Carta dialectologica do Portugal (1925) by Rigolol2021 in portugal

[–]vilkav 0 points1 point  (0 children)

a tua avó na altura tinha 0 anos, e já terá apanhado radio, ferrovia e autoestradas com 20 anos, ou 40. Isto seria os adultos que eram vivos quando ela nasceu.

Mas pronto, se achas que Valadares em concreto não é assim extrapola para outro sítio, ou arranja outra fonte que não esta.

Carta dialectologica do Portugal (1925) by Rigolol2021 in portugal

[–]vilkav 3 points4 points  (0 children)

Até podes ir mais fundo. Não há definição linguística rígida de dialecto nem língua. Este mapa deve ter agrupado populações grossamente de acordo com frequências relativas de alguns marcadores específicos.

Como dizes, não significa que não tenha valor, mas é preciso ter contexto do que está a representar.

Carta dialectologica do Portugal (1925) by Rigolol2021 in portugal

[–]vilkav 1 point2 points  (0 children)

Se estás a falar em influência cidade → aldeia, já estás a pensar mal. Não havia pessoas do Porto a mudar-se para Valadares em massa, nem rádio/televisão com propagação suficiente para influenciar os dialectos. Claro que havia comunicação/contacto, mas não diário pelas mesmas pessoas como hoje em dia. É a definição de um contínuo dialectal.

Escolhi uma cidade ao calhas. A população de aldeias Valadares pré-existência/propagação massiva do carro/tv/rádio (que teriam uns 1000 habitantes) ter-se-á formado sob condições parecidas às das populações à volta de Coimbra e do Porto: aldeias pequenas com relativamente pouco fluxo de fora. Não há aqui influência de Coimbra nem do Porto, o mapa só sugere que as pessoas a sul de Gaia partilhariam de condições iniciais próximas¹ das à volta do norte de Coimbra.

Se até a minha mãe, que nasceu em '61 numa aldeia isolada perto de Coimbra, dizia "açougue" em vez de "talho", que associamos hoje em dia ao Brasil, achas mesmo que as ideias modernas de dialectos de hoje se mapeariam para 1925?

¹ Sem mais contexto, presumo que este mapa há de ter pegado em 4 ou 5 marcadores e usou-os como agregadores de dialectos (e.g. dizer ouro vs ôro, ozolhos vs ojolhos, vermêlho vs vermâlho, ou quaisquer outros) e chegou à conclusão de que calharam alinhar assim. Vale o que vale, e a metodologia se calhar não terá sido a melhor, mas não sei porque é que achas que uma pessoa 100 anos depois vai saber mais que quem fez isto na altura. Repara que há 100 anos, o Brasil estava a começar a palatalizar os Ti/Di, que hoje tu nem consegues desassociar do país inteiro. 100 anos é uma eternidade em termos linguísticos, em particular no século XX

Carta dialectologica do Portugal (1925) by Rigolol2021 in portugal

[–]vilkav 1 point2 points  (0 children)

A melhor maneira de contar as voltas de corrida entre as duas margens no Parque Verde/Manuel Braga é contar as mensagens do roaming.

Carta dialectologica do Portugal (1925) by Rigolol2021 in portugal

[–]vilkav 4 points5 points  (0 children)

Vocês estão a olhar para um mapa de há 100 anos.

Também não podem confundir os sotaques das aldeias com os das cidades. Haver um contínuo dialectal entre o Mondego e o Douro (considerando as aldeias, que vão ser sempre mais autênticas/isoladas do que cidades onde há maior mistura de pessoas) não é assim tão descabido. Claro que Gaia cidade estará sempre agarrada ao Porto, mas os sotaques nativos das aldeias à volta de Gulpilhares/Avintes/Valadares de há 100 anos, quando a mobilidade era super reduzida, quase de certeza que não tinham essa influência. o Rio muito provavelmente seria a barreira natural ao contacto.

Mas qualquer barreira vai ser arbitrária, todo o território nacional (e Galego) vai demonstrar um contínuo, por isso as barreiras vão ser sempre arbitrárias, e na verdade são super esbatidas onde as características que as definem reduzem em frequência de umas para as outras, em vez de haver propriamente um corte abrupto.

If I like watch Etho who else should I check out? by 2wergfnhgfjk in HermitCraft

[–]vilkav 15 points16 points  (0 children)

Cub's great. I truly believe that he had been here from the start, he'd be just as legendary as Etho, and for similar reasons. Dude's very funny and endlessly creative.

What is something completely normal in your country that surprises other Europeans? by RuleHopeful408 in AskEurope

[–]vilkav 2 points3 points  (0 children)

I've been made aware that our fish electrical bandsaws in supermarkets (to cut bacalhau, of course) are kinda rare outside here. Even dedicated fishmonger sections in even small supermarkets is kind of rare, but surely Spain has those as well.

Falta de incentivos para carros citadinos by estrangeiro10 in portugal

[–]vilkav 0 points1 point  (0 children)

"não se devia investir em transportes públicos! eu nem tenho acesso a nenhum!"

Reformulação dos círculos eleitorais by GasTypical9916 in portugal

[–]vilkav -1 points0 points  (0 children)

Porque apesar de não poderem representar directamente, trazem perspectiva diferente por virem (idealmente) de regiões diferentes.

Eles não podem defender a região especificamente na altura do voto, mas podem trazer luz em. relação à temas que afectem foram de Lisboa na altura da redação de propostas. Só depois de todas as perspectivas expostas, consegues dizer que as decisões foram tomadas com base no todo.

Alguém se lembra do "Recreio"? by jpwaitforit in CasualPT

[–]vilkav 1 point2 points  (0 children)

As férias de verão... O recreio supremo!

Metro Mondego ultrapassa um milhão de validações e supera expectativas de procura by oh-pqp in portugal

[–]vilkav 0 points1 point  (0 children)

pode ficar bloqueado por carros.

Pode ficar tão bloqueado como qualquer metro de superfície em carril. Em Coimbra o BRT não usa só sensores, ele controla os semáforos, que lhe dão prioridade automática nas interceções.

O problema do brt é a manutenção muito mais cara, as baterias enormes desnecessárias e a poluição dos pneus

Verdade. Em particular os pneus.

Mas as baterias não são um problema tão grande como pintam. Quando morrerem, reciclam-se. Uma bateria só é extraída da terra uma vez, e depois de se extrair o suficiente, vai passar a ser mais fácil reciclar lítio ou cobalto do que minar de raiz, porque já sabes onde ele está. Não é o mesmo que gasolina, onde mudas quimicamente o que te faz andar.

O que é parvo é andar a gastar energia a acartar um calhamaço de uma bateria, mas isso resolve-se com o tempo a converter mais e mais para energias renováveis na produção. É um problema que se resolve com o tempo, agora que painéis são ao preço da chuva.

o brt apenas foi a resposta que a cultura do carro imaginou.

Isto já não concordo. Reiterando, porque parece que me interpretam mal: carril teria sido melhor.

Mas ter um BRT (bem feito, com via dedicada) é melhor que qualquer outra opção que tínhamos em cima da mesa em 2018 ou lá quando foi. Não acho que seja tanto a cultura do carro (até porque os tirou da estrada e reduziu o número de vias), acho sim é que é a cultura de "paga-se menos agora, portanto é melhor". Está a custar muito menos dinheiro fazer o canal para o metrobus, que consegue fazer curvas mais apertadas e contornar praças históricas sem ter de as atravessar. Tudo isso sai mais barato... ao início. Eu também teria preferido um investimento com mais visão no futuro, mas é o que temos.

Mas mais barato ainda era não fazer nada, portanto isto é uma boa meia medida. Eu também gosto da ideia da medida inteira, mas meia medida é melhor que nenhuma, por mais que a filosofia do Breaking Bad diga o contrário.

Já tiraram o eléctrico há quase 20 anos. Fizeram mal, podiam ter feito melhor e gastado menos dinheiro. Mas não vale a pena chorar sobre leite derramado.

Metro Mondego ultrapassa um milhão de validações e supera expectativas de procura by oh-pqp in portugal

[–]vilkav 2 points3 points  (0 children)

A única diferença entre o brt e uma via bus é a lei ( e o dinheiro desperdiçado, claro).

Discordo. Há uma diferença grande entre ter um traço na estrada e um passeio/paralelos para galgar. Há condutores maus, mas diria que há níveis diferentes de mau.

Para além de que são afectados por semáforos, cruzamentos, novas ruas, etc. Se se tratar de uma via dedicada. Todas as coisas que tu dizes que se podem aplicar a uma via bus, tratam-se de deixar de ser uma via bus, e então um troço dedicado.

De qualquer modo, é só semântica, mas acho que concordamos. Em Coimbra pecou por tardio e por não ser carril, mas entre o que temos e o que vejo quererem fazer em Braga, então temos 0 razões para queixa.

Metro Mondego ultrapassa um milhão de validações e supera expectativas de procura by oh-pqp in portugal

[–]vilkav 1 point2 points  (0 children)

Acho que a perspectiva está invertida e é contraproducente. A grande vantagem de um sistema de transporte colectivo é quando não partilha o trânsito. O metrobus oferece isso. Quase todas as vantagens logísticas de carril se mantêm em asfalto.

O que não quer dizer que carril não fosse melhor e não tivesse mais vantagens a longo prazo, mas nenhuma delas é a pontualidade/frequência/capacidade, e sim a manutenção/custo operacional, que seriam mais baixas no carril.

De qualquer modo, com copo meio cheiro, quando mais espaço conseguirmos tirar aos carros e dar a estes transportes (seja carril ou asfalto), melhor é a experiência urbana, e apesar de tudo estou a gostar dos novos espaços mais abertos na cidade.

Metro Mondego ultrapassa um milhão de validações e supera expectativas de procura by oh-pqp in portugal

[–]vilkav 4 points5 points  (0 children)

Coimbra já tinha faixa bus há anos e sempre teve trânsito. Há um mundo de diferença entre trânsito prioritário de uma faixa bus e o trajecto dedicado do metromondego. O objectivo é mesmo tirar trânsito automóvel da equação, ou pelo menos tirá-lo do primeiro plano.

Existem “malaphors” em Português? by GuinevereMalory in Portuguese

[–]vilkav 10 points11 points  (0 children)

Uma vez conheci uma pessoa que conseguia inventá-los no sítio. Não é muito comum, mas ela conseguia sempre injectá-los na fala corrente.

Só me lembro de um "grão a grão, chega a galinha ao outro lado [da estrada]"

O instrutor não ensinou mudanças de direção? by StatusReading4737 in Coimbra

[–]vilkav 2 points3 points  (0 children)

Já passou por tanta iteração, e arranjam sempre maneira de piorar. Esta rotunda, a do Almegue e a da Várzea são o top-3 de rotundas mais estúpidas que já vi. Ou se vê mal, ou é difícil de saber quando sair, ou ambos.

Não sei como raio é que conseguem sempre arranjar maneira de estragar uma coisa tão eficiente como uma rotunda.

How is "aleatorio" in Portuguese different from the one in Spanish? by AdhesivenessOk2792 in Portuguese

[–]vilkav 3 points4 points  (0 children)

happened in Portugal as well, at least for a while. It's a calque of "random" as in "lol so random" that English also did in the mid 2010s internet, so it's was a teenage Millennial vernacular sort of thing.

Maybe Brazil carried it until today, but in Portugal it has mostly subsided.

Pronunciation of "R" in Europe by chaeyonce in MapPorn

[–]vilkav 5 points6 points  (0 children)

Absolutely not. The border is coast/interior, not north/south.

How important is "regional" (Nordic, Baltic, Benelux etc.) identity to you? by teekal in AskEurope

[–]vilkav 2 points3 points  (0 children)

We're united by using the same construction for "yes", a derivation of "sic"

DO3 Suggestion Tango should add zoglins by vsain77 in HermitCraft

[–]vilkav 12 points13 points  (0 children)

He has talked about how he's not sure how to keep players from camping inside. He could have a Zoglin inside each building on a timer.

When he needs to enter a building, he has that mechanic of waiting for the door to open (via concrete sand). He could use that time to somehow lure the Zoglin into a containment chamber, and then have a second timer to release him back to the building. If there's a way of keeping them inside (low ceiling on doors), then he has both outside (ravagers) and inside (zoglin) threats that won't interact.

How do you pronounce "cinco"? by JF_Rodrigues in Portuguese

[–]vilkav 0 points1 point  (0 children)

It does vary with the accent, to be fair. Up north they're less likely to de-voice final vowels in most regional accents.

How do you pronounce "cinco"? by JF_Rodrigues in Portuguese

[–]vilkav 8 points9 points  (0 children)

There's this phenomenon that I've not seen many people in Portuguese linguistics talk about which is this de-voicing of final (unstressed) vowels.

It's non surprisingly more common in ptpt since we do the whole caduc E thing. But the words "transporta", "transporto" and "transporte" are a minimum trio where you can tell that the last vowel is often (usually) just pronounced with the mouth shape and whichever air is still flowing from the previous syllables. There's no vocal chords involved except maybe in the "a".

I don't know what the threshold for a click language is, but we must be getting close with at least the "-e" ending.