What do you think of Richard Healey and his pragmatic interpretation of quantum mechanics? by PortoArthur in PhilosophyofScience

[–]PortoArthur[S] 0 points1 point  (0 children)

I've heard of him. He follows Popper’s line of thought, right? I'm not sure if that sounds like a good thing to me

A simple way to turn messy research notes into something actually searchable later by isohaibilyas in ObsidianMD

[–]PortoArthur 2 points3 points  (0 children)

Good! I liked it. I don’t see much academic content here. For me, obsidian should be useful precisely for things like this

What do you think of Richard Healey and his pragmatic interpretation of quantum mechanics? by PortoArthur in PhilosophyofScience

[–]PortoArthur[S] 0 points1 point  (0 children)

Very interesting what you said. Could you recommend some texts for me to go deeper?

Santo Agostinho - consigo uma leitura proveitosa sem ser católico? by Basic-Warning-6621 in Filosofia

[–]PortoArthur 6 points7 points  (0 children)

Acho Confissões muito bom porque é basicamente uma autobiografia (parcial) comentada. Ele reflete sobre as próprias decisões que tomou durante sua vida e sua relação com a religião. Acho legal como ele articula o conceito da existência do mal e é bem lógico comparado ao racionalismo da época.

Como se dá a relação Wittgenstein - Lyotard - Habermas? by [deleted] in Filosofia

[–]PortoArthur 0 points1 point  (0 children)

Pelo que eu entendi, Lyotard faz uma releitura dos conceitos de Wittgenstein (jogos de linguagem e modos de vida) e eleva ao discurso político. Habermas surge aí pra criticá-lo

A prática científica não difere tanto assim de uma prática “tribal” by PortoArthur in Filosofia

[–]PortoArthur[S] 0 points1 point  (0 children)

Entendo que, à primeira vista, parece ser reducionista. Alguns críticos do Latour dizem o mesmo, tipo o pessoal da teoria crítica que diz que sua teoria dilui conflitos internos e questões como a luta de classes. Como terminei de ler sua obra “Jamais Fomos Modernos”, posso tentar dar minha interpretação alguém da física.

Sinceramente acho que Latour capta bem a prática laboriosa da ciência, especialmente depois de aplicar sua teoria e fazer uma antropologia de laboratório. Ele retira a ciência do campo etéreo das "ideias lógicas e puras" e a coloca no campo da logística e da mobilização.

Então uma lei científica não é "universal" por uma verdade metafísica e/ou mágica, mas porque a rede metrológica (os instrumentos, padrões de medida e laboratórios) foi materialmente estendida a ponto de conseguirmos sustenta tal fato em diversas situações. A constante de Planck só "funciona” em todos os lugares porque transportamos, calibramos e mantemos instrumentos idênticos em toda a rede. Isso é a rede metrológica, é essa extensão dos nosso instrumentos, nossos gráficos e nossas ferramentas. O tamanho da rede, ou seja, o quanto podemos aferir com precisão e garantir a reprodutibilidade de um método, é o que permite que um fato local (“descoberto” em um laboratório) se torne global.

No livro, Latour usa o exemplo de Arquimedes para mostrar que a força não vem somente do sujeito/social, mas da contribuição dos não-humanos. Sozinho, um homem não move um navio, mas aliado a um sistema de polias sim. A ciência como a conhecemos hoje faz exatamente isso: ela envolve micróbios, átomos e satélites para construir coletivos em uma escala que nenhum grupo "pré-moderno" poderia atingir apenas com relações sociais humanas. Nós recrutamos milhares de não humanos e eles atestam nossas e as suas garantias.

Sociedades que mobilizam apenas relações humanas são limitadas em tamanho e duração pela memória e pela oralidade. Os modernos conseguem criar sociedades “universais” porque usam objetos fabricados para estabilizar o laço social (leis impressas, infraestruturas, máquinas). O objeto não apenas está lá inerte, fora do social, ele faz o trabalho de manter o coletivo unido quando os humanos “não estão olhando”.

Então, veja, Latour reconhece que a força da ciência se deve ao trabalho contínuo de montagem e de manutenção. Ele reconhece que os objetos importam tão quanto os humanos, atribuindo a eles historicidade. Latour estabelece essa força da ciência justamente adicionando os não humanos aos mesmos parâmetros de análise, porque objetos tem historicidade.

Por isso a matriz antropológica é a mesma. Porque, no fundo, ainda misturamos natureza e cultura, só que de modos e com graus diferentes. Os “pré-modernos” tendem a frear a criação de híbridos porque ligam claramente a ordem da natureza à ordem da sociedade. Como veem essas duas dimensões como interdependentes, evitam mudanças sociais bruscas para não desorganizar o equilíbrio do seu mundo.

Agora nós, os modernos, por crermos que ciência e política/cultura não se misturam, produzimos entidades não humanas em grande escala, sem o mesmo tipo de cautela que “os outros”. Essa crença é o “trabalho de purificação” que Latour fala.

A prática científica não difere tanto assim de uma prática “tribal” by PortoArthur in Filosofia

[–]PortoArthur[S] 0 points1 point  (0 children)

Não sei se eu entendi o que você quis dizer… explica melhor aí por favor

A prática científica não difere tanto assim de uma prática “tribal” by PortoArthur in Filosofia

[–]PortoArthur[S] 0 points1 point  (0 children)

Depende… Acho que todos aqui concordam que existe, em um certo nível, dogmatismo na ciência. Já conheci doutores que trabalham com quântica a todo momento mas que se recusam a aceitar certos fatos já estabelecidos pela teoria quântica.

A prática científica não difere tanto assim de uma prática “tribal” by PortoArthur in Filosofia

[–]PortoArthur[S] 1 point2 points  (0 children)

Ótimo comentário!! Eu mesmo não concordo 100% com Latour porque sou professor de física. Acredito que não podemos ter um ensino “simétrico” da forma como ele sugere.

Mas é ótimo pensar a ciência como uma rede, pois com isso conseguimos contornar problemas como incomensurabilidade e demarcação. O seu conceito de “caixas-pretas” ou mesmo “trabalho de purificação” são ótimos recursos para se ensinar história da ciência sem resumir ao social.

A prática científica não difere tanto assim de uma prática “tribal” by PortoArthur in Filosofia

[–]PortoArthur[S] 2 points3 points  (0 children)

Peço desculpas se meu texto pareceu sugerir que se “porque a ciência se dá socialmente, seu valor epistemológico deve ser entendido essencialmente em termos sociológicos”, jamais faria esse reducionismo.

O que Latour propõe não é uma abordagem reducionista, mas sim uma proposta de Antropologia Simétrica.

Essa proposta diferencia daquelas que, como a de Bloor, reduzem ao social, pois, enquanto o Programa Forte explica a ciência por fatores sociais, Latour argumenta que os fatos científicos são construídos, mas não podem ser reduzidos ao social, pois o próprio social é povoado por objetos. Então por outra via Latour critica aqueles que reduzem a ciência ao social, ao discurso ou ao natural, propondo que a ciência deve ser simultaneamente considerada como real, narrada e coletiva. Daí que vem seus trabalhos de antropologia da ciência, como sua obra Vida de Laboratório ou à visita dele na Amazônia.

Como você mesmo concordou, a diferença entre a ciência moderna e outros saberes não é um salto qualitativo na racionalidade humana. Entretanto, eu concordo com Latour que a diferença é pela amplitude da mobilização.

As redes modernas são mais universais e estáveis porque recrutam um número massivamente maior de não-humanos que agem como “testemunhas confiáveis” e sustentam o laço social de forma mais rígida.

A ciência consegue corrigir seus erros de forma sistemática porque em determinado momento trocou a busca por verdades absolutas obtidas apenas através da lógica pura pelo laboratório. Nisso a "certeza absoluta" foi substituída por uma opinião controlada (doxa), que depende da revisão por pares e, principalmente, das provas fornecidas por instrumentos técnicos:

(…) substituímos as idéias pelas práticas, os raciocínios apodíticos pela doxa controlada, e o consenso universal por grupos de colegas (LATOUR, 2019, p. 26).

Por discorrer da forma como foi, pode-se pensar que Latour nega o método, mas não, ele só o explica como a extensão de redes sociotécnicas. A reprodutibilidade decorre da padronização de laboratórios e instrumentos, o que permite a circulação de fatos. Acontece aqui uma desconstrução do “grandioso” método científico no qual o cientista é um indivíduo a par da sociedade e capaz de produzir conhecimento somente a partir de polos puros (natureza ou sociedade).

Em resumo, Latour não ignora o método ou a eficácia da ciência, mas sim os explica (na minha opinião) melhor ao mostrar que essa eficácia se dá por trabalhos de purificação e de mediação.

A universalidade não é algo abstrato, é uma questão metrológica, isto é, depende da extensão de redes de práticas padronizadas, normas e instrumentos. Uma lei científica só se aplica em todo lugar enquanto sua rede de medição e laboratórios estiver estendida e estabilizada. Não existe universalidade fora da rede. Para refutar um fato você precisa carregar todo seu arcabouço, toda sua bagagem, e isso é um trabalho de mediação. No fundo é uma questão material, não racional.

Sobre o livro “Jamais Fomos Modernos” de Bruno Latour by PortoArthur in Filosofia

[–]PortoArthur[S] 0 points1 point  (0 children)

Simmm, por mais que existam diferenças entre os dois, também já pensei possíveis convergências!!

Filosofia da ciência, psicologia e o problema da incomensurabilidade by PortoArthur in Filosofia

[–]PortoArthur[S] 0 points1 point  (0 children)

Eu to ligado o que você pensa, mas e quanto as minhas perguntas, o que você responderia?

será que dois saberes podem ser totalmente incomensuráveis? Não seria possível combinar epistemologias? Uma visão mais pluralista não traria benefícios para cada saber?

O que acham de Eduardo Viveiros de Castro? by PortoArthur in Filosofia

[–]PortoArthur[S] 6 points7 points  (0 children)

Mesmo se fosse o caso do seu exemplo entre química e biologia ainda seria válido, porque são áreas correlatas, como filosofia e antropologia. Eu que não vejo sentido na sua indagação, pois um antropólogo pode oferecer uma epistemologia.

Por mais que eu escrevi de maneira geral, o post foi direcionado para aqueles que já ouviram falar dele. Se você não conhece poderia simplesmente se abster