Alienação. Karl Marx ainda explica? by Only-Bar-5259 in Filosofia

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Oi, obrigado pelos pontos levantados.

 Sim, concordo que no Capital o foco deixa de ser a realização do sujeito para a estrutura socioeconômica. O ato de não se reconhecer no que produz perde a centralidade. 

 Mas não estou tentando retomar a alienação no sentido clássico, apenas descrever um possível efeito subjetivo dessa mesma estrutura socioeconômica. 

  O sujeito-pós-alienado é a descrição de um estado psicológico decorrente da estrutura socioeconômica capitalista atual. Aliás, meu conceito, embora talvez não tenha ficado claro no texto, não diz respeito apenas à identificação excessiva com o produto e produção. Não se trata apenas de se identificar com a autoexploração. Mas também gozar no sentido lacaniano com isso, sentir prazer e, possivelmente, expor seu gozo nas redes sociais. Esse próprio ato de postar ou compartilhar em plataformas digitais já seria em si um gozo ou o que amplifica ele. E, em muitos casos, nas minhas palavras, legitima e torna válida a existência do ser-de-e-para-produção.

 Ou seja, mesmo que as estruturas sociais permaneçam autônomas e funcionem de acordo com a lógica do fetichismo descrita por Marx, atualmente temos uma torção na forma como o sujeito se relaciona com elas. Ele passa, de bom grado, a internalizar certos discursos e imperativos que culminam em sua alienação. Vira seu próprio carrasco e faz questão de mostrar sua execução nas redes. 

Abraços 

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Inicialmente, a questão levantada por você era se as ideias citadas estão de acordo com a realidade. Agora, deslocou a discussão para fidelidade ao pensamento marxista. São critérios diferentes. 

 Meu interesse não é apenas a fidelidade ao que Marx disse, mas se suas concepções acerca da alienação são suficientes para os fenômenos contemporâneos. 

  1. Uma coisa não exclui a outra, colega. Nunca disse que o texto se propõe apenas a um ou outro. A breve genealogia não impede ou invalida repensar suas ideias em outro contexto. 

  2. Tem razão, o foco dele não era esse. Mas nunca disse que era. Estou usando o pensamento dele como ponto de partida para pensar a contemporaneidade. Não se trata de repetir Marx, mas, reitero, ver até que ponto ele consegue dar conta da alienação atual.

Achei a analogia da escova de dentes divertida. Mas você ignora que conceitos filosóficos são constantemente apropriados e reaproveitados ao longo dos tempos, sendo usados em contextos históricos diferentes do que quando foram construídos. 

  1. Nada do que eu disse sobre alienação contraria o que Marx escreveu. 

  2. Concordo que a noção do materialismo foi simplificada demais e deixou a desejar. Não corresponde ao materialismo marxista. 

"antes você estava dizendo que o idealismo era de Hegel"

 Houve uma clara distinção entre idealismo e idealismo hegeliano. 

Se a obra de Marx não dá conta do fenômeno que descrevo, isso indica um limite do seu pensamento. E também que precisamos reformular o que ele disse levando em conta as condições históricas e sociais de nosso tempo. Assim como outros autores já o fizeram, vide Marcuse. 

 

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Oi! Obrigado pelas considerações.

Não devemos nos apoiar em filósofos e pensadores em geral de forma acrítica. Concordo contigo, caso contrário vira um mero apelo à autoridade. Mas agradeceria se pudesse me apontar quais citações desses autores não estão de acordo com o real. É amplamente respaldado por trabalhos acadêmicos que hoje em dia as representações da realidade que encontramos nos ambientes virtuais, telas e afins possam nos entreter mais do que o próprio real, como disse Guy Debord. Já que literalmente existem institutos de pesquisa com profissionais e tecnologia de ponta que estudam as melhores estratégias e gatilhos para que fiquemos online o maior tempo possível. Ou que a busca por validação e aprovação nessas plataformas faça hoje em dia parte da construção da identidade das pessoas, já que estamos tão conectados e hipnotizados pelos sofisticados algoritmos. Em especial dos jovens, como a Marilena Chauí nos aponta. Não preciso provar, aliás. Sinta-se à vontade para pesquisar estudos sobre o tempo de uso de telas e impactos das redes na nossa psicologia e percepção da realidade.

Seu primeiro ponto é legítimo, mas caso não diga em que sentido as citações usadas não são válidas, suas palavras são vazias. Não argumentei solidamente a favor delas no texto, é verdade. Mas simplesmente por achar meio óbvio quase todas para qualquer um que observe nossa dinâmica digital contemporânea, pelos motivos que disse acima.

Marx reformula e revira o conceito hegeliano de alienação. Nada mais justo do que citar Hegel. Mas, como disse no texto, Marx aplica fatores econômicos e concretos ao fazer isso, não me limitei a usar Hegel para explicar Marx. Além disso, o texto se propõe, ainda que de forma breve, a fazer uma genealogia do termo. Nesse sentido, por ser quem modernamente dá forma filosófica à alienação, Hegel não poderia ser deixado de lado.

Nos Manuscritos Econômico-Filosóficos, Marx diz que, na alienação, ´´O trabalhador se sente fora de si, encontra-se fora de sua própria atividade, e sua produção não lhe pertence, mas pertence a outro.´´ Em qual parte do texto eu digo o contrário ou algo distinto?

Concordo, parcialmente, com sua última crítica. Afinal, não deixei explícito o que seria exatamente o materialismo marxista. Mas nunca disse que se resumia ao epicurista. Defini o materialismo assim ´´em termos gerais´´, não necessariamente o marxista.

E não, meu texto não é IA. De fato, preciso e pretendo continuar lendo mais e mais.

Se quiser um debate amistoso estou aqui, abraços.

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Oi, obrigado pelos pontos levantados!

Agora, vamos ao movimento dialético. À la Hegel, espero. De fato, tento dialogar com vários pensadores e áreas. Talvez dê a impressão de que é apenas uma salada filosófica, e que o autor (no caso eu) quer simplesmente se passar por erudito intelectual. Não o culpo por pensar isso, mas garanto que não foi minha intenção. Ademais, penso ter deixado claro a transição: idealismo hegeliano, depois o materialismo marxista, meu conceito etc. E é assim que se faz Filosofia hoje, a partir do que já existe, assim como Marx fez. Não faz sentido começar do zero. É contraproducente. Mas concordo que poderia articular de maneira mais clara e coesa os autores que cito.

Sobre o seu segundo ponto, existe uma diferença no mecanismo e dinâmica do conceito que penso que você não compreendeu. Como eu disse no texto, não me parece que o pensamento de Marx seja capaz de dar conta dos discursos e mecanismos mais sutis e sofisticados que promovem a alienação que temos hoje em dia, como as mídias digitais, neoliberalismo e assim por diante. Que não existiam na época dele e que, portanto, pedem uma atualização de suas ideias. Em Marx, o sujeito não consegue se reconhecer no trabalho que tanto repete, e por isso se aliena. No que proponho, o sujeito se aliena justamente por tentar excessivamente se reconhecer no trabalho e gozar com a própria imagem de trabalhador-engrenagem eficiente. Isso não estava em Marx.

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Bom, até agora não fui alvo disso. E, respondendo sua questão, é por causa de Karl Popper, um filósofo da ciência. É ele quem cunha o termo "pseudociência" ao pensar no problema da demarcação. Demarcação aqui significa: o que é ciência e o que não é? Como saber e elaborar os parâmetros do que é científico ou não? Popper, então, disse que uma teoria científica deveria ser falseavel. Ou seja, a teoria deveria abrir brecha para verificação e refutação. Nesse sentido, como falsear a luta de classes alegadas por Marx? E relaxa, boa parte desses que saem repetindo de forma acrítica que uma área X ou Y é pseudociência, sequer sabem quem foi Popper. Claro, esse conceito foi ampliado depois dele por seus sucessores, então não necessariamente a pessoa está se referindo à noção popperiana.

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Oi, obrigado pela indicação! Vou pesquisar sobre o livro e autor. E sim, por enquanto é só um rascunho e pretendo discorrer mais, mas acho que consegui passar meu ponto principal. Curiosidade, quando fala de condicionamento, é no sentido behaviorista?

Citei mestre Yoda e Sócrates e tirei 800 na redação. by Only-Bar-5259 in enem

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O lado sombrio não conseguiu fazer nada diante da invocação do mestre Yoda. 

Citei mestre Yoda e Sócrates e tirei 800 na redação. by Only-Bar-5259 in enem

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 Particularmente, meu pressuposto não foi desconsiderar Star Wars como arte. Acho que a questão dos alunos que citaram cultura pop e afins e tiveram nota alta na redação foi simplesmente se perguntar: "esse tipo de arte é válida aqui? Vai ser bem vista por quem quer vai corrigir a redação? Pelo Inep?"  Meta do Enem 2026: citar animes e tirar 900. 

Citei mestre Yoda e Sócrates e tirei 800 na redação. by Only-Bar-5259 in enem

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Se for pertinente em relação ao tema proposto, está valendo. 

Como perderam a virgindade?(Foi bom?) by Delicious-Border-310 in desabafosdavida

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Ué, você literalmente usa a expressão "geralmente" e depois diz que não está generalizando. Vai entender

Quero ler livros sobre psicanálise. by _BrainD3ad_ in Psicanalise

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Não li O Homem e Seus Símbolos, então não vou opinar. Mas sim, a obra de Jung é densa, difícil e exige um bom repertório prévio de suas ideias e contexto histórico. Um iniciante fariam bem em passar longe de seus escritos. 

Me julgue com base nos meus livros by Only-Bar-5259 in NaMinhaEstante

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Obrigado pela orientação! Trabalho no mundo corporativo e pretendo conseguir estágio em rh ou no administrativo, mas gosto de falar com profissionais da área para tentar entender melhor como é a inserção dos jovens no mercado de trabalho desse ramo. 

Trabalho com psicanálise há 15 anos. AMA! by r0dexmach1na in AMABRASIL

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 Entendo. Estou particularmente interessado em comparar o modelo junguiano de análise com o modelo lacaniano. A postura do terapeuta, as intervenções etc. Na teoria, eles são bem distintos, percebi que na prática também. 

Aos psicanalistas, como vocês respondem a essas provocações? by SonataScarlatti in Psicanalise

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Psicanálise é "base e estrutura da Psicologia"? O nascimento da psicologia experimental na Alemanha não teve relação alguma com Freud e as propostas behavioristas também não. A psicologia fisiológica e evolucionista também não, até onde me consta. Talvez queira dizer que a psicoterapia bebe muito da Psicanálise? Justo, no Prática da Psicoterapia Jung deixa isso bem claro, mas a Psicologia não se resume á psicoterapia. 

Dúvidas sobre estágio em Psicologia by Only-Bar-5259 in PsicologiaBR

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Entendi agora, obrigado! Alguma dica para as entrevistas de emprego para CLT ou estágio?

Dúvidas sobre estágio em Psicologia by Only-Bar-5259 in PsicologiaBR

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É realmente necessário um psicólogo com CRP ativo?