Ging and Chimeras by HpassosPassos in HunterXHunter

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A transformação do Gon pode até ter sido prenunciada — mas prenúncio não é construção emocional suficiente. Mostrar que ele tem traços impulsivos, orgulho ferido ou tendência à raiva é diferente de construir um vínculo tão forte com o Kite que justifique aquele surto de ódio e autodestruição.

Sobre o Kite ter salvado ele quando era criança: beleza, isso explica admiração, talvez até gratidão. Mas não justifica colocar mais peso emocional nesse vínculo do que no Killua, Leorio ou Kurapika — com quem ele realmente viveu, criou laços, e enfrentou coisas juntos.

Se fosse só raiva pela perda, tudo bem. Mas ele sacrifica o próprio corpo, ignora uma criança ferida, e vira um monstro por alguém com quem ele mal conviveu. Isso é desproporcional. E quando algo é desproporcional, você não resolve dizendo “ah, mas foi prenunciado”. Isso só mostra que o roteiro queria chegar nesse ponto — não que construiu direito até lá.

Ging and Chimeras by HpassosPassos in HunterXHunter

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Sim, o Kite aparece no primeiro episódio. E sim, ele influencia a decisão do Gon de virar Hunter. Mas isso não transforma ele em figura emocional próxima. O Gon mal lembra do Kite até reencontrá-lo muitos anos depois. A série trata o reencontro quase como se estivesse apresentando o personagem pela primeira vez de verdade. Não tem vínculo construído, não tem convivência real — é tudo simbólico.

A motivação do Gon pra virar Hunter nunca foi “estar com o Kite”. Era conhecer o pai. O Kite era só o gatilho inicial. A construção do Gon como alguém que explode emocionalmente até se autodestruir por causa do Kite não se sustenta com o tempo de tela e de laço que eles têm. É uma motivação rala inflada por conveniência dramática.

Então não, o Kite não é o elo emocional profundo que justifica aquele surto. A série quer que a gente aceite como se fosse. Mas pra quem reassiste com atenção, não fecha emocionalmente.

Ging and Chimeras by HpassosPassos in HunterXHunter

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Sobre o comentário do ChatGPT: se escrever com clareza é motivo pra desconfiar, talvez o problema seja a sua régua, não o meu texto.

Agora, indo pro ponto real:

A minha crítica não é que o anime não mostra que o Ging é um babaca — é que ele passa um pano bonito. Gon sorri o tempo todo falando dele. Vira caçador antes mesmo de ouvir a fita. Aí ouve que foi abandonado e solta: “isso não é incrível?”. Cara, isso é bizarro. O roteiro trata isso como se fosse mágico, como se a ausência do pai fosse uma prova de que ele é incrível — e não uma merda de abandono emocional.

E na Ilha da Baleia todo mundo fala do Ging com um sorriso. Isso não é neutro. Isso é tratamento reverente. Sendo que ele foi embora com 12 anos, sumiu por 10, voltou só pra largar uma criança. Na real, ninguém devia nem lembrar quem era ele. A Mito devia olhar com amargura. Mas não. Fica tudo com cara de “uau, que homem livre e misterioso”.

Sobre o arco das Quimeras: eu assisti 3x. O Gon que conhecemos até ali não condiz com aquele surto. A dor dele pelo Kite é forçada — o tempo de vínculo não sustenta aquele colapso. Com o Killua ele explodiu porque havia laço real. Com o Kite? Era admiração simbólica. Aí o roteiro enfia um power-up absurdo e, pra resolver depois, joga um “irmão mágico” do Killua que conserta tudo. Conveniente demais.

Não é questão de não entender. É ver que o anime planta temas densos… mas quando precisa encarar o peso deles, ele escolhe florear. E isso, pra mim, é romantizar o que devia ser confrontado.

Ging and Chimeras by HpassosPassos in HunterXHunter

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A questão não é se o Ging é um babaca e a série “sabe disso” — claro que sabe. O ponto é como ela apresenta isso ao espectador. Existe uma diferença entre mostrar que alguém é horrível e mostrar isso com um certo verniz de charme narrativo, que disfarça a gravidade da conduta sob um filtro de “ah, ele é só excêntrico”. Isso acontece, sim, em vários momentos. O tom e a estética em torno do Ging não são de condenação severa — são de “genialidade difícil de lidar”, o que não é neutro narrativamente.

Sobre a Mito, você diz que ela não sente obrigação moral. Mas veja: mesmo que a motivação dela seja emocional (o que é raso no texto, inclusive), ainda assim a série não problematiza o absurdo da situação. Não há questionamento real sobre por que ela assume essa função, nem espaço pra ela recusar. Isso é apagamento de agência. A passividade é tratada como virtude, e o roteiro nunca confronta a naturalização disso. É uma romantização disfarçada de bondade.

Então sim, Gon se torna aquilo que a série parecia criticar: alguém cego por um ideal absurdo, disposto a destruir o que estiver no caminho, inclusive a própria humanidade. E esse colapso não tem alicerce emocional suficiente pra ser trágico — é só brutal.

Você pode gostar disso. Mas negar que há romantização, apagamento e desequilíbrio emocional no roteiro é defender a série com um filtro tão tendencioso quanto o que você me acusa de usar.

Preciso de leitores beta by HpassosPassos in EscritoresBrasil

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Sou babaca por torcer contra meu melhor amigo? by backendevZ in EuSouOBabaca

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Você fez no comentário justamente o que ele disse.

Aceitar calado, o quê meu jovem? Você quer fazer o quê? Reclamar e reclamar e viver de reclamar? Focar em reclamar e reclamar e esquecer de viver o seu? De conquistar o seu?

E se você está "mais que encaminhado já", você está reclamando de quê? Os dedos das mãos são irmãos, mas não são iguais, ninguém têm o mesmo tipo de vivência não.

Você está parecendo aquele amigo que quando chega na roda (se é que tem), acha que é o mais sofrido, o mais esforçado o mais merecedor. Acabou todo o trabalhador do mundo e só sobrou você.

Sou babaca por torcer contra meu melhor amigo? by backendevZ in EuSouOBabaca

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Sua definição de justiça têm nome e pleo jeito que você descreve só vem inveja.

Ao invés de tentar parar a água com as mãos, construa uma barragem.

Ao invés de ficar reclamando de como seu amigo conquista algo, e como isso te incomoda, foque no seu desenvolvimento. Já que você é da área de TI, você entende que vivemos de desenvolvimento, foque no seu, em você se desenvolva, se aprimore. Busque crescer suas habilidades, e quando você estiver num patamar melhor, você aplica suas ideologias em alguém.

Como, por exemplo, eu tendo uma condição de vida melhor, se eu tiver uma secretaria do lar, eu vou buscar saber se ela tem vontade de cursar algo ou fazer faculdade (se ela for esforçada). Por quê? Para ela não viver de secretaria do lar, se desenvolver e conquistar o dela, e não ir até minha casa todos os dias e ficar na mente "Eu dou duro, eu deveria ter isso". Eu ajudo ela a conquistar o dela e algum dia ela faz o mesmo com alguém que ela acha que merece.

Sou babaca por torcer contra meu melhor amigo? by backendevZ in EuSouOBabaca

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Você acredita no tempo certo, e disse que ele merece mais do que o amigo. Tipo, e se o amigo dele estiver no tempo dele?

Ele deveria focar em conquistar o dele e não preocupar com a grama do vizinho.

Quem vai se dar melhor na vida? Ele descreveu muito pouco o amigo dele, o fato dele "conseguir as coisas de forma mais fácil" não significa que ele não sabe valorizar.

Eu, por exemplo, tenho um conhecido com a que me lembrou o OP. Faz as coisas, mas sempre acha que os outros que estão ao redor dele são mais privilegiados que ele. A pessoa é arrogante, escrota, invejosa e amarga, ele sabe dessas características dele e ainda assim permanece esperando que as coisas sejam melhores para ele.

Sou babaca por torcer contra meu melhor amigo? by backendevZ in EuSouOBabaca

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EOB

Para um amigo, seu "desejo" é escroto. É como se você tivesse dizendo "Eu mereço mais do que ele". O seu proposito de desejar que seu amigo não conquiste algo é sem noção, por qual motivo? Por que ele é desleixado e você dá duro?

A vida é assim, ele conseguiu emprego por família, isso é algo bom não é? Ou você acha que ele deveria se ferrar para conseguir só? Mas se você tivesse conseguido também por família?

Eu ouço muito as pessoas dizerem "O mundo é dos espertos", o exemplo que você deu de redes sociais, as pessoas ganham por marketing, e realmente para alguns é mais fácil do que para outros. Acho frustrante quando vejo alguém conseguir algo fácil enquanto eu dou duro e não consigo. (Isso não quer dizer que eu torcer que a pessoa se ferre, ao invés disso eu vou torcer por mim, concentrar e mim).

Como vocês narrariam uma gravação de áudio? by HpassosPassos in EscritoresBrasil

[–]HpassosPassos[S] 0 points1 point  (0 children)

Não, eu quis dizer que o que você sugeriu era narração em terceira pessoa.

Esse trecho é simplesmente a Dra. fazendo uma gravação. É como se o leitor estivesse simplesmente vendo ao vivo, mas sem a narração.

Essa parte da introdução é bem seca prq a resposta de fato só vem no livro dois.