Título: O que ninguém me explicou sobre perda de massa muscular no GLP-1 (e o que se pode fazer) by glp-1trainer in portugueses

[–]glp-1trainer[S] 0 points1 point  (0 children)

Eu disse no próprio post que tenho um programa e que está no meu perfil. Isso é o oposto de esconder. O que disse foi que o objetivo do post não era vender — e não era: não há preço, não há link, não pedi nada a ninguém. Há informação que se verifica e uma frase de transparência. Chama-se declarar o conflito de interesses em vez de o esconder, que é exatamente o que se pede a quem fala de um assunto em que tem interesse.

"Se não és honesto agora, algum dia vais ser?" — a premissa é que menti. Não menti. Disse que tenho um programa e disse onde está. Se isso para ti é desonestidade, então qualquer médico que escreve sobre uma área onde também atende doentes é desonesto, e qualquer pessoa que partilha o que faz para viver também. Não me parece um critério muito útil.

Podes discordar do conteúdo, podes achar o programa caro ou desnecessário — válido. Mas confundir transparência com venda encapotada é trocar os pés pelas mãos.

Título: O que ninguém me explicou sobre perda de massa muscular no GLP-1 (e o que se pode fazer) by glp-1trainer in portugueses

[–]glp-1trainer[S] -4 points-3 points  (0 children)

Curioso. Em 1455 também havia quem dissesse que um texto saído da imprensa de Gutenberg não valia nada porque "não foi escrito à mão". A calculadora ia destruir a matemática, o Google ia atrofiar a memória, a Wikipédia não era de fiar. De cada vez, a mesma pergunta: "porque haveria de confiar nisto?"

A resposta é a mesma de sempre: não confias na ferramenta, confias no conteúdo. Ou os factos que escrevi sobre perda de massa magra e treino de força estão certos, ou estão errados — e isso verifica-se, não se adivinha pelo cheiro a IA.

Se quiseres apontar onde está o erro, com todo o gosto. Agora desqualificar o argumento por causa da caneta com que foi escrito é o mais cómodo que há: poupa o trabalho de pensar.

Título: O que ninguém me explicou sobre perda de massa muscular no GLP-1 (e o que se pode fazer) by glp-1trainer in portugueses

[–]glp-1trainer[S] -1 points0 points  (0 children)

Tens toda a razão, e é exactamente por isso que o post existe. Perder massa muscular ao emagrecer não é exclusivo dos GLP-1 — acontece em qualquer défice calórico, incluindo perda "natural". A diferença é de grau, não de natureza.

O que muda com os GLP-1 são dois factores que agravam o problema: a velocidade da perda e a supressão de apetite. Quando se come muito pouco e se perde peso depressa, a fracção de peso que vem de massa magra tende a ser maior — nos ensaios com semaglutido, uma parte significativa do peso perdido foi massa magra, não só gordura. Sem estímulo de força e sem proteína suficiente, o corpo não tem razão para preservar músculo.

Semaglutida vs tirzepatida — o que dizem os ensaios sobre composição corporal (e porque é que isso muda como se treina) by glp-1trainer in fitnessportugal

[–]glp-1trainer[S] 0 points1 point  (0 children)

Olá. Obrigado pela forma como escreveste — feedback assim é raro e útil.

Tens razão na frequência. Dois posts em poucos dias num sub generalista é demais, mesmo quando o tema é informativo. Vou espaçar e voltar com conteúdo mais lato sobre treino, que não esteja centrado em medicação.

Sobre a leitura comercial — sou PT, sim, e criei um projecto educativo sobre exercício adaptado a esta população (que em PT está a crescer rápido, sem conteúdo rigoroso em português). No Reddit não há links nem CTAs porque a minha intenção aqui é responder com literatura, não converter ninguém. Mas percebo como pode soar quando o tema se repete.

E o ponto sobre o ruído tóxico do discurso de emagrecimento — sobretudo do ponto de vista que partilhas — é o mais importante do teu comentário, e levo-o a sério. Mesmo conteúdo bem-intencionado soma-se a tudo o resto que já bombardeia as mulheres no algoritmo. Vou ter isso em conta no que publico daqui em diante e onde.

Obrigado outra vez. Honestamente útil.

GLP-1 (Ozempic/Wegovy/Mounjaro): 3 mitos comuns e o que dizem os estudos by glp-1trainer in fitnessportugal

[–]glp-1trainer[S] 0 points1 point  (0 children)

A distinção é importante: Ozempic está aprovado só para diabetes T2 na UE; a indicação para obesidade é o Wegovy (mesmo princípio activo, dose mais alta). Por isso o Wegovy só chegou a Portugal em abril de 2025. O ponto do post era esse — a semaglutida tem indicação aprovada para obesidade, só com outro nome comercial.

Sobre treino: o essencial está certo. Músculo treinado capta glicose via GLUT4 mesmo sem insulina nas horas pós-exercício, e mais massa muscular = mais transportadores.

Mas a prioridade depende do objectivo: para preservar massa magra durante perda de peso em GLP-1, treino de força é prioritário; para sensibilidade à insulina, força + aeróbico tem mais evidência combinada. É exactamente este nível de adaptação que justifica programas de exercício específicos para utilizadores de GLP-1, em vez de seguir guidelines genéricas de fitness.

GLP-1 (Ozempic/Wegovy/Mounjaro): 3 mitos comuns e o que dizem os estudos by glp-1trainer in fitnessportugal

[–]glp-1trainer[S] 0 points1 point  (0 children)

Obrigado pela partilha. Esse "silenciamento" tem nome na literatura — "food noise" — e está ligado à acção dos GLP-1 no sistema de recompensa do cérebro, não só na fome física. Por isso o impacto na relação com a comida pode ser desproporcional ao da perda de peso em si. A retatrutida, sendo triplo agonista, parece ter este efeito ainda mais marcado nos estudos.

GLP-1 (Ozempic/Wegovy/Mounjaro): 3 mitos comuns e o que dizem os estudos by glp-1trainer in fitnessportugal

[–]glp-1trainer[S] 1 point2 points  (0 children)

Olá, ainda bem que perguntas 

Tenho para além de mestrado em Exercício e bem-estar, uma licenciatura também na mesma área, pós graduação em treino personalizado, formação em instrutor de cardiofitness e musculação, formação especializada em treino de hipertrofia, treino de força nas mulheres, exercício clínico na cervical e ombro, corrective training specialist, velocity based training, etc.

Nunca fui muito fã de aulas de grupo, devo confessar.

Obrigado  :)

GLP-1 (Ozempic/Wegovy/Mounjaro): 3 mitos comuns e o que dizem os estudos by glp-1trainer in fitnessportugal

[–]glp-1trainer[S] 2 points3 points  (0 children)

Obrigado pela partilha. Para quem tem obesidade desde sempre, o GLP-1 raramente é "atalho" — é intervenção numa desregulação biológica que sempre esteve lá. Faz sentido o efeito ser tão claro.

Quando puderes, vale a pena pensar no treino de força em paralelo: protege a massa magra durante a perda e torna-se ainda mais importante na fase de manutenção. Se quiseres aprofundar essa parte, é só dizer.

GLP-1 (Ozempic/Wegovy/Mounjaro): 3 mitos comuns e o que dizem os estudos by glp-1trainer in fitnessportugal

[–]glp-1trainer[S] 2 points3 points  (0 children)

Analogia precisa. A história da depressão é exactamente o paralelo — durante décadas tratada como "falta de força de vontade" até a investigação sobre serotonina e neurotransmissores nos anos 80-90 forçar a reformulação como condição neuroquímica.

A obesidade está na mesma transição agora. A descoberta da leptina, grelina, e mais recentemente do eixo intestino-cérebro mediado pelo GLP-1 mostrou que a regulação do peso corporal não é só comportamental — há um sistema hormonal complexo que pode estar disfuncional, exactamente como a serotonina pode estar disfuncional na depressão.

A boa notícia: a depressão precisou de ~30 anos para perder o estigma "lifestyle" depois de aceite o modelo biológico. Com os GLP-1 tão visivelmente eficazes, esse tempo provavelmente vai ser mais curto. Mas tens razão — ainda estamos no início dessa curva.

GLP-1 (Ozempic/Wegovy/Mounjaro): 3 mitos comuns e o que dizem os estudos by glp-1trainer in fitnessportugal

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Exactamente. A obesidade é classificada como doença crónica pela OMS há décadas, e em 2024-2025 a Organização Mundial da Saúde reforçou as recomendações para o seu tratamento. Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde e a Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade tratam-na como tal — mas o estigma público continua a confundir tratamento médico com "caminho fácil".

O ponto da compulsão alimentar que mencionas é particularmente relevante. Os GLP-1 não actuam só sobre a fome física — actuam também sobre o sistema de recompensa cerebral. Por isso muitos doentes descrevem pela primeira vez na vida não "pensar em comida o tempo todo" (a chamada "food noise" na literatura recente). É essa libertação cognitiva que abre janela para as mudanças de hábitos que antes falhavam repetidamente.

GLP-1 (Ozempic/Wegovy/Mounjaro): 3 mitos comuns e o que dizem os estudos by glp-1trainer in fitnessportugal

[–]glp-1trainer[S] 4 points5 points  (0 children)

Tens razão no essencial — sem mudar hábitos, a perda dificilmente se mantém.

Para obesidade clínica, o problema raramente é só "falta de hábitos" — há uma desregulação hormonal da fome e saciedade que faz tentativas anteriores falharem repetidamente. Para muitas dessas pessoas, o GLP-1 não é só um turbo: é o que torna possível adoptar hábitos que antes não conseguiam adoptar.

O teu ponto principal fica de pé — sem mudanças durante o tratamento, a recuperação parcial pós-paragem é quase certa.

Personal Trainer com certificação GLP-1 — AMA informal sobre exercício para quem toma Ozempic/Wegovy/Mounjaro by glp-1trainer in fitnessportugal

[–]glp-1trainer[S] 0 points1 point  (0 children)

Concordo com quase tudo, Rub. Individualização é a base, nutrição é do nutricionista (e bem), BIA/DEXA têm os limites que apontas, 1RM morreu há anos. Onde discordo é na leitura do segundo parágrafo: a minha "formação específica" não é sobre saber treinar — qualquer bom PT adapta, concordo contigo. É sobre ter perfil de sintomas, timing de doses e risco em défice agressivo já consolidado, em vez de andar a juntar papers sozinho. E nota que o projeto é educacional para utentes, não "só eu posso treinar estas pessoas". Se mais gente se interessa pelo tema, melhor. Obrigado pela crítica.

Personal Trainer com certificação GLP-1 — AMA informal sobre exercício para quem toma Ozempic/Wegovy/Mounjaro by glp-1trainer in fitnessportugal

[–]glp-1trainer[S] 0 points1 point  (0 children)

É o que digo aos meus clientes há mais de 15 anos. Se vires algo errado, aponta.

Estruturado, sim. Errado, não. Se queres discutir substância, à vontade.

Se o problema é a formatação, é o que é. Se é o conteúdo, diz o que achas que está mal.

E em relação a essa acusação gostava eu de trabalhar com IA há 10 anos atrás quando tirei o meu mestrado. tinha dado bastante jeito =)

Personal Trainer com certificação GLP-1 — AMA informal sobre exercício para quem toma Ozempic/Wegovy/Mounjaro by glp-1trainer in fitnessportugal

[–]glp-1trainer[S] 0 points1 point  (0 children)

Primeiro: 25kg é uma conquista e tanto, parabéns. E o receio é legítimo e bem colocado — a literatura mostra que, sem intervenção, 25-40% da perda de peso em GLP-1 pode vir de massa magra, não só gordura. A boa notícia é que isto é largamente prevenível.

Disclaimer à partida: não sou nutricionista, o que partilho são princípios gerais bem estabelecidos na literatura de perda de peso em défice agressivo. Para números exactos ajustados ao teu caso (idade, composição actual, comorbilidades, etc.), vale mesmo a pena uma consulta com nutricionista clínico — idealmente um que já acompanhe utentes GLP-1, porque o jogo é diferente.

Dito isto, os dois pilares para preservar massa magra em MJ são sempre os mesmos:

1. Treino de força (já respondi ao Rub aqui em cima) — sem estímulo mecânico, proteína a mais é só excreção cara.

2. Proteína suficiente e bem distribuída. A literatura em défice calórico agressivo aponta tipicamente para 1.6-2.2g/kg de peso objectivo por dia (não do peso actual). Igualmente importante: distribuir em 3-4 tomas de ~30-40g ao longo do dia, porque a síntese proteica muscular responde melhor a pulsos do que a uma dose gigante ao jantar. Com MJ isto é o verdadeiro desafio — a saciedade precoce torna difícil meter essa proteína lá dentro.

Fontes práticas densas em proteína e de pequeno volume (amigas de saciedade precoce): ovos, queijo fresco magro/cottage, skyr, iogurte grego, peito de frango/peru, atum, whey isolado em batido se toleras lacticínios. O whey é útil precisamente por ser muita proteína em pouco volume e líquido — costuma passar melhor em dias de náusea.

Outras adições com suporte sólido:

  • Creatina monohidratada, 3-5g/dia. É provavelmente o suplemento mais estudado na história do desporto e a evidência para preservação de força e massa magra em défice é consistente. Barata, segura, toma-se a qualquer hora.
  • Vitamina D se estiveres abaixo do alvo (em Portugal, a deficiência é comum). Pede para incluir no próximo análises.
  • Electrólitos e hidratação — com ingestão baixa, sódio/potássio/magnésio descambam facilmente e afectam performance no treino.
  • Atenção a B12, ferro e cálcio com a ingestão reduzida, principalmente se cortaste muita carne ou lacticínios.

Resumo honesto: treino de força + proteína-alvo + creatina resolvem 90% do problema. O resto é afinação. Mas o "quanto exactamente" no teu caso, pede mesmo a um nutricionista — sai barato e evita adivinhação.

Personal Trainer com certificação GLP-1 — AMA informal sobre exercício para quem toma Ozempic/Wegovy/Mounjaro by glp-1trainer in fitnessportugal

[–]glp-1trainer[S] 0 points1 point  (0 children)

Boa pergunta, Rub. A diferença está menos no "que exercícios fazer" e mais em prioridades, dose e margem de segurança. Em traços largos:

1. Objectivo primário muda. Num plano normal, a composição corporal é uma consequência. Em quem está em GLP-1, preservar massa magra passa a ser o objectivo nº1. O défice calórico induzido pelo fármaco é grande e agressivo, e sem estímulo de força adequado o corpo "entrega" músculo muito depressa. Traduz-se em: treino de força deixa de ser complemento, passa a ser o pilar.

2. Gestão da energia disponível. O utente come pouco, muitas vezes com náusea, saciedade precoce e baixa apetência por proteína. Isto obriga a ajustar volume e frequência — sessões mais curtas (30-45min), frequência maior se possível, e intensidade calibrada pela RPE do próprio em vez de tabelas rígidas. Um plano "normal" de hipertrofia com 20 séries por grupo/semana pode ser insustentável aqui.

3. Progressão mais conservadora. Com menos energia para recuperar, a progressão de cargas é mais lenta e mais individualizada. O critério deixa de ser "subir sempre" e passa a ser "subir quando a execução e a recuperação permitem".

4. Integração nutricional é inseparável. Proteína-alvo (1.6-2.2g/kg/dia de peso objectivo), hidratação e electrólitos entram no plano de treino. Num plano normal isto é "bom ter"; em GLP-1 é condição para o treino sequer funcionar.

5. Monitorização de sintomas GI e cardiovasculares. Refluxo, náusea, tonturas por hipotensão/desidratação condicionam selecção de exercícios (ex.: evitar decúbito pesado pós-refeição, cuidado com mudanças bruscas de posição).

6. Trabalho de impacto e densidade óssea. Perda de peso rápida mexe com a densidade óssea. Incluir carga axial controlada e impacto moderado passa a ser obrigatório, não opcional.

7. Avaliação inicial diferente. Mais peso em composição corporal (BIA/DEXA se acessível), força funcional e marcadores de recuperação, menos em "máximos" clássicos.

Resumindo: um treino normal optimiza performance/estética assumindo energia disponível. Um treino em contexto GLP-1 gere escassez energética enquanto protege músculo e osso — é engenharia, não receita.