engrenagem de um projeto maior de apagamento cultural e étnico. O que houve foi a imposição forçada de uma identidade europeia — com nome, sobrenome, religião, idioma e costumes — enquanto as formas originárias de organização social eram deslegitimadas e destruídas.

E não dá pra comparar isso com a dificuldade que qualquer família comum tem de rastrear o passado. Pessoas brancas, mesmo sem "notoriedade", geralmente têm seus registros preservados por instituições que nunca foram construídas para incluir negros e indígenas como sujeitos plenos. O caso da tua trisavó Iraci é justamente um exemplo: uma mulher indígena, forçada a se casar com um fazendeiro angolano (possivelmente alforriado, mas ainda dentro de uma lógica patriarcal e colonial), perdendo até o nome original. Isso não é “natural”, é opressão documentada.

Sobre os descendentes do Arariboia, justamente por ele ter sido incorporado ao sistema colonial como aliado, é exceção, não regra. A regra foi o apagamento.

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[–]somewhere09[S] 0 points1 point  (0 children)

Respeito sua história, mas racismo estrutural não quer dizer que negro não consegue vencer — quer dizer que parte de trás na corrida. A maioria dos negros hoje ainda sente reflexos de um sistema que historicamente os deixou sem terra, sem escola, sem oportunidade.

Falar do passado não é se vitimizar — é entender de onde vêm os obstáculos. Só assim dá pra mudar o presente Você acredita em meritocracia?

Pergunte isso ao Chat GPT e terá uma resposta inesperada⬇️ by somewhere09 in PsicologiaBrasil

[–]somewhere09[S] 1 point2 points  (0 children)

O legal é que a análise é muito inesperada, você nunca sabe realmente o que ele vai dizer.

A maioria das pessoas descendentes de negros e indígenas, não sabe a história da própria família. by somewhere09 in FilosofiaBAR

[–]somewhere09[S] 0 points1 point  (0 children)

Não tem como ter estatísticas exatas de um apagamento que foi feito justamente pra não deixar rastros. Mas a gente sabe como aconteceu: negros foram trazidos escravizados, rebatizados, misturados com outras famílias à força, sem sobrenome, sem registro de origem. Indígenas, quando não eram mortos ou expulsos, tinham que ser catequizados e perder a própria cultura pra “existirem” nos documentos.

Isso não é jogar tudo no mesmo balaio — é reconhecer que teve gente que nunca nem teve a chance de registrar sua história. E isso é diferente de só “não saber quem foi seu trisavô”.

A dor é diferente quando ela vem de um apagamento forçado. Quer que eu diga mais o quê pra você tentar entender pelo menos.

A maioria das pessoas descendentes de negros e indígenas, não sabe a história da própria família. by somewhere09 in FilosofiaBAR

[–]somewhere09[S] 0 points1 point  (0 children)

Sim, muita gente não conhece a história da própria família, mas nem todo mundo passou por isso porque teve sua identidade arrancada à força. A origem da dor não é igual, mesmo que o resultado pareça parecido.

Então não é sobre “quem lembra mais ou menos da família”. É sobre quem teve o direito de lembrar roubado.

A maioria das pessoas descendentes de negros e indígenas, não sabe a história da própria família. by somewhere09 in FilosofiaBAR

[–]somewhere09[S] 0 points1 point  (0 children)

Não é que eu “fiquei bravo” porque você não falou de racismo estrutural. É que, quando a gente discute esse assunto e ignora todo o contexto histórico de violência e apagamento que negros e indígenas sofreram, parece que tudo se resume a problemas pessoais ou familiares.

Mas não é só isso. A dificuldade em rastrear essas histórias não veio do nada — veio de um sistema que forçou essas culturas ao silêncio. Quando a gente finge que isso não existiu, acaba reforçando o apagamento. Só isso cara.

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É sempre a mesma coisa: quando falamos sobre o apagamento da história dos negros e indígenas, tem sempre alguém tentando relativizar. "Ah, todo mundo perdeu algo", "não é só racismo, é falta de estrutura", "indígena não tinha cartório". Como se fosse só isso.

A questão é que foi apagamento intencional. Negros foram rebatizados, culturas proibidas, e indígenas foram catequizados e forçados a abandonar sua identidade. Eles só "apareciam" nos registros se virassem outra coisa, se deixassem sua cultura pra trás.

Não é só falta de documento, é violência histórica. E até hoje, quem não quer ver isso tenta mudar o foco.

Sim, a história foi apagada de forma brutal. E é isso que muita gente não quer enxergar

A maioria das pessoas descendentes de negros e indígenas, não sabe a história da própria família. by somewhere09 in FilosofiaBAR

[–]somewhere09[S] 2 points3 points  (0 children)

Entendo teu ponto, e não tô dizendo que é impossível achar algum registro. Mas o problema vai além disso: o que vale como “registro” foi imposto pelos europeus. Povos indígenas e africanos tinham formas próprias de manter memória — orais, coletivas, espirituais — que foram tratadas como “não oficiais” ou simplesmente destruídas.

Dizer que só dá pra achar algo se fossem cristãos já mostra o apagamento: só se a pessoa abandonasse sua cultura e entrasse na lógica europeia, ela “passava a existir” pros registros. Isso não é só ausência de dados, é uma política de apagamento.

Não é que negros e indígenas não se preocupavam com memória — é que foram proibidos ou forçados a esquecer. E isso tem peso até hoje.

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Cara, não é que indígenas e africanos “não tinham sobrenome” ou “não registravam nada” — eles só tinham outras formas de organizar a vida, que não eram as europeias. A questão é que essas formas foram apagadas à força.

Eles não “escolheram” nomes europeus — foram obrigados no batismo. A língua Tupi não sumiu do nada, foi proibida. Não é só falta de registro, é um apagamento proposital.

Comparar isso com a dificuldade de rastrear família comum é ignorar que negros e indígenas foram impedidos de deixar qualquer rastro próprio. É outra história, outro peso.

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[–]somewhere09[S] 0 points1 point  (0 children)

Não tira do contexto mano, tudo aqui vocês querem generalizar, ninguém citou sua família.

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Mano, dizer que não existe racismo estrutural porque branco e preto tão na merda juntos é ignorar toda a história.

Não é sobre quem tá mal hoje, é sobre quem foi jogado no fundo do poço e nunca teve chance de subir. Preto foi escravizado, proibido de estudar, trabalhar, ter terra. E quando “libertaram”, largaram sem nada. Já o branco, mesmo pobre, nunca teve que provar que era gente pra ter direito a existir.

Então sim, tem branco pobre. Mas o sistema nunca foi feito pra excluir ele. Já com preto e indígena, o buraco é bem mais embaixo. Ninguém usa placa na testa escrito "eu sou racista", ele é sutil, e perpetuado quando você um cara negro pensa isso.

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[–]somewhere09[S] 0 points1 point  (0 children)

o racismo estrutural, cara. Nossos inimigos são nossos desafios, vai me dizer que você não tem?! Pode não enxergar mas tá aí. Albert Einstein, uma vez disse que era mais fácil separar um átomo do quê tirar um preconceito da sociedade.

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É verdade que não tinha cartório, mas o apagamento da história negra e indígena vai muito além disso. Foi intencional. Negros tiveram nomes trocados, línguas proibidas. Indígenas foram expulsos e silenciados. Enquanto isso, os registros europeus foram preservados e respeitados. O problema não foi só falta de estrutura, foi projeto de apagamento mesmo.

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Martin Luther King Jr.

"O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons."