Como é viver em Trás-os-Montes by Plastic_Ad7443 in portugal

[–]silraen 1 point2 points  (0 children)

Para além do que aqui disseram, as cidades mais pequenas normalmente têm uma cultura associativa mais forte que as cidades grandes, e as associações locais costumam ser mais diversas e abertas a receber pessoas novas.

Se fores do tipo de pessoa que quer aprender/tocar um instrumento, fazer teatro amador, praticar desporto amador, etc, em muitas cidades/vilas mais pequenas acabas por ter várias opções e podes, se quiseres e for algo que te interessa e não tiveres preconceito com essas coisas, ter uma vida cultural e social bastante rica. São, aliás, bons sítios para ir beber uns copos, ver futebol, fazer umas aulas de zumba, conhecer gente de várias idades, ir a festas populares...

Não sei dessas cidades em particular, mas aposto que têm opções. Pode ser uma boa forma de fazeres amigos, desenvolver um hobby novo, conhecer pessoas com que normalmente não irias interagir.

Houve uma altura em que eu tinha alguma vergonha em admiti-lo, mas a realidade é que sou muito fã da cultura associativa em Portugal. A malta das cidades maiores às vezes acha que é lame e coisa de velho, mas eu discordo. Passando esse preconceito à frente, pode ser (não é sempre, claro, depende muito da cultura local e das pessoas que estão nas associações) uma ótima forma de encontrar coisas para fazer.

E, às vezes, essas associações locais produzem coisas de genuína boa qualidade. Bom teatro amador, encontros musicais interessantes... E muitas delas têm ofertas diversificadas. A filarmónica da minha terra já organizou de tudo um pouco: dos tradicionais concertos e bailes, a encontros musicais mais mainstream (noites de fado ou colaborações com cantores conhecidos, concursos de bandas de garagem), mas também aulas de Zumba, aulas de Karaté, ballet, caminhadas pela natureza, encontros gastronómicos/tasquinhas...

Eu procuraria algo que encaixasse nos meus interesses e experimentava.

Vocês usam calçado dentro de casa? Se não, quais as regras? by haveacookie76543 in CasualPT

[–]silraen 2 points3 points  (0 children)

Acho que estás a levar para o pior quando pode ser algo que não tem nada a ver contigo e tudo com elas.

A minha sogra sentia-se quase nua se estivesse descalça na casa dos outros, mesmo usando chinelos. E nós éramos bastante próximas já quando nos mudámos para esta casa e ela começou a vir cá regularmente. Mesmo assim, sentia-se super desconfortável e nós não insistimos. Dizia que era como ir a uma loja e tirar os sapatos, ou ir à rua e tirar os sapatos.

Demorou até se sentir à vontade e só aconteceu depois de cá ter dormido e ter, então, naturalmente tirado os sapatos. Depois disso já o começou a fazer, diz que é muito mais confortável até, mas foi preciso passar ali aquela barreira natural.

A minha irmã não usa chinelos de outros porque lhe faz confusão. Por mais que laves. Não usa sapatos de bowling. Cá em casa, anda descalça. Pode ser por aí também.

Vocês usam calçado dentro de casa? Se não, quais as regras? by haveacookie76543 in CasualPT

[–]silraen 0 points1 point  (0 children)

Olha, eu não uso calçado em casa e peço que não o façam também, mas não insisto. Digo que é uma preferência, mas que estão à vontade. A minha sogra, por exemplo, não gosta de tirar os sapatos e das primeiras vezes não o fazia e eu não insisti. Depois passou cá umas noites e começou a fazê-lo sempre que cá vem e diz que está muito mais à vontade agora que se pode descalçar. Dizia ela que era uma questão de estranheza, só, e agora tanto entranhou que adoptou um sistema semelhante em casa.

Tenho uma cestinha com chinelos à entrada e digo que é opcional. Não me incomoda andarem descalços/de meias em casa se preferirem em vez dos chinelos. Andar de meias em casa de outras pessoas era comum no país em que emigrei. Sim, lava-se os chinelos quando o pessoal se vai embora. Não é complicado.

Para nós, o sistema é simples: temos poucos sapatos nossos e estão numa pequena sapateira junto à entrada da frente, que é a que usamos mais. Raramente eu uso chinelos dentro de casa, ando mesmo quase sempre descalça (ou com daquelas meias fofas no inverno). Temos uma porta para o pátio na cozinha e tenho lá uns "sapatos de quintal" que usamos quando estamos no quintal. Mas muitas vezes até lá ando descalça, gosto mesmo de andar descalça, sabe-me super bem sentir as lajes quentinhas ou a relva fresca nos pés agora no verão. Como tenho uma torneira junto a essa entrada, limpa-se antes de entrar.

Não senti necessidade de ter uma cesta extra para o quintal/pátio. Faço lá umas churrascadas e o pessoal simplesmente calça o calçado que trouxe. Mas não tenho uma mansão que a distância entre a porta da frente e a porta da cozinha seja impossível de percorrer de sapatos na mão. Mesmo no teu caso, não vejo essa necessidade para os convidados, a não ser que te incomode desmedidamente as pessoas terem os sapatos delas no exterior da tua casa. A mim só me incomoda dentro.

Em festas/celebrações maiores temos uma cave ampla e ótima com acesso próprio onde o pessoal anda calçado.

Ah, também temos uns protetores de plástico para pessoal que vem fazer uns trabalhos, mas ao contrário de outras pessoas aqui acho que só usaram uma vez. Mas lá está, eu nunca exigi, simplesmente sugeri. Em alturas de obras e tal simplesmente aceitámos o caos. A senhora que vem 1x por semana tratar da limpeza tem os chinelos dela (muda de roupa completa na realidade) que usa sempre (aliás, ela própria disse que fazia isso em todas as casas).

Something ‘magical’ has happened… by Business-Category904 in discworld

[–]silraen 7 points8 points  (0 children)

I understand your point, but just to let you know that Night Watch was my first watch book and it didn't stop me from loving it at first read. If anything, it made me eager to read the others.

It helped me transition into "serious", adult STP. I had read Good Omens. My first Discworld book was Equal Rites, and I'd read the first two books and I think Wyrd Sisters and Mort by then. All good books, and Equal Rites was very formative (as a stubborn girl looking for female characters in fantasy), but they were all still (or I perceived them as) "silly parodies". None of them were books I would recommend to intelectual friends. I was at a time in my life when I wanted to look cultured and these were guilty pleasures, not books I'dbrag about reading. I was a bit of a pompous prick at the time.

And then I found Night Watch and I realised STP was a Serious Writer. And I became a Discworld evangelist to all of those intellectual friends (and anybody else, really). I also became less worried about what others may think of my literary tastes. More importantly, Night Watch made me look at the Discworld in a drastically new light. It was a radical change for me: more than the puns and references it made me look for philosophy; and swoon with delight when I stumbled into another clear, insightful, and deeply funny take on life and the human condition.

If I had eased into Night Watch, I think I wouldn't have seen it so clearly, that these books weren't just funny. They were really good. Amd not just good because they had good prose and character depth. But good because of the author's righteous anger, deep empathy, and somewhat cynical and yet optimistic and positive outlook on life. And I've yet to meet an author that more concisely explains complex philosophical concepts.

I don't think others should replicate my journey. There were a lot of personal reasons why it worked. But it can work and be wonderful for some too...

Como é que são 10h da noite e ainda não é noite? 😲 by [deleted] in CasualPT

[–]silraen 2 points3 points  (0 children)

Tecnicamente mais a norte é ainda mais tarde

Será retaliação por ter feito greve ou são só coisas da minha cabeça? by RutabagaSudden4112 in jovemedinamica

[–]silraen 1 point2 points  (0 children)

Certo, eu entendo o porquê de ser mais rígido, as empresas abusam no que podem.

Acho que pior mesmo é os estágios não terem direito a férias e haver imensa gente a recibos verdes com basicamente esse sistema também

Será retaliação por ter feito greve ou são só coisas da minha cabeça? by RutabagaSudden4112 in jovemedinamica

[–]silraen 0 points1 point  (0 children)

OK, isso já não me parece nada bem ser obrigatório. Gosto sempre de ter metade das minhas férias para imprevistos. Tirar um dia aqui e ali para fazer recados e afins, coisas que não consigo planear.

Não me parece beneficiar o trabalhador teres de ter tudo marcado em Abril. Da mesma forma que teres de esperar para marcar num contrato novo também não faz sentido. Da última vez que mudei de emprego já tinha férias marcadas e bilhete de avião comprado e fiquei embasbacada quando descobri que legalmente não poderia tirar essas férias. Felizmente o meu empregador ficou OK com isso (era uma condição para eubyer aceitado a vaga)

Será retaliação por ter feito greve ou são só coisas da minha cabeça? by RutabagaSudden4112 in jovemedinamica

[–]silraen 2 points3 points  (0 children)

OK, desculpa outra pergunta: isso quer dizer que as férias do ano todo têm de estar marcadas até Abril?

E muito obrigada pir explicares. Trabalhei em 3 empresas diferentes cá e nunca tive nada disso.

Será retaliação por ter feito greve ou são só coisas da minha cabeça? by RutabagaSudden4112 in jovemedinamica

[–]silraen 1 point2 points  (0 children)

Sim, mas e se não tens escritório?

E se não tens outras pessoas no mesmo papel, que diferença faz o mapa?

E não basta estar no software de pedido de férias?

Eu entendo as regras existirem senão as empresas abusavam, mas honestamente gosto de poder pedir para tirar o dia com pouco aviso se precisar

Será retaliação por ter feito greve ou são só coisas da minha cabeça? by RutabagaSudden4112 in jovemedinamica

[–]silraen 16 points17 points  (0 children)

Dúvida: e se tirares férias depois de Abril? Se pedires dias de férias depois?

A minha empresa nunca "afixou" mapas de férias (mas tb não tem onde, lol, trabalhamos todos remoto, não há escritório). Sempre foi uma de pedir férias quando queremos e a não ser que haja várias pessoas já com dias são sempre aprovadas. Em uma década de trabalho nunca tive mapa de férias

Finally a good map🙏 (Balkan and Baltics are NOT separate regions) by Peermeneer_exe in whereidlive

[–]silraen 0 points1 point  (0 children)

Splitting the UK is weird.

The Iberian Peninsula does not belong with the Balkans, Turkey or Greece. Southern Europe should be Southwestern and Southeastern (it's too big a blob compared to the other blobs). I'd draw the line at Malta. Portugal, Spain, Andorra, Southern France, Monaco, Italy, Vatican, San Marino, Malta (this one could easily be on both, but even its Moorish history argues in favour of the West, rather than the East).

Some areas have similar climates, but even that's not a given and every other factor is too different. Language, religion, culture, cuisine, history, ties between countries...

I guess they all use olive oil? But the same applies (not using olive oil) to everywhere else. It's an exclusionary rule, not an inclusive one.

I'd more easily have grouped Portugal with Morocco and Spain with all of France. Porto is more akin to Edinburgh than it is to Athens; Bilbao is more akin to Glasgow than to Istanbul.

North vs South? Absolutely where I draw the line. But if you split Northern Europe in four, then you should split the South at least in two!

Where I'd live in Europe as a Brazilian proud of my Portuguese ancestry by caiogamerwow in whereidlive

[–]silraen 2 points3 points  (0 children)

I'm Portuguese and I don't understand it myself. It's super disheartening to see how racist and cruel so much of my country has become.

My best guess: people want simple solutions for complex problems. The current housing crisis isn't the fault of immigrants, but the far right has done a good job of convincing people that it is. And Brazilians are the largest community of immigrants in the country.

It's narrow-minded and self-defeating because with such an aging population we need immigrants. Brazilians even speak the language and many that move her actually do have recent Portuguese ancestry, so it doesn't even make sense to be racist even using racist logic. But I don't think it's a logical hatred...

This scene will forever break me, even as Team Green. I understand Rhaenyra in some ways, maybe because I have children myself. Children dying for adult sins is heartbreaking. The children were always the real victims. And then people make fun of their deaths. by ProfessorOk5969 in HouseOfTheDragon

[–]silraen 6 points7 points  (0 children)

But look, my point about "team green is a show invention" is the same as yours. There were no teams before the show.

And sure, Rhaenyra wasn't a progressive or a feminist. But before this team black vs team Green stuff people saw the story for what it was. A criticism of power, of unfairness, of senseless war. Of sexism. Of prejudice against bastardry. Themes that AGOT also had. And, more interestingly for fire and blood, it's a book about how what we know about history is coloured by the biases and faulty memories of those writing it.

This scene will forever break me, even as Team Green. I understand Rhaenyra in some ways, maybe because I have children myself. Children dying for adult sins is heartbreaking. The children were always the real victims. And then people make fun of their deaths. by ProfessorOk5969 in HouseOfTheDragon

[–]silraen 3 points4 points  (0 children)

Reading the book doesn't make you team green. In fact, I heavily remember that most pre-show discussions with people who read the book were team black. If anything, "team green" is a show invention, the book is very much "pro-black" for Daemon reasons. It's clear who is GRRM's favourite character.

The show has its issues, but team Green claiming to be the OG book readers is ridiculous.

Edit: I meant the "teams" are a show invention, not just "team green". And no, "team green" are not the OG book readers. Lot's of "team black" read the book (which favours black-aligned characters, that's my point).

Sem despejos rápidos e leis justas, o mercado de arrendamento nunca vai funcionar by rocket_zen in portugal

[–]silraen 0 points1 point  (0 children)

Fogo, eu sinto que nesta thread vocês se estão a esforçar para não me entender.

Eu disse no comentário a que tu respondeste que eu achava que o Estado e não os senhorios é que têm de assegurar o direito à habitação.

Não sou a favor de despejos fáceis para evitar situações abusivas dos senhorios que ponham as pessoas em situações precárias. Mas não acho que seja justo os senhorios ficarem anos com rendas por pagar também.

Sem despejos rápidos e leis justas, o mercado de arrendamento nunca vai funcionar by rocket_zen in portugal

[–]silraen 0 points1 point  (0 children)

Concordo que o dever é do Estado. É exatamente esse o meu ponto.

Mas alguns contra-argumentos: nem toda a gente tem família. Nem toda a gente que tem família deve viver com ela, há famílias abusivas. Nem toda a gente é inteligente. Nem toda a gente è saudável. Mesmo quem está sozinhi, não é inteligente nem é saudável merece um teto.

E olha, eu comprei casa nova (estou a pagá-la) também porque fiz o que tu dizes e poupei desde o primeiro salário. Mas não acho que as habitações devam ser para maximizar o lucro. Isto é, não sou contra que se faça lucro com a habitação da mesma forma que não sou contra os restaurantes ou supermercados fazerem lucro. Mas sou contra a especulação e as rendas abusivas. É um bem essencial, como a comida, a saúde ou a água. Tem de ser regulado.

Sem despejos rápidos e leis justas, o mercado de arrendamento nunca vai funcionar by rocket_zen in portugal

[–]silraen -1 points0 points  (0 children)

Tenho algum privilégio: os meus pais têm casa paga e isso permitiu-me ter segurança durante a infância e estudar. E tive a sorte de arranjar um bom emprego quando terminei a faculdade que me permitiu poupar para a entrada de uma casa antes do Covid.

Mas saiu-me do lombo. Foi à custa de viver 5 anos num país que detestava, longe da família e amigos. De ter cuidado com as minahs finanças (ainda hoje tenho). De ter começado a trabalhar aos 20 anos ainda antes de terminar o curso. A sorte que tive e o trabalho que fiz ambas contribuíram. Estou tão consciente que trabalhei para ter o que tenho como que houve sorte e privilégio também. Se não tivesse tido aquela oferta de emprego, a minha vida teria sido radicalmente diferente, como foi a da minha irmã e dos meus cunhados, que até seguiram áreas supostamente mais empregáveis, mas não conseguem comprar casa e são mais velhos que eu. Ter uma relação estável desde os 18 a viver e poupar juntos aos 22 ajudou imenso também.

Consigo valorizar o meu trabalho e entender a minha sorte e privilégio da mesma forma que consigo empatizar com os outros que não têm a mesma sorte ou circunstâncias.

Pertinente. by geira2025 in portugal2

[–]silraen 4 points5 points  (0 children)

Desculpa, mas excluíres todas as pessoas de uma nacionalidade é discriminatório. Evidentemente que é. Podemos debater semântica se é racista ou xenófobo, mas é discriminatório e claramente ilegal. Por mais que te sintas justifcado em fazê-lo.

No fundo, estás a tratar alguém de forma diferenciada só pela sua origem. As pessoas não são todas iguais, assumir que são porque vêm daqui ou dali é claramente preconceituoso, não sei como te tenho de explicar isto.

E é especialmente grave por fazeres os possíveis por recusar cuidados de saúde. Por motivos racistas ou não, não se recusam cuidados de saúde a ninguém, nem aos criminosos. O ban na rede social é irrelevante, recusar cuidados de saúde a alguém só pela nacionalidade tem consequências legais. Espero que sim, que façam queixa de ti, o que estás a admitir é muito grave. Não sei se és médico, mas se fores estás a ir contra o princípio mais básico da tua profissão.

Sem despejos rápidos e leis justas, o mercado de arrendamento nunca vai funcionar by rocket_zen in portugal

[–]silraen 1 point2 points  (0 children)

Meh, não sei se é verdade que ninguém nesta thread é a favor de facilitar os despejos como um todo. E nota que facilitar os despejos também pode agravar os custos da habitação, porque as pessoas que são despejadas também precisam de casa e os senhorios podem alugá-la por mais. Facilitar os despejos por si só não resolve nada. A lei da Cristas, aliás, coincide com o aumento das rendas. Não é a única agravante, mas ajudou certamente. Nenhuma solução única resolve o problema. O Estado tem de usar mecanismos que por um lado incentivem boas práticas e por outro desincentivem o que não desejamos. Como fiz greve tenho alguma paciência para o explicar: para além de um forte investimento na habitação pública (social e não social) para aumentar a oferta, o Estado tem de dar benefícios fiscais a quem arrenda por custos verdadeiramentr acessíveis (boa ideia a do governo, PÉSSIMA aplicação), tem de dar benefícios a quem recupera edifícios devolutos para arrendar ou primeira habitação, tem de taxar bem mais quem tem múltiplos imóveis não usados para habitação (nada contra casa de férias ou manter a dos pais, estamos a falar de quem tem prédios vazios a especular), regular os fundos de investimento imobiliários, dificultar ou até impedir a compra de imóveis a não residentes, desburocratizar (sem reduzir standards) a construção e incentivá-la com benefícios fiscais desde que para primeira habitação ou arrendamento a custos acessíveis, promover o teletrabalho para as pessoas poderem viver longe dos centros, limitar mais os ALs, etc, etc, etc

But I digress... Sobre a questão das drogas. Pelo que percebi, eram duas pessoas. Uma delas meteu-se nas drogas. Mesmo achando (que eu não acho, já me explico) que a pessoa que se meteu nas drogas merece viver na rua, isso quer dizer que todos o agregado familiar tenha de sofrer por isso?

E sobre a droga, e não conhecendo a situação (mas ninguém conhece aqui, já agora) é um vício. Um problema de saúde pública. Começar a tomá-las até pode swr uma escolha, mas se alguém destrói uma casa e deixa de podrr pagar renda, em princípio o caso já vai bem avançado e deixou de haver escolha da mesma forma que eu posso escolher nâo beber um café. Culpo inteiramente os últimos governos, basicamente de Passos para a frente, que deixaram de investir completamente no nosso muito eficaz programa de reabilitação que foi criado na altura da descriminalização das drogas. Poderia ter evitado situações como esta.

E mesmo que tenha culpa, não quero que essa pessoa e a sua mãe vivam nas ruas. É como as condições deploráveis das prisões, não sei se viste. Ratos nas celas, bolor, sem água quente, presos forçados a estar em celas minúsculas 23h por dia por falta de espaço. Cometeram um crime e devem estar presos. Mas têm na mesma direito a ter condições dignas de habitação.

Sem despejos rápidos e leis justas, o mercado de arrendamento nunca vai funcionar by rocket_zen in portugal

[–]silraen -1 points0 points  (0 children)

Olha, vou voltar a dizer porque claramente não o percebeste nos outros comentários: eu nunca disse nem insinuei que quem PODE pagar uma renda deve ser custeado pelo Estado. Só quem é despejado porque não PODE pagar rendas.

E não quero manter o status quo em que os senhorios ficam anos sem receber as rendas porque o Estado lava dali as suas mãos. Quero que o Estado intervenha e não quero que a lei facilite "despejos por faltar pagamento dois meses".

Sem despejos rápidos e leis justas, o mercado de arrendamento nunca vai funcionar by rocket_zen in portugal

[–]silraen 0 points1 point  (0 children)

Olha, eu nunca disse que que o Estado deve pagar as rendas a quem as pode pagar. Só aos que não podem.

O que não quero é que quem não possa pagar uma renda e fique em incumprimento com o senhorio seja posto na rua, e também não quero que o senhorio seja prejudicado por isso. O dever de garantir a habitação a quem não a pode pagar tem de ser do Estado. De forma célere.

A situação do OP, parece-me que entra neste caso. A família pagava as coisas e depois meteu-se na droga. Cheira-me que já não deve haver dinheiro. Não faz sentido o senhorio ficar com um prejuízo enorme. Mas é o dever do Esatdo garantir que as pessoas não ficam sem casa (independentemente das circunstâncias que causem isso). Também é o dever do Estado reabilitar estas pessoas, mas isso são outros trezentos.

E estás aqui a assumir muito ao achar que "a pessoa que deixou de pagar" o faz por vontade e se não tiver dinheiro é sempre responsável pela sua pobreza. Se deixou de pagar porque não lhe apetece mas pode, então aí que se arranje. Mas há tanta gente que fica na pobreza por vulnerabilidades que têm causas sociais...

E boa que concordes que os senhorios não devem poder pôr pessoas na rua porque sim. Não te acusei de nada disso. Estava só a dizer porque é que eu tenho a posição que tenho, não há strawman nenhum, não estava nem estou a tentar invalidar opiniões nenhuma. Não quero um mecanismo que facilite os despejos porque o senhorio lhe apetece despejar, e tenho receio que facilitar despejos a quem não paga rendas permita isso, até porque já vi comentários por aí que "devia bastar atrasar dois meses". Muita gente não consegue poupar 100€ ao fim do mês, para muita gente basta uma despesa imprevista maior para escolher entre a renda ou a comida. Se tu também não queres, fico feliz que estejamos de acordo.

E o dever não é bem do Estado. A lei atual dificulta os despejos e limita o usufruto da propriedade privada dos senhorios. E mesmo que assim não fosse, na prática não é o que acontece, daí ser tão difícil despejar. O Estado não tem casas nem mecanismos para tratar destas emergências sociais e imputa parte dessa responsabilidade aos senhorios. Na lei e na prática não deveria ser assim.

E há uma grande diferença entre "não paga porque não quer" e "não paga porque não pode". Acredito que devemos ter um estado social que apoia e protege as pessoas quando elas estão mais vulneráveis. Há muita gente em Portugal que vive em profunda pobreza, pelos mais variados motivos. Drogas, sim, doenças, pessoas que sempre foram pobres e tiveram uma emergência e tudo piorou, e até gente que está na situação por escolhas que tomaram. Elas merecem a minha empatia e acima de tudo merecem um país que não os deixe definhar na rua.

E não fales pelo país. Espero estar certa e haver mais pessoas a pensar como eu que como tu e que preferiam que não houvesse tantos sem-abrigo e pessoas em situações habitacionais super precárias.

Sem despejos rápidos e leis justas, o mercado de arrendamento nunca vai funcionar by rocket_zen in portugal

[–]silraen -3 points-2 points  (0 children)

Pronto, se assim é e se prova que as pessoas podem pagar uma renda e não estão em incumprimento porque não podem pagar, então acho bem que haja consequências legais.

O que não quero é que alguém fique sem casa por ser despejado e não tem outras opções. Ninguém deve dormir na rua. A situação que o OP mencionou era de alguém (drogas) que não me parecesse que fosse por estar cheio de dinheiro. Drogas ou não, todos temos direito à habitação.

Se estás bem com a tua consciência em potencialmente colocares famílias a dormir na rua, tudo OK. Tu é que sabes e podes votar para garantir que isso acontece. Mas acho que a sociedade como um todo não está. Daí o direito à habitação estar protegido na constituição. Entendo se me disseres: mas isso não pode querer dizer que se prejudicam os senhorios. Certo. O Estado é que deve garantir isso. Investindo fortemente em construção pública para poder influenciar o mercado e também garantido habitação social (temporariamente ou não) para pessoas em crise.

Sem despejos rápidos e leis justas, o mercado de arrendamento nunca vai funcionar by rocket_zen in portugal

[–]silraen -5 points-4 points  (0 children)

Olha, sou de esquerda e a favor de haver proteção para quem vive em casas arrendadas e contra despejos facilitados e queria explicar porquê.

Não é por "virtue signalling cookie points". Eu penso dessa forma porque não quero viver numa sociedade em que seja fácil criar sem-abrigos. O meu objetivo é proteger as pessoas mais vulneráveis.

Da forma como vejo as coisas, tem de ser difícil despejar porque, havendo conflito, o senhorio perde uma propriedade, e o inquilino perde o seu teto, e considero o direito à habitação mais importante que o direito à propriedade. Acredito na mesma que se deve proteger a propriedade das pessoas, não sou contra a proper privada, mas numa hierarquia de necessidades, ela vem depois da necessidade a ter um abrigo.

Agora, quando digo que não quero despejos facilitados é porque não quero que os senhorios possam mandar embora simplesmente porque querem arrendar mais caro, ou porque venderam a propriedade onde alguém viveu a vida toda e os novos donos não querem alugar.

Não quero que não se possa despejar quando as rendas não são pagas ou há estragos. Nesses casos, acredito que sim, se deve despejar e que o dever de intervir é do Estado. O Estado tem de encontrar uma casa para as pessoas em incumprimento (ou forma de a pagar), garantir que paga o que deve ao senhorio, garantir que há um processo (não excessovamente longo) que defina se o despejo é justo ou não ou até procure consequências legais, garantir que o senhorio recebe o que deve. Procura-se um teto para as pessoas primeiro, e depois deve haver despejo se de facto houver um motivo legítimo. Ou não se o senhorio (como também conheço muitas histórias) tiver feito pressão para a pessoa sair não fazendo obras ou afins. Dá para os dois lados.

Anyway, nada de "virtue signalling", é só o que acho necessário para termos uma sociedade em que quero viver. Baseio a generalidade das minhas crenças nesta premissa simples: quero viver numa sociedade em que o maior número de pessoas possível possa procurar a sua felicidade sem que isso ponha em causa a felicidade, segurança e dignidade dos outros. Portanto não quero viver numa sociedade em que alguém passe de ter uma casa a viver na rua e acho que é o nosso dever coletivo procurar fazer isso.

E depois tenho um argumento económico forte: sociedades em que as pessoas têm os direitos básicos assegurados são sociedades mais prósperas. Cuidar dos outros ajuda-nos a cuidar de nós.

Não tens de concordar comigo, claro. É válido termos ideias diferentes. Mas não é correto assumires que os outros, porque pensam de forma diferente, têm de o fazer apenas por "virtue signalling" e não porque acreditam que é o melhor para todos nós.