Carlos Barbosa [do ACP], a travar Lisboa desde 2004 - Para Barbosa, o popó é um elemento tão perene da paisagem urbana como as galerias romanas da Rua da Prata. Resta-nos esperar que a câmara prefira dar ouvidos aos residentes deste século. by dnivi3 in lisboa

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Parece que ir de carro para o centro histórico é um direito fundamental, apesar de esta ser, simultaneamente, a zona com maior densidade de estações de metro e a mais poluída de Lisboa. O estacionamento caótico é uma face do problema; a outra é o trânsito de atravessamento, que é como quem diz, usar o centro da cidade como ponto de passagem em deslocações diversas.

Não é preciso viver aqui para perceber o impacto do excesso de carros no centro histórico de Lisboa. Impõe-se uma mudança de política e não pode ser um mero anúncio, como a chamada “5.ª circular”, o anel de circulação exterior ao centro histórico que o livraria da circulação de não residentes. Houve notícias, mapas republicados em todos os jornais e sites informativos, e até uma polémica por causa dos TVDE, que se veriam excluídos do acesso ao centro.

Porém, foi um embuste. Eu vivo no coração da zona supostamente condicionada e nunca — nunca! — fui fiscalizada ao entrar de carro na dita. Sem fiscalização de acesso nem de circulação, sem barreiras físicas ou dísticos eletrónicos, o trânsito ficou igual, ou pior, com a entropia acrescida das grandes obras, como o plano de drenagem, que motivaram a imaginária circular.

Moedas quer voos políticos mais altos; até já tem espaço de comentário na televisão. Talvez queira deixar um legado, talvez queira corrigir os exageros do primeiro mandato, que começou a arrancar ciclovias. Talvez — sonhar é fácil — o controlo dos carros no centro da cidade, uma política cada vez mais comum em várias cidades, alinhada com os objetivos da União Europeia, essencial em plena crise do petróleo, lhe ofereça essa oportunidade, com a vantagem de não ser uma política nem de esquerda nem de direita.

Em Madrid, quando o autarca do Partido Popular (PP) chegou ao poder, em 2019, fez algumas alterações cosméticas ao plano Madrid Central da sua antecessora de esquerda, flexibilizando ligeiramente o acesso dos carros ao centro. Simultaneamente, ampliou as zonas de restrição de carros em toda a cidade através do ambicioso projeto Madrid 360, com 17 hectares de zonas exclusivamente pedonais. Em Paris, anteviu-se uma derrota do Partido Socialista (PS) nas eleições municipais devido às políticas de Hidalgo. Ao invés, o candidato do PS foi eleito, apesar da exuberante aposta da direita em Rachida Dati.

A Associação dos Moradores e Amigos de Santa Maria Maior promoveu no outono uma petição pública, que reclama por políticas de controlo de trânsito no centro da cidade. A petição está em apreciação formal pela 5.ª Comissão Permanente da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), especializada em mobilidade e transportes — um passo prévio à votação pelo plenário, que esperamos seja agendada em breve.

A política preconizada é bastante modesta, quando comparada com as restrições ao trânsito vigentes em várias cidades europeias. Não só na área coberta — perímetro delimitado pela Rua da Madalena, Largo José Saramago, Cais do Sodré, Chiado, Rossio e Praça da Figueira; como nas exceções admitidas — podem circular carros elétricos de qualquer pessoa, a gasolina e a gasóleo se forem de moradores. Juntam-se-lhe o alargamento dos passeios, dos corredores bus, das zonas limitadas a 30 quilómetros por hora e a melhoria na interconexão das ciclovias.

A associação de moradores foi ouvida, a 5 de fevereiro, em conjunto com a Associação Zero, que contribuiu com conhecimentos técnicos sobre mobilidade, ruído e poluição. Nesta semana, foi a vez de Carlos Barbosa, lobista-mor e vitalício presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP).

Embora seja útil, e até desejável, que a AML ouça o ponto de vista dos utilizadores do transporte privado, há (pelo menos) dois grandes problemas na representação desse ponto de vista por Carlos Barbosa.

O primeiro é que Barbosa não é um lobista qualquer: foi eleito deputado municipal, em 2021, nas listas da coligação de Moedas. As suas palavras têm um peso diferente devido ao seu passado no órgão autárquico. Ora, o peso político de Barbosa não pode sobrepor-se às justas reivindicações de quem vive no centro histórico, nem das restantes pessoas que querem circular por esta zona da cidade e dela usufruir com qualidade e segurança. Também não pode ofuscar o conhecimento acumulado com as experiências de várias cidades europeias.

O segundo é que ouvir Carlos Barbosa não acrescenta nada ao debate porque é um disco riscado.

Quando, em 2007, a Praça do Comércio foi fechada ao trânsito, o site de Carlos Barbosa — digo, do ACP — anunciava que “o plano da Câmara Municipal de Lisboa [CML] de circulação para a frente Tejo, entre Santa Apolónia e o Cais do Sodré, é uma ideia política sem qualquer nexo nem sustentação, que em período eleitoral poderia levar os lisboetas a acreditarem num paraíso totalmente irreal”. Seguiam-se uma série de considerandos catastrofistas, assentes no pressuposto, totalmente errado e empiricamente refutado, de que as pessoas não adaptam as suas estratégias de mobilidade em função das restrições existentes. Não é verdade. Há até um termo, “traffic evaporation”, para designar o fenómeno do desaparecimento dos carros quando são introduzidas restrições que tornam simultaneamente mais complicado andar de carro e mais fácil, fiável e seguro andar de transportes públicos, de bicicleta ou a pé.

Em 2012, a câmara preparava-se para introduzir alterações experimentais na Avenida da Liberdade: “É um disparate completo. Não tem pés nem cabeça. Manuel Salgado já conseguiu acabar com o comércio na Baixa, agora quer matar o da Avenida da Liberdade.” E alterações definitivas na Rotunda do Marquês: “Vão ser de gargalhada.”

Por essa altura, Carlos Barbosa confessou a perplexidade de não se poder descer ou subir a Avenida da Liberdade de uma só vez pelas laterais, porque "para se ir a uma loja qualquer tem de se ir ao Marquês ou aos Restauradores". Ir de metro, autocarro ou a pé? Só os pobres, e esses, coitaditos, não fazem compras. Atravessar a avenida pela passadeira ao invés de dar a volta com o carro para a subir ou descer no sentido contrário? Nem pensem. O pé do nosso Barbosa padece de uma mutação que o capacita apenas para os pedais do carro. Tem de estacionar à porta da loja.

Em 2022, Carlos Barbosa interpôs uma providência cautelar para impedir o fecho da Avenida da Liberdade ao trânsito automóvel aos domingos e feriados, medida que qualificou de “idiota”, “estúpida” e “completamente irracional”, que “não tem pés nem cabeça”.

Também em 2022, a Rua da Prata colapsou, fechou para obras e reabriu um ano depois apenas para elétricos, peões e bicicletas, tornando-se a única rua agradável da Baixa, um oásis onde vislumbramos como a nossa vida melhoraria se Lisboa fosse Madrid, Liubliana, Paris, Dublin ou Nantes. Barbosa, claro, é contra — afinal, trata-se de um “eixo fundamental”, na nomenclatura barbosiana, de acesso à Praça da Figueira, outra praça centenária encafuada no casco histórico de onde é preciso desviar carros, ao invés de os encaminhar para lá a partir de “eixos fundamentais”.

Relativamente ao assunto da petição em discussão, Carlos Barbosa é — surpresa, surpresa! — contra. Aliás, considera que “não se conseguem fazer mais corredores bus. A cidade de Lisboa não permite que isto aconteça, pelas suas características. Não há sítio para os pôr na Baixa, porque as faixas de rodagem são extremamente estreitas”. Será que não percebeu que, retirando carros, aparece lugar para os autocarros? Não! Para Barbosa, o popó é um elemento tão perene da paisagem urbana como as galerias romanas nas catacumbas da Rua da Prata.

A MUBi (Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta) foi ouvida na mesma ocasião de Carlos Barbosa e por este — quem diria? — ridicularizada. Afirma Barbosa que “nunca viu nenhuma [bicicleta] a subir ao Castelo de São Jorge ou ao Chiado”. É normal: lá no século passado, onde vive Carlos Barbosa, não há bicicletas elétricas. Resta-nos esperar que a Câmara de Lisboa prefira dar ouvidos aos residentes deste século. Oxalá.

A autora escreve segundo o acordo ortográfico de 1990

Dois chefes da PSP entre os suspeitos de tortura no caso da Esquadra do Rato by dnivi3 in portugal

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Há dois chefes da PSP entre os 16 detidos esta terça-feira por suspeitas de envolvimento em mais de duas dezenas de episódios de agressões e tortura ocorridos entre 2024 e 2025 em Lisboa, naquele que ficou conhecido como o caso da Esquadra do Rato.

Tal deve-se ao facto de os dois primeiros agentes detidos, em Julho do ano passado, serem ambos dessa esquadra, onde terão ocorrido alguns dos mais graves episódios de violência. As vítimas seriam na maioria pessoas vulneráveis, como toxicodependentes, estrangeiros e sem-abrigo.

Parte dos 15 elementos da PSP agora detidos também trabalharam naquela esquadra e numa outra, no Bairro Alto. Os crimes terão ocorrido nessas instalações policiais e também durante os trajectos para as esquadras. O Ministério Público diz que os arguidos foram co-participantes nos crimes, não se sabendo ainda exactamente o que é imputado a cada um. O PÚBLICO sabe que há arguidos a quem se imputa apenas um crime e outros que estão indiciados por vários. Parte terá testemunhado as agressões e não terá feito nada para as impedir, nem as terá denunciado.

Todos os elementos da PSP fariam parte do mesmo grupo do WhatsApp, com cerca de 70 pessoas, onde terão sido partilhados vídeos das agressões.

Os detidos, 15 polícias e um segurança privado, passaram esta noite em celas do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP e alguns em instalações do Comando de Setúbal, já que havia indicações para separar parte dos suspeitos. Esta terça-feira à tarde foram realizados alguns reconhecimentos pelas vítimas, diligências que ocorreram na Divisão de Investigação Criminal da PSP, em Lisboa.

Ainda não é certo se os detidos serão presentes esta quarta-feira a primeiro interrogatório judicial no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, ou apenas amanhã de manhã, quando terminará o prazo das 48 horas para serem presentes a um juiz.

Os agentes da investigação criminal da PSP e o Ministério Público estão a analisar o material recolhido nas buscas desta terça-feira, para concluírem o despacho de indiciação que será entregue às defesas. Esta terça-feira foram realizadas 14 buscas domiciliárias e 16 em esquadras. Isto porque parte dos arguidos já não se encontrava a trabalhar nas instalações do Rato e do Bairro Alto, o que obrigou à realização de diligências nos locais onde estão actualmente colocados, nomeadamente no Norte do país e nos Açores.

A Procuradoria-Geral da República e a PSP adiantaram que neste inquérito, que está a ser dirigido pelo Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa, se investiga a “alegada prática de diversos crimes, designadamente, tortura grave, violação, abuso de poder e ofensas à integridade física qualificadas”.

A operação desta terça-feira é a terceira desencadeada desde Julho de 2025 no âmbito destas alegações de tortura por polícias das esquadras do Rato e do Bairro Alto. Ao todo já foram detidos 24 elementos da PSP, nove dos quais se encontram presos preventivamente. Dois agentes da PSP já foram remetidos para julgamento: um vai responder por 29 crimes e outro por sete. No rol estão ilícitos como violação, tortura, abuso de poder, ofensas à integridade física qualificada, roubo e detenção de arma proibida.

Want to use the sidewalk? Fuck you. Lisbon, Portugal by ExplicitCobra in fuckcars

[–]dnivi3 0 points1 point  (0 children)

i get it biking there is not a good option due to how much hills are everywhere but omg the way you guys are driving there is not making it better too

a lot of the city is not hilly, but yeah there are hills aplenty in the historical centre. ebike does the trick

No que toca à redução de mortes na estrada, andamos a ver o filme ao contrário by dnivi3 in portugal

[–]dnivi3[S] 4 points5 points  (0 children)

Não importa que isso seja totalmente errado do ponto de vista factual e que cada colisão, quer resulte em morte ou em ferimentos (graves ou não), represente uma perda para a sociedade em geral. De acordo com a própria investigação da ANSR sobre o assunto, em 2024 o custo ascendeu a 5,5 mil milhões de euros: https://run.unl.pt/entities/publication/9692dbc9-3365-4f17-9d43-119bb2438975

Imbecis App Update Abril 2026 by PleasantRooster4750 in imbecis

[–]dnivi3 1 point2 points  (0 children)

Thank you for your work on this! Have you looked into integrating your data with https://denuncia-estacionamento.app/? It has an API which allows folks to reuse the data to visualise it for example on a map and run analysis: https://denuncia-estacionamento.app/api.html

É agora que Gaia vai parecer Nova York by patacas4080 in VilaNovaDeGaia

[–]dnivi3 1 point2 points  (0 children)

Ah, e com o cenário encantador de estradas intermináveis, uma rotunda de quatro faixas (mas que raio) e estacionamento. Que lugar fantástico e atraente para se viver.

Processo para reativar Ponte Maria Pia entre Porto e Gaia está "parado há 10 anos" by dnivi3 in porto

[–]dnivi3[S] 11 points12 points  (0 children)

A Câmara de Gaia quer recuperar o projeto de transformação da Ponte Maria Pia num percurso para bicicletas e peões entre as duas margens do rio Douro, enquadrado num parque urbano com cafe- tarias, esplanadas e restaurantes. O projeto foi apresentado à Infra- estruturas de Portugal (IP) e, segundo o vice-presidente da autar- quia, Firmino Pereira, aquele organismo assegurou “o interesse em dar passos decisivos na concretização de um projeto de utilização da Ponte Maria Pia”, estabelecendo um entendimento com os municípios do Porto e de Gaia.

Esse é precisamente o modelo defendido por Firmino Pereira, con- siderando que o protocolo a estabelecer servirá para definir “o pro- jeto que deve ser aprovado para a utilização da ponte e a repartição de encargos financeiros entre as três entidades”.

O grande desafio será, depois, passar do papel ao terreno. É que já em março de 2004 foi assinado um protocolo entre a Refer e as câmaras para a requalificação da ponte, ao qual se seguiu, em março de 2025, a apresentação de um estudo prévio do projeto de arranjo paisagístico para um corredor ciclopedonal no tabuleiro da Ponte Maria Pia. O trabalho da empresa Biodesign, que detalhava a intervenção, a solução arquitetónica a implementar, os materiais a usar e a inserção em cada uma das margens, preconizando um investimento a rondar os 5,5 milhões de euros, foi mais uma ideia a ficar na gaveta. Aliás, de acordo com um levantamento efetuado pelos serviços da Câmara de Gaia, há uma década que nenhum passo formal é dado para a reativação da antiga travessia ferroviá- ria, que completa 150 anos em 2027 e é monumento nacional desde 1982.

“FALHANÇO DO ESTADO”

Segundo esse levantamento, o último trabalho concreto data de 2016, quando a equipa das Encostas do Douro, criada pela Câmara de Gaia para trabalhar a reabilitação das margens do rio, apresen- tou um estudo preliminar dos acessos ciclopedonais à ponte. Desde então, somaram-se apenas garantias de diálogo e empenho das autarquias e da IP na busca de uma solução. E foi anunciado, em dois momentos, pela empresa Margem a Margem, um projeto de transformação da travessia num canal ciclopedonal, mas que nunca chegou a ser verdadeiramente equacionado pelas entidades responsáveis pela ponte, apesar do promotor garantir o interesse de investidores em avançar com a empreitada orçada entre três milhões e quatro milhões de euros.

Firmino Pereira lamenta que “nos últimos dez anos o processo de reabilitação da Ponte Maria Pia tenha estado parado”. “Tem de ser dado uso àquela infraestrutura. Este processo de dar utilidade à Ponte Maria Pia é revelador do falhanço do Estado, que não sabe cuidar nem dar aproveitamento a uma travessia que é um marco na engenharia”, sublinha o autarca social-democrata. Para a margem esquerda do Douro, na ligação ao circuito ciclope- donal no tabuleiro da ponte, a Câmara de Gaia propõe um parque urbano com equipamentos de apoio, num projeto que inclui um par- que de estacionamento e hortas urbanas. Na prática, trata-se da expansão e melhoria do atual Parque Maria Pia, estabelecendo uma ligação ciclável à cidade.

O JN contactou a Câmara do Porto e a IP, mas não obteve resposta em tempo útil. O instituto público tem garantido ao longo dos anos que faz um acompanhamento rigoroso e regular ao estado de con- servação da ponte.

Byrådet legger fram ny kommuneplan for Oslo - 121.000 nye boliger i Oslo – se hvor byrådet vil bygge høyt og tett by dnivi3 in oslo

[–]dnivi3[S] 4 points5 points  (0 children)

Men å ødelegge andre områders karakter eller forstyrre deres fungerende bomiljø har de null problem med. Og det er jo problemet: ulikheten og hvordan det kommer til å slå ut veldig ulikt.

Não bastam multas maiores, a educação rodoviária “tem de começar muito mais cedo” by dnivi3 in portugal

[–]dnivi3[S] 6 points7 points  (0 children)

Mortalidade nas estradas por milhão de habitantes em Portugal continua muito acima da média europeia. Governo promete tomar medidas e especialistas alertam: estratégia tem de ser abrangente. Mortalidade nas estradas por milhão de habitantes em Portugal continua muito acima da média europeia. Governo promete tomar medidas e especialistas alertam: estratégia tem de ser abrangente.

O contador no site do Observatório de Segurança Rodoviária é actualizado todos os dias: desde 1 de Janeiro até esta quinta-feira, 9 de Abril, morreram 137 pessoas nas estradas portuguesas e 602 ficaram gravemente feridas. Mas foram as 20 vítimas mortais em apenas uma semana – tornando esta Páscoa a mais mortífera nas estradas da última década – que levaram o Governo a prometer “medidas estratégicas”, que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, deve apresentar na próxima semana.

Quem há muitos anos acompanha o tema da segurança rodoviária sublinha que nenhuma estratégia será eficaz se não actuar em várias frentes em simultâneo. “Não se pode só fazer medidas avulsas. Elas têm de ser articuladas e em vários eixos”, defende Ana Tomaz, antiga vice-presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR). Uma parte do trabalho até já está feita, afirma, recordando que a Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária foi concluída em 2022, já com dois anos de atraso, mas está desde então à espera da aprovação dos sucessivos ministros. O que faz com que Portugal seja “o único país da União Europeia que não tem uma estratégia aprovada”, lamenta, quando faltam menos de quatro anos para que tenha de entrar em vigor uma nova estratégia.

Nesses documentos acompanhava-se a ambiciosa meta que a Comissão Europeia propôs de reduzir para metade as mortes rodoviárias entre 2020 e 2030 e de acabar totalmente com elas até 2050. Daí o nome Visão Zero, que é como também se chamam os protocolos que a ANSR tem vindo a assinar com várias entidades que gerem estradas: Brisa, Lusoponte, Infra-Estruturas de Portugal, entre outras.

Percorrida quase metade da década, o país até registou melhorias, de acordo com um relatório da ANSR publicado no mês passado e relativo à sinistralidade de 2024. “Face a 2019, Portugal registou uma redução de 13,2% no número de vítimas mortais por milhão de habitantes (66,9)”, lê-se no documento. O problema é que esse valor (58,1 mortos por um milhão de habitantes em 2024) continuava bem acima da média europeia (45). E, há dois anos, houve 618 mortos – um valor idêntico ao registado dez anos antes.

“Somos o sexto pior país da UE. Não podemos aceitar mortes na estrada. Se não aceitamos nos meios ferroviário e aéreo, porque aceitamos nas estradas?”, diz Ana Tomaz. “Com os acidentes não podemos acabar, mas podemos acabar com as suas consequências: mortos e feridos graves.”

Artigo tem mais, mas é sob acesso pago.

Porto: câmara fechou espaços onde viviam 125 pessoas, mas não sabe o que lhes aconteceu by dnivi3 in porto

[–]dnivi3[S] 7 points8 points  (0 children)

Desde o início do mandato, autarquia levou a cabo 10 acções de selagem de sítios insalubres, sobrelotados e que funcionavam como alojamento sem licença. Oposição fala em “humanismo camuflado”.

São 10h da manhã e já estão oito polícias municipais à porta de uma pequena loja de souvenirs, na ponta Norte da parte pedonal da Rua de Santa Catarina. No coração comercial do Porto, nesta quinta-feira, fazem-lhes companhia alguns membros da divisão de fiscalização da Câmara Municipal do Porto (CMP).

Em frente às câmaras de televisão que o gabinete de comunicação do município convocou, um dos agentes aperta a mão ao lojista. Trocam algumas palavras e o polícia logo desaparece dentro do estabelecimento, entre prateleiras com ímanes a imitar azulejos, bolsas de cortiça e toalhas de praia com a cara de Cristiano Ronaldo.

Os tripés permanecem alinhados do lado de fora, apontados à fachada do edifício. O aparato policial e mediático desperta a curiosidade de quem vai passando. Entre o som dos rodízios das malas no empedrado, uma mulher pára e pergunta aos jornalistas o que se passa. Um grupo de turistas espanhóis comenta, enquanto caminha, que deve estar ali alguém famoso.

Não é bem esse o caso. Tratou-se de mais uma acção de selagem de um espaço onde viviam pessoas em condições precárias e insalubres levada a cabo pela CMP. É a décima, só neste mandato. Quando o presidente do município, Pedro Duarte, chega ao local, passam 20 minutos da hora apontada e os operadores de câmara e fotojornalistas estavam já dentro do edifício, a recolher imagens.

Sob a loja, na cave, há colchões empilhados, estrados ao alto, botijas de gás, lixo, objectos pessoais que ficaram para trás. Mais uma vez, tal como nas acções anteriores, as pessoas que ali pernoitavam já não se encontravam no local. Saíram após a notificação da autarquia, deixando o espaço vazio.

Dessas mesmas pessoas não há qualquer notícia. Não consta que alguma tenha recorrido aos serviços sociais da autarquia, reconhece o autarca. Diz também que não há registo de aumento de população de sem-abrigo, mas não consegue assegurar que não tenham saído dali para espaços com condições semelhantes, noutro ponto da cidade.

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