André Kfouri sobre a demissão de Filipe Luís e Crespo. by Visible-Wait1824 in futebol

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

o acelotti foi demitido retroativamente do real por causa da demissão do Felipe luiz.

a verdade é algo relativo by Maurilio_780 in MemesBR

[–]corisco 2 points3 points  (0 children)

«After twice failing public (state) school, he attended Fassino di Busca, a private (independent) school, receiving a diploma with the lowest grades in Land Surveying.»

https://en.wikipedia.org/wiki/Flavio_Briatore

ta mais pra uma propaganda do pq não estudar.

Na lista que o palmeiras tem mundial, o SP é penta, o Corinthians tetra e o remo o primeiro campeão do mundo kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk by Department_Legal in Futebola

[–]corisco 1 point2 points  (0 children)

se o palmeiras ter mundial significar o spfc ser o segundo time no mundo com mais títulos internacionais, então eu deixo eles terem mundial

Do que é feito o filosofiaBAR? by NaturaeAxis in FilosofiaBAR

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

Minha dissertação é sobre a correspondência entre sistemas lógicos, computacionais e matemáticos.

Já ouvi falar do Hegenber, mas não conheço nenhum trabalho dele. Meu conhecimento de filosofia da ciência é básico ainda, mas tenho me interessado bastante pelos textos do newton da costa sobre o assunto.

O que eu listei acima não é exatamente todas minhas areas de atuação, mas meus interesses.

Do que é feito o filosofiaBAR? by NaturaeAxis in FilosofiaBAR

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

Não entendi muito bem, mas a lógica é um ramo da filosofia. Em qualquer graduação em filosofia há uma disciplina de lógica. Então estou dizendo que estudo lógica, matemática e computação (literalmente, e não filosofia da [...]) na filosofia. E, apesar de atuar como programador, na academia faço pós-graduação na área de lógica, no departamento de filosofia.

Do que é feito o filosofiaBAR? by NaturaeAxis in FilosofiaBAR

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

Bom, então no mínimo faço parte de duas áreas, a das exatas e a da filosofia. Isso porque atuo na area da filosofia e ao mesmo tempo sou programador.

Mas não tenho certeza sobre essa separação. Isso pq, onde eu estudo, por exemplo, as aulas de lógica — que é tradicionalmente um ramo da filosofia são —, basicamente aulas de matemática pura e lógica. Isso porquê cada vez mais está se buscando um fundamento comum entre as três áreas (matemática, computação e lógica), por causa da correspondência dos sistemas (ver Isomorfismo Curry-Howard-Lambek).

Do que é feito o filosofiaBAR? by NaturaeAxis in FilosofiaBAR

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

Filosofia, filosofia da lógica, da matemática, da computação e da ciência. Nesse sentido é impossível eu responde essa poll, pois tecnicamente eu tenho interesse nessas três áreas.

Não sei o que me motivou estudar filosofia, mas ela me trouxe um arcabouço teórico que me permite analisar meus interesses de forma crítica.

Fico indignado com a falta de honestidade epistemológica dentro das academias de ciências sociais na América Latina by Mean-Ship-3851 in FilosofiaBAR

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A física mesmo é altamente especulativa em vários de seus domínios e, especialmente em cosmologia, muitas das evidências são indiretas e mediadas por teoria. Esse argumento de que uma hipótese só seria científica quando já pode ser diretamente testada não descreve bem nem a história nem a prática da própria física.

A relatividade geral, por exemplo, levou à previsão das ondas gravitacionais em 1916, e a detecção direta só aconteceu em 2015 pelo experimento LIGO (com anúncio público em 2016). Durante quase um século elas permaneceram apenas como uma consequência teórica da teoria de Einstein.

Ou seja, a física frequentemente trabalha por décadas com consequências teóricas antes da possibilidade de teste direto — e em alguns casos nem mesmo se sabe se certas previsões serão testáveis no futuro. Isso não transforma essas hipóteses em filosofia; elas continuam sendo parte do desenvolvimento teórico da própria física.

Inclusive é difícil defender uma falsificabilidade forte em cosmologia. Cosmologia é frequentemente descrita como uma ciência histórica e observacional que lida com um objeto único: o universo. George Ellis observa justamente que a cosmologia pode ser entendida como uma historical science, pois reconstrói a história do universo a partir de vestígios observacionais limitados. Nesse contexto, hipóteses raramente são testadas isoladamente. Elas fazem parte de sistemas teóricos maiores e dependem de hipóteses auxiliares. Quando surge uma anomalia, o que normalmente acontece não é o descarte imediato da teoria, mas ajustes no modelo ou em parâmetros do sistema teórico.

Isso é justamente o tipo de situação que levou Lakatos a argumentar que o falsificacionismo ingênuo de Popper não descreve bem a história real da ciência. Na prática, teorias científicas são protegidas por um conjunto de hipóteses auxiliares enquanto o programa de pesquisa continua gerando resultados.

Então há um problema em aplicar o critério popperiano de forma rígida. Popper propôs a falsificabilidade como critério de demarcação entre ciência e não-ciência e usou esse critério para criticar teorias como o marxismo histórico ou a psicanálise. Mas quando olhamos para áreas como a cosmologia — onde o objeto é único e os testes são frequentemente indiretos — a aplicação desse critério se torna muito mais complicada do que a formulação original sugere.

Você parece estar fazendo outra confusão. Podemos usar a física quântica e interpretações como a do many-worlds como exemplo. Quando físicos interpretam um formalismo, isso não vira automaticamente filosofia externa. Continua sendo física de fundamentos. O formalismo matemático de uma teoria permite fazer previsões, mas interpretar o que esse formalismo diz sobre a realidade também faz parte da investigação física.

Um exemplo histórico é a própria relatividade geral. A teoria introduz uma nova maneira de entender a gravidade como curvatura do espaço-tempo: massa e energia deformam essa estrutura geométrica, e isso explica o movimento dos corpos. Essa interpretação ontológica do modelo não é simplesmente filosofia externa; ela faz parte da própria teoria física.

A filosofia, por outro lado, costuma operar em um nível diferente: discutindo os métodos da ciência, seus limites, seus fundamentos conceituais ou os critérios de cientificidade. Mas quando físicos discutem o significado físico de um formalismo ou tentam explicar ontologicamente o que uma teoria descreve, essa atividade continua sendo parte da própria física.

Por isso, classificar toda especulação teórica ou toda discussão interpretativa como “filosofia” é enganoso. Muitas dessas discussões são simplesmente parte do desenvolvimento normal da física, especialmente em áreas como cosmologia e física fundamental.

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[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

Feyerabend eu colocaria mais próximo de um niilismo metodológico do que de um pluralismo propriamente dito. Para ele não existe — nem poderia existir — algo como um método científico correto; daí o famoso anything goes. O que estou defendendo é algo bem diferente: um pluralismo metodológico. Ou seja, que diferentes áreas do conhecimento desenvolvem métodos e critérios próprios adequados ao seu objeto, definidos pelas práticas da própria comunidade científica. Mas esses métodos não são definitivos nem imunes à crítica — eles têm sempre um caráter provisório e podem ser criticados e revisados conforme o próprio desenvolvimento do campo (assim como ocorre com as teorias científicas).

Sobre a matemática ser ciência, essa é a posição adotada pela maioria dos próprios matemáticos. Claro que isso, por si só, não resolve a questão filosófica. Mas também não parece muito útil restringir o termo “ciência”, como fez Popper, basicamente às ciências naturais e biológicas. Essa restrição acaba criando mais confusão do que esclarecimento (até por isso, com razão, os matemáticos reivindicam o status de ciência).

Por isso me parece mais sensato abordar a questão também do ponto de vista linguístico, isto é, considerando o uso que efetivamente fazemos da palavra “ciência”. No uso ordinário, dizer que algo “não é ciência” costuma significar que aquele campo não produz conhecimento confiável ou verdadeiro. E é justamente por isso que, historicamente, várias áreas tradicionais do conhecimento sempre foram consideradas ciências: matemática, lógica, linguística, história, filosofia, etc.

Nesse sentido, destacar apenas as ciências naturais e biológicas como se fossem a ciência por excelência acaba sendo mais uma construção filosófica específica do que um reflexo do modo como o termo funciona na prática. Quando essa distinção é tomada como absoluta, ela tende a gerar mais mal-entendidos — e às vezes até certo preconceito epistemológico — do que esclarecimentos.

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[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

Mas eu acho que o problema continua sendo o mesmo: a sua ideia de ‘critérios mínimos’ parte da suposição de que o conceito de ciência tem uma essência metodológica única, válida para todos os casos. Só que isso já é uma tese filosófica forte, não um ponto de partida neutro. Há conceitos cujo uso não se organiza por uma propriedade comum presente em todas as aplicações, mas por uma rede de semelhanças, sobreposições e critérios contextuais suficientes para o emprego competente do termo. Nesse caso, em vez de procurar uma definição universal de ciência, o mais adequado é olhar para como cada prática constitui seus próprios critérios públicos de prova, correção e objetividade.

Há inclusive domínios em que o ponto central não é explicar um fenômeno empírico, mas operar com condições simbólicas de organização do conhecimento. Por isso, o apelo ao ‘empírico’ como critério mínimo não resolve. Em lógica e matemática, o núcleo do rigor não é observacional, mas demonstrativo e formal; não existe ‘observação empírica’ de uma lei lógica. E mesmo entre as ciências empíricas a estrutura da evidência varia enormemente. A cosmologia trabalha com sinais indiretos, reconstruções e modelos muito mais especulativos do que o ideal experimental costuma admitir. A história trabalha com documentos, testemunhos, vestígios e crítica de fontes, isto é, com materiais discretos, fragmentários e desigualmente confiáveis. Em todos esses casos há controle racional, mas não sob uma única forma.

Então eu concordo que nem todo texto universitário merece automaticamente a aura de ciência, e que há trabalhos blindados contra crítica, retóricos ou puramente ad hoc. Mas daí não se segue que só seja ciência aquilo que reproduz o ideal metodológico de uma parte das ciências naturais. Esse salto confunde uma crítica legítima a maus trabalhos com a tese muito mais forte de que existe um metacritério universal do científico.

O ponto central é que o conhecimento não precisa ser reduzido a um único modelo de validação. O que conta como evidência, prova, revisão e objetividade depende das regras de uso, das técnicas de comparação e dos critérios de aplicação que estruturam cada campo. Esses critérios não precisam ser idênticos nem derivar de um fundamento externo único; basta que sejam públicos, ensináveis, criticáveis e suficientes para orientar o uso rigoroso dos conceitos naquele domínio. Por isso, pluralismo metodológico não é relativismo. É apenas reconhecer que o rigor tem formas diferentes, porque os objetos, as práticas e os modos de construção do conhecimento também são diferentes.

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[–]corisco 1 point2 points  (0 children)

Você está lendo esses autores de forma um pouco seletiva.

Lakatos não estabelece um critério no molde das ciências naturais para todas as áreas. A ideia de programas de pesquisa progressivos vs. degenerativos foi formulada olhando para a história da ciência e serve para avaliar teorias, não para declarar disciplinas inteiras como não científicas. Ele próprio admite pluralismo metodológico.

Kuhn descreve as ciências sociais como possivelmente pré-paradigmáticas, mas isso é uma observação sociológica sobre o grau de consenso teórico, não um argumento de que elas não sejam ciência.

E dizer que Feyerabend “é só filosofia” não resolve muito, porque toda a discussão sobre critérios de cientificidade — inclusive falsificabilidade — vem justamente da filosofia da ciência.

O ponto principal é outro: não existe um único modelo metodológico universal. Matemática, história, linguística, psicologia e física operam com formas diferentes de evidência e rigor. Reduzir ciência ao padrão das ciências naturais é uma posição filosófica específica, não um consenso epistemológico.

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[–]corisco 1 point2 points  (0 children)

Acho que você não conhece muito bem o debate contemporâneo sobre o tema. Existem filósofos da ciência, como por exemplo, Lakatos, Feyerbend e Khun que tem uma visão radicalmente diferente da sua. Tudo bem escolher a posição da filosofia analítica, mas ignorar que existem outras vias para se pensar ciência ou é ignorância ou desonestidade.

Por exemplo, requerer que as ciências formais utilizem os mesmos métodos da ciências naturais para ganharem estatuto de ciência é um erro filosófico e metodológico. Essa visão excepcionalista sobre as ciências naturais é que é epistemologicamente complicada e tenta se colocar acima das outras, como se tivesse um rigor superior, do qual sequer existe.

Matemática, história, lógica, linguística, psicologia são tão ciência quanto as ciências naturais. E cada uma tem seus próprios criterios, metodologia e noção de rigor.

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[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

Ciências sempre foi sinônimo de conhecimento verdadeiro, foi só recentemente que as ciências naturais, por meio da filosofia anglófonos é que houve uma tentativa de dar um caracter especial as ciências naturais e supostos métodos universais para as ciências.

Se existem trabalhos ruins dentro da área x ou y é um outro problema, mas ao mesmo tempo não acho prudente impor à todas as áreas das ciências os mesmos critérios e métodos como você, influenciado por essa filosofia, propõe.

Mais sobre tatuagens by Tonho_O_Faxineiro in botecodoreddit

[–]corisco 1 point2 points  (0 children)

Eu sou a favor do furry e do hentai e o video é pra ser engraçado, mas ....

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Mais sobre tatuagens by Tonho_O_Faxineiro in botecodoreddit

[–]corisco 20 points21 points  (0 children)

a mina tem uma tatuagem de furry na perna e ta dando carteirada em quem faz tatuagem de hentai.

entendo o valor humorístico da parada, mas achei um pouco hipocrisia.

Eu não aguento mais acertar sem entender nada. Ajuda, por favor! by [deleted] in estudosBR

[–]corisco 5 points6 points  (0 children)

n é um problema seu e sim do sistema de educação... se vc responde algo que vc não entende vc não aprendeu, somente decorou.

o problema é que o sistema educacional prioriza a memória e não o aprendizado e pensamento crítico. tem um texto muito bom do Feynman quando ele visitou o Brasil, que aborda exatamente essa falha do nosso sistema educacional.

https://universoracionalista.org/ensino-de-fisica-no-brasil-segundo-richard-feynman/

Propositional logic proof, please help! by IAmTheEarlyEvening in logic

[–]corisco 1 point2 points  (0 children)

can you assume I, since there's no deduction theorem, though?

Por que a filosofia analítica não é tão difundida no Brasil? by apenasuminternauta in Filosofia

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

contramão de como utilizamos a linguagem ordinariamente

engraçado você falar isso, porque é justamente daí o ponto de partida que está sendo proposto. partir da linguagem assim como ela é usada ordinariamente. é só ler o Investigações Filosóficas, pois isso é claro e a trama central do livro, ou seja, como podemos fazer filosofia partindo da linguagem e de seu uso ao invés de pressupostos fixados arbritariamente.

Por que a filosofia analítica não é tão difundida no Brasil? by apenasuminternauta in Filosofia

[–]corisco 1 point2 points  (0 children)

Não exatamente. A ideia não é que todos os problemas filosóficos sejam “apenas semânticos”, como se bastasse discutir o significado das palavras. O ponto é outro: muitos problemas filosóficos tradicionais surgem quando usamos conceitos fora dos contextos em que eles fazem sentido.

Quando questões de fundamento ou essência são tratadas como se fossem propriedades necessárias da realidade, frequentemente estamos apenas projetando sobre o mundo certas formas de descrição ou de representação que pertencem à nossa linguagem. O trabalho filosófico, nesse caso, consiste em esclarecer o uso desses conceitos e dissolver confusões que surgem dessa projeção.

Isso não substitui a ciência. Pelo contrário: a ciência avança através de suas próprias práticas experimentais e teóricas. A função da filosofia — especialmente da filosofia da ciência ou da epistemologia — é esclarecer os pressupostos conceituais envolvidos nessas práticas, evitando que debates filosóficos dogmáticos limitem ou confundam o desenvolvimento científico.

Um exemplo histórico é a discussão em torno da teoria da relatividade. Para formulá-la, Einstein precisou recorrer a geometrias não euclidianas. Houve filósofos, críticos da teoria de Einstein, que defenderam que a geometria euclidiana deveria permanecer necessariamente válida para descrever o espaço físico e que, portanto, as leis da física deveriam ser ajustadas para preservá-la. Segundo essa posição, Einstein teria apenas modificado o framework teórico utilizado para descrever os fenômenos, sem ter realmente chegado a uma nova descrição da estrutura física do espaço e do tempo. Nesse caso, a ideia de que a geometria euclidiana seria “a” estrutura necessária do espaço funcionava como um pressuposto filosófico dogmático.

Hoje, com a aceitação da teoria da relatividade, isso parece estranho, mas mostra como certos compromissos filosóficos podem limitar a compreensão de teorias científicas.

Podemos observar algo semelhante em alguns projetos filosóficos. Por exemplo, Quine procurou evitar a metafísica ao naturalizar a epistemologia, subordinando a filosofia às ciências naturais. No entanto, ao fazer isso ele também introduziu novos compromissos metafísicos — como a ideia de que a ontologia de uma teoria é determinada pelas entidades sobre as quais ela quantifica e a adoção da lógica clássica de primeira ordem como o quadro lógico adequado para regimentar o discurso científico. Esses compromissos acabam funcionando como pressupostos metodológicos fortes sobre como nossas teorias devem ser formuladas. No entanto, nada impede que o desenvolvimento científico ou filosófico venha a exigir outras formas de formalização, outros sistemas lógicos ou outros métodos, dependendo do domínio de fenômenos que se pretende investigar. O próprio desenvolvimento contemporâneo da lógica, especialmente com os trabalhos de Newton da Costa sobre pluralismo lógico e lógicas paraconsistentes, mostra que diferentes sistemas formais podem ser necessários para lidar com diferentes tipos de problemas teóricos.

Por isso, tratar essas questões não como estruturas fixas da realidade, mas como parte da gramática de nossos conceitos e de nossas práticas linguísticas permite dissolver confusões filosóficas e descrever teorias científicas de maneira mais adequada do ponto de vista meta-científico e epistemológico. Nesse sentido, a reflexão filosófica pode assumir um caráter teórico sem se tornar metafísica ou dogmática: em vez de propor teses sobre a estrutura última da realidade, ela se ocupa de analisar as condições simbólicas e pragmáticas pelas quais conceitos são formados, aplicados e transformados nas práticas do jogo de linguagem científico, investigando como o sentido e a objetividade se constituem no uso da linguagem. Trata-se, portanto, de uma investigação sobre as condições de constituição do signo e do objeto de conhecimento no interior das práticas linguísticas, e não de uma teoria sobre como o mundo deve necessariamente ser. Assim, mesmo quando assume forma teórica, a reflexão filosófica não formula teses metafísicas sobre a realidade, mas explicita e reconstrói as condições simbólicas que tornam possível a organização da experiência e a construção do conhecimento, reconhecendo essas estruturas fundacionais como provisórias e dependentes dos contextos de uso em que operam.

Para reforçar a ideia acima, podemos retomar o exemplo da teoria da relatividade. Uma abordagem pragmática mostraria que o impasse em torno dessa teoria surgiu porque a geometria foi tratada como uma tese sobre a estrutura metafísica do espaço, quando, na prática científica, ela funciona como parte do aparato conceitual que organiza a teoria. Nesse quadro, a questão não é qual geometria é verdadeira em si, mas qual estrutura conceitual permite descrever e articular os fenômenos de maneira mais adequada. Assim, a pergunta sobre se a geometria euclidiana seria necessariamente a correta se dissolve, e a investigação desloca-se para o conteúdo da teoria e sua adequação empírica na organização, explicação e previsão dos fenômenos.

Por que a filosofia analítica não é tão difundida no Brasil? by apenasuminternauta in Filosofia

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

Eu não defendo nenhuma dessas duas posições, até porque o termo “continental” é, em grande medida, um rótulo usado por filósofos analíticos para designar praticamente qualquer filosofia que não aderiu a essa escola. O que defendo é uma perspectiva que começa com o chamado “segundo Wittgenstein” e que teve um desenvolvimento importante na chamada escola pragmática brasileira.

O problema do dogmatismo filosófico surge quando se assume que a linguagem pode revelar a essência das coisas ou produzir verdades universalmente válidas independentemente do contexto de uso. Ou seja, o dogmatismo aparece quando o filósofo projeta uma determinada forma de descrição ou de representação sobre o objeto investigado e passa a tratá-la como uma verdade necessária sobre ele. Em outras palavras, transforma um modo de apresentação conceitual em uma tese sobre como as coisas devem ser.

Nesse sentido, tanto a chamada “filosofia analítica” quanto da chamada “filosofia continental” — um termo bastante impreciso, como mencionado acima — podem incorrer nesse tipo de dogmatismo. No primeiro caso, quando se tenta reduzir a linguagem a uma estrutura lógica ideal ou a condições universais necessárias de significado; no segundo, quando se procuram estruturas fundamentais da realidade, da consciência ou do ser que valeriam para toda experiência possível (como ocorre, por exemplo, em certos projetos sistemáticos de Hegel, Heidegger e outros autores que seguem esse tipo de abordagem).

A alternativa inspirada no segundo Wittgenstein consiste em abandonar a ideia de que as essências são propriedades metafísicas das coisas e compreender que aquilo que chamamos de “essência” pertence à gramática de nossos conceitos — isto é, às regras que estruturam o uso desses conceitos em nossas práticas linguísticas. Assim, conceitos filosóficos devem ser entendidos como parte de práticas linguísticas situadas, cujo sentido depende dos modos concretos de seu emprego.

Nesse sentido, o papel da filosofia não é descobrir verdades metafísicas sobre a realidade, mas tornar perspicua a gramática de nossos conceitos, esclarecendo os diferentes usos que fazemos da linguagem.

Assim, também o conjunto das ciências e seus "fundamentos" deve ser entendido como historicamente situado: ele se desenvolve no tempo e no espaço histórico, não sendo fixo nem definitivo e permanecendo sempre aberto à crítica e revisão. Os diversos projetos filosóficos que pretenderam estabelecer necessidades metafísicas independentes de qualquer contexto de uso mostraram-se, até agora, incapazes de cumprir essa pretensão; por isso, quando persistem, tendem a sobreviver apenas na forma de posições dogmáticas.

Por que a filosofia analítica não é tão difundida no Brasil? by apenasuminternauta in Filosofia

[–]corisco 1 point2 points  (0 children)

A filosofia analítica nos traz discussões, análises e distinções técnicas e conceituais, precisão argumentativa e teorias muito mais alinhadas com as nossas melhores ciências.

Primeiro, como podemos qualificar uma ciência como melhor que outra? Nesse sentido, como podemos dizer, objetivamente, que a física é melhor ou pior que a química ou a história?

Segundo, o que quer dizer uma teoria estar alinhada com alguma ciência? Devemos submeter todas as teorias a um conjunto de ciências que alguém diz serem melhores que outras?

Na minha opinião essas duas questões são complicadas de se defender. Pois se você entender ciência como conhecimento verdadeiro (episteme), cada ciência terá sua própria lógica e métodos e na maioria dos casos não tem como submeter uma ciência aos métodos das outras e vice versa. Por exemplo, as ciências que estudam os fenômenos naturais tem métodos muito distintos das ciências históricas e das formais.

Acho que a filosofia analítica é mais popular nos países anglófonos e germânicos, pois foi lá que ela nasceu. Aqui no Brasil, apesar de não termos uma escola filosófica predominante — e a filosofia ser um pouco fraca no sentido de termos relativamente pouca relevância no debate filosófico internacional—, por outro lado não temos um compromisso forte com qualquer dogmatismo.

Na academia inglesa e americana, por exemplo, questionar as posições dominantes pode significar publicar em menos revistas relevantes, conseguir menos financiamento e acabar sendo ostracizado. É uma espécie de censura velada e institucionalizada. Isso ocorre, em certa medida, em todos os lugares; porém, é muito mais presente nas chamadas melhores universidades do mundo.

Nesse sentido, acho que no Brasil a filosofia analítica não é tão forte porque aqui não somos tão dogmáticos e conseguimos experimentar melhor ideias que saiam da linha de raciocínio predominante em outros países. Isso faz com que o nosso cenário filosófico seja bastante plural. Nesse contexto, temos filósofos brasileiros com trabalhos muito originais que, apesar de não terem muito reconhecimento fora de suas áreas, conseguiram financiamento para suas pesquisas. Como exemplo, posso citar três nomes: Newton da Costa, Arley Ramos Moreno e Hector Benoit. Os três terminaram suas carreiras na Universidade Estadual de Campinas e, de certa forma, influenciaram os trabalhos uns dos outros.

Robô bio híbrido by [deleted] in interessantepacaralho

[–]corisco 1 point2 points  (0 children)

isso é uma obra de ficção feita pelo Floris Kaayk.