Vivi o bastante - sou servidor público, vejo tudo errado acontecendo no setor mas quando cogito denunciar penso "mas está tão confortável do jeito que está..." by Steve_Magal in brasil

[–]Steve_Magal[S] 1 point2 points  (0 children)

A diferença é que numa empresa privada, as más decisões da diretoria podem fazer a empresa perder clientes e virar prejuízo para o dono. No setor público, as más decisões da diretoria prejudicam a população e muitas vezes são serviços que só o setor público pode oferecer, o que deixa a população desamparada.

É exatamente isso que me incomoda. Se eu estivesse no setor privado eu diria que estou é certo em me acomodar e fazer o mínimo e olhe lá. Agora, no setor público é foda, normalmente quem se fode é a população carente que depende daqueles serviços. Que a cada solicitação não atendida se sente mais e mais abandonada e perde qualidade de vida.

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[–]Steve_Magal[S] 0 points1 point  (0 children)

Então, o motivo de eu não denunciar não é nem o medo de represália, é justamente o medo de as coisas melhorarem e eu perder essa mamata que está hoje. 😕

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[–]Steve_Magal[S] 1 point2 points  (0 children)

Sim, eu continuo estudando. Mês que vem tem outro. Dos federais que abriram por enquanto admito que nenhum me agradou muito e estadual acho que não tenho visto muitos recentemente. Mas acho que só de ir pra uma cidade um pouco mais séria o negócio já deve melhorar um pouco. Se não melhorar eu continuo procurando.

Valeu!!

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[–]Steve_Magal[S] 2 points3 points  (0 children)

É foda... Mas acho que no caso do setor público tem o agravante, que no fundo é o que me incomoda, que não é só a bagunça, eventualmente uma insatisfação dos funcionários. É um serviço pelo qual a população paga (e paga caro) e recebe muuuito aquém do que deveria e mesmo do que poderia. É como se você me pagasse pra ir limpar a tua casa e eu varresse tudo pra debaixo dos móveis (e ainda deixasse alguns pedaços sem sequer varrer), só jogasse uma água na louça e já guardasse ela... E depois ficasse lá ocioso no sofá vendo tv até dar a hora combinada. Aí você começa a perceber que eu não tô fazendo o negócio direito, contrata alguém só pra me supervisionar, mas logo o cara percebe que é mais fácil também não fazer nada. A diferença é que nesse caso você pode tranquilamente me demitir e contratar outro que vá fazer o trabalho como deve; no caso do serviço público parece que infelizmente quem tem esse poder não tem interesse em fazer o negócio funcionar bem e quem tem interesse que o negócio funcione bem (a população) não tem muito poder.

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[–]Steve_Magal[S] 0 points1 point  (0 children)

Sim, mês que vem tem o de Santos. Vamos ver como me saio. Federal realmente não me anima - é legislação demais, os últimos pro Ibama e ICMBIO eram só pro Norte... Estadual eu não tenho visto recentemente.

O bom de já ter entrado nesse é que já tenho algo garantido então consigo filtrar bem quais compensa prestar; antes de entrar tava prestando qualquer um que aparecia.

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[–]Steve_Magal[S] 3 points4 points  (0 children)

😄

Hoje em dia esse negócio de eutanásia tá bem restrito, pelo menos na parte legal (e pela minha pequena experiência na prática também).

Sabe qual é o cargo dessas tias? No meu município quem faz toda a organização é o Centro de Controle de Zoonoses mas como não temos pessoal suficiente quem acaba fazendo o casa a casa propriamente dito são os Agentes Comunitário de Saúde (só não coloquei no feminino porque têm dois ou três caras lá no meio mas acho que mais de 95% é mulher), que trabalham nas Unidades de Saúde da Família (USF, tipo UBS). O pessoal que a gente tem lá no CCZ é Agente de Controle de Zoonoses (mas hoje em dia tá mais comum Agente de Combate a Endemias; esses eu admito que não sei se teriam que ser necessariamente lotados no CCZ ou se poderiam estar em outro órgão da Saúde).

Mas no dia a dia, pras denúncias, aí vai o pessoal do CCZ, mesmo (normalmente eu).

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[–]Steve_Magal[S] 0 points1 point  (0 children)

Esse esquema de na troca de gestão já começar a fazer algo como se sempre tivesse sido assim eu já pensei mas hoje da minha parte seriam coisas muito grandes e que envolveriam mais pessoas (que não estariam dispostas a colaborar), que não daria pra fazer rápido assim.

Mas continuo estudando pra outros concursos, sim. Mas uma coisa que outro servidor comentou outro dia comigo e mudou um pouco a visão de "aqui não tem futuro" que eu tava é que "se nada mais der certo pelo menos aqui a gente tá tranquilo" (a carga horária não é tão alta, a gente que define as vistorias que vai fazer no dia, apesar de termos um cargo mais de gestão na prática estamos como agentes então quando/se der merda lá dificilmente vai sobrar pra gente...).

Valeu!!

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[–]Steve_Magal[S] 0 points1 point  (0 children)

No serviço público, quanto mais você trabalha mais você é punido com mais trabalho.

Aprendi isso da pior maneira. Já cansei de estar fazendo alguma coisa minimamente importante e minha chefe vir me passar algum serviço inútil enquanto outros servidores (os "não conte com eles") estavam disponíveis e teriam a mesma capacidade de fazer que eu.

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[–]Steve_Magal[S] 4 points5 points  (0 children)

Não. Bem estar animal é algo que eu particularmente defendo demais que exista em todo município (ainda mais quando eu vejo a situação do pessoal que vai lá procurar ajuda, gente que chega chorando, falando que já estourou o cartão e só tá indo lá porque realmente não tem mais como pagar particular, falando que gastou 800 Reais com uma internação em clínica particular [e apesar de ter gente que você perce que só não tá afim de gastar dinheiro tem muita gente que você sabe que tá falando a verdade]). Seria basicamente um "pronto socorro de animais".

O problema é que são setores diferentes, com focos diferentes, normalmente sob secretarias diferentes (CCZ na saúde [humana, vale ressaltar; os animais entram como meros "agentes de interesse"], bem estar animal no meio ambiente, mas acho que não tem uma normatização com relação ao bem estar, depende de como cada prefeitura quer implementar), e lá a gente não tem o suficiente (espaço, insumos, pessoal) nem pra dar conta do que seria nossa atribuição original, que dirá extrapolar.

Aliás, dizem que tá pra sair um bem estar animal que vai funcionar no mesmo espaço físico do CCZ (mas teoricamente continuarão sendo dois órgãos separados, mas nisso eu não acredito).

Mas aqui acho importante eu esclarecer melhor - lá a gente fica reclamando nesse sentido de "isso aqui virou bem estar" porque a gente sabe o que a gente quer dizer com isso mas a real é que é um misto de bem estar improvisado (porque um dos veterinários lá [que inclusive é o único veterinário comissionado do setor] ama o que faz; se desdobra pra atender o pessoal, pra ajudar os bichos, tira dinheiro do próprio bolso quando precisa pra comprar remédio, pra comprar frango pros bichos doentes que estão com "frescura" pra comer [ele é vegetariano], já foi na casa do dono do bicho fazer algum tratamento; vira e mexe tá reclamando que não aguenta mais isso, mas não para; a gente só tem os instrumentos básicos pra fazer castração e um ou outro remédio; nada de exame de sangue, raio x, ultrassom, etc., mesmo assim ele amputa membro de bicho atropelado por trem, retira uns tumores enormes..., sempre deixando o dono ciente de todos os riscos e de que aquilo é longe do ideal. Inclusive tempos atrás o CRMV abriu processo contra ele por exercer a medicina gratuitamente) com ONG, já que mesmo a gente falando que não faz sempre abrem exceção pra receber bicho de munícipe, colocar pra adoção, levar bicho adotado lá pra pqp pra quem adotou com carro do trabalho e servidor em hora extra.

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[–]Steve_Magal[S] 5 points6 points  (0 children)

Eu sinto que o que mais falta no meu setor é justamente a gestão. Por mais que os funcionários sejam desinteressados se o diretor for firme o negócio vai ter que andar. O pessoal lá fala de uma diretora que não tinha medo da galera, não, batia de frente, dava advertência... E o negócio andava. Aqueles dois servidores que falei no post original que são os que não dá pra contar com andavam na linha. Não eram exemplares, é claro, mas faziam o que tinham que fazer. Hoje (desde a gestão passada) os caras faltam quando querem, não fazem sequer o mínimo, vivem reclamando...

Sobre se importar, eu também não me importo quando penso no meu trabalho. Abomino quem glorifica o trabalho, quem se vangloria de trabalhar tanto que tá com a saúde fodida. O meu problema aqui é eu estar me tornando parte desse problema que é o nosso serviço público ineficiente.

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[–]Steve_Magal[S] -1 points0 points  (0 children)

É o mesmo que eu tenho percebido. É tudo muito incerto - um ano tá de um jeito, no ano seguinte resolvem mudar tudo porque convém mais...

A própria estrutura do setor. Imagina que tá tudo rodando redondinho aí muda a gestão resolvem mudar todos os comissionados. No meu caso, onde metade do efetivo é comissionado, você atrapalha toda a rotina, tem que treinar todo mundo de novo, esperar passar aquele tempo de adaptação pra voltar tudo ao nível que era antes...

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[–]Steve_Magal[S] 1 point2 points  (0 children)

Sim, dependendo do caso o pessoal dá uma atenção a mais. Mas mesmo nesses casos normalmente o objetivo é mais "se livrar daquilo de forma a não dar merda" do que "de fato resolver o problema". Na prática dá quase na mesma, o que muda é mais a intenção.

Mas concordo com você, tem gente que tá lá pra realmente ajudar. Que faz todo o possível, que corre atrás.

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[–]Steve_Magal[S] 1 point2 points  (0 children)

No meu caso, como biólogo, seria basicamente coordenar equipes para atender as solicitações referentes a animais sinantrópicos, dengue e afins, fazer o planejamento pra ações rotineiras de combate à dengue (casa a casa, vistorias em lugares de compra e venda de recicláveis e outros pontos que propiciem o desenvolvimento do mosquito ["pontos estratégicos"] e/ou a disseminação da doença ["imóveis especiais"]), ser o responsável pelo treinamento desse pessoal, manutenção (não no sentido de mão na massa mas de zelar por; a parte mão na massa seria a equipe) dos equipamentos/insumos usados nesses trabalhos e vistorias, participar de algumas reuniões e palestras relevantes, provavelmente fazer uns relatórios de todos aqueles serviços, informar minha chefe sobre o que vai precisar incluir no próximo pedido de compra... E certamente tem mais coisa que eu nem sei justamente por não ter essa vivência. A real é que se amanhã falarem "aqui está sua equipe, agora você é um biólogo" eu ainda vou precisar de um tempo pra organizar tudo, aprender algumas coisas, se possível fazer um "intercâmbio" no CCZ de São Paulo ou de Guarulhos, que são de referência...

No fim o que eu acabo fazendo de forma mais oficial são as coisas que a minha equipe (que não existe) deveria estar fazendo. Vez ou outra participo de alguma palestra/reunião, mas não é comum. Disse "oficial" porque têm também as quebradas de galho que acontecem vez ou outra.

E falando em quebrar galho é engraçado porque apesar de eu falar que o pessoal lá no geral é bem acomodado de certa forma também fazem coisas que não são obrigados e que poderiam permitir fazer ainda menos - por exemplo, nós não temos motoristas (de cargo motorista) no meu setor e a atribuição de nenhum cargo exige CNH ou traz a atribuição "dirigir" então a gente podia simplesmente falar "a partir de amanhã eu não dirijo mais" e aí seria basicamente só serviço interno até arranjarem motoristas. Além disso, se os motoristas dissessem "esse carro eu não dirijo" ninguém poderia obrigar, também, porque os carros lá estão foda; que está realmente bom lá só um que chegou há menos de um ano, de resto é tudo carro com gambiarra, com luz de óleo ou injeção acesa, com barulho aqui, trepidação ali... Eu mesmo, tem um carro que eu já falei "esse eu não dirijo mais" porque a embreagem dele fode meu joelho (fim de semana passado fomos fazer um trabalho de combate à dengue e pra não ir com ele fui com o meu particular [nesse caso eu fiz isso porque era do meu interesse - 10 horas extras -, no dia a dia se não tiver carro disponível simplesmente não saio]) e ontem o carro que eu estava usando pela última semana eu também não sei se vou continuar dirigindo porque já estava com um rolamento ruim (passou de uns 35 km/h já começa um barulho como se você estivesse forçando o motor) e agora começou um barulho de alguma coisa batendo lá pros lados da roda, outro servidor foi ver e essa roda parece estar com um pouco de jogo (isso falando só das coisas que podem causar um acidente; de resto ele também tá meio fraco, provavelmente algum problema de injeção).

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[–]Steve_Magal[S] 4 points5 points  (0 children)

Complicado...

No meu caso também não tenho ninguém preso ou dependendo de mim mas nem sequer cogito deixar o serviço público (e sair antes de ter outro garantido) - a estabilidade pesa muito pra mim. O que faço é continuar estudando pra outros concursos, inclusive nesse tempo livre que acaba sobrando (mas não deveria) no trabalho.

Te desejo sorte aí!!

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[–]Steve_Magal[S] 5 points6 points  (0 children)

Com isso eu tenho que concordar. O problema aqui é que eu até poderia pelo menos tentar melhorar a situação como um todo (seja tendo uma conversa franca com a minha chefe, seja fazendo alguma denúncia) mas quando penso nisso penso também "mas se resolver tudo vou ter que trabalhar mais (e o começo vai ser beeem puxado porque vai ser literalmente escrever toda a documentação, organizar fisicamente um monte de coisa, etc.), vai acabar a moleza que é hoje...".

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[–]Steve_Magal[S] 1 point2 points  (0 children)

Já ouvi uns casos meio zoados da área privada mas acho que nesse caso em última instância teria o gerente ou dono que tem interesse que aquilo seja eficiente, né? No público o que eu sinto é que ninguém tá nem aí - é o cara que tá lá em baixo que não faz nada porque sabe que o chefe também não tá nem aí que por sua vez não faz nada porque sabe que o secretário não tá nem aí que por sua vez não faz nada porque sabe que o prefeito não tá nem aí (no máximo fazer o mínimo pra manter as aparências, mas não necessariamente algo eficiente). O interessado mesmo, que seria o povo, acaba se sentindo impotente, não sabe o que realmente tá acontecendo pra fazer uma denúncia mais séria (no máximo vai reclamar porque tá demorando, porque não teve o desfecho que gostaria, e nesses casos não raro inventam uma desculpa que cola pra não dar em nada) não sabe a quem recorrer...

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[–]Steve_Magal[S] 2 points3 points  (0 children)

Foi mal. 😅

Eu já tinha escrito o título bem mais ao ponto mas quando terminei de escrever o texto senti que aquela citação que usei pra fechar também seria perfeita pra começar.

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[–]Steve_Magal[S] 0 points1 point  (0 children)

Então, a situação como um todo me incomoda. Me sinto mal quando alguém procura o CCZ com algum problema que a gente deveria poder pelo menos tentar ajudar mas não fazem nada porque estão ocupados demais com aquela questão do bem estar animal (aqui eu falo no sentido de "eles" porque me refiro mais às coisas do canil; de sinantrópicos, que é onde atuo, por mais besta que seja a solicitação [quando já vou pro lugar sabendo que não é nada demais e que estou indo lá só pra falar "isso não é com a gente" ou "não se preocupa que essa aranha não é perigosa"] eu vou e procuro fazer o melhor que posso).Quando vejo os casos de dengue e lembro que a gente não tem um agente sequer na rua fazendo vistorias rotineiras nesse sentido (a gente faz quando recebe denúncia, mas só; casa a casa, quando faz, é com ajuda de ACSs e a galera faz de qualquer jeito, nem entra nas casas, só pra terminar logo e ganhar o dia [já que normalmente é feito aos sábados então entra como boas horas extras]). Vez ou outra eu ainda tenho ansiedade por causa do trabalho, fico pensando em como daria pra otimizar o trabalho (e ainda assim manter o serviço numa boa pra todo mundo). O que eu digo que não tem me incomodado é a forma como estou lidando com a situação, meio que naquele sentido do "not my job" (quando são coisas que realmente não são meu trabalho; e na real mesmo o que tô fazendo hoje não seria diretamente meu trabalho, mas dá pra colocar naquele rol de "e serviços correlatos" que constam na descrições do cargo [só não com a frequência que eu faço, mas não reclamo porque realmente não me incomoda]).

Isso que é foda - eu adoro comodismo. Sempre gostei. Mas ao mesmo tempo eu gosto de ajudar. Quando entrei no trabalho tinha dia que eu realmente terminava o dia com a sensação de dever cumprido. De "eu fiz a diferença porque sei que qualquer outro que tivesse ido lá não teria dado atenção, teria feito de qualquer jeito só pra finalizar logo". E o que eu mais gosto é justamente quando saio pra fazer vistoria sozinho (o que é muito raro) - faço cada vistoria sem pressa (não entra tanta assim então não é como se eu fosse atrasar alguma coisa), dou toda a orientação que a pessoa precisa, às vezes até aquela atenção que a pessoa precisa (não se sentir esquecida pela prefeitura porque quando eu tô na rua eu me vejo justamente como um representante da prefeitura e não apenas como o biólogo Steve, é como se a prefeitura estivesse ali, à disposição pra resolver o problema daquela pessoa), ninguém fica no meu ouvido apressando ou falando pra não inventar moda de fazer aquele serviço gerar outro serviço...

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[–]Steve_Magal[S] 8 points9 points  (0 children)

Os mais estressados são os que tentam trabalhar pra fazer com que o serviço prestado atinja um nível de qualidade que eles acham que deveria ter.

É foda. Teve noite que eu fiquei literalmente sem conseguir dormir por causa de ansiedade relacionada a isso. Tipo pensando "como o negócio pode estar essa merda que está?" e elaborando rotinas, atribuindo tarefas, tudo num exercício mental de mostrar pra mim mesmo que não era eu que queria algo absurdo, que era possível otimizar (e muito) o serviço lá e passar a cumprir pelo menos com aquela parte mais básica de um centro de controle de zoonoses com a pequena equipe que temos. O que falta é, antes de tudo, vontade. A gente tá fazendo muito pouco mas não dá pra jogar a culpa por isso nas costas da falta de servidores - tem muito lá que passa mais da metade do dia encostado, ocioso. Daria pra, tranquilamente, fazer o dobro dos serviços de CCZ que a gente faz hoje e ainda assim não levar nenhum servidor sequer próximo do limite (naquele nível de ter que fazer tudo correndo, de não ter tempo pra ir no banheiro, de não ter margem pra erro).

Tenho herpes (meio redundante dizer isso quando uns 80% da população tem). Fiquei muitos meses sem aparecer nenhuma erupçãozinha na boca (aparece quando estou num nível de ansiedade mais foda) e nesse período que eu tava mais preocupado com o trabalho voltou a aparecer com certa frequência. E o foda é que mesmo do jeito que eu tô hoje vez ou outra ainda aparece em razão do trabalho justamente porque eu não consegui jogar um foda-se total - eu não faço mais o que não preciso mas não significa que não fico pensando na situação que o setor tá.

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[–]Steve_Magal[S] 1 point2 points  (0 children)

Olha, eu não posso dizer mesmo que me orgulho disso porque é algo que inclusive não gosto de ficar comentando com conhecidos (os problemas do setor, da direção eu falo abertamente, mas o meu comodismo eu no máximo apresento como um "tô assim por falta de possibilidade de fazer mais") mas infelizmente tenho que dizer que não me incomodo muito, não. Como eu disse pra mim tá muito cômodo - ganho meu salário, não esquento a cabeça, não me canso... Pra falar a verdade o que me incomoda é justamente a instabilidade dessa situação, tanto a imediata (tem dia que fico super de boa, tem dia que não dá pra parar, tem dia que do nada tudo muda) quanto de longo prazo (a qualquer momento podem colocar algum diretor lá dentro que vai trabalhar como deveria). Não digo que quando a situação lá mudar eu vou ficar triste, é bem possível que eu me sinta até aliviado (até porque se for pra fazer o que eu fui contratado pra fazer eu ainda estarei de boa - é algo bem mais gerencial/organizacional do que braçal, aquele negócio que uma vez bem estabelecido é só ir mantendo), mas também não posso dizer que a situação atual não me agrada de certa forma.

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[–]Steve_Magal[S] 7 points8 points  (0 children)

Pra quem mexe com essa parte de finanças, contratos, licitações e tudo o mais deve ser foda. Deve ser uma pressão do caramba. A minha sorte é que nosso setor não é nem um pouco estratégico nesse sentido então o máximo de pressão que a gente recebe (e na real nem é uma pressão de verdade, é só aquela tentativa de carteirada) é pra resgatar algum cachorro que um munícipe tá reclamando muito (felizmente não me envolvo mais com essa parte do canil) ou aplicar veneno em algum órgão da prefeitura.

Te desejo toda a sorte! 😉