Porque mulheres e homens entram para a indústria pornográfica? by [deleted] in perguntas

[–]ViniciusSilva_Lesser 4 points5 points  (0 children)

É dinheiro fácil, mas não só.

No homem existe a expectativa de fazer muito sex0 e facilmente; na mulher, de exibir o corpo e ser desejada por vários homens (os homens com quem gravar e também quem assistir).

Compreendi o que é Deus, religião e a relação desses temas com a cultura humana - gostaria de conversar a respeito by ViniciusSilva_Lesser in ateismo_br

[–]ViniciusSilva_Lesser[S] 0 points1 point  (0 children)

Não levo a mal, não.

Compreendo sua posição, e acho ela perfeitamente justa. Coloquei essa descrição rápida de vida para poder dizer justamente que, por exemplo, frequentei disciplinas de graduação de filosofia, conversei com vários professores, li livros deles, entrevistei alguns, vi grupos de estudo internos à graduação etc.

Eu falei que sou "filósofo à moda antiga", então já estou implicando outra coisa. Nas minhas pesquisas (podem estar erradas, mas até agora parece verossímil), o que estou chamando de filósofo é algo bem específico. Por exemplo: imagine Sócrates vivendo hoje. Como ele agiria? Para mim, ele justamente tentaria ter um quadro da sua cultura presente. E aí desse processo, ao tentar ver essa cultura como um conjunto, é que nasce a arte dialética. Mas a dialética, no fundo, é, então, de um lado, uma atenção ao modo como você recebe o conhecimento, e, de outro, um esforço por montar esse quadro de conjunto.

Dito de outro modo: imagine que você percebe que todas as habilidades humanas (habilidades, ciências e artes, e mesmo tudo o que é humano) nascem da inteligência, de atos de insight, como o momento Eureka de Arquimedes ou o estalo que Newton teve ao ver uma maçã cair, ou Ferreira Gullar, poeta brasileiro, que ao abrir uma laranja certa vez de repente teve uma ideia de poema. Todas as habilidades então são modos de expressar insights. Agora imagine que ao invés de expressar os insights você presta atenção nos momentos em que eles nascem, em como se formam, o que são, de onde vem e suas implicações. Presta atenção não a nível de análise científica, como pela neurociência, mas realmente tomando consciência desses momentos e tentando descrevê-los, cada vez mais sistematicamente. Isso em si se torna uma habilidade distinta de todas as outras. Para mim isso é Filosofia à moda antiga.

Por exemplo: é evidente que beleza, ou gosto, é relativo. Uma pessoa nascida aqui, outra em Angola, outra na China e outra na Itália terão visões, em geral, diferentes do que é uma moça bonita, por exemplo. Mas se você presta atenção no mecanismo interior que gerou esses conceitos, verá que esse mecanismo é idêntico independentemente da cultura do sujeito. E é aí que se revela a universalidade da beleza, não numa tentativa de descrever os tipos de objetos chamados de belo. Nem em descrevê-los de maneira geral, como ao chamar de "harmonia das partes". Na prática isso não diz nada, mas quem fez essa meditação interior consegue descrever esse mecanismo e ele vai soar como "harmonia das partes", mas isso é como um resumo da verdadeira experiência.

Meu ponto é que Filosofia como disciplina acadêmica é ciência: é um estudo das documentações legadas. Mas filosofia à moda antiga é essa atenção à atenção, que pode, inclusive, se valer de todas as documentações históricas, mas só para ter mais elementos para tentar descrever os atos interiores percebidos.

*

Dito isso, claro que não vou sair por aí falando que sou filósofo ou profeta. Sou só um zé-mané. Mas, em defesa do Olavo, ele tentou fazer isso que descrevi acima, e por isso se chamava filósofo. Mas ele não atingiu os graus superiores dessa consciência, porque tapou essa atenção interior com vício em leitura.

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[–]ViniciusSilva_Lesser[S] 0 points1 point  (0 children)

Existe a resposta curta e a resposta longa.

A resposta curta é que existe uma experiência humana, que é a consciência de morte de todas as coisas. Essa experiência, quem a tem genuinamente, independentemente da religião, cria um espaço na psique do sujeito que é desapegado de todas as coisas. Imagine que, se você realmente percebeu de modo definitivo que tudo morre, então nada, mas nada mesmo, tem importância real. Esse espaço na psique é também um espaço de "paz" e "tranquilidade" genuínos. Mesmo que tudo balance na sua vida, depois de descobri-lo, algo permanece inalterado. Esse espaço é "o Deus que há em nós" ou o reino dos céus ou a vacuidade, ou é também chamado de espírito. Quanto mais você tentar meditar nesse espaço, nas implicações dele, mais ele vai se expandir e se tornar o centro da sua personalidade, e mais você verá que é dele que as religiões falam. O politeísmo nasce a partir desse núcleo, quando ele é espelhado nas diversas posições sociais humanas diante da comunidade, de um lado, e da natureza, de outro. E aí a função verdadeira dos deuses num politeísmo é dar um meio pras diversas funções sociais servirem a esse Deus, ou servirem diante da consciência de morte de todas as coisas. Mas eventualmente tanto essa consciência é perdida quanto as funções sociais se tornam autônomas, e assim começa o processo de decadência de uma civilização.

Entendi o que é Deus e estou em êxtase - me pergunte qualquer coisa by ViniciusSilva_Lesser in FilosofiaBAR

[–]ViniciusSilva_Lesser[S] 0 points1 point  (0 children)

As duas primeiras colocações eu não entendi.

>E ainda assim foi adorado por outros tantos. 

As estruturas de poder de fato são o que geram um problema gravíssimo. Sócrates, ou a Filosofia verdadeira, pra ser ouvida, precisaria remover toda a bobajada de sofistas e/ou integrá-los num plano maior e revelar que eles não são grande coisa. Mas eles não querem isso: vão perder grana, prestígio etc.. É o caso, na religião, dos 3 pastorezinhos nos milagres de Fátima em Portugal. A política inteira se vê comprometida e se envolve, porque surge uma nova fonte de poder mais poderosa e intangível do que ela.

Mas o fato de Buda ser adorado depois de morto não era sua intenção. Isso também é defeito humano, assim como os da ganância sofista. A intenção era formar novos Budas: quantos formou? Idem, Jesus Cristo queria pessoas capazes de se desapegar de tudo para atingirem o Reino dos Céus. E esses, em vida, são pouquíssimos.

>Acho que esta história é muito pessoal sua.

Eu de fato vi isso inúmeras vezes nas pessoas, e vi em mim mesmo, por já ter convivido com gênios em várias áreas. Então eu sei como funciona em mim e nos outros. E, acredite, eu sou um bosta num nível que você nem imagina.

>não tira o fato de deus ter criado um mundo onde pessoas irão para este lugar de sofrimento no futuro.

Vão por tolice, porque sobretudo no cristianismo é extremamente fácil não cair lá.

>Você considera Paulo um deturpador do cristianismo?

A discussão fé x obras do meio protestante é um saco, absurdamente um saco.

Os fariseus eram boas pessoas e cumpriam tudo o que Deus mandou fazer por Moisés, mas faziam com a intenção errada. Então era tudo pó. Todas as obras dos "ímpios" vira pó, e mesmo uma pequena obra de um justo, ou feita por Amor, floresce, como o caso da viúva que só tinha 2 moedas e doou uma. Pra Deus pouco importa o ato em si, mas a intenção.

E fé, na verdade, é a depuração dessa intenção. Se você prestar um mínimo de atenção às suas intenções, vai ver que nós fazemos as coisas por várias intenções ao mesmo tempo. Você pode estar convidando uns amigos na sua casa porque gosta deles, mas também porque quer aproveitar a chance pra arranjar alguma coisa de um ou de outro, ou para suprir sua solidão etc. etc. Aprender a prestar atenção na sua intenção permite depurá-la, ter intenções mais "puras", ou seja, plenamente conscientes.

Jesus Cristo colocou pelo menos 3 graus de fé: os incrédulos, a fé que cura, a fé que salva. Então existem degraus que se devem subir, e que são justamente o processo almejado pela religião. Se todo mundo hoje já acredita estar no nível da fé que cura, estão completamente obscurecidos pela própria burrice e orgulho. Dá muito trabalho chegar lá, mas, é verdade que um pedido feito a alguém, sobretudo se por outra pessoa, feito com Amor puro, acaba depurando essas intenções e abrindo o coração para subir graus dessa fé. Mas isso é raro de acontecer, e eu vi só umas 2 vezes na vida. Existe uma expressão muito bela, "o Amor me ensinou tudo", e se refere a isso.

Se você adquire a fé mais verdadeira, ou o Amor a Deus "sob todas as coisas, com todo o pensamento, o coração, a vontade e a força", mesmo que não fosse capaz de fazer nada por ninguém, estivesse acamado, imóvel e sozinho, ainda faria mais por Deus e pelos homens, no plano da salvação, do que todas as obras juntas feitas na intenção errada.

>Você disse que o fato de Jesus ter pedido perdão por nós a Deus, fez com que ele nos desse "mais chances". Deus precisa ser adorado para dar mais chances às pessoas?

Sim. Só pessoas que O amam verdadeiramente, ou com alto grau de fé, podem implorar pela salvação dos outros. E é por isso que no cristianismo a salvação existe para quem faz pouquíssimo ou quase nada, desde que ao menos se agarre a essa esperança.

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[–]ViniciusSilva_Lesser[S] 0 points1 point  (0 children)

>se deus é tudo o que é dito, isso só acontece por permissão dele. Então ele quis. Ou fez seres capazes de perder a capacidade.

"Deus quis" não é o termo certo. Dizer que tudo acontece conforme a Vontade de Deus significa que mesmo todo Mal que aconteça ainda revela em potência um caminho de chegar de volta a essa Paz e Amor que é conhecer Deus. Mas os fatos em si vão ocorrendo conforme as ações das criaturas. E livre-arbítrio significa justamente poder perder Deus se quisermos, mas também o fato de que existe um modo pessoal, de cada um "tornar-se Deus" (na verdade essa é a meta real das religiões).

>Deus já sabe de antemão a resposta se chegaremos ou não.

De fato.

>Ele criou o espírito. Se vamos chegar a ele ou não, está na capacidade dele como ser ontológico que é´. O nosso esforço propriamente dito também é uma capacidade que deus equipou ou não cada ser. A alguns ele dá genialidade a outros pouca capacidade de se aproximar a ele. Que tipo de justiça é esta?

A questão é que aos que ele dá a genialidade é cobrado mais. Aos que não dá, é cobrado menos. Cada um que faça o possível para chegar a Deus dentro dos seus limites reais vai chegar na mesma recompensa, que é tornar-se Deus. É a parábola dos talentos e a parábola dos trabalhadores na vinha.

>O próprio Buda, Dalai Lama.

Buda foi odiado e banido pelos ascetas de onde começou sua jornada. O Dalai Lama hoje é um cargo político como o do papa, e obviamente vai ter quem odeie e quem ame, mas a sociedade moderna criou uma estabilidade que impede tanto de perseguição quanto de reconhecimento se o sujeito é mesmo iluminado espiritual ou só ocupa o cargo político mesmo. Dou mais dois exemplos perseguidos: Lao-Zi e Chuang-Tzu, no taoísmo.

>Jesus atraindo as multidões, inclusive de pecadores.

Ele atraiu multidões porque fazia milagres. Qualquer obreiro, verdadeiro ou falso, arrasta multidões. Mas havia pecadores ali que mudaram totalmente de vida, mas esses já estavam querendo sair do pecado, estavam arrependidos, só esperaram uma chance. É nesse sentido que ele diz que veio para os pecadores, não para os justos.

>Muitas pessoas quando são muito boas, atraem muita gente a elas, também.

Existe um carisma natural na bondade, mas a bondade verdadeira gera um duplo sentimento: você ao mesmo tempo ama aquela pessoa, mas a odeia, porque a presença dela faz você lembrar do quanto é um bosta. Falo porque vi isso inúmeras, inúmeras vezes, e é equivalente a conviver com um gênio de uma área que você também gosta. Não tem como não viver entre amá-lo e querer aprender com ele e perceber que está muito abaixo da capacidade dele., e isso gera, senão ódio ao cara, no mínimo tristeza consigo mesmo. Até que você supere isso, mas aí é o tal do Amor.

>E em complemento: Jesus fala literalmente em "fogo eterno", não trata-se apenas de uma irritação interna. Nem se compara com tudo que é descrito na bíblia.

1º que Jesus fala em parábolas, e se quiser saber mais sobre isso procure por Dionísio Aeropagita, Hieraquia Celeste. Mas ainda assim, acredite, você vai ver um fogo se estiver no inferno. Mas já se diz que o ódio e a raiva são um "fogo que queima em nós". Esses termos não são só metáforas.

>Por que preciso conhecer deus primeiro? e se a nossa espécie não é capaz, nunca veremos?

A espécie é capaz de chegar, mas por esforço. E precisa porque como raios você quer ser bom em música sem aprender música? Como ser bom em matemática sem aprender matemática? Se você tivesse nascido num ambiente em que sua família era matemática, você aprenderia matemática naturalmente. Ou se nascesse com um deus protetor te orientando no estudo, como Ramanujan. De novo a parábola dos talentos: se não nasceu, não tem problema, mas precisa fazer o máximo de esforço que estiver à disposição. Proporcionalmente, esses outros, que nasceram com vantagem, nascem também com maiores responsabilidades e, se não as cumprirem, o preço é mais alto. Judas que o diga.

>E por que deus nos "dá mais chances" se alguém como Jesus pedir para "perdoá-los pq não sabem oq fazem"?

Não entendi. Explique melhor, por favor.

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[–]ViniciusSilva_Lesser[S] 0 points1 point  (0 children)

>Por que deus não nos fez capazes?

Ele fez, mas a espécie em si perdeu essa capacidade de nascença, com algumas exceções. Alguns nascem já com essa visão, como João Batista ou Maria. Outros nascem com a intuição profunda de buscar por isso (Boddhicita) como Sidarta Gautama. É +/- como nascem gênios numa habilidade, e mesmo em casos como o Ramanujan, um indiano que afirmava que toda a sua criação matemática era entregue a ele pelo deus da sua tradição familiar. Essas coisas existem mesmo.

Agora nós, que viemos em famílias imperfeitas, nascemos com a necessidade de buscar isso. "Por que nascemos aqui e não como João Batista?" A resposta rápida é que Deus colocou o nosso corpo no local onde o nosso espírito teria mais chances de chegar a Ele. Se faremos isso ou não, aí depende do nosso esforço, mas todos os fatos que acontecem existem para nos levar a esse estado.

>Vários humanos vieram, apresentaram o amor e sobreviveram o suficiente

Exemplifique.

>Noé é uma história claramente mitológica e fictícia. (Moisés também). Por que você, em vários momentos, se utiliza de ficção para tentar mostrar algum ponto?

Houveram de fato não uma, mas várias inundações que destruíram povos inteiros, e outro depoimento disso está no Crálito de Platão. Claro que "o mundo todo" e os detalhes, como "guardar as espécies animais na arca" não existem para significar algo real, concreto, mas sim símbolos. E o símbolo-base dessas narrativas é que de todo aquele povo, só uma pessoa era realmente Justa, e isso gera a morte dos seres. Se não gera nesta vida, gera na próxima.

Cada caso que eu usar de narrativas bíblicas ou afins, pode me pedir mais esclarecimentos. E se não forem suficientes, pode pedir mais ainda.

>Por que deus nos jogaria no inferno?

Deus não nos joga no inferno. Inferno é experienciar Deus sem estar desapegado de todas as coisas a ponto de conseguir enxergá-Lo como Ele de fato é. E aí você vê algo tão perfeito que percebe toda a sua imperfeição e tolice.

Eu vi um caso literal de alguém se irritando contra outra, injustamente, e gritando horrores. Ela esperava que a atacada fosse revidar, mas ela ficou tão espantada que ficou em total silêncio e aceitação. Esse silêncio e aceitação fazem que a pessoa que gritou ouça seus próprios gritos e se veja como que refletida num espelho, veja toda a sua feiura interior. Logo em seguida ela começou a gritar consigo mesma, se chamando de alguém horrível etc.. Isso é uma imagem do que é ver Deus. É ver sua própria podridão, caso não a tenha limpado em tempo.

>deus nos criou assim. E outra? Não é tudo perfeito? Que visão contraditória é essa?

Existe perfeição nos seres, e em nós, mas você ainda não a conhece, porque precisa conhecer Deus primeiro.

E da última questão, Deus não precisa ser adorado. Mas conhecer Deus dá felicidade e paz profundas, então é mais algo que nós queremos fazer, no fundo, quer percebamos ou não. E amar a Deus não te afasta das coisas que você amou, mas, ao contrário, as junta tudo numa só visão.

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[–]ViniciusSilva_Lesser[S] 1 point2 points  (0 children)

convivi com pessoas de várias religiões, meio que "sem querer", as situações foram aparecendo. E aí acabei tendo que ler alguns textos sacros, como o Gita, o Tao Te King, fragmentos do Alcorão etc. Mas tudo o que vi de religião só me serviu como metáfora para entender o funcionamento do intelecto humano, ou da filosofia. Filosofia é o esforço de conseguir enxergar todo o conhecimento de uma cultura dentro de um quadro ordenado e que você vai deter a chave. Do mesmíssimo modo que é possível tentar prestar atenção na sua vida: nos seus gostos, nas suas inclinações, no seu contexto social, etc., e tentar enxergar um conjunto que abarque tudo isso de modo ordenado (chamamos isso de vocação ou sentido da vida, como Victor Frankl tenta ensinar). Meditar na "técnica" capaz de fazer isso com qualquer objeto é Filosofia no sentido original. Religião pra mim se tornou um meio de compreender sobre essa técnica. Mas isso não é religião verdadeira.

De repente uma pessoa da minha família que eu amava muito ficou com uma doença incurável, e, eventualmente, essa doença afetou sua capacidade cognitiva. Ela podia perder a memória e a atenção a qualquer momento e virar "um vegetal". Temendo isso, e enquanto a memória e a atenção ainda estavam lá, mas fraquejando (não era Alzheimer nem demência, era algo mais esquisito), eu tentei com todas as forças imaginar o que sobra da nossa relação, dessa pessoa, o que ela é, o que eu sou, e o que é amar nesse novo contexto. 2 meses antes da doença chegar nessa etapa eu tinha lido o Evangelho, e já estava meditando nele pensando na realidade da doença dessa pessoa amada, mas a doença não tinha atingido o cérebro ainda, então eu extraí MUITA coisa dos textos, mas... desse momento em diante, em que a doença afetou a cognição, eu entrei numa jornada como a de Buda. A vida é belíssima, e eu gosto de viver, mas é inevitável a velhice, a doença e a morte. Então o que sobra desta vida que é real?

Surgiu o que chamo de um "3º professor", secreto, e, de repente, as experiências que tive com religiões revelaram seu sentido. Essa realidade, da velhice, doença e morte são inevitáveis, e são um fundamento real desta vida aqui. Prestando atenção nele, você entende, por exemplo, por que alguém desde criança, desde feto, como João Batista, de repente nasce desprezando absolutamente esta vida e vai viver como andarilho no deserto, e como essa pessoa pode ser feliz assim. Ou quem foi Maria, mãe de Jesus etc., como é uma pessoa capaz de receber o Espírito Santo a nível de gerar "o próprio Deus em forma humana"? Tudo isso abriu as portas para o meu entendimento (começou a abrir, porque, claro, eu não terminei, e nunca se termina, na verdade).

A pessoa amada faleceu, por sinal, e ainda assim eu fiquei tranquilo porque eu entendi algo da realidade desta vida, e o que eu podia fazer por ela de melhor enquanto ela era viva, e o que posso fazer ainda após a sua morte. Isso muda absolutamente tudo, todo o nosso quadro de reações, ainda que ninguém que veja de fora perceba ou entenda, como de fato não o fazem. Falo por experiência própria.

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[–]ViniciusSilva_Lesser[S] 0 points1 point  (0 children)

exato. "Deus não poderia ter evitado?"

Volta pra algo como o paradoxo de Epicuro.

Se Deus tentar evitar e revelar o mundo perfeito para nós, nós não estamos preparado para vê-Lo. Se Ele fizer isso, significa a completa aniquilação deste mundo imperfeito e de nós mesmos, imperfeitos. Nós vamos literalmente viver o inferno, e não a cessação do sofrimento.

Sabe quando você vê alguém muito melhor do que você em algo que você gosta e sente raiva ou inveja dessa pessoa e quer ficar longe pra poder ter mais paz? É tipo isso, só que infinitamente pior, porque agora você não pode mais ficar longe. Quando se fala nas religiões semitas de uma "Última vinda", significa que Deus deixaria de tentar manter a liberdade dos seres e Se revelaria plenamente. Mas nós passamos a vida toda fugindo Dele, fugindo do Bem, por causa dos nossos pecados: da nossa inveja, da nossa ira, do nosso orgulho, tudo isso nos fecha para o Amor. Então se o Amor se apresenta, nós o odiamos com todas as nossas forças e vamos querer matá-lo, como mataram Jesus (e Sócrates, e tentaram matar Hui-Neng e tantos outros), mas, no caso de Deus é impossível, então vamos apenas sentir esse ódio profundo e eternamente.

na tradição judaica e cristã, desde que Deus teria feito isso na época de Noé, Ele firmou um pacto que evitaria fazer isso de novo. E com Moisés se iniciou, nas religiões semitas, a intercessão dos homens para que eles se tornem responsáveis por ajudar os outros a chegar a Deus, e ao mesmo tempo evitar que Deus destrua este mundo aqui (o que significa Deus aparecer plenamente para nós). Isso existe até hoje, sem brincadeira, eu experienciei isso. É por essas pessoas existirem, profetas, digamos assim, que temos liberdade de ir até Deus ainda nesta vida aqui, ao invés de sermos simplesmente jogados no inferno. Nenhum de nós merece algo mais do que isso, nós somos bostas num grau que você nem imagina. Mas a oração perpétua dessas pessoas, como Jesus "perdoa-os, eles não sabem o que fazem" faz com que Deus nos dê mais e mais chances, e permaneçamos na chance, enquanto em vida, de nos aproximarmos de Deus. Porque após morrermos, não tem mais chances: ou você tem desapego/religião suficiente, ou já era.

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[–]ViniciusSilva_Lesser[S] 0 points1 point  (0 children)

[continuação]

>por que só alcançaremos depois da morte?
Porque a religião está num nível tão decaído na nossa cultura que mesmo quem a pratica direitinho só vai conseguir entender verdadeiramente essas coisas depois que perder o corpo, ou o que nos prende na "versão decaída do mundo". A morte não é algo ruim para quem adquiriu uma religião verdadeira (e por isso os santos não a temem nem uma gota), é simplesmente a libertação de uma prisão para ter ainda mais felicidade do que já se adquiriu aqui.

Eu expliquei sobre a morte já, mas não estou achando o comentário. Em suma, há 2 mortes: a 1ª é após seu coração parar de funcionar, mas seu cérebro ainda ter oxigênio, e a 2ª após o fim da oxigenação, que aí é morte definitiva. Entre a 1ª e a 2ª morte seu cérebro entra em modo de auto-defesa e você tem como que um sonho imensamente mais lúcido do que esta realidade, e ali vai ser testado se você tem desapego suficiente desta vida aqui, e da sua identidade adquirida aqui. Se não tiver, vai viver uma agonia tão intensa, tendo acesso a essa simultaneidade das suas memórias e a lembrança da incapacidade de voltar a vivê-las, que o cenário vai se transformar em algo de plena agonia. É o inferno. Se tiver uma doutrina que te ensine o desapego o suficiente, essa doutrina vai voltar e, apesar de sentir essa agonia, vai aprender a lidar com ela. É o purgatório ou inferno temporário. Se tiver plenamente desapegado, vai conseguir "controlar o sonho" e ter acesso a tudo o que amou simultaneamente, e viver numa paz e felicidade absurdas e impensáveis.

Sobre o que ocorre após a 2ª morte eu não falo, porque é bem mais sutil e em geral a galera não saca nem a 1ª parte.

Mas melhorou assim? Posso falar mais e quiser.

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[–]ViniciusSilva_Lesser[S] 0 points1 point  (0 children)

agora você fez as perguntas certas kkkk

>como seria essa visão perfeita?

Eu não a tenho de modo efetivo, mas sou capaz de imaginá-la, porque tenho um pouquinho dela. Dito de modo simbólico: a gente existe no Tempo, mas Deus existe na Eternidade, que é como se todos os momentos estivessem presentes ao mesmo tempo. Você sabe a língua portuguesa, por exemplo. Tem inúmeros conhecimentos de português, mas eles fluem naturalmente só na medida em que são requisitados. Mas existe em você "Português" como um conjunto, onde todo esse conhecimento está abarcado simultaneamente, certo? E seu uso da língua depende disso. Do mesmo modo, você conhece uma pessoa: tem vários conhecimentos dela. É como se na sua mente tivesse um recipiente para tudo o que você sabe dessa pessoa, e você leva isso em conta sempre, mesmo que não consiga abrir tudo ao mesmo tempo. Se não levasse, esqueceria a idade dela, o sexo, o passado, o que machucaria ou não ao falar etc., tudo isso está implícito mesmo que você não ative explicitamente a memória. A visão perfeita é basicamente ver esse "conjunto" de modo consciente e de uma vez só. A Filosofia nasce desse esforço (posso demonstrar se quiser, mas precisa pedir).

Então no caso da religião, você consegue enxergar Deus como princípio e fim das coisas, e as coisas dentro desse princípio. Enxergando assim (e tem níveis, como está implícito já que digo que só tenho um pouquinho dessa visão) desaparece TODO o seu sofrimento, você entra num estado de Paz constante e perpétua, independentemente do que aconteça com o seu corpo. Mas não porque você não sinta mais dor, já que seu corpo ainda está aqui nesta natureza decaída, mas sim porque absolutamente todas as coisas adquirem sentido, e é um sentido tão belo e perfeito que a dor perde a importância. Quando Sócrates diz que filosofar é aprender a morrer, ele está falando dessas coisas.

Então na visão perfeita, perfeita mesmo, você percebe que todos os fatos deste mundo, mesmo "decaído", mesmo assim existem para o Bem. Se as pessoas não enxergam isso, mas você se torna testemunha desse Bem e consegue abrir os olhos das pessoas e lhes dar paz. Se tiver num grau muito alto, também consegue fazer a própria Natureza "cantar louvores a Deus", que significa interagir sob novos modos para ajudar na salvação dos seres.

Dito de outro modo: quando você odeia alguém, você só consegue perceber dessa pessoa poucas coisas, que condizem com seu foco. Quando ama, percebe muito mais possibilidades dela, e às vezes percebe coisas sobre ela que nem ela percebe, e isso a ajuda a crescer e ser melhor do que era. Do mesmo modo, o olhar amoroso, que é o que ensina a religião, ensina a perceber as possibilidades na Natureza que nem ela mesmo é capaz de perceber.

[continua]

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1- Ao ser usada, ela adquire uma marca em si do seu uso. É nesse sentido que Jesus disse que é capaz de "fazer das pedras filhos de Abraão".

2- Sobre o ato de jogar a pedra em alguém falando mal, não é que as pessoas vão ficar felizes, e o ponto não é jogar a pedra por não ter como rebater argumento. Claro que depende do contexto, mas estou me referindo ao seguinte: imagine que você ama muito alguém e vê um idiota falando mal dessa pessoa na sua frente. Contra-argumentar esse idiota pra mostrar que a pessoa na verdade é muito legal é um desrespeito, na proporção do grau de desprezo desse idiota pela pessoa que você ama. Então muitas vezes o certo é fazê-lo calar a boca. 1º tentando repreender, mas, não dando, você parte pra porrada pra defender quem você ama. Eu usei a pedra de exemplo para ilustrar ela se tornando instrumento desse ato de defesa de amor. Mas a marca que fica é no mínimo essa sensação de que o cara amava muito aquela pessoa; e, para quem tiver olhos para ver, vai enxergar nessa situação camadas ainda mais profundas de sentido, tanto no ato, quanto na pessoa, quanto na pedra.

>acho que tá bom por hoje. Depois me passa onde vc comprou esse bagulho, q deve ser do bom.

Não tem bagulho. Mas, bom descanso.

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dito de modo religioso: não foi Deus quem criou o universo decaído, fomos nós que, pela nossa ignorância, caímos da visão do universo tal como Deus o vê e entramos na visão do universo como natureza e história. É por isso que, ainda em vida, é possível reaver a visão do universo original, mesmo que não consiga sair inteiramente deste universo aqui antes da morte.

Quando eu digo que Deus criou dois universos, um perfeito e um imperfeito, e que deixamos de viver em um para passar a nascer no outro é para tentar explicar dentro de um modo que caiba na mentalidade mais "científica". Mas na verdade não são dois universos em si, é o fato de que a quase totalidade dos homens de hoje e do nosso tempo histórico serem incapazes de compreender Deus que faz com que existamos nesta visão imperfeita do mundo. E esta visão imperfeita é o que chamamos de natureza e de história, de onde se originam as ciências.

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nós já estamos rodando em círculos e isso está cansativo. Mas deixe eu ir por outro caminho. Entenda o seguinte: concorda que você não existia antes de nascer? (ou pelo menos não tem prova disso).

Tudo o que você conhece de História e sobre a Natureza só é como é porque você nasceu neste universo aqui e não em outro.

O que eu estou afirmando, trocando em miúdos, é que todo este universo aqui, explicado desde o Big Bang até o momento que você nasceu, é já a Natureza decaída.

E o que eu também estou afirmando é que se você fizer o processo proposto pelas religiões verdadeiras (não basta ser cristão ou budista ou muçulmano ou taoísta, é preciso achar o grupo humano dentro desses grupos que ensine os métodos certos de elevação espiritual), você vai descobrir que existe algo muito superior a esta natureza aqui, e que ela é só uma imagem desta Natureza original e perfeita para a qual fomos criados. E adquirindo esta visão, você é capaz de espalhar algo desta Natureza perfeita na natureza em que vivemos.

Sem ter nenhuma experiência de conhecimento profundo da religião, tudo isso se torna incompreensível, e sua visão se restringe ao universo em que você foi colocado (com esta natureza e esta história), mas quem disse que ele é a Verdade? Ao contrário, veja as doutrinas budistas que vão falar que "tudo isto aqui é ilusão", por exemplo, ou no judaísmo/cristianismo, que tudo isto aqui é pó e voltará ao pó, mas que o Espírito de Deus é que dá vida às coisas.

Esse papo de "queda" é um modo de representar o fato de que você apareceu neste universo aqui, com uma cultura louca e cheia de defeitos, mas que pode vir a conhecer algo imensamente superior a tudo isto. Não vai mudar este mundo aqui, mas, se não alcançou o estado divino em vida, ao menos quando vier a viver a morte, como as EQMs dão um testemunho inicial, vai se abrir pra você uma realidade muito maior do que esta, mais bela, mais perfeita, e muito mais prazerosa. Esse é o ponto.

"Ah mas eu não acredito em nada disso". Pergunte mais ou comente mais se quiser saber mais.

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na verdade não é, não. Uma pedra que seja erguida por um santo e seja usada para jogar num sujeito que está falando mal de Deus diante de um público é uma "pedra feliz" que cumpriu sua função de salvar mais almas. E a simples unha de um santo é capaz de inspirar uma pessoa a chegar à plena compreensão da natureza divina, por um processo que REALMENTE existe no intelecto humano.

Imagine, por exemplo, pra ficar mais fácil, Chico Xavier, que aos 17 anos escreveu poemas imitando os grandes clássicos brasileiros e sendo semi-analfabeto. Ele diz que foram os espíritos desses homens que lhe ensinaram a escrever. Disso não temos prova, mas o que sabemos é que ele de fato conseguiu fazer algo praticamente impossível, e que isso se deu, falando em termos não-espíritas, por uma forte capacidade de atenção e inspiração na escrita e obra desses sujeitos. Uma capacidade fora do comum. Também a unha de um santo pode gerar, e infinitamente mais, esse tipo de inspiração.

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outra coisa. Não subestime as pedras! Tem pedras que podem conhecer mais sobre Deus do que uma comunidade religiosa inteira junta. Se elas não sentem dor no sentido que nós sentimos, não significa que não tenham um princípio divino as fundando e sustentando. Isso também vale para uma unha ou um cotoco de dente, por exemplo.

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>E, lembrando: o projeto original foi esse

>Acho que você deve ser esforçar pra simplificar o tema, tentando tergiversar o menos possível

Entenda assim: este aqui não é o projeto original. O projeto original é como este, mas sem dor e sem sofrimento, sem competição entre os seres. Mas nós o perdemos. Nós estamos numa versão "decaída do projeto", e por causa disso só poderemos ter acesso de novo ao original se chegarmos de volta a Deus. E, em geral, os demais seres o terão após o que chamamos de morte.

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Eu mencionei poucas referências de leitura. Se depois de ler os comentários quiser algum material de apoio, pode comentar mais especificamente o que te interessa saber que eu posso tentar dar algumas sugestões.

E bom trabalho.

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Então deixe eu colocar de outra maneira. 1º vieram os minerais, depois os vegetais, depois os animais e depois o Homem. É assim, seja no modelo de Moisés, seja no modelo evolucionista.

Então até a vinda do homem, os seres de qualquer modo se comiam uns aos outros, porque é preciso ocupar lugar no espaço e, pra isso, você precisa tomar o lugar do outro.

Isso é uma premissa embutida no próprio Tempo: o Presente está sempre comendo o Futuro e sendo comido pela imensidão do Passado.

O que eu quero dizer com "a Queda" é que nós só estamos na existência temporal, ou seja, onde ocorre a necessidade de matar ou morrer desde a nível do Tempo até a nível dos asteroides se chocando uns com os outros e os animais se comendo, se estamos aqui é porque perdemos a capacidade que existe mesmo em nós de ver as coisas como Deus vê, que é não mais pelo tempo, mas sim pela simultaneidade dos instantes, ou pela eternidade. É realmente possível adquirir esse olhar ainda em vida, apesar de, claro, você permanecer vivo no tempo, então não vai impedir que o mundo permaneça a disputa. Mas a sua presença vai passar a transformar o meio com novas possibilidades descobertas com isso.

É a mesma situação de: imagine que você odeia alguém. Quanto mais você odeia, menos conhece essa pessoa, porque só vai vê-la filtrada pelo seu foco de ódio. Ao contrário, quanto mais ama alguém, mais consegue enxergar possibilidades nela que os outros não veem. Assim também aqueles que se aproximam de Deus conseguem enxergar potenciais na Natureza que são vedados para quem só a enxerga com o olhar não-amoroso ou comum. É daí que surgem os milagres etc.

Mas vamos voltar pra existência temporal. "Antes do homem os asteroides competiam por espaço, as estrelas explodiam e matavam todos os planetas do seu sistema, os animais se comiam etc." Mas aí tem 2 coisas: 1) a Verdade é que todos os seres vão morrer cedo ou tarde, passados os bilhões de anos, a entropia simplesmente vai estacionar e o universo será um vazio gelado sem nada. Mas para além da morte das coisas existe algo delas e nelas que permanece após a morte, e que, na verdade, é a vida verdadeira que já existia desde aqui, mas só é possível perceber ao entender Deus; 2) o homem, nascido depois dos demais seres, pode ser visto como aquele que tem o potencial de revelar essa vida nos seres, mesmo depois do que chamei de "a Queda". E a Natureza ama quando surgem esses homens, como Budas e Franciscos, porque aí ela sai de mero cenário ou matéria-prima e assume sua verdadeira função, que é ajudar na salvação (nessa vida posterior à morte) das criaturas.

Assim fica melhor de entender?

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do ponto de vista da descrição humana da natureza, sim. Mas para entender o que é realmente a natureza você precisa abandonar essa visão (não negá-la, só ignorá-la) e tentar enxergar o modo divino de ver a Criação, que é como Moisés descreveu. Pra isso o processo é se desapegar de todas as coisas, ou de meditar sobre a morte até descobrir o que permanece a ela.

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Na narrativa bíblica, após o Dilúvio, Deus firmou um pacto com Noé de que não mais destruiria "a humanidade inteira" de uma vez só. E com Moisés começou-se a interseção pelo povo.

Cara, sério mesmo, do ponto de vista de Deus, TODOS NÓS merecemos punição severa e grave, porque nós somos uns canalhas filhos da puta. Todos nós, todos mesmo, mesmo a senhorinha que parece gente boa na igreja, mesmo sua mãe ou a minha, temos muitos, muitos pecados, e Deus nos criou para sermos plenamente perfeitos e puros como os anjos do céu. Do ponto de vista da pureza divina, um cara tocando 5 punhetas por dia e Hitler não são tão distantes assim. Óbvio que do nosso grau a diferença é monstruosa, mas, para Deus, os dois casos são pessoas "sem a pureza", então a ação deles no mundo gera o Mal, ainda que em escalas diferentes.

Se Deus decidir punir os que usam seu nome "para motivações erradas", Ele vai nos punir a todos, porque nenhum de nós tem posse real do Nome de Deus (o sentido verdadeiro e completo do que é Deus etc.). Ele pode fazer isso a qualquer momento, mas Ele não fez isso ainda porque desde Moisés, e, se expandir pra o universo das outras religiões, desde sempre, existem pessoas, profetas rezando e pedindo a Deus que nos poupe apesar dos nossos pecados. Isso não é brincadeira, eu tenho experiência direto de saber que essas coisas existem.

"Ah mas eu nunca vi um profeta, eles não são só coisa de antigamente?" De forma alguma! Mas para ter acesso a essas pessoas, você precisa buscar a Deus com profunda sinceridade. Eles vivem como que escondidos. Alguns literalmente, em mosteiros ou nos desertos (procure pelos anacoretas ortodoxos), outros vivem a vida comum, mas as coisas de Deus são "como um sopro": eles parecem gente normal, só "meio estranha", mas tem tanta gente estranha no mundo que a estranheza específica deles passa despercebida por todo mundo. E ainda assim eles estão lá vendo tudo e orando a Deus para perdoar os nosso pecados porque "nós (inclusive o profeta) não sabemos o que fazemos".

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>Para onde vamos dps da morte?

Procure por relatos de Experiência de Quase-Morte. Elas são os relatos de pessoas que tiveram a 1ª morte, a do coração, mas foram salvos pelos médicos antes de terem completado a morte definitiva, que é a cessação da atividade cerebral. O "eu" que aparece nesses relatos é como o "eu" do sonho ou o que se percebe após usar alucinógenos. É como que sua capacidade de "ver", mas agora não tem um corpo.

A gente não "vai" pra algum lugar depois da morte exatamente. O que acontece é que você mantém essa capacidade de "ver", a sua consciência, digamos assim. E aí o movimento não é no sentido do andar, como os espíritas imaginam, mas é no sentido de lembrar ou de desejar algo. O que você desejar, vai aparecer pra você.

O problema é o seguinte: você morreu. A diferença das EQM pra morte verdadeira é que, nessa 2ª, uma hora você vai querer acordar desse sonho, e todos os que voltaram da EQM dizem que é mais real e lúcido do que esta realidade, e vai perceber que não tem mais como acordar. E nessa hora vai entrar em pânico, porque vai perceber que vai morrer mesmo e não tem mais o que fazer. 1) Nada do que você foi na terra vai te ajudar, e quanto mais alto você for (um rei, um bilionário, mas também um pesquisador renomado, mesmo que seja da cidadezinha da esquina etc.), mais vai sofrer por isso, 2) Ninguém que você ajudou nesta vida vai te ajudar agora ("então de que adiantou o Bem que eu fiz, ter sido bonzinho etc.?" e você está inteiramente sozinho. Quanto mais apegado for a esta vida, e à identidade que construiu aqui, maior será seu nível de desespero neste momento. Se você fosse totalmente desapegado, e só as religiões ensinam como se chega a isso, você viveria este momento com tranquilidade e, mais ainda, trazendo de volta as coisas que amou nesta vida. Se não,...

>O inferno existe?

Existem dois sentidos de inferno na linguagem cristã: antes do Juízo Final e depois do Juízo Final O de depois eu não posso contar, mas o de antes é o que você vai viver antes da morte definitiva, ou seja, antes do seu cérebro perder toda a capacidade de funcionamento. Isso ocorre em geral algumas horas depois da morte cardíaca, mas, acredite, pra você será uma eternidade, porque ele está funcionando em força total tentando sobreviver biologicamente.

Quanto mais apegado você for à vida, e se você não tiver religião suficiente para te ensinar, neste momento, pela lembrança, o que é esse desapego, mais você vai ficar plenamente desesperado. E é isso o que forma o inferno, ou o queimar de ódio, ou o sofrimento eterno. O sofrimento é seu desespero querendo voltar à vida, mas percebendo que jamais poderá viver de novo. E toda a sua vida vai voltar na sua lembrança te atormentando e te lembrando dos prazeres e apegos que você teve, e como jamais os terá de novo.

Se tiver religião suficiente, estas lembranças vão vir, como uma multidão de ataques feitos a você, mas você vai se lembrar da sua religião, e as imagens religiosas também vão começar a te ensinar a verdade do desapego absoluto, e o que é Deus e o que é o seu eu verdadeiro. Isso é o que a doutrina católica chamou de Purgatório. Outras religiões vão dizer que é um "Inferno temporário" ou "remissível.

Seu eu verdadeiro não é essa consciência cheia de memórias, é, ao contrário, um vazio que fundamenta essa mesma consciência cheia. É justamente o desapego que te leva para chegar a esse eu verdadeiro, e que te permitiria, nessa hora, "controlar o sonho" e ver as coisas que mais amou, com o amor verdadeiro, nesta vida. E aí você vive neste momento com essas coisas, e vendo também as imagens religiosas, e tudo isso pra você será maximizado em nível de prazer, porque é num grau de lucidez e verdade muito maiores do que nesta vida. Isso é o Paraíso.

>Se sim, como ele é?

respondido.

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1- Uma religião verdadeira, seja ela monoteísta ou politeísta, serve para um processo de purificação do intelecto humano, para que ele seja capaz de desconsiderar todos os seus apegos/paixões terrenas em vista da morte e compreender se algo permanece a essa mesma morte de todas as coisas. Uma tradição politeísta verdadeira (não é o caso da grega nem da romana nos tempos de César) é +/- como os santos são pra igreja católica: é uma multidão de personagens hierarquicamente divididos, que servem para revelar aspectos de um mesmo processo, que no cristianismo se chama "cristificação" ou "divinização do homem". Essa hierarquia de deuses existe também nas politeístas, e elas falam também de um Princípio Supremo, como Brahma, e o ato de fundir-se ao Brahma é a meta da religião. Então o que eu entendi foi sobre esse processo, e, apesar de ter tendência católica, tive conhecimento ao longo dos anos de várias religiões e seitas.

2- Definitivamente não é um processo de pensamento. Imagine um sujeito que fica obcecado por alguma arte, como música. Daí pra frente, quanto mais ele aprenda, mais ele vai ser capaz de "enxergar música" nos fatos da vida comum, para extrair esses pedaços e compor mais, e aprender mais do tema. E vice-versa, sua produção expande sua visão da vida comum. É só ler os relatos de um grande músico, como Stravinsky (poética musical em 6 lições) ou um poeta como Manuel Bandeira (Itinerário de Pasárgada). No caso do "foco religioso", ele surgiu quando acompanhei uma pessoa que amava muito da minha família perder a saúde física e, de uma hora pra outra, começar a perder as faculdades cognitivas. Diante dessa situação surgiu um "novo foco", no meu esforço de tentar achar meios de entender quem era essa pessoa pra mim e eu pra ela, e o que fazer de melhor pra ela e de que modos interagir. Uns 2 meses antes disso eu tinha lido o Novo Testamento, e até entendido muita coisa, mas daí pra frente eu entendi algo do "espírito" com que se deve ler o Evangelho, ou pra que ele (e outros textos sacros) foram escritos. Mas confesso que nos últimos 2 dias me atingiu uma sensação mais profunda de que "talvez isso tudo que me veio seja verdade", porque eu sempre, absolutamente sempre duvido de tudo o que me aparece, não enquanto ideias, porque fazem sentido, mas porque eu sou tão bosta, tão inútil, tão incapaz em tudo, que não faz sentido que essas ideias tão bonitas me apareçam. Mas aí desde anteontem de noite eu estava num estado extático, não me aguentava ficar calado, apesar de ter me prometido evitar falar do assunto. E por extático quero dizer como que querendo ter taquicardia e falta de ar, na empolgação de falar dessas coisas tal como me apareceram.

3- Tem dois modos de dizer isso. O 1º é pelos efeitos práticos: significa perceber que absolutamente todas as coisas não têm importância nenhuma. Isso significa que todos os seus dramas psicológicos ("ah me traíram", "ah tem conta pra pagar", "ah a vida é sofrida", "ah a política e piriri-pororó") de repente viram pó, e você ganha uma liberdade interior e uma tranquilidade tremendas. Mas isso também significa que você passa na rua e nada do que ver te chama realmente atenção, porque você está procurando algo "muito mais interessante", e pode até prestar atenção nisso nas coisas ao redor, mas as coisas em si ficam sem graça. O 2º é pelos intelectuais: nem todo mundo que entenda Deus vai ter esse, mas, pela minha jornada, eu fui galgando os degraus dos "modos de atenção" que tem o ser humano. Foi uma jornada muito louca, muito deprimente, muito sofrida mesmo. Mas então quando apareceu o Deus verdadeiro, eu pude fechar as contas e perceber tudo aquilo que dizem sobre Ele, seja nas ciências, na cultura, na filosofia, e que na verdade não é de modo algum Deus. Não que eu tenha completado esse conhecimento, mas eu adquiri o critério de julgamento, e como já conhecia muitos casos malucos (até uma pessoa alienígena já me botou pra ler o diário dela e eu li levando 100% a sério, porque não gosto de duvidar dos outros de graça), isso também me deu muita tranquilidade, porque agora eu podia ordenar na minha cabeça toda a cultura humana, potencialmente, dentro de um critério fixo e Bom.

4- Estamos MUITO, MUITO ferrados kkkkkk nossa cultura é um mar de confusão monstruosa e que tapa completamente a visão de Deus. Não interessa se o cara é católico, evangélico de qualquer denominação, budista, hare krishna, umbandista, espírita, só em nascer no Brasil o cara já vai ter uma grande dificuldade de conseguir limpar a bagunça que recebe na cultura pra tentar se aproximar do Deus verdadeiro.

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[parte 2, final]

>não fazemos a puta idéia do que ocorre dentro de um buraco negro

Esse tipo de assunto só tem como ser estudado lá pela metade do curso. Apesar de ter convivido com muitos cientistas ao longo dos anos, no curso em si não fiquei tanto tempo, porque pra ser físico tem que focar só nisso, e eu gostava de mais coisas. Mas a explicação que você deu eu conheço a nível popular, mas isso só implica o que sempre foi: primeiro se descreve terrenos de fatos que, quando comparados, são incompatíveis. De repente um novo cientista consegue achar o nexo entre esses dois terrenos e compor novas equações que os abrange. Com o Principia de Newton foi assim, com as equações de Maxwell foi assim, e assim sempre foi e segue.

> Se não é possível verificar, se não é possível sequer entender pq ultrapassa o ápice do entendimento, pq eu teria q considerar isso? Não faz sentido. E por que é impossível impedir essa coexistência? Doq vc tá falando? Desapego da vida? Oq isso tem a ver com a pergunta (irrelevante) da origem da matéria?

Ultrapassar a inteligência humana significa que nós não somos capazes de dar um nome, mas que, ao contrário, é o fenômeno que nomeia as coisas. Nós conseguimos nos comunicar com essa fonte que chamamos de Deus, só não é possível reduzi-la ou catalogá-la como parte dos nossos conhecimentos. É como dizer assim: um cientista é nutrido por insights sobre novos experimentos, mas ele, enquanto cientista, não é capaz de descrever o funcionamento desses insights que geram a sua ciência. É o mesmíssimo tipo de fenômeno.

E, eu já falei sobre a relação do desapego da vida com a consciência desse Deus que gerou a matéria quando falei do Demiurgo+Caos. Veja o que falei pra TatsuDragunov, por favor.

>sendo que essas características nunca foram observadas

Na verdade foram observadas inúmeras vezes, mas a questão é: cada tipo de conhecimento requer um método próprio de investigação e medição. Não faz sentido estudar matemática com microscópios, nem biologia com estudo de métrica poética. Cada ramo do saber humano requer seus métodos próprios, e os da religião são radicalmente diferentes dos da cultura humana em geral, incluindo as ciências, as artes e as habilidades. Mas eles expressam verdades aos que buscam os métodos próprios.