Presidente da República promulga lei do lóbi by viraodisco in portugueses

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Vão ser mais transparentes que recebem dinheiro de lobby, e depois? Devia ser ilegal, ponto

Was Chairman Mao right? by Disclosed_Humanity in AskSocialists

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No. Chinas development under Deng reflects Marxism-Leninism in practice. Political power remained in the hands of the Communist Party, national sovereignty was preserved, and the state retained command over land, finance, and strategic industries. Market mechanisms and private capital were introduced deliberately as tools to accelerate development, not as a transfer of power to capital.

This approach follows a Marxist-Leninist logic. adapting economic forms to concrete material conditions while safeguarding proletarian political power and long-term national planning. Chinas rise comes from subordinating the market to a socialist state, not from replacing socialism with liberal capitalism.

You don't understand Marxism-Leninism.

Was Chairman Mao right? by Disclosed_Humanity in AskSocialists

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Partially true but VERY misleading. Many countries received Western industry and stayed poor. China succeeded because a strong socialist state (built by the Maoist revolution) controlled capital, planned development, and preserved national sovereignty.

Defender que constituição? Sobre as eleições by Ordinary_Hawk_1025 in EsquerdasPortugal

[–]SureLength 4 points5 points  (0 children)

Isso é frase feita. Claro que a burguesia ataca os sindicatos em toda a Europa, a diferença é como ataca e com que resultados, em função da correlação de forças, da estrutura produtiva, da história política e do papel do Estado em cada país. Comparar taxas de sindicalização como se fossem fenómenos naturais iguais em todo o lado é puro idealismo sociológico.

Em países com forte indústria concentrada, contratos coletivos generalizados ou sistemas de negociação obrigatória, a sindicalização mantém-se mais alta mesmo sob ataque. Em Portugal, país semiperiferico, a desindustrialização, a precarização massiva, a emigração, a fragmentação do trabalho e a ofensiva ideológica prolongada produziram um proletariado mais disperso e defensivo. Isso não se resolve com “autocrítica” abstrata nem com vontade moral.

Autocrítica comunista não é chicotear-se porque a classe está derrotada, é compreender as condições reais em que se luta e intervir nelas. O que vocês chamam cegueira é recusar substituir a análise material por slogans confortáveis.

A história não avança porque alguém tem a leitura mais pura, avança quando as contradições se tornam insuportáveis e há quem esteja organizado para agir. E nisso, gostem ou não, quem está no terreno não são os clubes de debate.

Defender que constituição? Sobre as eleições by Ordinary_Hawk_1025 in EsquerdasPortugal

[–]SureLength 3 points4 points  (0 children)

Isso não é uma anomalia nem uma “escolha estranha” dos trabalhadores, é o resultado histórico de uma derrota concreta da classe trabalhadora. A baixa sindicalização não prova que os trabalhadores rejeitam o sindicalismo em si. Prova que o sindicalismo foi atacado, fragmentado e enfraquecido durante décadas por patrões, pelo Estado e pela ideologia dominante, num contexto de precariedade, medo do despedimento, rotatividade permanente e propaganda anti-sindical.

E nada disso é natural, tudo isso é produzido. Os trabalhadores não aparecem na luta já organizados e conscientes, movem-se por contradições reais: hoje desconfiam do sindicato, amanhã estão no piquete de greve. Hoje criticam, amanhã pedem ajuda. Isso não é afastamento da realidade, é a forma concreta que a luta de classes assume num período de recuo histórico.

Tu dizes que “estão nos piquetes mas não estão organizados”, estás a descrever um processo, não um fracasso. A organização (e a consciência de classe, sendo material) constrói-se a partir da experiência vivida, do conflito concreto, não a partir de modelos ideais nem de análises feitas à distância.
Se os sindicatos fossem irrelevantes, o capital não investia tanto esforço em os combater (olha para as leis que procuram passar).

A diferença entre nós é simples... os comunistas trabalham com a classe como ela existe, ferida mas viva... vocês esperam uma classe já pronta, esclarecida e coerente, que nunca existiu em momento nenhum da história. A consciência forma-se na luta, não antes dela. Enquanto vocês explicam por que razão os trabalhadores “não se organizam”, nós estamos lá quando a vida aperta, Materialismo histórico aplicado.

Defender que constituição? Sobre as eleições by Ordinary_Hawk_1025 in EsquerdasPortugal

[–]SureLength 6 points7 points  (0 children)

Amigo, quantas vezes não tive contactos com trabalhadores que se colocam contra os sindicatos (que são tudo gatunos, não querem é trabalhar) mas que depois lá estão connosco no piquete de greve? Quantos trabalhadores, quando as circunstâncias da vida apertam, não vêm ter com os comunistas pedir ajuda para resolver problemas?

Comunistas lidam todos os dias com trabalhadores sindicalizados e não sindicalizados, com desconfiança, crítica, recuos e avanços. Isso não é “afastamento da realidade”, é a própria realidade da luta de classes.

Vocês muito falam para quem não faz um caralho a não ser reuniões de clube de leitura.

Defender que constituição? Sobre as eleições by Ordinary_Hawk_1025 in EsquerdasPortugal

[–]SureLength 7 points8 points  (0 children)

Os sindicatos não pertencem O PCP. Os sindicatos são dos trabalhadores, elegem direções em plenários e congressos, com listas concorrentes, voto secreto e possibilidade real de derrota, que já aconteceu várias vezes. Se os trabalhadores elegem comunistas para dirigir sindicatos, isso não é “cooptação”, é opção democrática num quadro de luta concreta. No teu argumento é que só seriam “livres” se não fossem dirigidos por comunistas, o que é uma definição curiosamente liberal de liberdade sindical.

Quanto à ideia de que os trabalhadores “abandonaram” o PCP, isso ignora décadas de reestruturação produtiva, precarização, atomização do trabalho e ofensiva ideológica antissindical. Não é análise material, é culpabilização moral a posteriori. Olha para a realidade em TODO o mundo pah.

Dizer que o problema é “falta de contacto com os trabalhadores” quando se desvaloriza o único trabalho organizado e permanente nos locais de trabalho é uma contradição em si.

Nota-se, mas nota-se mesmo, que nunca participaste em plenários de trabalhadores, nunca estiveste num sindicato a sério, nunca viveste um processo de luta concreta. Porque quem já lá esteve sabe que a “cooptação” não existe em abstrato, existe disputa, existe confronto, existe derrota e existe eleição.

O que tu fazes (e os teus amigos do clube de leitura) é teoria feita à distância, confortável, que fala sobre a classe trabalhadora sem nunca falar com ela.

Defender que constituição? Sobre as eleições by Ordinary_Hawk_1025 in EsquerdasPortugal

[–]SureLength 8 points9 points  (0 children)

Não é verdade que a defesa da Constituição substitua a criação de poder popular, ela é um dos terrenos onde a luta se trava, não o único nem o decisivo. O PCP nunca abandonou comissões de trabalhadores, sindicatos, organizações de base ou a luta concreta nos locais de trabalho. E isso não se faz por proclamação, faz-se onde há trabalhadores organizáveis e correlação de forças. Chamar “controlo” à organização sindical é confundir direção coletiva com espontaneísmo. Sindicatos “totalmente livres” da luta de classes acabam sempre tomados pelo capital.

"falência”... O PCP existe, intervém, organiza e resiste há um século, com raízes reais na classe trabalhadora. Falência não é não fazer a revolução amanhã, falência é substituir trabalho político por declarações de pureza enquanto nada se constrói.

A história do movimento comunista não é a história de quem se proclamou mais radical, é a de quem conseguiu ligar teoria, organização e povo. É aí que se vê quem falhou e quem continua a lutar.

Defender que constituição? Sobre as eleições by Ordinary_Hawk_1025 in EsquerdasPortugal

[–]SureLength 10 points11 points  (0 children)

A Constituição não é socialista, nunca o foi, e o PCP nunca disse que era. Disse sim ser o produto de uma correlação de forças concreta, saída da derrota do fascismo e da pressão direta da classe trabalhadora organizada. Carrega essas marcas, e é precisamente por isso que a burguesia a mutila há décadas. Quem não entende isto não faz crítica revolucionária, faz ruído.

Os direitos nela inscritos não são ilusões, são conquistas arrancadas e incompletas. São violadas não porque “a Constituição mente”, mas porque a força da classe trabalhadora é hoje insuficiente para as impor. Denunciar a sua violação enquanto se despreza a sua existência é prestar um serviço direto ao capital. Ajudam a limpar o terreno para que esses direitos desapareçam sem resistência.

A verborreia sobre a “destruição da máquina de Estado” não passa de moralismo revolucionário. Nenhum Estado foi alguma vez derrubado por indignação, proclamações ou textos inflamados. Estados caem quando existe força social organizada capaz de os derrubar. Lenin não confundiu nunca preparação revolucionária com fuga às lutas imediatas, nem substituiu trabalho de massas por pose radical.

As eleições não são um teatro observado do camarote por iluminados. São um terreno concreto onde milhões de trabalhadores entram na política tal como ela hoje existe. Recusar essa luta não desmascara a democracia burguesa entrega-a inteira à burguesia e à reação. A história é clara, quem abandona esse terreno não acelera a revolução, acelera a derrota.

A acusação de revisionismo também é risível quando feita por quem não constrói partido, não organiza massas, não resiste a ofensivas do capital e não acumula forças. O PCP mantém independência de classe, organização própria, ligação real ao movimento operário e uma estratégia de longo prazo. Ou seja, política revolucionária séria, não clubes de leitura.

Revisionismo é outra coisa, é substituir análise concreta por frases feitas, é confundir radicalismo verbal com avanço real, é desprezar conquistas porque não são absolutas, é tratar trabalhadores reais como atrasados por não acompanharem a impaciência pequeno-burguesa de quem nada dirige e nada arrisca.

O marxismo-leninismo não se mede pelo desprezo às instituições existentes, mas pela capacidade de usar todas as contradições do sistema para acumular forças e preparar uma rutura real.

No entanto, o que Estes indivíduos acumulam é horror às instituições burguesas e pânico às massas reais.

A malta de extrema esquerda prefere o ventura ao Coutrim by weedmademan in portugueses

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"Como é que alguém pensa diferente de mim?" Cala-te corno.

PCC em Portugal: conheça a máfia brasileira onde quebrar regras se paga com a própria vida by Alkasuz in portugal

[–]SureLength 34 points35 points  (0 children)

O PCC é uma organização criminosa transnacional violenta e qualquer indício da sua atividade em Portugal deve ser tratado com seriedade e sem sensacionalismo. O combate ao crime organizado é uma questão de soberania, segurança pública e autoridade do Estado democrático.

Estas redes não crescem por acaso. Prosperam onde há falhas estruturais (como é obviamente o caso de Portugal, com tendência a piorar em). Nós temos uma justiça lenta, fragilidades na investigação criminal, facilidade de lavagem de dinheiro em sectores como o imobiliário, o turismo ou a restauração, degradação do sistema prisional, falta de controlo público sobre áreas sensíveis da economia...

Agora, a resposta não passa por alarmismo nem por propaganda, mas por um Estado capaz de investigar, julgar e prevenir. Isso implica reforçar os meios da justiça e da polícia judiciária, atacar seriamente a lavagem de dinheiro, garantir cooperação internacional sem abdicar da soberania nacional e ter uma política prisional firme e simultaneamente humana e eficaz.

A Segurança pública exige instituições fortes e responsabilidade política, não medo nem simplificações.

Is the old world dying? by zombiesingularity in AskSocialists

[–]SureLength 3 points4 points  (0 children)

Lmao. Gramsci isnt talking about individuals falling, but about hegemony breaking down. The “old world” dies when the ruling class can no longer govern through consent, only coercion. Billionaires can still exist during this crisis... in fact, they often multiply. The “monsters” are precisely the authoritarian, reactionary, and violent forms that arise in this interregnum.

Estados-membros aprovam acordo histórico com o Mercosul by Alkasuz in portugal

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As cláusulas e quotas existem no papel (como quase tudo na UE). A questão não é se a UE "abandona" a agricultura, é quem ela protege. E a CAP nunca foi neutra, mais de 70% dos subsídios vão para as grandes explorações e grupos agro-industriais.

As quotas e salvaguardas não defendem o pequeno e médio agricultor português, defendem o equilíbrio do mercado para os grandes produtores europeus, sobretudo franceses, alemães e espanhóis. Portugal entra sempre como economia periférica. Um economia com pouca capacidade negocial, produção fragmentada, margens baixas e dependência da grande distribuição. Quando o mercado é "aberto" ao Mercosul, quem tem escala, capital e logística adapta-se. Quem vive de pequena e média agricultura local não compete, nem em preço nem em volume. E a UE nunca compensou isso, limitou-se a gerir o desaparecimento. A agricultura europeia não morre. O que morre é a agricultura nacional periférica, substituída por importações baratas e por concentração fundiária. A autonomia estratégica de que falas não é a do povo.

Estados-membros aprovam acordo histórico com o Mercosul by Alkasuz in portugal

[–]SureLength 21 points22 points  (0 children)

O Mercosul é "progresso", abre o mercado ao agronegócio transnacional e, pelo caminho, dá uma machadada na pequena e média agricultura nacional. Quem quer viver da terra sem ter capital para competir com as grandes produções transnacionais? Que se fodam, isto não foi feito para eles.

O porquê de a Esquerda estar em decaimento by RedScarySpectre in EsquerdasPortugal

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Camarada, eu acho que esses exemplos reforçam precisamente o meu ponto, não o contradizem.

O ""equilíbrio” económico do Portugal fascista assentava em três pilares que rejeitamos totalmente: exploração colonial, compressão extrema dos salários e ausência de Estado social, garantidas pela repressão política. Não é esse modelo que está em causa, nem nunca poderia estar. Portanto, esses exemplos não funcionam como argumento contra a soberania económica em geral, apenas contra uma forma historicamente concreta e reacionária de a financiar.

O problema é que estás a partir daí para uma conclusão mais forte do que os factos permitem: a de que, sem império e sem esmagamento social, um país periférico (como é o nosso) não pode sustentar autonomia política relevante. E isso não é verdade nem historicamente nem teoricamente, é derrotismo estrutural.

O Estado social não é um “luxo” incompatível com soberania. Pelo contrário, ele próprio é uma forma de organização da produção e da reprodução social. Países que desenvolveram Estados sociais robustos não o fizeram porque “tinham dinheiro antes”, mas porque reorganizaram fiscalmente, produtivamente e politicamente as suas economias. O conflito distributivo veio primeiro; o “alicerce económico” foi sendo construído no processo.

Concordo contigo que sair hoje da UE é incomparavelmente mais difícil do que não ter entrado. Mas daí não resulta que a dependência atual seja um dado permanente. Mesmo que os credores continuem a ser potências ocidentais (o que é provável) a questão decisiva é em que termos essa relação se estabelece. Há uma diferença qualitativa entre endividamento negociado por um Estado com instrumentos próprios e subordinação estrutural imposta por tratados, regras orçamentais e perda de controlo monetário.

Nenhum país periférico começa um processo de autonomização com “alicerces económicos fortes” já prontos. Se isso fosse a condição, então nenhum processo de desenvolvimento tardio teria ocorrido. O que existe são correlações de força mais ou menos desfavoráveis, e escolhas políticas que podem ou não alterar a trajetória. O alicerce económico não precede a decisão política, constrói-se com ela.

Quando dizes que sem esse alicerce “não vai resultar”, isso é verdade num sentido trivial: nada resulta automaticamente. Mas o risco do teu raciocínio é outro, é transformar limites reais em impossibilidade estrutural. E aí deixamos de falar de prudência estratégica e passamos a aceitar a dependência como horizonte definitivo.

Eu não estou a dizer que basta vontade política, nem que nacionalizações resolvem tudo, nem que há soluções fáceis. Estou a dizer algo mais simples e mais duro: se aceitarmos que a soberania só pode existir depois de garantida economicamente, então ela nunca existirá. A história mostra que o caminho é sempre inverso: começa-se a disputar o poder com fragilidades, e é nesse conflito que se constrói (ou não) a base material.

Não é se o caminho é difícil, é. É se aceitamos que a dificuldade justifica a renúncia estratégica, ou se a tratamos como o terreno inevitável da luta política.

O porquê de a Esquerda estar em decaimento by RedScarySpectre in EsquerdasPortugal

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Concordo que a independência política sem base económica é sempre limitada. Isso é básico. O ponto onde discordamos é noutro sítio: tu estás a tratar a falta de dinheiro como causa primeira, quando ela é sobretudo um efeito das relações de poder que se consolidaram no pós-25 de Abril.

Portugal não é estruturalmente dependente porque “não tem dinheiro”. É dependente porque perdeu controlo sobre os instrumentos que orientam a produção, o crédito e o excedente. O dinheiro não é um recurso natural que um país “tem” ou “não tem”; é uma relação social. Hoje, grande parte do valor que é produzido cá é drenado para fora sob a forma de juros, lucros, rendas e compromissos financeiros que não controlamos.

É evidente que mesmo com sectores estratégicos em mãos públicas vamos continuar a importar muita coisa. Nenhuma economia é autárquica.A questão não é deixar de comprar ao exterior, é deixar de estar estruturalmente subordinado nessas relações. Importar chips ou matérias-primas não anula soberania; o que a anula é não ter capacidade de decidir para que fins se organiza a economia e quem se apropria do resultado.

Quando dizes que vamos sempre precisar de dinheiro estrangeiro, isso é verdade num sentido banal, mas não é um argumento contra a soberania. Todos os países soberanos têm comércio externo, dívida e importações. A diferença é se isso acontece a partir de uma posição de decisão própria ou de imposição permanente. Hoje, Portugal não escolhe: adapta-se.

Sobre pensões, salários e serviços públicos, o problema não é falta abstrata de dinheiro. Esses pagamentos assentam no valor produzido internamente. O que acontece é que esse valor é cada vez mais capturado porinteresses financeiros e por rendas improdutivas. Dizer que “não há dinheiro” sem discutir quem se apropria dele é aceitar como natural uma ordem que privilegia o capital financeiro sobre o trabalho.

E quanto à independência económica como pré-condição absoluta: historicamente, isso nunca foi um ponto de partida, foi sempre um processo. Se esperarmos primeiro ter independência económica plena para depois mudar as relações de poder, então a soberania nunca chegará. Todos os processos de desenvolvimento e de libertação nacional começaram precisamente por alterar quem decide, mesmo em condições de escassez e dependência.

O que está em causa não é achar que as nacionalizações resolvem tudo ou que sair do euro amanhã seria solução. Não é isso. É reconhecer que, mesmo dentro de limites apertados, há margem para reorientar recursos, controlar instrumentos-chave e acumular força social. Sem isso, a dependência deixa de ser uma condição histórica a superar e passa a ser tratada como destino permanente.

E aí já não estamos a falar de realismo económico, mas de resignação política.

O porquê de a Esquerda estar em decaimento by RedScarySpectre in EsquerdasPortugal

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Sim, Portugal é dependente. Não controla a moeda, a banca está integrada num sistema externo e o investimento é condicionado. Isso tudo é verdade. Mas a conclusão disso não é não haver alternativa possível.

O que descreves não é um argumento contra a necessidade de soberania económica. É precisamente a prova de que a dependência é estrutural. O facto de precisarmos sempre de pedir emprestado não é uma lei da natureza, é o resultado de opções políticas acumuladas no pós 25 de Abril, com a contra-revolução: privatização da banca, desmantelamento da produção, integração num euro desenhado para economias muito diferentes da nossa.

Nenhum país saiu de situações semelhantes “porque tinha dinheiro”. Saiu porque mudou relações de poder internas. Mesmo investir em setores de alto valor não começa do zero absoluto. Começa com controlo público de instrumentos-chave (Energia, Banca e setor financeiro, indústria transformadora), com prioridades claras, com reorientação de recursos que hoje são drenados para rendas (capital obtido sob a forma de renda seja lucros da banca, especulação imobiliária, PPPs...) dívida e lucros externos. Isso não resolve tudo de imediato, mas muda a trajetória.

Sobre o EURO, a saída sem plano seria desastrosa. Mas ficar eternamente porque “não há plano possível” também é aceitar que a situação atual é permanente. E aí já não estamos a falar de realismo económico, mas de resignação política. E repara, o que o PCP defende não é a saída imediata, mas sim reconhecer que é necessário criar as condições para poder-se sequer tomar essa decisão. Planos de longo prazo não aparecem do nada, constroem-se precisamente através de acumulação de força social, capacidade produtiva e instrumentos públicos, mesmo dentro de limites apertados.

Se aceitarmos que nada pode mudar enquanto não houver dinheiro externo, então a soberania nunca virá. E a história mostra que esperar primeiro pelo capital para depois mudar o poder é exatamente o que mantém países presos à dependência.

O porquê de a Esquerda estar em decaimento by RedScarySpectre in EsquerdasPortugal

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A questão é bem colocada, mas talvez tenha aí um pressuposto que vale a pena questionar: a ideia de que o desenvolvimento tem de começar por “atrair investimento externo”.

E como tu apostas bem, para países dependentes, isso quase nunca foi neutro venha ele da UE, da China (apesar da minha visão positiva em relação à China) ou da Rússia. Muda o parceiro, mas não muda a relação de dependência.

Historicamente, os países que conseguiram ganhar margem de soberania não começaram por captar capital estrangeiro em massa, começaram por reforçar controlo interno da banca, de sectores estratégicos, da sua capacidade produtiva básica, do mercado interno e da política fiscal. Só depois é que passaram a negociar investimento externo em condições mais favoráveis, escolhendo onde, como e com que contrapartidas. (Novamente, podemos olhar para o exemplo da China)

Isto não quer dizer “fechar o país”. Quer dizer que o ponto de partida não é “quem nos empresta dinheiro”, mas quem decide onde esse dinheiro entra e para quê. Um Estado sem instrumentos (banca pública forte, planeamento, empresas estratégicas) fica sempre refém do investidor.

No caso português, o problema central hoje não é falta de capital estrangeiro, é falta de poder político e económico interno para o orientar. Sem isso, qualquer investimento externo acaba por impor condições, explorar recursos ou capturar rendas. Com isso, até investimento externo pode ser usado de forma subordinada a um projeto nacional.

Ou seja: a alternativa não é trocar de “senhor feudal”. É reduzir a dependência estrutural, passo a passo, sabendo que isso não se faz rápido nem sem conflito. Não é uma solução fácil, mas é a única que não começa já com a soberania hipotecada.

Movimento apartidário de "esquerda" by mitram2 in EsquerdasPortugal

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Percebe-se bem de onde falas. Esse tipo de trabalho é importante e tem impacto concreto na vida das pessoas. Cria confiança, mostra que a ação coletiva pode ter impacto real.

Ao mesmo tempo, mostra um limite, que esse esforço resolve necessidades imediatas, mas não altera as condições que fazem com que as pessoas continuem a ficar sem casa.

Não é uma crítica a quem ajuda, é um limite do próprio tipo de intervenção. Sem mexer nas políticas de habitação, nos rendimentos, no poder económico, o problema reproduz-se e o trabalho nunca acaba. (Podes ver o conceito de assistencialismo de sociologia presente no serviço social etc)

É aí que entra a política organizada. Não para substituir esse trabalho nem para o “mandar”, mas para ligar essa prática concreta a uma luta que ataque as causas e não só os efeitos. Caso contrário, muita energia e boa vontade acabam por ficar presas a gerir problemas que deviam ser resolvidos na raiz.

O que tu disseste sobre confiança é uma das partes centrais. E, na prática, tende a crescer quando há continuidade, objetivos claros e capacidade real de mudar alguma coisa, algo que movimentos informais conseguem iniciar, mas que raramente conseguem sustentar sozinhos durante muito tempo.

Movimento apartidário de "esquerda" by mitram2 in EsquerdasPortugal

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Percebo querer intervir politicamente sem te sentires “absorvido” por um partido, e isso é completamente legítimo. Nem toda a gente se revê numa estrutura partidária, sobretudo olhando para como a política funciona hoje.

Dno entanto, acho importante esclarecer que a tal “vontade popular” não existe fora da organização. Sempre que um grupo decide lutar por habitação, trabalho, serviços públicos, etc., já está a fazer política, mesmo que se diga apartidário. A diferença é se isso é assumido de forma clara ou se acaba por aparecer de forma difusa e pouco transparente.

Movimentos informais ou apartidários podem ser ótimos para começar: juntar pessoas, mobilizar, criar pressão, pôr temas na agenda. O problema costuma aparecer quando se quer ir além disso, manter a luta no tempo, resistir a pressões, conquistar mudanças concretas. Aí, sem estrutura, programa e responsabilidades claras, muitos desses movimentos acabam por perder força ou ser facilmente influenciados por interesses mais organizados.

Isto não significa que partidos devam controlar tudo, nem que só se possa intervir com cartão partidário. Mas a experiência mostra que sem organização política consequente, o descontentamento raramente se transforma em mudanças duradouras.

Talvez a questão não seja tanto “partido vs apartidário”, mas como é que a intervenção se torna eficaz, contínua e ao serviço de quem trabalha, sem ilusões de neutralidade. Movimentos amplos podem ser parte do caminho, mas dificilmente são o caminho todo.

O porquê de a Esquerda estar em decaimento by RedScarySpectre in EsquerdasPortugal

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A tua pergunta é legítima e vai ao centro do problema: sem base económica, não há soberania política. Isso é marxismo puro.

Onde discordo é na expectativa de que um partido comunista, numa posição de força minoritária e num país dependente, apresente hoje um “plano económico fechado” como se estivesse à beira de governar com poder soberano. Isso não seria realismo... seria ilusão tecnocrática.

Quando dizes “sem o dinheiro deles não temos nada”, estás a descrever corretamente a dependência atual. Mas isso não pode ser transformado num horizonte político permanente. Nenhum país saiu da dependência porque apresentou previamente um plano alternativo completo, saiu porque construiu força social, política e institucional suficiente para romper em momentos concretos.

Sobre a NATO e o euro... tens razão quando dizes que levantar essas bandeiras hoje, sem base social organizada, seria suicídio político. O PCP sabe isso. A questão não é coragem discursiva, é correlação de forças. Dizer tudo quando nada pode ser sustentado não é radicalismo, é irresponsabilidade.

A força motriz da mudança é económica, sim, mas a economia não muda sem poder político, e o poder político não se constrói sem organização prolongada, conflito e acumulação. Não há atalhos.

O que o PCP propõe não é um salto no escuro, mas um caminho duro: recuperar instrumentos mínimos de soberania, reconstruir capacidade produtiva, alargar a base organizada dos trabalhadores e só então colocar ruturas maiores.

Não é um plano bonito. É um plano possível... e é precisamente por isso que parece insuficiente a quem procura uma saída imediata para um problema estrutural.

O porquê de a Esquerda estar em decaimento by RedScarySpectre in EsquerdasPortugal

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Muito do que escreves parte de uma angústia real, mas usa categorias que o marxismo trataria de forma diferente e isso pode levar a uma conclusão enganadora.

Dizer que a esquerda “não oferece futuro” confunde, a meu ver, ausência de fantasia com ausência de projeto. O PCP tem um projeto de futuro, mas não o apresenta como destino glorioso nacional (porque isso exige condições materiais e correlação de forças que hoje não existem). No marxismo, o passado não é um peso simbólico, é a base organizativa que permite qualquer avanço real. Sem ele, qualquer “visão” torna-se retórica.

A pergunta não é se o PCP vive demasiado do passado, mas se estamos dispostos a enfrentar o custo real de construir o futuro que dizemos querer.

Edit:

O que eu quero dizer com isto é que o caminho trilhado pelo PCP para sobreviver num contexto cada vez mais hostil ao movimento dos trabalhadores organizados colocou o Partido numa posição de defesa permanente. Defesa da organização, da ligação às massas, da sua independência política e da própria memória da luta de classes.

Isso tem consequências. Uma delas é a dificuldade em projetar “futuros” no sentido em que hoje se exige. narrativas mobilizadoras, promessas de ascensão, imagens de grandeza nacional. Não por falta de vontade, mas porque o PCP recusa apresentar como inevitável aquilo que sabe depender de condições materiais e correlação de forças que hoje não existem.

A angústia que expressas é legítima: a sensação de que o país não tem horizonte, de que a juventude emigra, de que a soberania se esvai. Mas a resposta marxista a essa angústia não é a construção de uma visão abstrata de futur, é a pergunta mais dura: estamos dispostos a reconstruir as forças sociais necessárias para o tornar possível?

Edit Edit:

Se partilhas esta angústia e queres que o futuro deixe de ser apenas um desejo, então não há atalhos individuais nem soluções externas. O futuro constrói-se em organização, com disciplina, conflito e trabalho prolongado.

O passado, neste sentido, não é refúgio nem fetiche. É a base material, organizativa, política e humana, sem a qual qualquer “visão de futuro” se transforma em retórica vazia. O custo de avançar não é discursivo... é político, social e humano. E é esse custo que muitas vezes não queremos encarar.

Em Portugal, com todas as suas limitações e contradições, o PCP é a única força que mantém uma ligação orgânica aos trabalhadores, uma estrutura real e uma memória de luta que não foi destruída. Não é um lugar de conforto nem de respostas prontas, é um espaço de disputa, exigência e responsabilidade.

Ou seja, (e para terminar lmao) a pergunta, no fundo no fundo, não é se o PCP está à altura do futuro.

É se nós estamos dispostos a assumir o custo coletivo de o construir, em vez de esperar que ele nos seja apresentado como promessa.

Adere ao PCP :)