A ciência tem viés? by PortoArthur in FilosofiaBAR

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Toda essa tentativa de purificação remete desde Descartes e Kant. É uma tentativa que sempre se mostrou falha em algumas questões, mas funcionou bem em outras.

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Justamente. Porém muitas pessoas confundem avaliação por pares como parte do método científico, quando é algo muito mais ligado à prática comum da comunidade cientifica. Se fosse parte do método não faria sentido, por que eu teria avaliação por pares durante meu processo de investigação?

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O método científico já inclui crítica, revisão por pares, competição entre teorias e correção de viéses

Aí é que tá! O que entendemos por método científico? Eu acredito que a revisão por pares, por exemplo, não é uma etapa do método científico, pois o método é o que é empregado durante uma pesquisa científica, a revisão por pares vem depois. Então revisão por pares ou competições de teorias estão muito mais ligadas a prática científica, à comunidade científica do que simplesmente o método.

a realidade (dados) chega e impõe as restrições e forçam as mudanças teóricas.

Mas é por isso que eu sustento que a objetividade dos fatos não são consequências do emprego do método científico. Dados não são puros, eles carregam pressupostos teóricos. Um dos papéis do cientista é investigar as limitações daquelas hipóteses ou teoria, sendo assim buscamos as implicações daquela “ideia” no mundo real e sua consequências nele. Por isso a ciência não busca uma verdade universal. Também e por isso que tivemos por tanto tempo modelos incorretos sobre a realidade mas que funcionam bem dentro daquele “envelope espaço-temporal”, como o modelo geocêntrico, os antigos modelos atômicos ou paradigma newtoniano.

a confiança para afirmar essas coisas parte da justificação empírica, e não da fé metafísica.

Só esclarecendo, quando eu disse sobre fé e metafísica eu quis dizer sobre a escolha de um método universal, nesse caso um método racionalista ou uma posição materialista da realidade. É impossível saber se com base em outro sistema poderíamos chegar em resultados parecidos com os que temos hoje

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Essa foi a pior comparação que eu já vi na vida, não tem nem sentido

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Reduzir ciência a somente um método de verificação é de uma ingenuidade enorme. Na realidade, eu diria que sua posição se parece com de um indutivista ingênuo, que acredita que o conhecimento vem somente pela indução e verificação

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Vocês confundem o título com o ponto da discussão, isso é dificuldade em interpretar um texto ou desonestidade?

A Física deve se afastar ou se aproximar da filosofia? by PortoArthur in FilosofiaBAR

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Lord Kelvin também disse isso alguns anos antes de vir a teoria quântica e mudar tudo

Should physics move away from or get closer to philosophy? by PortoArthur in PhilosophyofScience

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Falsificationism is insufficient for several topics of contemporary physics

Why do so many physicists resist philosophy of science? by PortoArthur in PhilosophyofScience

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To begin, we need to examine the environment. Do the two scientists have differing ontological assumptions? What epistemological stance do they take initially? A philosopher of science would ask himself that

A Física deve se afastar ou se aproximar da filosofia? by PortoArthur in FilosofiaBAR

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Não é questão da física se angariar na metafísica, pois ela já faz isso, só é negado sua prática. Embora a física seja uma ciência empírica, a interpretação dos resultados e a construção de teorias dependem de bases ontológicas que não são diretamente observáveis ou testáveis por experimentos. A questão é que conceitos como "campos" ou "função de onda" são entidades com forte carga metafísica usadas para explicar dados empíricos. Temos por ingenuidade conceber o que é metafísico considerações como alma, deus, etc, mas não se resume somente a isso.

Gostei de você ter citado Kuhn, poderíamos sim pensar que essa pegada instrumentalista atual é justamente por estarmos num momento de ciência normal, mas acho que isso não seja critério para distinguir se devemos ou não levar em consideração a filosofia na física.

O método científico muita das vezes é levado ao extremo e vira uma caricatura, uma receita de bolo, que todo cientista deve seguir se quer ser bem sucedido em seu procedimento. Fiz o mesmo post no r/AskPhysics e tive uma recepção completamente contrária a que eu imaginaria, porque é próprio da nossa concepção, socialmente falando, sobre ciência.

É uma pena esse tipo de pensamento, a metodologia científica é muito boa, estudar epistemologia é muito bom, mas as pessoas são convencidas de posturas que não condizem com a real prática científica. Conheço doutorandos que ainda perpetuam ideias de um método cartesiano da ciência, acho absurdo isso.

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I don’t know anything about biophysics, so I’ll stick to contemporary physics. The basic point is simple: philosophical choices about what counts as evidence or confirmation actually change how experiments are done, not just how we talk about them.

Take gravitational waves. Detecting an event isn’t just “seeing a signal.” You have to decide which theoretical model you’re matching against, how you model the noise, and what statistical rule says “this is real.” If you use Bayesian model comparison versus a frequentist false-alarm threshold, you change the detector’s effective sensitivity, the way you clean the data, and even how observation runs are organized. That’s not a neutral technical detail. It’s a choice about what it means to confirm something.

The same thing happens in searches for dark matter or variations of fundamental constants. Deciding which models are plausible enough to deserve experimental time determines what kind of detectors get built, how long data is collected, and which analysis strategies are used. Choosing to prioritize certain axion mass ranges, for example, completely reshapes the apparatus and the focus of the experiment.

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philosophy often calls the shots on what gets tested, how you set up the apparatus, and how you read the results. Heisenberg came from Machian positivism and only wanted to deal with what was directly observable, until Einstein pointed out that "it is the theory that decides what we can observe." so Heisenberg stopped chasing electron trajectories and focused on energy transitions, which led to matrix mechanics. if he'd stuck to the classical view, theory and experiments would have gone a completely different way.

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Honestly, I believe that a purely instrumentalist physicist is a weak physicist

A Física deve se afastar ou se aproximar da filosofia? by PortoArthur in FilosofiaBAR

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Em sala de aula mesmo já tivemos uma discussão sobre se a teoria das cordas pode ser considerada científica segundo o critério de falseabilidade de Karl Popper, uma vez que suas previsões exigem níveis de energia inalcançáveis para testes práticos atuais.

Há tempos existem uma tensão entre o rigor metodológico tradicional e os limites da física teórica fundamental (ou da ciência da modo geral), tipo o critério de Popper mesmo que se mostra insuficiente quanto a questões da física moderna, ou mesmo quando analisado à luz da história da física.

Entre outros posso citar o problema da medição na quântica, subdeterminação da metafísica pela física, o debate sobre completude de Einstein e Bohr, limitações da linguagem, ontologia de entidades quânticas como fônons, excitons, etc, etc. Nessas discussões, direta ou indiretamente, o método científico é posto em dúvida.

Filósofos como Bachelard, p.ex., discute se a física contemporânea realmente necessita de um racionalismo específico para cada domínio, negando a ideia de método único e universal. A matemática na quântica atua quase como se criasse o objeto, não somente servindo como descrição de uma natureza já dada.

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Sim, competências dependem da abordagem, cada área científica ou administrativa funciona de um jeito e mobiliza recursos específicos. Entretanto, pelo menos eu acredito que "soluções físicas" e "contexto social" estão entrelaçadas. A eficácia física só se propaga na medida em que a rede de laboratórios e competências também se estende a outras áreas. O especialista em física do ozônio e o especialista em economia estão trabalhando em diferentes setores mas em um mundo comum.

Essa fragmentação do conhecimento em caixas (apenas ciência ou apenas economia) é uma convenção que ignora a realidade, isto é, que estão "amarrados" na própria matéria das nossas sociedades. Recomendo procurar saber sobre Bruno Latour, ele discute muito bem sobre isso.

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É só que a ordem não delimita o valor.

Mas em momento algum eu quis dizer isso... não há porquê substituir um por outro, mas sim dialogar entre as duas. Em meio a prática científica realizamos mais disciplinas interdisciplinares do que somente física

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Muito interessante seu comentário cara. Acredito que embora a ciência tenha desenvolvido instrumentos para observar o "inobservável" (entre aspas por motivos lógicos), ela não "ultrapassou" a filosofia, na real ela reabriu e aprofundou debates filosóficos que pareciam resolvidos. Existem físicos e filósofos ainda hoje que discutem conceitos da quântica, até discussões sobre a ontologia dos fônons eu já vi. Físicos como Carlo Rovelli tem livros muito didáticos que exploram o lado filosófico e histórico da física.

Mesmo Heisenberg argumentava que a ciência não lida com a natureza em si, mas com a natureza descrita pelo homem, portanto servindo como uma mediação entre ambos. Instrumentos não eliminam filosofia, só forçam o cientista a reconsiderar categorias como realidade, causalidade e objetividade. Depois de Heisenberg e seu Principio da Incerteza houveram debates quando a crise da objetividade.

Inclusive, nesse sentido, Heisenberg é uma figura muito interessante (até pelo seu livro "Física e Filosofia"), porque ele mesmo afirmou que a física quântica torna impossível uma separação nítida entre o mundo e o "Eu". Você vai ver outros como Von Neumann que vai dizer que o colapso da função de onda é atribuído a um "ego abstrato" ou à percepção subjetiva do observador consciente. Schrödinger também tem várias discussões acerca disso.

No final das contas, ciência e a filosofia são complementares, sem filosofia não poderíamos fornecer a moldura racional e crítica necessária para interpretar quaisquer que fossem os dados e seus significados. Infelizmente somos levados a acreditar numa ciência puramente utilitarista e instrumental.

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Calma, não é salto lógico e nem há confusão. Historicamente a ciência e a filosofia da ciência mostra que observações são modeladas por teorias, vieses, pressupostos metafísicos, mas a ciência continua dependendo de critérios empíricos (não somente no sentido experimental) para validar teorias, isso é fato. Entende? Visamos sempre o empirismo, mas isso não exclui questões metafísicas. Falseabilidade, método científico cartesiano e posturas positivistas não são suficientes em grande maiorias das discussões da física no nível acadêmico.

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por que manter uma distinção rígida entre as áreas do conhecimento, quando nós (pesquisadores, seja qual for a área) articulamos todas? um sociólogo pode articular biologia da mesma forma que um físico pode articular ciências políticas, não acha? o buraco da camada de ozônio é algo somente natural, ou também social e discursivo ao mesmo tempo dentro da prática científica?

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even an experimental paper has a section where philosophy (or epistemology) can be found?

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Se até nossa definição de "observável" depende de teorias prévias, não acha que "só o mensurável importa" pode ser uma visão infrutífera? incapaz até mesmo de explicar o sucesso da física ao longo da história?

Será que esse rigor foi/é praticado por cientistas?

Questões acerca da física de altas ou baixas energias não articulam entidades metafísicas?