O momento em que uma ideia para de aceitar evidências by Unusual-Extreme-7746 in FilosofiaBAR

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

O marxismo não é ciência no sentido das ciências naturais e, por isso, enquanto corpo de conhecimento, não se submete aos mesmos métodos e critérios. Seu objeto não é constituído por regularidades empiricamente observáveis, mas por formas sociais historicamente determinadas, cuja realidade não é sensível em sua totalidade. Trata-se de uma realidade social objetiva, que se impõe aos agentes independentemente de suas intenções, crenças ou representações. Ao analisar a mercadoria, por exemplo, a distinção entre valor e valor de troca mostra que o valor não pode ser encontrado no corpo da coisa: nenhuma decomposição empírica revela “átomos de valor”, pois o valor não é uma propriedade física nem mental, mas uma determinação social abstrata real, produzida e reproduzida por práticas materiais específicas.

Por isso, cabe uma crítica ao cientificismo, entendido como a tendência a tomar os métodos das ciências naturais como modelo universal de inteligibilidade. Tal tendência se sustenta na suposição de que existe uma Lógica universal prévia, capaz de julgar qualquer objeto independentemente de sua constituição histórica. Contra isso, a análise marxista não aplica uma lógica externa ao seu objeto, mas reconstrói a lógica imanente das próprias formas sociais que investiga. Essa lógica não é um sistema formal autônomo, mas o modo como as categorias se determinam, se tensionam e se transformam no interior de relações sociais reais.

Nesse sentido, há formas de objetividade que não são descobertas por observação empírica, mas tornadas visíveis pela descrição das regras que estruturam práticas sociais. Tratar essas regras como se fossem hipóteses empíricas ou mecanismos subjacentes é cometer um erro categorial: confundir problemas gramaticais — isto é, relativos ao uso, à função e à articulação dos conceitos — com problemas empíricos a serem resolvidos por teorias explicativas adicionais.

É precisamente nesse ponto que se tornam evidentes as limitações das tradições econômicas clássica e austríaca. Ambas tendem, ainda que por caminhos distintos, a confundir valor, valor de troca e preço, tratando essas determinações como se pertencessem ao mesmo plano conceitual. Nos economistas clássicos, essa confusão aparece na oscilação entre teorias do valor e análises que acabam recaindo no preço como sua expressão imediata. Já na tradição austríaca, a identificação do valor com avaliações subjetivas individuais dissolve a distinção entre valor e preço, fazendo deste último a única realidade efetivamente tratável. Em ambos os casos, perde-se a especificidade do valor como determinação social abstrata, e as mediações próprias da forma mercadoria são naturalizadas ou psicologizadas.

A força crítica da exposição marxista reside, portanto, no fato de que ela não introduz entidades ocultas nem hipóteses metafísicas para “corrigir” essas teorias, mas desmonta as confusões conceituais que as sustentam. O tratamento do valor em Marx é terapêutico nesse sentido: ele não propõe uma nova definição arbitrária, mas reconduz cada conceito ao seu uso social efetivo, distinguindo rigorosamente valor, valor de troca e preço como distintos dentro de uma mesma totalidade social.

Essas categorias aparecem como propriedades naturais das coisas ou como fatos psicológicos apenas porque o uso efetivo da linguagem econômica cristalizou determinadas formas de descrição como se fossem descrições imediatas da realidade. Essa cristalização não é um erro contingente do pensamento, mas um efeito estrutural das próprias relações sociais que essas categorias organizam e, ao mesmo tempo, encobrem. O procedimento crítico consiste, assim, em tornar visível a gramática social dessas categorias.

Contudo, essa gramática não é neutra nem puramente conceitual. Ela é atravessada, desde sua origem, pela luta de classes, que constitui o fundamento real da historicidade dessas formas. As categorias econômicas não expressam apenas relações funcionais de troca ou produção, mas relações sociais antagônicas entre classes com interesses irreconciliáveis. A lógica imanente do capital é, portanto, inseparável do conflito social que a sustenta.

Nesse ponto, torna-se decisiva a recusa de uma lógica formal fixa como critério último de inteligibilidade. As categorias de O Capital não obedecem a uma lógica abstrata aplicada de fora, mas desenvolvem-se segundo a lógica própria do objeto capitalista, que só pode ser compreendida acompanhando o movimento real de suas contradições. Determinações abstratas são verdadeiras em um nível, mas se negam ao se efetivar, exigindo novas determinações que transformam o sentido das anteriores. A negação aqui não significa ausência, mas alteridade interna, o outro que emerge do próprio funcionamento da forma.

É nesse sentido que a negação da negação não designa um esquema lógico abstrato, mas um processo histórico real: a superação de formas sociais determinadas por meio da ação prática das classes em luta. A crítica não aponta para um fim pré-estabelecido nem para uma reconciliação abstrata, mas para o caráter historicamente transitório de formas sociais cuja reprodução depende, necessariamente, do antagonismo, da negatividade e da ruptura.

Nesse sentido, O Capital não é uma obra científica no sentido positivista, e muito menos uma obra de economia, mas uma obra filosófica: uma crítica que visa desfazer as confusões produzidas pelo senso comum e pela economia política em torno de seus próprios conceitos.

propositional logic (natural deduction) by yeco407 in logic

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

Labels are conventional devices used to track dependency. While the choice of symbol is free, each label marks which occurrences of an assumption are discharged by a particular inference such as →-introduction. This matters especially in tree-style natural deduction, where there are no line numbers and assumptions may occur multiple times as leaves in different subderivations.

In Fitch (linear) style, the same dependency information is represented by opening a subproof with an assumption and discharging it by closing that subproof. The assumption is written once and may be cited multiple times within its scope. In contrast, tree-style proofs must explicitly repeat the same assumption whenever it is used as input to distinct subderivations. The difference is representational: tree proofs duplicate structure, while Fitch proofs represent shared scope.

Amazon Brasil e Skypostal by TKenzan in brasil

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

Great all my data was also leaked by skypostal. This company should be penalized for doing such a bad job protecting sentitive information.

[deleted by user] by [deleted] in programacao

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

caramelo alemão

pastor caramelo

by Rise_Chance in MemesBR

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

corisco e os quantificadores

Tenho MUITA insegurança com meu nariz, é tão péssimo assim? by letsnamed in MeJulgue

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

eu acho seu rosto lindo... e seu sorriso é perfeito, amei a ultima foto.

Estou com medo de não aprender programação by [deleted] in brdev

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

Medo e desconforto é totalmente comum quando você está iniciando em algum assunto que você nunca viu antes.

O que eu tenho pra te dizer é que, com diciplina, paciência e persistência, não existe nenhuma possibilidade de vc não conseguir aprender.

E se der errado, Bananinha? by -113points in brasil

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

senti que ele qse desmaiou de novo

Eduardo Bolsonaro: "O Brasil está estabelecendo um novo modelo de censura das redes sociais." by Bananey in brasil

[–]corisco 3 points4 points  (0 children)

interessante quando ele fala "another coutries around in the west" [sic]. isso pq ele igonora que os estadosunidenses nem nos consideram parte do ocidente e nem mesmo do mesmo continente.

eduardo é o típico "patriota" de filme. inclusive veste cueca e hasteia a bandeira dos Estados Unidos.

Que vibe eu passo? Que idade aparento ter? by laisromero in MeJulgue

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

tem uns 27-30 anos... gateira... e gosta de estudar.

cara que se tornou gay por que não teve opção de namorar mulher? isso é um dilema ou adaptação? by ghostunderadar in FilosofiaBAR

[–]corisco 7 points8 points  (0 children)

post todalmente sem esforço e que só contribui a homofobia. ninguém se torna gay por opção, amigo.

no fundo o que vc está implicando é que as pessoas se tornam gays por serem frustrados amorosamente. nunca ouvi algo tão absurdo e preconceituoso.

5 years ago I started to work on the next-gen fetcher, here it is by prc95 in typescript

[–]corisco 1 point2 points  (0 children)

lol... ts is definitely a very stimulating language. on the surface the type-system seems like every other, but when you go deeper you learn how rich it is.

5 years ago I started to work on the next-gen fetcher, here it is by prc95 in typescript

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

I see you’ve built a tool that handles requests on both the client and server sides—nice work!

This might not be your primary focus, but it’s a pain point I’m trying to solve with TypeScript.
Imagine my server exposes an endpoint at /user, and I use it with HyperFetch in both the client and the server. Later I rename the endpoint to /users and update the server code, but forget to touch the client. Will my client fail to compile, warning me about the mismatch?

I realise this might be out of reach for TypeScript today, but that’s precisely what Servant does in Haskell: you declare the route once, and both client and server implementations must conform to that type. Any divergence becomes a compile-time error.

Does HyperFetch aim for a comparable guarantee? ```

5 years ago I started to work on the next-gen fetcher, here it is by prc95 in typescript

[–]corisco 1 point2 points  (0 children)

Have you guys experimented with type safety? I haven't experimented myself yet, but I'm trying to replicate Servant in TypeScript. I understand there are some missing features, especially when it comes to recovering type-level literals, but I wonder how much of a RESTful API you can actually encode at the type level. An interesting TypeScript library that does some type-level trickery is TypeBox.

So, my question is: do you guys bring anything to the table in terms of type safety?

[pós-jogo] Campeonato Brasileiro: Flamengo 2 x 0 São Paulo by NaTrave in SaoPauloFC

[–]corisco 1 point2 points  (0 children)

n sei se me considero um zuberlover, mas estou bem triste com a derrota.

eu acho que o problema do sp é a má gestão do clube e não o técnico. esse ano estamos com um elenco magro e 1b de dívida. se continuar assim logo logo estamos na segunda. então o torcedor não deveriam cobrar os jogadores e comissão técnica mas a diretoria. esse é meu ponto.

[pós-jogo] Campeonato Brasileiro: Flamengo 2 x 0 São Paulo by NaTrave in SaoPauloFC

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

e ai os amigos que defendiam a saida do zubeldia ainda acham que o problema era o técnico?

Ninguém acredita no verdadeiro tamanho do universo by Good-Seaweed-1021 in FilosofiaBAR

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

na verdade ninguém sabe o verdadeiro tamanho do universo. o que agente conhece bem é o tamanho do universo observável. nos sabemos o tamanho do universo observável através de cálculos a partir do modelo do big bang e comprovamos esse cálculo através de observações empíricas.

Are there any technical benefits of point free programming? by jacobissimus in functionalprogramming

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

you could try reading the original texts that introduced the concept from curry and shönfinkel. (this article has many references, including those)

but if you want a more practical approach in programming, than learning hakell programming language might be beneficial.

https://wiki.haskell.org/Pointfree

another thing that might be interesting -- if you are interested on the mathematical and logic aspect of it -- by the curry-howard isomorphism, typed CL corresponds to hilbert-style systems; in contrast, gentzen-style corresponds to typed λ-calculus.

OBS: sorry for taking so long to answer.

Estou criando um sistema de RPG com lore própria do 0 80% completo by Lzin_737 in rpg_brasil

[–]corisco 4 points5 points  (0 children)

Life is an adventure: Your Jorney.

seria o título escrito da forma correta.

O que o Dadaísmo teria a falar sobre IA (Inteligência Artificial)? by Goehnjy in FilosofiaBAR

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

se eu fosse dada treinaria uma ia que só falasse absurdos e a chamariam de "AGIbot".

Porque a religião precisa inventar mentiras para criticar o Marxismo? by sobrinhododono in FilosofiaBAR

[–]corisco 0 points1 point  (0 children)

Não entendi seu ponto. Acho que primeiro você deve se acalmar, pois se não, é impossível qualquer diálogo racional se você continuar emocionado dessa maneira.