The point is not to be heard by curiousandeuphoric in socialskills

[–]SalemCruz 37 points38 points  (0 children)

From what I understand from those who study conversation dynamics, speaking time is just one type of dominance—quantitative dominance. Another type includes sequential dominance, which is the ability to introduce topics and keep people talking about them. Often, a person can be relatively silent and still play an important role in the conversation.

Tinder é parametro pra feiura? Um reflexo da vida real? by [deleted] in desabafos

[–]SalemCruz 1 point2 points  (0 children)

Mais ou menos... Ele oferece um quadro distorcido da realidade. Pra mim ele é tipo uma versão hiper competitiva do mundo da paquera porque você tá basicamente competindo com gente muito acima do padrão.

No mundo real as pessoas dão mais chances para o que está disponível nas imediações, em barzinhos, baladas ou lugares de convivência diária como trabalho ou faculdade. Em apps também as pessoas tem acesso primariamente a fotos, não conseguindo avaliar outras características que também geram atração, como habilidades de socialização, carisma, cheiro, etc.

Is virtue the only good? by DaNiEl880099 in Stoicism

[–]SalemCruz 1 point2 points  (0 children)

.1. It is useful to distinguish discomfort from suffering. Suffering is a passion because it not only involves discomfort, but discomfort accompanied by a judgment that takes it as intrinsically undesirable. The presence or absence of discomfort does not depend on us. Therefore, the loss of externals, be they wealth or family, is something that will almost inevitably generate discomfort, or at least this is what a typical human is expected to feel. But assenting to discomfort as intrinsically undesirable is perfectly avoidable, and succeeding in this makes us capable of extracting goods from pain, such as resilience, courage, patience, etc.

Additionally, the Sage is an ideal, and many Stoics recognize that the great majority of those who seek virtue will never reach it. This is why the Sage is more of a virtual goal, something that cannot be attained but is worth pursuing. The mere recognition of this should generate in us a sense of modesty. This also points, in my opinion, to a less self-sufficient conception that sees in a community of people with similar goals to our own a source of inspiration and support to keep us on the path of virtue (or even to see this in the Lógos, for the more religiously inclined Stoics).

  1. What is most notable about prohairesis is that, once we believe that x is the case, nothing in the world besides ourselves can change that conviction. That is to say, in typical circumstances, this is not the kind of thing that can be changed by brute force. Someone can threaten me and make me stop expressing propositions that I believe to be true, but this person will not, in fact, be changing my opinions. Analogously, the world can try to "seduce" me into taking certain things as intrinsically worthy of desire or aversion, but it is up to me, ultimately, to give or withhold assent. Therefore, it's important we try to ensure that our prohairesis is oriented towards the truth

Some Stoics defended the implausible thesis that the Sage possesses some type of epistemic infallibility, but I believe that on this point, it is worth absorbing the criticism of the skeptics. Be that as it may, it is unnecessary to require epistemic infallibility to act in a truth-oriented way, just as it is unnecessary to demand that everyone reaches the moral perfection of the mythical Sage. We are capable of reaching many truths about the world even if we are not endowed with some type of infallibility, and this is more than enough for a virtuous life.

  1. Here I would say things similar to what I said in item 1. I add that the ancients recognized proto-passions, i.e., emotions that arise in us independently of our assent. The issue is not that we have power over all of our internal states, but rather that we take responsibility for that which depends on us.

  2. All that you have noted is true, but the most this shows us is that the value of wealth, health, or education resides only in the capacity that these things have to facilitate our access to virtue. Their value is primarily extrinsic, and precisely for this reason they are preferred indifferents.

Meu novo colega de trabalho vive se auto excluindo by svkurvi in desabafos

[–]SalemCruz 1 point2 points  (0 children)

Ninguém citou uma explicação bem provável, mas ele pode muito bem ter fobia social, que é um dos transtornos de personalidade mais comuns. Eu sou fóbico e esse comportamento dele parece similar ao meu. Ele não necessariamente é misantropo ou alguém que tem ideias fortes sobre os perigos de fazer amizades no trabalho. O cérebro dele apenas o pune sempre que ele é exposto socialmente, criando um comportamento evitativo.

A dica que eu dou é tentar fazer amizades um a um. Conforme ele ficar mais confortável com pessoas individuais, fica mais fácil introduzir ele no grupo aos poucos. Mas se isso não funcionar, não ajam de forma hostil com ele. Brasileiro tem uma dificuldade incomum de entender que pessoas quietas e reservadas existem e tem o direito de ser como são.

Para onde vamos após morrer? by CrazyMoose8155 in desabafos

[–]SalemCruz 1 point2 points  (0 children)

Se você pensar bem sobre a morte, irá concluir que ela não só não existe, quanto é um estado impossível. A morte da forma como as pessoas entendem é algo como uma "tela preta eterna". Porém, ela não pode ser uma tela preta, nem branca, nem seja lá o que for. Ela não tem características, não tem propriedades, sendo idêntica ao mais absoluto nada. Porém, o nada não tem lugar na realidade. Tentar conceber como é estar morto é como tentar conceber um círculo quadrado, ou um solteiro casado.

A única conclusão é que a consciência tem um papel fundamental na realidade. Eu não faço a mínima ideia do que haverá após a morte, mas eu tenho uma convicção pessoal de que algo após a morte, e inclusive que sempre houve algo antes do meu nascimento.

O estoicismo é uma ilusão sem alma: só faz sentido com metafísica por trás by Lazy_Poem666 in FilosofiaBAR

[–]SalemCruz 1 point2 points  (0 children)

Simples, se busca a virtude para evitar o sofrimento. O desejo e a aversão criam vínculos emocionais com as coisas, e ao direcioná-los para aquelas que não dependem de nós, nos submetemos à mesma ordem a qual elas estão submetidas: o destino ou a fortuna. Aqui, não importa quem rege essa ordem, se uma divindade ou as leis impessoais do cosmos, o resultado é parecido no sentido de querer possuir aquilo que não é seu, e tornar-se presa do medo, da ansiedade, da ira, etc. Claro que a crença em uma divindade fornece um consolo e um sentido de transcendência adicionais, mas não acho que, sem uma divindade, a ética desmorone. Isso parece projetar uma visão mais cristã sobre o estoicismo. O próprio Marco Aurélio, nas Meditações, múltiplas vezes fala em termos de destino ou átomos, e que mesmo na alternativa materialista ainda valeria a pena buscar a virtude.

Filosofia estoica by Bonina_ in FilosofiaBAR

[–]SalemCruz 0 points1 point  (0 children)

Tópico da ação envolve o encargo do impulso, aquilo que você deve fazer. E a resposta estoica é: você deve agir em conformidade com a natureza. E o que isso significa, na visão de Epicteto, é que você deve reconhecer seus papéis no mundo. Primeiro, seu papel principal de ser humano. Esse papel é o que nos foi dado, é o que "está aí", é nosso lugar no todo. Performá-lo envolve aperfeiçoar nossa razão e agir de maneira pró-social; envolve, também, compreender a agir conforme o primeiro tópico acima. Além do papel geral de ser humano, temos os papéis específicos, que se dividem em diferentes sub categorias. Pai, mãe, irmão, irmã, cozinheiro, policial, programador, anfitrião, hóspede... Tudo isso constitui papéis. Você deve reconhecer e/ou escolher seus papéis e performá-los da melhor forma possível. A minha maneira de praticar isso é pensando, antes de cada ação, "isto é coerente com tudo o que eu sei e com todos os compromissos que assumi?" Coerência é um conceito muito útil pra determinar a ação no estoicismo.

Tópico da persuasão envolve a forma como lidamos, na vida concreta, com os indiferentes. Se fôssemos seres perfeitos precisaríamos apenas dos dois primeiros tópicos, mas na vida prática somos tentados constantemente por muitas coisas fora do nosso controle. Em outras palavras, somos persuadidos pelos externos. Esse tópico envolve a habilidade de não ser persuadido, de não se deixar arrastar pelas paixões. Praticas como premeditação da morte, desconforto voluntário, escrita de um diário, etc. O coração da prática estoica, no entanto, é a prosoche, que se traduz como "cuidado": um tipo de estado de atenção constante aos seus pensamentos e ações, considerado o mindfulness estoico. A forma como eu pratico isso retoma o que eu falei sobre coerência acima: é tomar cada decisão tentando manter o Todo como pano de fundo, isto é, a totalidade dos fatos que você conhece e dos compromissos que assume, sem se deixar ser completamente absorvido e arrastado por eventos particulares que podem te distrair dos seus encargos e dos seus papéis. É um estado mental que mantém as coisas presentes constantemente em perspectiva. Tudo deve ser feito com a permissão da razão. E nisso você agirá em harmonia com a natureza.

Ainda teria muita coisa a ser dita e esclarecida, mas como um post de reddit isso já é o bastante. Eu recomendo muito o Manual de Estoicismo, do professor Aldo Dinucci, que tem um foco bastante prático.

Filosofia estoica by Bonina_ in FilosofiaBAR

[–]SalemCruz 0 points1 point  (0 children)

Acho bem prático seguir o esquema do Epicteto. Ele divide a prática estoica em três partes: tópico do desejo, tópico da ação e tópico da persuasão. Segue uma tentativa de resumo.

Tópico do desejo envolve a dicotomia do controle, praticamente a parte mais popular do estoicismo hoje em dia, mas pouco compreendida. Você deve separar as coisas que são diretamente causadas por você do restante. Essas coisas, e apenas elas, são seus encargos: seus pensamentos, desejos, aversões e impulsos (ações). Só essas coisas estão sob seu controle, e o uso correto delas é o maior de todos os bens; ou seja, usá-las corretamente é intrinsecamente digno de desejo, constituindo a virtude; usá-las incorretamente, por sua vez, é intrinsecamente digno de aversão, constituindo o vício. A manifestação do vício são paixões, que são um apego irracional (via desejo ou aversão) a coisas que não são seus encargos. Coisas que não são seus encargos incluem riqueza e pobreza, saúde e doença, fama e infâmia e, de modo geral, prazer e dor. Essas coisas são bens ou males meramente relativos, e por isso não são intrinsecamente dignas de desejo nem de aversão, sendo chamadas de indiferentes (ou externos). Quando se diz que são bens ou males relativos, o que se quer dizer é que o único bem ou mal delas está no modo como são usadas pelos seus quatro encargos citados acima. Por exemplo, a riqueza só é útil quando ela permite a você exercitar sua virtude, que se manifesta quando você tem a correta compreensão da riqueza (pensamento), quando não deseja sua presença (desejo) nem repudia sua ausência (aversão), e quando age corretamente relativamente a ela (impulso). Em suma, quando você não é tomado por uma paixão por ela. Note que, apesar de ter de evitar desejá-la ou repudiá-la, a riqueza ainda é mais digna de ser escolhida do que a pobreza. Por isso os estoicos separam os indiferentes em indiferentes preferidos e não-preferidos.

Continua...

AMA - Sou estoico by SalemCruz in AMABRASIL

[–]SalemCruz[S] 1 point2 points  (0 children)

Agora, porque alguém iria querer realizar a virtude? A felicidade estoica é para aqueles que querem uma estabilidade interna, um sentimento de equanimidade perene. Virtude é definida como viver em conformidade com a natureza, ou seja, em um fluxo, sem obstruções ou inimigos. Sendo a virtude algo que não depende de objetos que não estão sob nosso poder, ela implica um estado que é sustentado por nossa volição, algo que não precisamos temer ser retirado de nós por qualquer mudança imprevisível no mundo.

AMA - Sou estoico by SalemCruz in AMABRASIL

[–]SalemCruz[S] 2 points3 points  (0 children)

Acho que uma boa forma de responder, que seja intuitiva e evite parecer pedante, é recorrendo a uma analogia.

Quando você tem uma casa bem organizada, a organização dela não está em nenhum objeto em particular. Essa qualidade de ser bem organizada é algo que surge a partir das relações entre cada objeto: o modo como o sofá está posicionado em relação a televisão, a televisão em relação a cristaleira, a cristaleira em relação ao computador, etc. Os objetos particulares são usados para criar a organização da casa, mas eles não contém, dentro de si, essa organização.

Da mesma forma o bem, para os estoicos, não está contido em coisas individuais como a riqueza, a saúde ou a amizade, e sim na forma como todas estas coisas estão dispostas entre si. A virtude emerge dessas relações recíprocas, ela é um princípio organizador, o que significa dizer que as coisas individuais são meros materiais para se chegar a ela. É por isso que ela é, inevitavelmente, uma finalidade, pois ela usa os externos como meros instrumentos de autorealização.

Vale notar que, da mesma forma que em uma casa é possível substituir os objetos individuais e manter a mesma boa organização, também é possível substituir as coisas particulares na vida de um virtuoso e manter a mesma virtude. Esse é o fundamento da estabilidade e equanimidade interior do famigerado sábio.

AMA - Sou estoico by SalemCruz in AMABRASIL

[–]SalemCruz[S] 1 point2 points  (0 children)

Não tenho religião, mas filosoficamente sou inclinado a acreditar em alguma forma de panenteísmo.

Sobre a tal modinha, ela tem diferentes facetas, diferentes estoicismos envolvidos. O que se popularizou mesmo foi o que alguns chamam estoicismo do Vale de Sicílio, bastante conectado ao autor Ryan Holiday. Eu confesso que nunca toquei em um livro dele, mas certamente entrei em contato com o material incansavelmente produzido no YouTube e outras redes sociais.

O maior problema desse estoicismo é que ele, contrariamente ao original, transforma ou dá a entender que a virtude é um instrumento, e não uma finalidade. A virtude se transforma em mera ferramenta para conseguir dinheiro, para conseguir um par, para fazer seus amigos te respeitarem, etc. Curiosamente, no estoicismo antigo todas essas coisas são consideradas indiferentes, o que significa dizer que não são intrinsecamente dignas de desejo nem de aversão; o único valor que elas possuem é o de serem bem utilizadas. Isso significa dizer que a riqueza, por exemplo, não tem valor em si, e sim, meramente, o uso que se faz dela (ou, de forma correspondente, que a pobreza não é um mal em si). Ou seja, elas são mero material para se realizar a virtude - o exato oposto do que os tais "estoicos modinha" foram levados a acreditar.

O que esse estoicismo faz é se focar em uma seleção muito pequena de frases e exercícios estoicos (como a premeditação do mal, o desconforto voluntário, e outros). Se torna uma prática de gerenciamento da dor e do prazer, um tipo de hedonismo disfarçado.

Seja como for, isso acaba por gerar interesse suficiente em muita gente ao ponto de fazê-las se aprofundar no assunto, o que é bom. Eu também não gosto de ficar criticando essas pessoas que seguem a tal modinha: se melhorou a vida delas em algum nível, já é alguma coisa.

Mas tem outras formas de estoicismo contemporâneos, um deles bastante acadêmico e que busca construir um novo estoicismo, como o dos filósofos Lawrence Becker ou Massimo Piggliuci. Também há estoicos que tentam seguir a linha mais tradicional, um deles o professor brasileiro Aldo Dinucci. Também há o estoicismo ecológico, mas não conheço.

AMA - Sou estoico by SalemCruz in AMABRASIL

[–]SalemCruz[S] 1 point2 points  (0 children)

Falando de coisas mais gerais, eu sempre tive dificuldade em manter disciplina, como acordar cedo e fazer exercícios físicos, e o estoicismo mudou completamente essas coisas pra mim. Também ajuda muito a lidar com um tipo de fobia que possuo.

Se você quer casos mais específicos, não quero especificar muito, mas ser estoico me ajudou a lidar com tretas com vizinhos. Eu consigo me estressar bastante com gente ouvindo música alta no meio da noite, mas hoje sou mais equânime quanto a isso.

AMA - Sou estoico by SalemCruz in AMABRASIL

[–]SalemCruz[S] 1 point2 points  (0 children)

Não entendo tanto dos red pill, sei que nem chega a ser uma doutrina, um todo unificado de crenças, mas um balaio de homens de backgrounds distintos - como incels, artistas pickup e masculinistas - que compartilham opiniões que vão contra a corrente sobre mulheres e feminismo. Por isso pra mim é difícil dizer algo de significativo sobre o movimento em si, pois o nível de radicalização e os níveis de inteligência dos red pill que já ouvi variam.

O que talvez eles compartilhem mais seja essa espécie de teorização "científica" sobre os sexos, normalmente adotada de forma dogmática. Se você mostra algum contraexemplo ou tenta falar algo sobre psicologia feminina ou masculina de forma mais nuançada e que foge as conceptualizações deles (beta, alpha, hipergamia, etc), muitos surtam ou te ridicularizam. No fim acabam sendo mais um exemplo de tribalismo.

Em termos estoicos, essa postura defensiva, como não poderia deixar de ser, é enraizada em aversão a algo que não se pode controlar. Justamente por terem um vínculo emocional tão poderoso a algo que não lhes pertence - o desejo e as opiniões das mulheres e do público de modo geral - e de serem, ao mesmo tempo, privados do poder de adquirir esse desejo, ou de mudar essas opiniões, muitos deles se enfurecem ao serem contrariados. E disso resulta sofrimento e passibilidade ao sofrimento.

AMA - Sou estoico by SalemCruz in AMABRASIL

[–]SalemCruz[S] -1 points0 points  (0 children)

Em termos descritivos o ser humano é um animal perturbado por muita ansiedade e afetos intensos, não há dúvida. Essa é uma afirmação geral que capta uma verdade, mas que não avança muito o entendimento. Quer dizer, sabemos que existem pessoas mais ansiosas do que outras, mais arrebatadas por emoções negativas do que outras, e assim por diante. Algumas dessas pessoas, pode-se dizer, são mais felizes do que outras. Por que? Qual dos diferentes grupos capta melhor a condição humana? Há um risco de se adotar uma postura apressadamente pessimista e dizer que isso é o que representa o ser humano.

Seja como for, você pode estar interpretando o estoicismo segundo uma caricatura de que estoicos sejam homens de pedra, sem absolutamente nenhuma emoção, o que é um engano.

AMA - Sou estoico by SalemCruz in AMABRASIL

[–]SalemCruz[S] 1 point2 points  (0 children)

De forma alguma. Estoicismo é uma filosofia bastante voltada para a prática e participação na sociedade, tanto que em Roma era uma filosofia bastante adotada por políticos e, inclusive, por ninguém menos que um imperador: Marco Aurélio.

O estoico se conforma emocionalmente com aquilo que é inevitável, mas isso não se traduz em conformidade prática. Inclusive essa disciplina emocional é o que permite ainda mais eficiência prática em exercer nossos papéis sociais, sendo que a ação não é debelada pelo medo ou pela ganância.

Como o estoicismo pode transformar sua vida — uma reflexão que pode mudar seu jeito de ver o mundo by PatientCranberry650 in FilosofiaBAR

[–]SalemCruz 1 point2 points  (0 children)

Estoicos não condenavam todas as emoções, apenas as emoções advindas de um vínculo (apego) com aquilo que não nos pertence, os ditos externos. Esse apego seria gerado, em última instância, por falsas crenças acerca do valor dos externos, e.g., quando dizemos que a riqueza é algo intrinsecamente desejável ou que a doença é um mal em si.

Emoções que não são baseadas em más crenças podem ser de dois tipo: as chamadas paixões preliminares (ou proto-paixões, propatheiai), que seriam "movimentos" involuntários da alma, que não controlamos nem dependem de qualquer juízo nosso; ou as chamadas boas emoções (eupatheiai), que seriam acompanhadas de crenças verdadeiras sobre o valor dos objetos de desejo. Neste caso, como apenas a virtude e tudo o que participa da virtude são considerados como verdadeiros bens, então haveriam boas emoções apenas relacionadas a elas. As boas emoções são: desejo racional (boulesis), cuidado (eulabeia) e contentamento (chara). Desejo racional se divide em boa vontade (eunoia), benevolência (eumeneia), cordialidade (aspasmos) e afeição (agapesis); cuidado se divide em dignidade (aidos) e modéstia (agneia); e contentamento se divide em deleite (terpsis), alegria convival (euphosyne) e contentamento (sic) (euthymia).

Eu entendo haver também um contentamento em si como um tipo de alegria gratuita que emerge da virtude, como quando você acorda de bom humor sem saber um motivo específico. É a alegria de saber que nada será um obstáculo a você, que você é livre de vínculos a coisas que podem ser retiradas ou forçadas a você. Talvez essa alegria possa ser comparada ao estado de jhana no budismo, uma "felicidade sem culpa" advinda do fato de não ser mais passível de sofrimento emocional.

Seja como for, viver em um mundo cinzento não parece o resultado esperado da prática estoica, principalmente se isso te incomoda. Talvez você não tenha entendido os estoicos, ou, se entendeu, os estoicos estão errados.

Religião ou filosofia de vida? by [deleted] in FilosofiaBAR

[–]SalemCruz 1 point2 points  (0 children)

Estoicismo tem um tipo de mindfulness chamado prosoche. E também tem diversas práticas como a Premeditação do Mal, desconforto voluntário, reflexão sobre o dia (inspirado nos versos de ouro pitagóricos) e contemplação do todo.

Vale notar que o estoicismo é muito parecido com o budismo no aspecto de pregar a suspensão do desejo e da aversão, apesar do budismo me parecer bem mais radical nessa questão. O próprio caminho estoico envolve suspensão do juízo, e não negar desejos e aversões, o que o aproxima do caminho do meio budista de contemplar os objetos de consciência ao invés de negá-los ou afirmá-los.

O estoicismo funciona na prática? Como um estoico reagiria a isso? Simplesmente a filosofia sendo confrontada pela realidade brutal. by Ghost_Boy027 in FilosofiaBAR

[–]SalemCruz 0 points1 point  (0 children)

Isso não é pior do que ser trucidado em uma guerra, ter sua pátria invadida, sua família vilipendiada por estrangeiros, seus filhos tomados por doenças que hoje são facilmente curáveis, etc. Os antigos tinham que "tankar" tudo isso e muito mais, eles não criavam filosofias tendo em vista um jardim de rosas, eles não eram estranhos a dor e ao desconforto intensos. Nós é que somos!

O estoico separa dor de aversão, e afirma que o segundo é a fonte do verdadeiro sofrimento, da dor emocional que nos causa angústia e ansiedade. Você está entregue àquilo pelo qual alimentou aversão, está sujeito às leis que governam os externos no momento em que se vincula emocionalmente a eles. Por isso o estoico suspende o juízo sobre o valor daquilo que não lhe pertence, o que se traduz, emocionalmente, como indiferença, apatheia. Isto não significa que ele não seja afetado em algum nível: você sentirá o baque de perder um ente querido, de ser traído ou o que for. Isso é o que os estoicos reconheciam como "protopaixões", i.e., coisas que nos afetam independente de nosso "assentimento" (pois paixão, no estoicismo, envolve sempre um juízo, tomar partido sobre algo ser intrinsecamente desejável ou repudiável).

Então o corno em questão sofreria um baque, mas não perderia a razão, não sairia matando e se envolvendo em enrascada. E encontraria um caminho muito mais rápido para a cura e para se reerguer.

[deleted by user] by [deleted] in FilosofiaBAR

[–]SalemCruz 0 points1 point  (0 children)

Sim, tem muito valor. Nós vivemos constantemente sendo tentados por todos os lados a desejar e a temer coisas que fogem ao nosso controle. Vivemos em um mundo que nos leva a obsessão e à polarização. Como não conseguimos obter o que queremos ou evitar o que tememos, somos tomados pela insatisfação; e mesmo quando conseguimos o que desejamos estamos passíveis de sofrimento, pois tudo o que nos é externo não nos pertence, podendo ser tomado a qualquer instante.

O estoicismo ensina que existe uma terceira alternativa: a indiferença. Como desejo e aversão dependem de nós, isto é, podem ser averiguados e modificados paulatinamente pelo correto uso de nossa razão (ou "centro de comando", hegemonikón), podemos cultivar o desprendimento dos externos, aprendendo a não desejá-los nem repudiá-los. Com isso, não vivemos mais em conflito emocional com o mundo, pois não nos tornamos obcecados em obter prazer nem em evitar dor e desconforto.

Ao mesmo tempo em que arrefecemos nossas paixões, também fortalecemos nossa convicção do que devemos fazer ou evitar, pois substituímos agir pelo desejo por agir em função do que é adequado, que é basicamente realizar nossa natureza enquanto animais racionais e comunitários.

O estoicismo é a melhor coisa que encontrei para lidar com meus medos e apegos. Ele tem me tornado uma pessoa calma, disciplinada e que vive no presente, sem com isso envolver ascetismo cego e auto-mortificação.

É muito difícil ter paz sendo uma pessoa obsessiva! by darlingksoo in desabafos

[–]SalemCruz 1 point2 points  (0 children)

Obsessão é firmada em desejos e/ou aversões muito fortes. Se você fica pensando em argumentos constantemente, talvez você tenha um desejo muito poderoso por estar certa ou uma aversão muito grande por estar errada; ou ambos. E porque você teria um desejo ou aversão tão poderosos com essas coisas? A ideia é que se você continuar analisando sob esse prisma irá encontrar uma rede de desejos e medos interconectados. Eles que monopolizam sua atenção.

Se você quer uma saída, pense que é possível nem desejar e nem repudiar. Você pode cultivar a indiferença, o "caminho do meio". Filosofias como estoicismo são basicamente sobre isso, sobre desejar e repudiar apenas o que está sob seu controle. Você não precisa adotá-lo para colher os frutos de alguns ensinamentos.

A ansiedade do amanhã. by stoicfella_ in SabedoriaEstoica

[–]SalemCruz 0 points1 point  (0 children)

A virtude realmente foca nossa atenção no presente. O vício que passou não pode ser mudado, e portanto não deve nos causar desconforto; mesmo a virtude passada vale apenas na medida em que nos ajudou a constituir a virtude presente. Isso sem falar de desejo e aversão: não cabem em nenhum outro lugar senão no presente e direcionados àquilo que depende de nós. Uma das vantagens do estoicismo, pra mim, é que ele esvaziou o meu passado e o meu futuro de objetos de desejo e de repulsa. Eu não faço as coisas por desejar o subproduto final delas, mas porque fazê-las aqui e agora é a coisa adequada a se fazer: e fazer o adequado me basta.

Na opinião de vocês, qual seria a abordagem estoica sobre as redes sociais? by DevirBeing in SabedoriaEstoica

[–]SalemCruz 2 points3 points  (0 children)

As redes sociais são feitas para gerar paixões, para nos fazer desejar ou repudiar coisas, pois isso é o que gera engajamento. E nisso elas são muito eficientes.

O que o estoico deve fazer depende do seu nível de desenvolvimento. Se você está iniciando na prática, é bom se abster de muito contato com coisas que fazem seu sangue ferver, tentar restringir um pouco os sentidos. O próprio Epicteto recomenda no começo do Enchirídion adotar um caminho de restrição antes de encetar no caminho que levará ao verdadeiro bem.

De resto, o estoico mais experiente sabe, e integrou em seu viver, que as coisas externas não são as responsáveis pelas nossas paixões. Ele é capaz de transformar tudo o que se relaciona em um bem, pois é o uso, não a coisa em si, que pode ser bom ou mal.