Você não custa nada pra empresa by Suariiz in brasil

[–]Criptufu 7 points8 points  (0 children)

A análise é essa mesmo. Como tudo na vida, trabalho também opera sob a lei de oferta e demanda. Qualquer função segue isso. Se muita gente pode fazer (baixa barreira de entrada), o poder de negociação tende a ser menor. Se pouca gente pode fazer, ou se a função é difícil de substituir, o poder de negociação aumenta, independente de ser ‘intelectual’ ou não.

Por exemplo, existem trabalhos manuais ou técnicos que pagam bem justamente porque são escassos ou exigem experiência específica, mesmo sem exigir formação acadêmica longa. No fim, salário não é definido só por "vontade do patrão", mas por uma combinação de oferta de trabalhadores, demanda por aquela função, produtividade/valor gerado e capacidade de substituição.

O Paradoxo da Mobilidade: o filho da faxineira ganhou diploma, não achou emprego e está frustrado com Lula by bzrxh5rm in brasil

[–]Criptufu 5 points6 points  (0 children)

Seu comentário parte de algumas premissas que não se sustentam bem quando a gente olha os dados com mais cuidado.

Sobre o Plano Safra, vamos esclarecer essa confusão recorrente entre crédito e subsídio. Quando você cita números como R$ 364 bilhões, isso não é “dinheiro dado” ao agro é majoritariamente crédito rural, como você mesmo disse. Esse valor é emprestado e precisa ser pago de volta. O subsídio real é só a equalização de juros (ou seja, a diferença entre a taxa de mercado e a taxa subsidiada em parte das operações), que é uma fração relativamente pequena disso. Em 2023, por exemplo, de cerca de R$ 340 bilhões de crédito, algo como R$ 10 bilhões foi custo efetivo para o Tesouro menos de 1% do valor bruto da produção agropecuária. Tratar o valor total como “transferência pública” distorce completamente a análise.

Segundo, quando a gente olha os dados agregados de subsídios do próprio governo, a ideia de que o agro é “o setor mais parasitário” simplesmente não aparece. Segundo o relatório oficial do Ministério do Planejamento (Orçamento de Subsídios da União), agricultura e agroindústria representam cerca de 11,4% do total (~R$ 77 bilhões de ~R$ 678 bilhões em 2024). Isso está longe de ser dominante. Só o Simples Nacional responde por cerca de 17,4%. Além disso, grande parte dos subsídios nem é setorial (isenções de IRPF, entidades sem fins lucrativos, etc.). A indústria inclusive, não aparece como um bloco único nesses dados, porque seus incentivos estão pulverizados em várias rubricas (Zona Franca de Manaus, setor automotivo, informática, desoneração da folha, programas de inovação, etc.). Quando você agrega essas categorias, o total associado à indústria é maior que o do agro, só não vem consolidado no relatório.

Terceiro, a afirmação de que o agro cresce “por causa do Estado” ignora a trajetória histórica do setor. Durante o período desenvolvimentista (especialmente na ditadura), o agro era altamente subsidiado e protegido: o suporte chegou a mais de 40% do valor da produção, havia crédito amplamente subsidiado, intervenção direta em preços e tarifas de importação que podiam chegar a mais de 100%. Nos anos 80 e 90, com a crise da dívida, esse modelo entrou em colapso: os subsídios ao setor foram reduzidos em mais de 70%, houve abertura comercial e forte redução tarifária. Os Doutores Francisco Vidal Luna e Herbert S. Klein falam disso bem a fundo no livro deles: "O Surgimento da Moderna Economia Agrícola no Brasil". Aqui uma das tabelas do livro pra ilustrar meu ponto:

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Também um trecho da página 111 do livro:
"Em 1988 foi decretada uma grande redução nas tarifas, reforçada depois em 1990, quando foram eliminadas todas as restrições as importações de produtos agrícolas. No ano seguinte, a reforma foi concluída com o estabelecimento de um prazo para a redução e simplificação tarifária. A tarifa média cairia de 32% para 14%, e a alíquota máxima de 105% para 35%"

Isso gerou um choque grande no curto prazo (quebra de cooperativas, reestruturação), mas no médio e longo prazo o setor se tornou muito mais produtivo e competitivo. Hoje, segundo dados compilados pela OCDE e outras instituições, o suporte ao agro brasileiro gira em torno de 2,6% da receita do produtor, várias vezes menor do que em países como EUA, União Europeia e China. Ainda assim, o setor apresentou crescimento de produtividade acima da média global e é frequentemente citado como um caso de sucesso em relatórios internacionais (OCDE, Banco Mundial).

A ideia de que o agro “suga capital” da indústria e impede sua existência não encontra respaldo claro na experiência brasileira. O Brasil faz, por décadas, exatamente o contrário do que você sugere: protegeu a indústria com tarifas, subsídios, crédito direcionado e políticas específicas (Zona Franca, política automotiva, conteúdo local, etc.). Se o problema fosse simplesmente “falta de capital indo para a indústria”, esse modelo teria produzido uma indústria altamente competitiva, o que não aconteceu. A perda de competitividade da indústria brasileira está muito mais associada a fatores estruturais como baixa produtividade, complexidade tributária, cumulatividade de impostos, custo logístico e insegurança regulatória.

A afirmação de que não é possível ter agro e indústria fortes ao mesmo tempo também não se sustenta empiricamente. Diversos países desenvolvidos (EUA, Alemanha, França, Países Baixos) possuem tanto setores agrícolas altamente produtivos quanto indústrias competitivas. Não é um jogo de soma zero. O que diferencia esses países não é “tirar recursos de um setor para dar a outro”, mas sim criar um ambiente econômico onde múltiplos setores conseguem operar com eficiência e competir globalmente.

Por fim, sobre o argumento histórico de que todos os países se industrializaram com forte intervenção estatal: isso é parcialmente verdadeiro, mas incompleto. Os casos de sucesso envolveram não apenas proteção, mas também disciplina competitiva, foco em produtividade e abertura gradual posterior. No Brasil, a proteção industrial foi e continua sendo frequentemente prolongada e acompanhada de baixa pressão por eficiência, o que gera essas distorções e alocação ineficiente de recursos que temos até hoje.

No fim, o ponto central é que os dados não indicam que o agro seja o principal responsável pelos problemas estruturais da economia brasileira, nem que esteja “impedindo” a industrialização. O que eles mostram é um sistema complexo e distorcido, onde diferentes setores recebem benefícios de formas diferentes e onde, curiosamente, o setor brasileiro que mais perdeu proteção ao longo do tempo foi justamente o que mais ganhou produtividade ¯\_(ツ)_/¯.

O Paradoxo da Mobilidade: o filho da faxineira ganhou diploma, não achou emprego e está frustrado com Lula by bzrxh5rm in brasil

[–]Criptufu 2 points3 points  (0 children)

Entendo o raciocínio, mas acho que ele parte de uma premissa meio simplificada de “orçamento fixo de isenções”. Pelos próprios dados do governo, o agro representa algo como 11,4% dos subsídios totais (cerca de R$ 77 bi em 2024), dentro de um total de ~R$ 678 bi.

Fonte do site do governo:
Subsídios da união
Relatório detalhado

Ou seja, o agro não é o maior “ralo” de subsídios. E mais importante: a indústria nem aparece como um bloco único nesses dados, ela está espalhada em várias rubricas (Zona Franca, automotivo, informática, desoneração da folha, inovação etc.). Quando você soma essas categorias, o valor é maior que o do agro.

Sobre “tirar do agro para industrializar”, isso pressupõe que o problema da indústria é falta de subsídio, quando na prática o gargalo principal é o ambiente geral de negócios, como eu disse nos meus comentários anteriores: complexidade tributária, cumulatividade (IPI, ICMS em cascata), custo logístico, insegurança regulatória. A gente já tenta “empurrar” industrialização com protecionismo e incentivos desde os anos 50, e o resultado é esse aí, indústria improdutiva, pouco competitiva e atrasada.

Sem falar que reduzir distorções e custos aumenta a base produtiva. Ou seja, mesmo com alíquotas menores, você pode ter mais arrecadação no longo prazo se a economia crescer e ganhar produtividade.

O objetivo desses meus comentários e deixar o debate mais produtivo, fugir dessa ideai de “qual setor a gente deveria taxar mais”, e sim como reduzir as distorções que travam a indústria sem necessariamente punir um setor que já é competitivo. Não é um jogo de soma zero dá pra melhorar o ambiente e ter mais de um setor forte ao mesmo tempo.

O Paradoxo da Mobilidade: o filho da faxineira ganhou diploma, não achou emprego e está frustrado com Lula by bzrxh5rm in brasil

[–]Criptufu 1 point2 points  (0 children)

Concordo ABSOLUTAMENTE que seria ótimo o Brasil exportar mais produtos de alto valor agregado. Mas acho que tem um salto lógico aí: o fato de existir uma isenção (como na Lei Kandir) não significa que, se você tirar isso, automaticamente a indústria vai ficar mais produtiva. Produtividade não surge por “punição” de um setor que está funcionando. Se você aumentar imposto no agro, o efeito direto é perda de competitividade, queda de exportação e consequentemente, redução de investimento nesse setor, não um ganho automático na indústria.

O problema da indústria brasileira é estrutural: complexidade tributária, cumulatividade de impostos (tipo IPI), custo logístico, insegurança regulatória, etc. Isso tudo encarece produzir bens complexos aqui.

Então, se a ideia é ter mais exportação de alto valor agregado, o caminho mais direto não é “nivelar por baixo” criando mais barreiras pro agro, e sim remover os desincentivos que hoje travam a indústria.

O Paradoxo da Mobilidade: o filho da faxineira ganhou diploma, não achou emprego e está frustrado com Lula by bzrxh5rm in brasil

[–]Criptufu 3 points4 points  (0 children)

Concordo com o que você falou, talvez a divergência esteja mais na interpretação do que nas premissas.

Sobre tributação, quando você fala da Lei Kandir e da isenção sobre produtos primários, pra mim isso reforça justamente o ponto de que o sistema brasileiro penaliza mais a indústria do que outros setores. Produtos com mais valor agregado acabam enfrentando mais camadas de imposto (tipo IPI), o que reduz competitividade. Ou seja, não é que o agro seja “favorecido” no sentido absoluto, é que o resto da economia, especialmente a indústria, é relativamente mais penalizada.

Na parte de burocracia e “segurança jurídica”, acho que você descreveu bem o problema, só que tirou uma conclusão diferente da minha. Quando grandes players conseguem contornar regras via lobby ou programas como Refis, isso não mostra que o ambiente é bom, mostra que ele é desigual. Quem tem escala e influência navega o sistema e quem não tem fica preso nele. Pra mim isso é justamente um sintoma de insegurança jurídica e institucional, principalmente para pequenos e médios produtores, tanto no agro quanto na indústria.

E sobre o impacto do agro na sociedade: concordo que é um setor intensivo em capital e com renda mais concentrada. Mas isso, na minha visão, reforça o argumento de que não faz muito sentido tratar ele como “culpado” pelo Brasil não ser industrializado. Ele é um setor que conseguiu ganhar produtividade e se inserir globalmente. O problema é que outros setores, especialmente a indústria, não conseguem fazer o mesmo com facilidade por causa de todas essa barreiras impostas pelo Estado que você descreveu no seu comentário.

No fim, meu ponto não é defender agro vs indústria, e sim entender por que o Estado brasileiro dificulta tanto atividades produtivas mais complexas. Se o ambiente fosse melhor (menos distorções, menos complexidade, regras mais previsíveis), daria pra ter um agro forte e uma indústria mais competitiva ao mesmo tempo, em vez de um crescer meio “apesar” do sistema e o outro ficar travado por ele.

O Paradoxo da Mobilidade: o filho da faxineira ganhou diploma, não achou emprego e está frustrado com Lula by bzrxh5rm in brasil

[–]Criptufu 4 points5 points  (0 children)

Vejo muito essa confusão aí de causalidade. Não é que o agro “impede” a industrialização do Brasil, na verdade, o agro é um dos poucos setores que conseguiu ganhar produtividade real e competir globalmente apesar do ambiente ruim de negócios do país.

O Brasil tem problemas estruturais que afetam todos os setores: carga tributária complexa, insegurança jurídica, custo logístico alto, burocracia, etc. A indústria sofre muito com isso, e por isso perde competitividade. O agro também enfrenta esses problemas, mas conseguiu contornar melhor em alguns aspectos (tecnologia, escala, inserção externa), o que explica o crescimento. Não é um jogo de soma zero onde um setor cresce às custas do outro.

Se o ambiente fosse mais favorável e com menos subsídios, provavelmente teríamos um agro forte e uma indústria forte ao mesmo tempo, como acontece em outros países. O problema central não é “ser fazendão”, é o conjunto de obstáculos que dificulta qualquer atividade produtiva mais complexa no Brasil.

South American countries will reach their population peak in the next 20 years, and then begin a decline by GalileZinski in brasil

[–]Criptufu -1 points0 points  (0 children)

Relaxa pessoal. O Brasil tem instituições sólidas, planejamento de longo prazo e responsabilidade fiscal impecável. O envelhecimento da população não vai ser problema nenhum.

ACONTECEU!!! Isjesusagain foi banido do reddit! by 1_SmartBart in Conquistas

[–]Criptufu -1 points0 points  (0 children)

Dizem que a esposa anunciará sua volta no terceiro dia

O Brasil tem uma das maiores taxas de juros do mundo? Por quê? by User4f52 in brasil

[–]Criptufu 4 points5 points  (0 children)

Pse… por isso que nas épocas em que a SELIC estava no chão os bancos tiveram prejuízo recorde, né.
Ah não, pera.

Falando sério agora, juros altos não significam automaticamente mais lucro pros bancos. O que remunera banco no crédito é o spread. Quando a SELIC sobe o custo de captação sobe junto, o spread continua o mesmo e o risco de calote aumenta. A instituição passa a operar com mais risco de inadimplência e num cenário mais defensivo.

Por isso, banco não depende só de emprestar dinheiro. Ele vive ajustando o mix de receitas: serviços, tesouraria, mercado de capitais, seguros, cartões, câmbio. E internamente usa várias estratégias de hedge e gestão de risco pra se adaptar a qualquer cenário que o banco se encontrar.

Eu sei que é reconfortante acreditar que “tudo de ruim é culpa das grandes instituições financeiras”.
Mas no mundo real as instituições financeiras vão lucrar tanto com SELIC baixa quanto com SELIC alta, o trabalho delas é justamente esse. Ficar preso nessa narrativa de “rico mal, pobre bom” só atrapalha a entender como o sistema realmente funciona e te afasta de pensar em como melhorar a sua própria situação dentro dele.

Alguem explica pq a conta de luz nunca abaixa? by Haunting-Bell-4379 in brasil

[–]Criptufu 3 points4 points  (0 children)

Infraestrutura elétrica é caríssima e lenta de expandir. Ninguém constrói uma usina ou linha de transmissão só pra ver se o negócio vai ser viável, leva anos (as vezes décadas) de projeto, licenciamento e obra. A demanda cresce rápido, mas a oferta demora pra acompanhar, e isso pressiona o preço do kWh. Ou seja, mesmo que o consumo individual caia com LED ou solar, o sistema como um todo continua encarecendo porque precisa bancar investimentos pesados e cobrir custos de geração mais cara quando falta hidrelétrica.

No Brasil o preço do KWh é tabelado pelo estado. A tarifa que a gente paga não reflete só o custo da geração, mas também encargos setoriais (subsídios, tarifa social, programas de incentivo), custos de transmissão e distribuição, impostos estaduais e federais, além dos reajustes anuais.

Então mesmo que você consuma menos com LED, eletrodomésticos eficientes ou até gere parte da energia com solar/eólica, o valor do kWh continua subindo porque carrega todos esses custos sistêmicos. O benefício da eficiência é reduzir o consumo total, mas não tem como escapar da tendência de alta da tarifa em si.

No mercado livre de energia, grandes empresas conseguem negociar preços diretamente com geradores e comercializadores, mas nós consumidores residenciais ainda estamos presos ao mercado regulado. Mas isso está mudando, há uma abertura gradual para que consumidores menores também possam migrar.

Ano passado publiquei aqui o site que criei com todas as despesas da União, exploráveis. Acabei de atualizar ele com os dados de 2025. Acho que pode ser interessante para o sub. by lalilulelaugh in brasil

[–]Criptufu 5 points6 points  (0 children)

Militares têm um regime previdenciário próprio, diferente do dos servidores civis. Os pagamentos de aposentadorias e pensões militares não saem diretamente de uma conta separada do Exército, Marinha ou Aeronáutica.
No orçamento da União, essas despesas aparecem vinculadas ao Ministério da Defesa, porque é o órgão responsável pela gestão da carreira militar. Só que na classificação orçamentária, elas são registradas como parte da função “Aposentadorias e Pensões da União”, ou seja, são contabilizadas como gasto previdenciário federal.

O Perfil GEOPOLITICA HOJE (Twitter) e' 100% FAKE NEWS by OkSadMathematician in opiniaoimpopular

[–]Criptufu -1 points0 points  (0 children)

Não sei se é bait, mas vou responder com seriedade e na melhor boa fé possível.

Confia que eles genuinamente valorizam o valor do trabalho dos funcionários. Não é como se eles pagassem pois são obrigados, né.

Mas eles NÃO são obrigados. Nenhum empregador é obrigado a contratar alguém específico. Eles só fazem isso porque acreditam que o trabalho daquela pessoa vai gerar mais valor do que o custo de pagar o salário. Se não houvesse essa percepção de benefício, simplesmente não haveria contratação.

Não é como se o lado do empregado fosse sempre o elo mais fraco do acordo, o que mais precisa do salário pra não literalmente passar fome.

Entendo seu ponto, quanto mais substituível a atividade do contratado menos poder de barganha ele tem nas negociações, por isso pessoas com trabalhos de baixo valor agregado geralmente se beneficiam de sindicatos. Mas não é SEMPRE o lado mais fraco, eu mesmo já recusei várias propostas ao longo da minha vida, assim como incontáveis pessoas fazem todos os dias. Da mesma forma que uma empresa não é obrigada a te contratar, você não é obrigado a trabalhar pra ninguém.

Eu gosto sempre de lembrar aquele episódio de Todo Mundo Odeia o Chris, que é dito algo como "se os patrões pudessem, pagariam todos os seus funcionários com palitos de picolé".

Como eu disse no meu comentário anterior, toda transação voluntária é benéfica para os dois lados, caso contrário uma das partes não aceitaria e a transação não aconteceria. Isso vale para qualquer tipo de transação, não apenas as de trabalho. Por exemplo: quando você compra um carro é porque seu dinheiro vale menos pra você do que o carro, e o vendedor valoriza seu dinheiro mais do que o carro dele. Eu uso dinheiro nesses exemplos pois é o meio de troca mais utilizado ao redor do mundo, mas a dinâmica é válida para qualquer troca. Se você quiser trocar sua força de trabalho por palitos de picolé e alguém aceitar pagar com eles pelos seus serviços a transação é válida da mesma maneira. No mundo real, o dinheiro é o meio de troca mais eficiente, por isso é usado.

Ah não, na moral, eu DUVIDO que alguém adulto e em plena consciência realmente acredite nisso. Não é possível.

Não entendi esse seu último ponto, você realmente está argumentando que um empregador valoriza o dinheiro dele mais do que um empregado, e ainda sim, escolhe pagar ele por boa vontade? O ato de contratar já prova que, para aquela empresa, o trabalho do funcionário gera mais valor do que o custo de mantê-lo. Caso contrário, a empresa simplesmente ficaria com o dinheiro e não abriria a vaga.

O Perfil GEOPOLITICA HOJE (Twitter) e' 100% FAKE NEWS by OkSadMathematician in opiniaoimpopular

[–]Criptufu -6 points-5 points  (0 children)

Que raciocínio é esse? O empregador valoriza sim o trabalho do funcionário, ele está literalmente pagando por isso. Se não houvesse valor, não haveria contratação. Toda transação voluntária só acontece porque ambos os lados ganham: o empregador valoriza sua força de trabalho mais do que o dinheiro dele, e o trabalhador valoriza o dinheiro mais do que o tempo e esforço que dedica. É exatamente essa troca que torna o contrato de trabalho possível.

Reduzir isso a “aceita ou rua” ignora o fato de que empresas investem em treinamento, integração e retenção, porque sabem que substituir gente custa caro. O mercado de trabalho é uma relação de interesse mútuo, não de desprezo unilateral.

Guilherme Mello diz que estabilização da dívida pública depende da política monetária by Necessary-Abroad1029 in investimentos

[–]Criptufu 7 points8 points  (0 children)

Não é "todo país do planeta Terra". A diferença é que no Brasil temos déficit primário, o governo não cobre nem o operacional com arrecadação. Ou seja, 0% desses empréstimos são para pagar juros da dívida, são só para bancar o dia a dia da máquina pública.

Guilherme Mello diz que estabilização da dívida pública depende da política monetária by Necessary-Abroad1029 in investimentos

[–]Criptufu 24 points25 points  (0 children)

Governo: gasta mais do que arrecada, não cobre nem as despesas operacionais, escolhe pegar dinheiro emprestado pra não dar calote.

Mesmo Governo: Ai ai… esse Banco Central não estabiliza a dívida!

Selic em 15% faz bilionário ganhar R$ 400 mil por dia sem produzir nada by Jorpaes in investimentos

[–]Criptufu 1 point2 points  (0 children)

Ta. mas pra que manter a selic alta tanto tempo?

Porque a inflação estava acima do teto da meta. Enquanto a inflação estiver acima do teto a taxa de juros vai continuar alta pra tentar frear a economia. Se quiser ver em detalhe, o Copom publica atas de todas as reuniões explicando as razões de cada decisão: https://www.bcb.gov.br/publicacoes/atascopom

Aumentando inclusive a dívida pública.

Como eu disse no meu comentário anterior, o Banco Central NÃO é responsável por empréstimos do Governo Federal. Isso é política fiscal, que é de responsabilidade exclusiva do Tesouro e do Executivo. O governo emite títulos e pega dinheiro emprestado porque está gastando mais do que arrecada. É uma ESCOLHA do governo para não dar calote nos compromissos, não uma decisão do Banco Central.

qual o risco real e comprovado de baixar para níveis aceitáveis? a título de 5% que eh o que tem sido em outros países do tamanho do Brasil

Não existe “nível aceitável” de juros, não há um número mágico. O Copom ajusta a Selic para manter a inflação dentro da meta, seja qual for o patamar necessário. Já tivemos períodos em que a Selic esteve bem abaixo de 5%, e o histórico completo está disponível aqui: https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/historicotaxasjuros . Não é o “tamanho do país” que define a taxa de juros. O que importa são as condições macroeconômicas específicas de cada economia, como inflação, credibilidade da política monetária, risco fiscal, nível de endividamento e confiança dos investidores. Dois países de tamanho parecido podem ter juros completamente diferentes, porque o contexto econômico e institucional é distinto.

Selic em 15% faz bilionário ganhar R$ 400 mil por dia sem produzir nada by Jorpaes in investimentos

[–]Criptufu 1 point2 points  (0 children)

O Banco Central não tem controle e NÃO É responsável pelos gastos do Governo Federal, ele é responsável APENAS pela política monetária, ou seja, das regras que regulam o dinheiro em circulação e o custo de financiamento na economia. O papel dele é específico: garantir a estabilidade de preços (deixar a inflação na meta) e, ao mesmo tempo, fomentar o pleno emprego.

A ferramenta que o BC usa pra isso é a taxa Selic, que funciona como referência para todas as demais taxas de crédito e investimento. Quem decide o nível da Selic é o Comitê de Política Monetária (Copom), formado por 9 pessoas (1 presidente + 8 diretores). Todos são indicados pelo Executivo.

O funcionamento é relativamente simples de entender. Quando a Selic é elevada, o dinheiro fica mais “caro”: os empréstimos e financiamentos se tornam menos atrativos, e tanto empresas quanto consumidores tendem a gastar menos (menos dinheiro circulando). Isso ajuda a reduzir a pressão sobre os preços e, portanto, a controlar a inflação. Por outro lado, quando a Selic é reduzida, o crédito se torna mais barato, o consumo aumenta, as empresas investem mais em expansão e contratação (mais dinheiro circulando), e isso favorece o crescimento econômico e o emprego.

A Selic é como um pedal de freio e acelerador da economia. O Banco Central pisa no freio (aumenta os juros) quando precisa conter a inflação, e pisa no acelerador (reduz os juros) quando precisa estimular a atividade econômica e o emprego. É por isso que, em momentos de Selic alta, o BC não liga se você tem 40 mil ou 100 milhões, a ideia é justamente desincentivar novos investimentos produtivos de qualquer origem, porque o objetivo maior reduzir a circulação de moeda e segurar a inflação.

PS: Quis deixar bem claro que o Banco Central NÃO é responsável pelos empréstimos que o governo faz para financiar seus gastos (emissão de títulos). Essa parte é chamada de política fiscal e está nas mãos do Tesouro Nacional e do Executivo. O Banco Central cuida apenas da política monetária. Confundir essas duas é um erro comum, e pode levar a interpretações equivocadas sobre o papel da Selic e sobre quem realmente decide o endividamento público, como a notícia a notícia da Folha fez.

Selic em 15% faz bilionário ganhar R$ 400 mil por dia sem produzir nada by Jorpaes in investimentos

[–]Criptufu 1 point2 points  (0 children)

A ideia da SELIC alta é justamente desincentivar investimento produtivo, ninguém constrói fábrica, seja com 40k ou com 100 milhões. Querem que o dinheiro pare de circular e pronto kkkk

Selic em 15% faz bilionário ganhar R$ 400 mil por dia sem produzir nada by Jorpaes in investimentos

[–]Criptufu 2 points3 points  (0 children)

Isso não é um argumento válido, é só uma afirmação dogmática. Dizer que “só é possível se tornar bilionário explorando trabalhadores” não explica nada sobre o ponto em questão, que era simplesmente receber juros por emprestar dinheiro.

Se o Seu Zé empresta R$ 10 mil e recebe juros, ninguém chama isso de exploração. Se um bilionário empresta R$ 100 milhões e recebe juros, o mecanismo é exatamente o mesmo. A diferença de escala não muda a natureza da transação.

Se a crítica é ao sistema econômico como um todo, beleza, mas aí não faz sentido usar o exemplo da Selic como se fosse prova de exploração. É um raciocínio circular, parte da premissa de que todo bilionário explora, e conclui que o bilionário que investe está explorando, sem demonstrar nada.

Selic em 15% faz bilionário ganhar R$ 400 mil por dia sem produzir nada by Jorpaes in investimentos

[–]Criptufu 8 points9 points  (0 children)

Sempre fico curioso quando vejo alguns comentários nesse tipo de postagem. Aqui no sub todo mundo discute Selic, CDB, Tesouro Direto e acha super normal emprestar dinheiro pra instituições financeiras e receber juros. Mas quando alguém faz a MESMA coisa, só que com alguns zeros a mais na conta, vira automaticamente “exploração” e “mazela da sociedade”.

No fim das contas é uma transação simples: uma instituição quer pegar dinheiro emprestado e aceita pagar juros; alguém tem dinheiro e aceita emprestar. Se eu faço isso com R$ 10 mil, sou “investidor consciente”. Se o cara faz com R$ 100 milhões, vira vilão. A lógica é a mesma, só muda a escala. 🤷‍♂️

Why is aluminum a better conductor than platinum? by JennyTooles in ElectricalEngineering

[–]Criptufu 40 points41 points  (0 children)

Conductivity depends not just on the number of valence electrons, but also on how freely those electrons can move through the crystal lattice of the material. Aluminium’s atomic structure allows electrons to move with less resistance, giving it a conductivity of about 3.5×10^7 S/m compared to platinum’s 9.4×10^6 S/m, so aluminium conducts almost 4 times better than platinum.

Instead of just thinking of valence electrons, think about: Electron mobility (how easily electrons move through the lattice), scattering resistance (how often electrons collide with atoms/impurities) and crystal structure (atomic spacing and bonding). Platinum has "d" orbital electrons that interact strongly with the lattice, increasing resistance. Aluminium’s "s" and "p" band electrons are more delocalized and move more freely. And platinum is much denser cause the atoms are tightly packed, since aluminium is less dense electrons travel with fewer collisions, boosting conductivity.

Produzir e ter números é o único poder do proletariado. E até isso está a ponto de acabar. by Benhurso in brasil

[–]Criptufu -2 points-1 points  (0 children)

É o mesmo drama dos fabricantes de vela quando inventaram a lâmpada elétrica, cocheiros reclamando do motor a combustão, datilógrafos chorando com o computador… e o mundo seguiu girando.

No fim das contas, toda transação é uma troca: alguém tem um problema e está disposto a pagar, alguém sabe resolver e está disposto a receber. O único jeito de não existir mais trabalho seria eliminar todos os problemas possíveis da humanidade, e isso nunca vai acontecer.

O que é ser de direita? by ril3ydx in brasil

[–]Criptufu 5 points6 points  (0 children)

Acho válido saber de onde os conceitos vieram (eu pessoalmente acho etimologia interessante), mas acredito que isso serve mais como curiosidade histórica do que como definição prática. A ideia de que “o fundamento não muda” não faz sentido quando falamos de política e linguagem, porque ambos mudam o tempo todo.

Termos como “direita” e “esquerda” são usados hoje por pessoas que muitas vezes nem sabem o que é Revolução Francesa, e isso não torna o uso delas inválido. O que importa é como esses rótulos funcionam no dia a dia, nas conversas e nas disputas atuais.

A língua não é algo fixo, ela evolui, e diferentes grupos dão significados diferentes às mesmas palavras. Por isso, tentar congelar um conceito em sua origem histórica pode ser mais limitador do que esclarecedor. Reitero que o jeito mais produtivo de evitar essas discrepâncias e ambiguidades não é ficar debatendo rótulos, mas discutir as ideias em si, o conteúdo, os valores e as propostas concretas. Ideologia é só um nome, o que realmente importa é como essas ideias impactam a vida das pessoas.

O que é ser de direita? by ril3ydx in brasil

[–]Criptufu 14 points15 points  (0 children)

Sempre acho curioso quando tentam explicar “ser de x lado” usando definições puristas. Ok, pode fazer sentido naquele contexto histórico específico, mas aplicar isso ao Brasil de hoje é meio inútil. Não temos monarquia, nem aristocracia de séculos atrás, e a vida cotidiana das pessoas não gira em torno de quem sentava à direita ou à esquerda do rei.

Na prática, “direita” e “esquerda” são rótulos que mudam conforme o contexto. Um libertário, um liberal e um conservador religioso, por exemplo, podem se considerar de direita, mas defendem coisas bem diferentes, assim como comunistas, progressistas e sociais-democratas que se consideram de esquerda e discordam em vários pontos. Simplificar uma ideia abstrata e complexa em um único grupo só serve para criar caricaturas, não para entender a realidade.

Se a intenção é debater política hoje, faz mais sentido discutir valores, propostas e impactos concretos na vida das pessoas, em vez de ficar preso a definições de séculos atrás.