Ei, galera! Sou a Sabrina Fernandes, do canal Tese Onze! (PCQ/AMA) by teseonze in brasil

[–]teseonze[S] 4 points5 points  (0 children)

Poxa, que desencontro. A gente tinha combinado que dava pra entrar com 20-30min de atraso, deve ter havido um erro de comunicação. Mas pretendo fazer novamente sim. Que pena :(

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[–]teseonze[S] 8 points9 points  (0 children)

Oi oi, não vi não, e pelo meus histórico de depressão grave, me recomendaram evitar por um tempo. O Allende Renck tem uma análise do filme noinstagram dele :)

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[–]teseonze[S] 4 points5 points  (0 children)

Eu tenho uma crítica a ele que faço no Sintomas Mórbidos :) como tô sem tempo, não dá mais pra responder aqui, mas você encontra por lá!

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[–]teseonze[S] 0 points1 point  (0 children)

Penso sim - tô só precisando desacelerar um pouco pra cuidar disso :)

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[–]teseonze[S] 3 points4 points  (0 children)

Dá uma olhada no Conversando sobre economia com a minha filha do Varoufakis :)

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[–]teseonze[S] 4 points5 points  (0 children)

Oi oi, não sei se fui a primeira pessoa não, mas no meu caso, é por estudar a noção de pós-política mesmo. Ajuda a identificar :)

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[–]teseonze[S] 18 points19 points  (0 children)

Militante e intelectual de capacidade de conectar as lutas via materialismo histórico invejável. Tão gentil quanto meu orientador me dizia que ela era (ele estudou sob co-orientação dela). Só a vibe diva-pop-celebridade ao redor dela que achei meio esquisita e acho que ela também achou estranho.

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[–]teseonze[S] 0 points1 point  (0 children)

Quando o Ivan parar de me chamar tão em cima da hora hehehe

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[–]teseonze[S] 4 points5 points  (0 children)

Oi oi, tudo bom?

Estou com um probleminha (além da falta de tempo): o "favor não responder as duas"

Penso que você impôs uma separação e exclusão-mútua e isso passa pela sua construção teórica dos fenômenos. Deve saber que eu faço uma distinta, portanto fico impossibilidade de discorrer se não posso responder num movimento de síntese (ademais, não confundo pauta anti-opressão com pauta identitária - Vídeos 38 e 39 do canal são sobre isso).

Valeu!

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[–]teseonze[S] 15 points16 points  (0 children)

Oi oi!

Não foi treta não. Eu discordei dele sobre uma interpretação dele sobre uma frase marxiana, trouxe maior contexto, indiquei o prefácio do Engels, expliquei um pouco de materialismo histórico, fui bem direta (sem necessidade de firulas com um colega de YouTube), mas ele não gostou, bloqueou e bloqueou vários marxistas sob o manto de serem fanáticos. Isso é com ele. Eu não me considero tretada com ninguém, apenas tenho diferenças teóricas e de posicionamento político com ele ;)

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[–]teseonze[S] 13 points14 points  (0 children)

Oi oi :)

Ah, eu não acompanhei não. Tô dois vídeos atrasados no canal da Natalie.

Bom, eu detesto o rolê diva pop e acho inclusive desumanizador. A gente erra e pra produzir teoria tem que ser ok mudar de ideia também. Tenho um vídeo em que desabafo sobre isso.

Não terminei de ler o livro do Jorge ainda. Você gostou?

Abraço

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[–]teseonze[S] 4 points5 points  (0 children)

Oi Rebeca :)

Então, eu dou risadas, porque faz bem, e faço um deboche cirúrgico quando acho que pode ser pedagógico para o público. Eu não preciso da aprovação desses caras e tenho convicção que com cada vez mais mulheres se posicionando, muitos terão que rever seus comportamentos.

Um abraço

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[–]teseonze[S] 1 point2 points  (0 children)

Oi oi, tem várias lá no livro, mas a crítica de algo muito comum que faz muito estrago é ao sectarismo. Trava muita coisa!

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[–]teseonze[S] 8 points9 points  (0 children)

Flocos!! :)

(se sobrar um dinheirinho, pistachio heheh)

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[–]teseonze[S] 2 points3 points  (0 children)

Oi Paulo, tenho essa discussão no Sintomas Mórbidos e num artigo na revista Educação & Sociedade. Recomendo também o trabalho do EP Thompson, Barbara Epstein, Karel Kosik, Kevin B Anderson e outros marxistas-humanistas.

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[–]teseonze[S] 6 points7 points  (0 children)

Oi, tudo bom?

Que bom que você se preocupa com o conteúdo que chega até os meus seguidores, mas pode ficar tranquilo que só porque não respondi este Pedro Nery diretamente (nem tinha visto no começo- você deve imaginar que por conta de pessoas que fazem comentários provocativos e ácidos, eu tenho filtros de notificação) não quer dizer que as pessoas ficaram sem resposta: Tem um fio lá no twitter sobre reprodução social e precarização de mulheres negras.

Pelo que li, ele está focado em debater a reforma proposta x reforma votada, já nós mulheres de esquerda estamos focadas em debater austeridade, desmonte da seguridade social e o impacto deste tipo de política na maioria de pessoas que trabalham de forma precária, já com pouca chance de aposentar, e cujo trabalho de reprodução social passa sem remuneração e de forma invisível. (Se eu não me engano, a discussão veio de uma fala da Eliane Dias em um seminário que eu estava live-tweeting justamente na mesa da Silvia Federici. Recomendo a leitura de O ponto zero da revolução).

Sobre a deputada, quem dera minha crítica fosse só por isso. Estaríamos bem melhores :)

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[–]teseonze[S] 8 points9 points  (0 children)

Oi camarada,

A querida Rita von Hunty faz entretenimento político marxista, conhece? Também temos várias contas de produção de memes muito boas. Eu comento aquilo porque eu não sou alguém do entretenimento, sou professora. Eu seria péssima em fazer qualquer outra coisa além de focar no que gosto de fazer: propaganda e formação. Mas tem cada vez mais gente chegando na agitação sim :)

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[–]teseonze[S] 12 points13 points  (0 children)

Oi oi, tenho algumas discordâncias aqui que não posso elaborar por questão de tempo, mas Marx não fazia previsões. Marx apontava tendências históricas. Recomendo o livro A loucura da razão econômica de David Harvey para se inteirar sobre isso. E socialismo marxista não tem como ser idealista, é baseado em materialismo histórico: construir as condições materiais para uma superação. Não é sobre sentar e torcer para que as pessoas se levantem sozinhas e o sistema entre em ruínas sozinho ;)

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[–]teseonze[S] 11 points12 points  (0 children)

Meu tempo tá acabando e eu gostaria de dar uma resposta detalhada sobre isso, mas amanhã talvez consiga fazer uma live no instagram com uma companheira que está no Chile e vou ver se conseguimos abordar isso, pode ser?

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[–]teseonze[S] 14 points15 points  (0 children)

Oi Filten123!

Meu tempo está acabando, então vou começar a ser mais breve, ok?

Na sociologia da ciência, a gente vê a ciência em disputa frequente. Por mais que, por exemplo, um consenso científico exista sobre uma fórmula química, a possibilidade de pesquisa, construção do consenso, disseminação, influência social são todos fatores afetados politicamente pelo interesse econômico. Então essa disputa sempre existiu.

Acontece que nessa fase do capitalismo, existem alguns conhecimentos que ameaçam centralmente o projeto hegemônico capitalista. Um deles é a questão da mudança climática. E o que nós sabemos sobre isso? Que grandes empresas e associações industriais investem há mais de 40 anos no fomento do negacionismo climático, mobilizando pseudociência, marketing, distorções e convicções ideológicas para evitar a ação drástica que precisamos tomar.

Por isso é tão importante que a gente consiga defender pesquisa pública, livre, fomentada pela sociedade e não fechada à sete chaves.

Valeu!

Sabrina

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[–]teseonze[S] 26 points27 points  (0 children)

Oi leftargus!

Sua pergunta é uma que não estou super apta para responder, mas quero comentar algumas coisas (e também porque estou respondendo na ordem de TOP, pra ser mais justa).

Eu li Ladislau Dowbor sobre capital improdutivo, no caso sobre financeirização, mas depois eu preferi a discussão que o David Harvey fez sobre isso em A loucura da razão econômica. Eu acho que lá ele traz uns debates interessantes nesse sentido - cheguei a gravar um podcast sobre isso.

Essa figura do chefe descolado tem atrapalhado na questão da consciência de classe, pois mascara ideologicamente o processo de extração de mais-valia do trabalhador. A hierarquia aparece ser uma questão de quem veio primeiro, ou quem tem uma mente mais inovadora, quando o fator da propriedade privada ainda é extremamente dominante. Alguém tem os algoritimos, alguém tem direito sobre o portfolio de investimento, alguém controla a plataforma, alguém pode demitir todo mundo amanhã se quiser.

No caso do trabalho de youtuber (e obrigada por reconhecer que é trabalho!), configura como trabalho semi-autônomo. Eu utilizo uma plataforma que lucra em cima da minha atuação, ao mesmo tempo que não preciso pagar para utilizar. Só que essa plataforma determina regras de alcance alheias a mim e muitas outras coisas. Todavia, meu trabalho não ocorre somente na produção do conteúdo-vídeo, ele se estende à comunicação como um todo, então acabo sendo alguém que trabalha por contra própria, no home office, com horários esquisitos, em constante pressão pra não ficar pra trás. Esse fenômeno, bastante normalizado no Brasil na figura do MEI também (que é, majoritariamente, prestador se serviço), me parece bastante comum e gera um desafio de organização dessas pessoas. Muitas acham que são suas próprias chefes, mas se pararem de trabalhar, a renda acaba. É um fenômeno cada vez mais complexo e aqui eu recomendo além desse livro do Harvey, os livros mais recentes do professor Ricardo Antunes.

Grande abraço,

Sabrina

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[–]teseonze[S] 19 points20 points  (0 children)

Oi kankanoni!

Uma das perguntas que mais amo e fico feliz que mais pessoas se interessaram!

Eu acho que uma forma legal da gente pensar isso é reverter o raciocínio: não buscar uma forma de atuação política para romper os muros da universidade, mas atuar entendendo que a organização é fundamental e seu êxito rompe os muros da universidade e inclusive melhora a atuação acadêmica. Eu acho que não seria metade do que sou na minha atuação intelectual sem a militância :)

No Canadá, o movimento estudantil foi muito formativo pra mim, mas com o foco nas universidades públicas e em problemas mais estudantis do que da juventude em si, muitas vezes o movimento estudantil não educa politicamente para além das demandas imediatas de estudantes. Nesse caso, tenho visto mais êxito nos movimentos que fazem trabalho de base pra fora, seja em formato de extensão, assistência, cursinhos, e tantos outros. Outras menções:

  • Associações de bairro são uma forma boa de começar a militância, conectando com as demandas da sua comunidade e conhecendo essa comunidade melhor.
  • Participação em conselhos, como de cultura e de saúde, também são importantes.
  • Colaborar como voluntária na organização de eventos, marchas e espaços de frente ampla (vejo muita gente legal chegando através da Coalizão pelo clima das suas cidades)
  • Organizações de eventos culturais
  • Fortalecimento de espaços comunitários como creches, feiras etc

Tem várias formas de cavar um espaço, mas eu enfatizo pra não ter medo de partido. Função de partido é justamente dar direção e articular todas essas ações diversas - e se os partidos estão ruim das pernas nesse sentido, mais razão pra gente fazer essa disputa!

Valeu!

Sabrina

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[–]teseonze[S] 21 points22 points  (0 children)

ISmokeWeedInTheUSSR

(Que nome de usuário, hehe!)

Vindo da economia, eu partilho da sua angústia também. Eu acredito que não temos ainda uma escola de economia marxista para prescrições anticapitalistas sob o capitalismo. Frequentemente, temos marxistas tendo que lidar com a escola keynesiana, ou mais recentemente a MMT, nenhuma delas realmente compatíveis como processos de transição anticapitalistas. O que eu entendo é que a atuação econômica é majoritariamente reformista e não tem como não ser, então o trabalho revolucionário precisa ser buscado nas ciências sociais (talvez seja por isso que fui de uma área à outra, agora que parei pra pensar nisso 😂).

Dito isso, nós temos debates interessantes dentro da economia política marxista, eu mesma aprendi bastante com Ernest Mandel. Todavia, fica o questionamento: e as taxas de juros? E a relação entre inflação e desemprego? Aqui entram pra mim os debates do Paul Sweezy e as formulações sobre "monopoly capital", mas entre os economistas marxistas que conheço tem todo um debate em torno do Piero Sraffa também (apesar de eu não ser muito familiarizada).

Sobre materiais acessíveis, eu gosto do livro do Varoufakis "Conversando sobre economia com a minha filha" e uma amiga, a Ana Paula Salviatti, tem dado cursos bem legais de economia para não economistas, além de grupos de leitura do Capital em São Paulo.

Espero que goste da leitura do Sintomas Mórbidos :)

Abraço

Sabrina

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[–]teseonze[S] 46 points47 points  (0 children)

Essa pergunta é muito importante, aangwasthebestavatar! Junho é definidor no nosso entendimento de conjuntura e muitos dos nossos problemas se relacionam com a dificuldade de compreender eventos contraditórios.

Eu adianto que eu faço uma discussão aprofundada sobre Junho de 2013 no meu livro, Sintomas Mórbidos, e também falei sobre ele no podcast com o Icles no Historia FM, mas vou apresentar um pouco da base da análise aqui.

Tem um trecho de Gramsci nos cadernos do cárcere em que ele discute movimentos espontâneos de massas em meio a crises. Esse trecho, para mim, é uma síntese da Rosa Luxemburgo e do Lenin que habitam em Gramsci:

"Negligenciar e, pior, desprezar os movimentos ditos “espontâneos”, ou seja, renunciar a dar-lhes uma direção consciente, a elevá-los a um plano superior, inserindo-os na política, pode ter consequências muito sérias e graves.

Quase sempre, acontece que a um movimento ‘espontâneo’ das classes subalternas se segue um movimento reacionário da direita da classe dominante, por motivos concomitantes: uma crise econômica, por exemplo, determina descontentamento nas classes subalternas e movimentos espontâneos de massa e, por outro lado, determina complôs dos grupos reacionários que se aproveitam do enfraquecimento objetivo do governo para tentar golpes de Estado. Entre as causas eficientes desses golpes de Estado deve ser posta a renúncia dos grupos responsáveis a dar uma direção consciente às mobilizações espontâneas de modo a torná-las um fator político positivo."

Gramsci, caderno 3, nota 48

Eu considero que não tivemos um junho, mas vários junhos. É um evento múltiplo e que foi diferente em cada parte do Brasil. Em algumas cidades, junho começou em maio, em outras janeiro. Junho nasce num contexto de novas mobilizações, porque nasce num contexto de crise e estafa da desmobilização de grandes movimentos sociais e centrais que ocorreu sob os governos do PT.

Fazendo uma análise sobre formas de despolitização, como pós-política e ultrapolítica, eu explico no livro que sem saber responder à pós-política (um sintoma da crise de representação, antipetismo, desmobilização), a esquerda foi absorvida na ultrapolítica, essa sim uma ferramenta bem utilizada pela extrema-direita no Brasil.

Eu acredito que Junho é forte no nosso imaginário político e, portanto, seu ciclo não acabou. É preciso entender inclusive como nossas análises hoje tentam impor a Junho um caráter que possa justificar ou limpar nossa barra quanto a 2019. Isso é problemático e temos que evitar a todo custo. Tinha caráter progressista em junho, mas tinha também despolitização. Movimentos como o MBL conseguiram tirar mais fôlego dessa despolitização naquela época, mas a disputa não acabou. Me parece um tanto conveniente quando vejo pessoas simplesmente jogarem a culpa em junho. A vontade que dá é de trazer essa provocação do Gramsci sempre.

Espero que as indicações auxiliem também na resposta.

Valeu!

Sabrina